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Coordenador Geral Pr. Antony Steff Gilson de Oliveira

APOSTILA N. 22/300.000 MIL CURSOS GRATIS EM 146 PAGINAS.

Apostila 22

Estudo Teolgico Sobre Jesus Cristo
CREIO NO DIA DO SENHOR
Parte - I
 "Lembra-te do dia do descanso, para o santificar. Seis dias trabalhars, e fars todo o teu trabalho; mas o stimo dia  o repouso do Senhor teu Deus. Nesse dia
no fars trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que est dentro Das tuas portas.
Por que em seis dias fez o Senhor o Cu e a terra, o mar e tudo o que neles h, e ao stimo dia descansou; Por isso o Senhor abenoou o dia do repouso e o santificou"
(Ex 20.8-11)
Creio no Dia do Senhor; creio no Dia do Descanso por duas razes, pelo menos: por Quem foi institudo, e para que o foi. Creio no Dia do Senhor porque a Escritura
Sagrada apresenta o cuidado e carinho do Criador pela sua criatura, criada  Sua imagem e semelhana; creio porque o prprio Deus descansou; creio pelo aspecto humanitrio,
e pela sua dimenso altamente espiritual. Creio no Dia do Senhor porque todo o esquema da criao e da nova criao se explica no dia do repouso semanal. E, naturalmente, 
h um princpio que, embasando o Dia do Descanso, o torna sagrado, separado, santificado:  o princpio de que "a parte significa o todo" (quem se aventurou pelos 
estudos da estilstica reconhece que essa  uma figura de linguagem que toma o nome de sindoque).  altamente significativo esse princpio para vrias prticas 
do Antigo Testamento, prticas e usos que encontram respaldo na Nova Aliana: no Pentateuco, encontramos o conceito de que se traziam as primcias da colheita para 
que toda a colheita fosse santificada (Ex. 19.6; Lv 20.26; 1 Pe 2.5,9; Ap 1.6); uma famlia, a de Abrao, que foi escolhida por Deus para que todas as famlias fossem 
abenoadas (Gn 12. 1-3; 18.1,18; 27.29); um homem no meio dos outros homens para que todos fossem abenoados (Ex. 28.1; Mt 10.1 ss); o primeiro filho separado e 
escolhido dos outros filhos para que toda a famlia fosse abenoada (Ex 22.19b; Jo 3.16; Rm 8.29); 10% da renda para que abenoada seja toda a renda (Lv. 27.30; 
M1 3.10; Mt 23.23; Lc 11.42); o conceito de um algum que padece intensos sofrimentos, o "Servo Sofredor", para que todos possam ser resgatados da maldio e da 
dor (Is 53.1-12; Hb 9.28; 1Pe 2.21-24). 

O mesmo acontece quanto ao Dia do Descanso, quando se reconhece que o tempo pertence a Deus, bem como o todo da criao (Ex 20.8-11; Dt 5.12-15; Lc 13.10-17; Hb 
4.9-11)!

O STIMO DIA

Vamos partir de um consenso:  preciso traduzir o nome do stimo dia para tornar o conceito e seu ensino claro, de modo que ningum confunda o abenoado conceito 
com o dia da semana em portugus que tem o mesmo nome.

A palavra sbado no pertence  nossa lngua,  uma transliterao, um aportuguesamento de uma palavra hebraica (Shabbath) que significa "cessao". Algum est 
trabalhando e faz uma pausa no que est fazendo, em hebraico dir, "vou fazer um shabbath agora"). Significa "interrupo";  o caso de voc estar escrevendo uma 
carta, o telefone toca e voc interrompe o que estava fazendo. Em hebraico, dir-se-ia "preciso fazer um shabbat para atender o telefone". Outras tradues possveis 
so "repouso, absteno, desistncia," e, por incrvel que parea, a palavra "greve" do hebraico contemporneo se traduz por shabbath, por ser uma "cessao de trabalho". 
Por essas razes, no possvel, usaremos a expresso "Dia de Descanso" que  precisamente o que significa o hebraico Yom haShabbath, dia de "sbado", dia de repouso. 
Esclareamos que os hebreus dividiam o tempo desta maneira: primeiro dia, segundo dia, terceiro dia, quarto dia, quinto dia, sexto dia e Dia do Descanso.

PARA ENTENDER...

 necessrio que se traduza para que compreendamos a revelao divina, e no nos apeguemos  guarda de um dia do calendrio considerado imutvel, alm de atribuir 
conotaes cerimoniais a uma lei apodtica, moral. Alis, o dia semanal chamado sbado encontra barreiras no fuso horrio. So 11h10, o que significa que comeamos 
o "sbado" do calendrio antes de os habitantes dos Estados Unidos (eles mesmos separados no tempo por vrios fusos horrios) terem comeado o "sbado" deles. Se 
o sbado  imutvel, criou-se um problema! E os crentes japoneses j terminaram o culto desta noite e voltaram para casa porque no Japo so 23h10, e j esto dormindo 
ou se preparando para isso. O fuso horrio se tornou herege: no horrio de vero, adianta-se uma hora; no horrio de inverno, nos Estados Unidos, atrasam uma hora.

E ns aprendemos com a Palavra de Deus que a observncia do Dia de Descanso  anterior  entrega da Lei no Sinai. Se algum pensa que este significativo e abenoador 
dia foi estabelecido na entrega da Lei no Sinai, deve tomar conhecimento de que j era observado. 
Na realidade, quando da concesso do alimento chamado man (Ex 16), o relato o menciona: 

"E ele lhes disse: Isto  o que o Senhor tem dito: Amanh  repouso, sbado santo ao Senhor; o que quiserdes assar ao forno, assai-o, e o que quiserdes cozer em 
gua; e tudo o que sobejar, ponde-o de lado para vs, guardando-o para amanh. Guardaram-no, pois, at o dia seguinte, como Moiss tinha ordenado; e no cheirou 
mal, nem houve nele bicho algum. Ento disse Moiss: Comei-o hoje, porquanto hoje  o sbado do Senhor; hoje no o achareis do campo. Seis dias o colhereis, mas 
o stimo dia  o sbado; nele no haver" (Ex 16.23-26). 

J existia, portanto, o Dia de Descanso, que vinha sendo observado pelo povo de Deus. E porque o costume do descanso j existia, foi incorporado  Lei com essa recomendao 
no quarto mandamento: "Lembra-te do dia do descanso para o santificar". Isso nos ensina que a guarda do repouso semanal  marca e evidncia da liberdade do ser humano, 
da sua liberdade individual. Essa  a dimenso humanitria desse dia da qual todos (escravos, estrangeiros, e, mesmo, os animais) deviam se beneficiar de acordo 
com xodo 20.10: "Nesse dia nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que est dentro das tuas portas". E isso nos ensina 
que temos a tarefa no s de guardar, mas de "santificar" esse dia; no apenas descanso fsico, mas de sustento para o esprito. Nosso ritmo humano de trabalho e 
descanso, trabalho por seis dias, e descanso em um dia,  reflexo da imagem de Deus porque a Bblia diz em Gnesis 2.2: "Ora, havendo Deus completado no dia stimo 
a obra que tinha feito, descansou nesse dia de toda a obra que fizera". 

O PRIMEIRO DIA

H um aspecto sagrado no descanso, no no dia da semana (Ex 20.8ss). Esse  o problema de certos grupos religiosos que enfatizam o dia da semana. O que  sagrado 
no  o dia da semana, mas o descanso, quem  sagrado  o ser humano, porque o prprio Senhor Jesus ensinou que o Dia do Descanso foi feito para o ser humano, no 
a pessoa para a instituio. Se assim acontecesse, seria um tremendo revs para o plano divino. Quem  imagem e semelhana de Deus  o irmo/a irm, no o dia. No 
 nosso objetivo colocar oposio entre dia e dia, entre o sbado e o domingo, at para no incorremos na condenao paulina que diz "...como tornais outra vez a 
esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias..." (Gl 4.10) e "um faz diferena entre dia e dia" (Rm 14.5), como tambm, "ningum 
vos julgue... por causa de sbados" (Cl 2.16b), mas apresentar o aspecto sagrado do repouso da mquina humana.

 preciso encarar esse assunto em termos de tempo e de eternidade. Estamos falando, ao discutir o descanso, de algo mais que contagem de tempo. Estamos falando de 
muito alm que contar minutos para fechar a loja. Fixar-se num dia da semana  perder o senso da eternidade, mesmo porque ns no podemos doutrinar em cima de sombras 
do calendrio (cf. Hb 10.1), o sbado temporal, e faz-lo  perder a noo de que Jesus Cristo, Ele, sim,  o nosso Shabbath, o nosso descanso, como mencionado em 
Hebreus 4.3: "Porque ns, os que temos crido,  que entramos no descanso, tal como disse: Assim jurei na minha ira: No entraro no meu descanso; embora as suas 
obras estivessem acabadas desde a fundao do mundo".

O QUE  ETERNO

O acima mencionado  o outro aspecto que deve ser enaltecido: o eterno. Nos dias do ministrio terreno de Jesus Cristo, criou-se um extremado fanatismo quanto  
questo do descanso semanal, pois, alm de no se preparar alimento nesse dia para no acender o fogo, os utenslios usados nem eram removidos e lavados. H uma 
explicao mais demorada, detalhada e lcida sobre este assunto no livro A Guarda do Sbado, de autoria do Pr. Anbal Pereira Reis. Os essnios nem iam ao sanitrio?! 
Era proibido, entre outras coisas, acender e apagar candeeiro, cozinhar ovo, atar e desatar n numa corda, dar pontos com uma agulha, escrever duas letras, esfregar 
as mos, andar mais que um certo nmero de passos (cf. At 1.12), e at prestar socorro a algum que tivesse membros do corpo quebrados, curar, portanto.

Contra esse tipo de mentalidade, Jesus Cristo reagiu por ter observado que haviam perdido a dimenso eterna pelas mesquinharias que foram chamadas de religio! E, 
por essa razo, curou doentes no dia de descanso: 

 curou um paraltico no poo de Betesda (Jo 5.1-18; cf. v. 9), razo porque foi duplamente chamado de herege (cf. v. 18); 
 curou uma cego de nascena (Jo 9.1-7, 13,14,16); 
 curou um homem de mo atrofiada (Mc 3.1-6; Lc 6.6-11); 
 curou uma mulher com terrvel problema na coluna (Lc 13.10-17), 
 e permitiu, no dia do Shabbath, atividades que eram proibidas pela Lei porque Ele  superior  Lei e Senhor da mesma. Era proibido colher trigo para a alimentao, 
no entanto, permitiu que as espigas fossem colhidas (Mc 2.23-28). 

Sentiram que importante e digno  o ser humano, imagem do nosso Deus, semelhana do Criador? Sentiram que a Lei e as suas instituies devem ser vistas  luz da 
eternidade?

Realmente, a carta aos Hebreus diz que a Lei  a sombra dos bens futuros, razo porque afirmamos que no se pode doutrinar em cima de sombras (cf. Hb 10.1). Portanto, 
com a Nova Aliana, as figuras e sombras da Antiga Aliana caducaram, e com elas os dias solenes dos judeus. 

  o caso de Levtico 23.48 que registra a instituio, e regulao da Pscoa (23.4.8); encontramos, pelo contrrio, na Nova Aliana, o apstolo Paulo dizendo que 
Jesus Cristo  a nossa pscoa (1Co 5.7). 
 O Antigo Testamento faz referncia s primcias (Lv 23.9-25), e quando Paulo escreve 1Corntios 15.20, diz que Jesus Cristo  "as primcias dos que dormem". 
 Levtico 23.33-44, ainda, menciona a Festa dos Tabernculos ou Festa das Tendas Sukkoth), mas o Evangelho de Joo registra que o prprio Deus tabernaculou, "armou 
Sua tenda", habitou no nosso meio (cf 1.4). 
 E sobre o Dia da Expiao, o Yom Kippur (Lv 23.26-32), verifica-se que esse Dia do Perdo encontra o seu lado concreto no Calvrio (Hb 2.17) porque esta solene 
festa judaica, um dos chamados pelos judeus de "dias terrveis"  s uma sombra do Calvrio que est projetada. 
 Assim  que tambm encontramos o Dia de Descanso, o Yom Shabbath (Lv 23.3), porque Jesus Cristo, Ele, sim,  o nosso shabbath, o nosso repouso (Hb 4.1ss). 

Osias, o profeta, vai predizer no captulo 2.11, que todas essa solenidades sero abolidas. "Tambm farei cessar todo o seu gozo, as suas festas, as suas luas novas, 
e os seus sbados, e todas as suas assemblias solenes". Com a Nova Aliana, no estamos mais presos ao tempo, mas, sim, abenoadamente ligados  eternidade pelo 
sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. E o apstolo Paulo o afirma: "Ningum, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua 
nova, ou de sbados, que so sombras das coisas vindouras; mas o corpo  de Cristo" (Cl 2.16,17).

CREIO NO DIA DO DESCANSO

Creio no Dia do Senhor porque creio na Nova Aliana de Deus com a humanidade, e nas realidades que ela ampliou do Antigo Pacto do Sinai! 

Creio no Dia do Senhor porque creio no sangue derramado de Jesus Cristo! 

Creio que o sacerdcio da Antiga Aliana foi conservado, mas foi ampliado, e o foi com um novo Sumo Sacerdote que  Jesus Cristo, (Hb 2.9-17; 4.14,15; 7.1-28; 9.11ss), 
e o acesso a esse sacerdcio por todos os crentes (Hb 10.19-23; 1Pe 2.5,9; Ap 1.6; 5.10; 20.6; 1Tm 2.1; Ef 6.18). 

Creio que o crente em Jesus Cristo, o salvo pelo Seu sangue  um sacerdote no reino de Deus! 

Creio no sacrifcio nico e eterno de Jesus Cristo (Hb 7.26,27; 9.24-28; 10.11-14)! 
Creio nas leis morais, at mesmo naquelas mais estritas, porque Jesus Cristo v a inteno, e no apenas o ato! Creio, portanto, na conservao do descanso! 

Creio no Dia do Senhor porque aprendo com meu Mestre que a nfase deve ser dada ao conceito, e no ao dia em si! 

Creio no Dia do Descanso porque Jesus Cristo  o Senhor desse dia, e o ser humano  superior  instituio temporal: "E prosseguiu [Jesus]: O sbado foi feito por 
causa do homem, e no o homem por causa do sbado" (Mc 2.27).

MAS, POR QUE O PRIMEIRO DIA DA SEMANA?

Quando o cristo guarda o primeiro dia da semana, ele o faz no esprito de um novo mandamento, baseado em uma Nova Aliana, e ambos como cumprimento do antigo mandamento 
e da Antiga Aliana cumpridos na f crist. 

Por que o primeiro dia da semana? Porque a ressurreio de Jesus Cristo  o acontecimento fundamental do evangelho, e realmente tudo no evangelho olha para a ressurreio 
(cf. 1 Co 15.14,17,19). Que maravilha termos como referencial o tmulo vazio! O dia da semana, em si, nada significa, mas, o que nele ocorreu, sim! Vejam s: o dia 
2 de Julho nada significa no Cear, ou no Mato Grosso, ou em Santa Catarina! Mas  significativo na Bahia porque  o Dia da Independncia deste estado ocorrida em 
1823. Fora da Bahia no tem sentido! 17 de Abril nada significa para outras igrejas na cidade do Salvador, mas tem mrito na Igreja Batista Sio, que foi organizada 
nesta data em 1936.

O primeiro dia da semana tem significado para o cristo porque em um primeiro dia da semana Jesus Cristo ressuscitou (Mt 28.1; Mc 16.1,2; Lc 24.1; Jo 20.1), e desde 
os tempos apostlicos, esse dia vem sendo reservado (At 20.7; 1Co 16.2; Ap 1.10, e escritos antigos), e Jesus ressuscitado Se encontrou com os discpulos no primeiro 
dia da semana (Mc 16.9; Mt 28.9; Lc 24.13,15,36ss; Jo 20.19,26).

Por que o primeiro dia da semana? Porque depois de estar debaixo de extrema humilhao num fim de semana, Jesus Cristo, no primeiro dia da semana, gloriosamente 
ressuscitou. De modo que olhamos o dia do descanso, seja ele o primeiro dia da semana (o descanso temporal), seja o descanso eterno,  luz da ressurreio!

E  por essa razo que na Nova Aliana o dia de descanso se chama "Dia do Senhor", significado exato da palavra domingo. Quando se fala "domingo" est sendo usada 
uma expresso da lngua latina, dies dominica, ou seja, "dia que pertence ao Senhor", porque nesse dia, o primeiro da semana (a prima feria), nossos irmos da Igreja 
Apostlica descansavam. Reuniam-se para a Ceia do Senhor: "No primeiro dia da semana, tendo-nos reunido a fim de partir o po, Paulo, que havia de sair no dia seguinte, 
falava com eles, e prolongou o seu discurso at a meia-noite" (At 20.7); e preparavam ofertas de amor: "No primeiro dia da semana cada um de vs ponha de parte o 
que puder, conforme tiver prosperado, guardando-o, para que se no faa coletas quando eu chegar" (1 Co 16.2). 

Eles o faziam no dia da ressurreio de Jesus Cristo! E  isso exatamente o que fazemos, porque compreendemos que o dia do descanso  vital, no  formal, e encontra 
expresso numa experincia de crescimento, e celebra um acontecimento, e expressa e promove uma experincia transcendental no significado para o crente em Jesus 
Cristo! 

Tambm porque compreendemos que  um memorial de experincia, um monumento  verdade (os antigos hebreus comemoravam o que devia ser lembrado levantando colunas. 
Colocavam uma pedra, e outra pedra, e uma pedra mais, e assim por diante de modo que levantavam um pilar, uma coluna, um altar (Gn 28.18; Js 22.10) para indicar 
que alguma coisa importante havia sucedido). 

Compreendemos que, sendo um memorial de uma eterna experincia, no Dia do Senhor , homens e mulheres confessam, individual e coletivamente, sua f na obra divina 
da criao de uma nova raa humana, obra divina que se fez em ns. Dizemos "eu compreendo a imortalidade desta pessoa por causa da ressurreio de Cristo" , e tudo 
isso lembramos neste primeiro dia da semana (cf. 1Co 15.22). 

Compreendemos que o Dia do Descanso enfatiza a espiritualidade da vida humana, e lembramos Lucas 12.15: "E disse ao povo: Acautelai-vos e guardai-vos de toda espcie 
de cobia; porque a vida do homem no consiste na abundncia das coisas que possui". No  o material, mas o espiritual que vale, e ns somos desafiados a considerar 
essas interpretaes da vida, decidindo por uma posio materialista, aceitando essa abundncia de coisas, ou uma posio espiritual, recebendo de mente e corao 
abertos essa bno que desejamos e continuamos a desejar e praticar.

Creio no Dia do Senhor porque eu me rejubilo nele! Ah, como me alegro, e posso exclamar como o fez o poeta de Israel: "Este  o dia que o Senhor fez; regozigemo-nos, 
e alegremo-nos nele" (Sl 118.24). Alegro-me por sua mensagem de ressurreio, e o prprio Senhor Jesus Cristo diz: "No temas; eu sou o primeiro e o ltimo, e o 
que vivo; fui morto, mas eis aqui estou vivo pelos sculos dos sculos; e tenho as chaves da morte e do hades" (Ap 1.17b,18). Creio no Dia do Senhor porque  um 
dia de culto, de descanso, de renovao da vida;  um dia de reconhecimento de Deus, de comunho com Deus, de dedicao do eu em tempo e vida a Deus.

O Dia de Descanso  um tipo dos cus. J pensaram que toda a boa msica que praticada nas igrejas  apenas uma sombra do que vem, quando mudaremos toda nossa atividade 
para o louvor? A pregao vai acabar, a Bblia diz que "as profecias sero aniquiladas" (1Co 13.8) e restar o eterno louvor do coro dos anjos e salvos! No entanto, 
lembremos que aos olhos cristos nenhum dia  mais santo que o outro. Vamos rever os conceitos: no existe dia mais santo que outro porque neles devemos trabalhar, 
e o trabalho sempre foi considerado uma santa misso. (cf. Ex 20.9).

 assim que o Dia do Senhor d profundidade, dimenso, altura e significado aos demais dias! Que o Senhor nos ajude a compreender essa to grande realidade, e a 
compreender que Jesus Cristo, Ele sim,  o nosso eterno descanso!

Parte II
O CAMINHO DA SALVAO 
 Todos precisamos de salvao. A vontade de Deus  que todos se salvem. Para consecuo desse plano, Ele enviou seu Filho unignito, "para que todo aquele que nEle 
cr no perea, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). O verdadeiro caminho  Jesus, que disse: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ningum vem ao Pai, seno por 
mim" (Jo 14.6). E Ele prprio convida o pecador para receber salvao: "Estou  porta e bato; se algum ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e 
com ele cearei, e ele, comigo" (Ap 3.20). 

Primeiro passo

O homem deve reconhecer que  pecador; que est afastado de Deus pelo pecado; que est numa situao miservel, pois "TODOS PECARAM E DESTITUDOS ESTO DA GLRIA 
DE DEUS" (Rm 3.23). "Se dissermos que no temos pecado, enganamo-nos a ns mesmos, e no h verdade em ns" (1 Jo 1.8). Pela desobedincia do primeiro casal o pecado 
entrou no mundo e com o pecado, a morte. O homem herdou de Ado e Eva a natureza pecaminosa. O pecado original estendeu-se por toda a humanidade como uma herana 
maldita, porque "semente gera semente da mesma espcie". Jesus foi o nico homem, gerado no ventre de uma mulher, que no foi contaminado pela semente danosa do 
pecado. Ele foi gerado pela semente de Deus, e como tal pde pagar o preo de nossa redeno. 

Segundo passo

Arrependimento. Neste passo, o homem reconhece que  pecador e toma a deciso de dar meia volta e seguir caminho diferente. Joo Batista dizia em suas pregaes: 
"Arrependei-vos, pois est prximo o reino dos cus" (Mt 3.2). Jesus iniciou o seu ministrio chamando todos ao arrependimento (Mt 4.17). No basta arrepender-se; 
 preciso deixar o pecado, deixar a mentira, o adultrio, as palavras torpes, tudo o que estiver em desobedincia a Deus.

"O QUE ENCOBRE AS SUAS TRANSGRESSES NUNCA PROSPERAR, MAS O QUE AS CONFESSA E DEIXA, ALCANAR MISERICRDIA" (Pv 28.13). 

Terceiro passo

Aceitar Jesus como Senhor e Salvador: "Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus, e, em teu corao, creres que Deus O ressuscitou dos mortos, sers salvo. 
Visto que com o corao se cr para a justia, e com a boca se faz confisso para a salvao" (Rm 10.9-10). A essncia da salvao est neste versculo: f, senhorio 
de Cristo e Sua ressurreio. "Confessar ao Senhor Jesus" no significa apenas aceit-LO de viva voz, numa deciso pblica. Compreende, tambm, levar uma vida crist 
de obedincia a Ele, em palavras e atos. 

As conseqncias desses passos

Receber perdo: "Se confessarmos os nossos pecados, Ele  fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustia" (1 Jo 1.9). 
Passar a viver uma nova vida: "Assim que, se algum est em Cristo, nova criatura : as coisas velhas j passaram; eis que tudo se fez novo" (2 Co 5.17). 
Ser recebido como filho do Altssimo: "Todos vs sois filhos de Deus pela f em Cristo Jesus" (Gl 3.26). 
Receber o Esprito: "No sabeis vs que sois santurio de Deus, e que o Esprito de Deus habita em vs?" (1 Co 3.16). 
Salvar-se-: "Quem nEle cr no  condenado; mas quem no cr j est condenado, porquanto no cr no nome do unignito Filho de Deus" (Jo 3.18).

Parte III
O PASSAPORTE PARA O REINO DE DEUS
A mensagem de Joo 3.1-12 - 
Suponhamos que voc estivesse correndo em direo ao aeroporto a fim de viajar para um pas distante. Na hora de mostrar o passaporte no guich voc no o encontra 
de jeito nenhum. De repente voc se lembra que o deixou em casa, em cima do televisor; porm, busc-lo agora no seria possvel porque voc mora longe e, de qualquer 
forma, perder o vo. Sem passaporte no h como embarcar. Assim  em relao ao reino de Deus. Sem passaporte no h como entrar nele, e nem ao menos v-lo. Que 
passaporte  esse? Quem o expede? Como podemos consegui-lo? Quanto custa?  o que pretendemos conferir neste estudo.

1. O passaporte para o reino de Deus  o novo nascimento.

Nicodemos no compreendeu o significado bblico do ensino de Jesus sobre o reino de Deus, o novo nascimento e suas implicaes. E voc, compreende?

a. Um homem chamado Nicodemos

Seu nome  de origem grega e significa "conquistador do povo".  mencionado somente no Evangelho de Joo e sua primeira apario ocorre no captulo 3, onde  descrito 
como fariseu (partido religioso da poca), um dos principais dos judeus (significando que era membro do Sindrio, o mais alto tribunal civil e eclesistico de Israel) 
e mestre (isto , um escriba, cuja profisso era estudar, interpretar e ensinar a lei). Parece que apesar de saber - juntamente com outros que pensavam como ele 
(cf. Jo 2.23) - que Jesus era "Mestre vindo da parte de Deus; porque ningum pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus no estiver com ele" (Jo 3.2), Nicodemos 
temia ser descoberto pelos judeus e denunciado a seus colegas fariseus, resultando em sua expulso do Sindrio e da sinagoga. Seria esta a razo principal pela qual 
ele foi ter com Jesus de noite?  provvel que sim. Em Joo o medo religioso no  um tema ignorado.

Mesmo sendo mestre em Israel Nicodemos no conseguiu entender, a priori, as metforas espirituais empregadas por Cristo (vv4,9). Nicodemos  mencionado novamente 
em Joo 7.50,51, onde mostrou mais coragem ao protestar contra as acusaes feitas  pessoa de Jesus, sem que Ele fosse ouvido. A referncia final a Nicodemos aparece 
em Joo 19.39, onde se registra que ele trouxe uma grande quantidade de especiarias valiosas para ungir o corpo de Jesus, o que indica que era homem de posio social.

b. O conceito bblico de reino de Deus

A idia de reino de Deus est presente em toda a Bblia. No entanto, a expresso como tal aparece somente no Novo Testamento. A expresso "reino de Deus" ocorre 
4 vezes em Mateus, 14 vezes em Marcos, 32 vezes em Lucas, 2 vezes em Joo, 6 vezes em Atos, 8 vezes em Paulo e 1 vez no Apocalipse. "Reino dos cus" aparece somente 
em Mateus (33 vezes). "Reino de Deus" e "reino dos cus" so variaes lingsticas da mesma idia (cf. Mt 19.23,24). Mateus, que escreveu para os judeus, preferia 
usar a expresso idiomtica semtica, enquanto que os demais escritores do NT a forma grega thes (Deus). Os judeus, por respeito e temor, normalmente usavam um 
termo apropriado no lugar do nome de Deus (cf. Mt 21.25).

O reino de Deus tambm  o reino de Cristo. Jesus fala do reino do Filho do homem (Mt 13.41; 16.28); de "meu reino" (Lc 22.30; Jo 18.36). Paulo fala do "reino do 
Filho" (Cl 1.13) e "seu reino celestial" (2 Tm 4.18). Pedro menciona a "entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2 Pe 1.11). Deus confiou 
o reino a Cristo (Lc 22.29), e quando o Filho tiver completado o Seu governo, entregar o reino ao Pai (1 Co 15.24). Por isso,  o "reino de Cristo e de Deus" (Ef 
5.5). "O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo" (Ap 11.15). No existe nenhuma tenso entre "o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo" 
(Ap 12.10).

Quando se compara Joo com os sinticos (Mateus, Marcos e Lucas), percebe-se algo interessante. Nos sinticos o tema dominante  o reino de Deus, cuja expresso 
aparece somente 2 vezes em Joo (3.3,5), enquanto que vida, ou vida eterna,  um conceito menos usado. Num estudo cuidadoso de Reino nos sinticos e de Vida em Joo, 
descobre-se que "ambos pertencem  mesma categoria teolgica, e so sinnimos". De acordo com C. K. Barret, vida eterna em Joo "substitui o reino de Deus dos evangelhos 
sinticos". Portanto, quando Jesus fala de ver ou entrar no reino de Deus,  o mesmo que ter vida eterna ou ser salvo (cf Jo 3.16,17). O reino de Deus  o mbito 
em que seu domnio  reconhecido e obedecido, e no qual prevalece sua graa. A menos que algum nasa de novo, no pode sequer chegar a ver o reino de Deus; isto 
, no pode experiment-lo e participar dele; no pode possu-lo e desfrut-lo (Cf. Lc 2.26; 9.27; Jo 8.51; At 2.27; Ap 18.7). Antes que algum possa ver esse reino, 
antes que algum possa entrar nesse reino, e antes que algum possa ter vida eterna em qualquer sentido,  necessrio nascer de novo.

c. O contexto do novo nascimento

O contexto do dilogo de Joo 3 consiste na insuficincia de uma f baseada em sinais externos (Jo 2.23). Jesus no podia confiar naqueles cuja f era meramente 
superficial. Ele tinha conhecimento perfeito da natureza humana (Jo 2.24,25), como se v na entrevista com Nicodemos. Num contexto mais amplo, por assim dizer, no 
podemos entender adequadamente a doutrina do novo nascimento fora do contexto do ser humano no pecado. O novo nascimento  necessrio por causa da seriedade do pecado 
e da incapacidade do ser humano de resolver, por si s, o problema do pecado. Foi isso que Jesus disse a Nicodemos quando declarou no verso 6: "O que  nascido da 
carne,  carne ; e o que  nascido do Esprito,  esprito". Segundo Hendriksen, "Este versculo pode ser parafraseado do seguinte modo: A natureza humana pecadora 
produz natureza humana pecadora (cf. J 14.4, 'Quem da imundcia poder tirar cousa pura? Ningum'. Cf. Tambm Sl 51.5). O Esprito Santo  o autor da natureza humana 
santificada".

Em sua primeira epstola, o apstolo Joo trabalha a verdade do dilogo de Jesus com Nicodemos na apresentao de seus resultados na vida moral do crente. Aquele 
que  nascido de Deus cr e ama a Jesus: "Todo aquele que cr que Jesus  o Cristo  nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou, tambm ama ao que dele 
 nascido" (1 Jo 5.1). Ele pratica a justia: "Se sabeis que ele  justo, reconhecei tambm que todo aquele que pratica a justia  nascido dele" (1 Jo 2.29). No 
leva uma vida de pecado: "Todo aquele que  nascido de Deus no vive na prtica de pecado; pois o que permanece nele  a divina semente; ora, esse no pode viver 
pecando, porque  nascido de Deus" (1 Jo 3.9). "Sabemos que todo aquele que  nascido de Deus no vive em pecado..." (1 Jo 5.18a). Ama seus irmos em Cristo e conhece 
a Deus: "Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama  nascido de Deus, e conhece a Deus" (1 Jo 4.7). E experimenta a 
vitria da f sobre o mundo: "Porque tudo o que  nascido de Deus vence o mundo; e esta  a vitria que vence o mundo, a nossa f" (1 Jo 5.4).

O verbo "nascer", empregado por Joo no Evangelho e em sua 1a Epstola, aparece no texto grego no tempo aoristo ou perfeito, indicando o carter nico, decisivo 
e completo do novo nascimento, com efeitos profundos e permanentes. Sendo assim, "De acordo com Joo, o que  o novo nascimento?" Packer faz a pergunta e ele mesmo 
responde com muita propriedade: "No  uma alterao ou adio  substncia ou s faculdades da alma, e, sim, uma drstica mudana operada sobre a natureza humana 
cada, que leva o homem a ficar sob o domnio eficaz do Esprito Santo e o torna sensvel a Deus, o que ele previamente no era. No  uma mudana produzida pelo 
prprio homem, da mesma forma que os infantes nada fazem a fim de induzir ou contribuir para sua prpria procriao e nascimento. Trata-se de um livre ato de Deus, 
no provocado por qualquer mrito ou esforo humano (cf. Jo 1.12; Tt 3.3-7), por ser totalmente um dom da graa divina".

2. O passaporte para o reino de Deus  o novo nascimento produzido pelo Esprito Santo. 

O Esprito santo  o agente do novo nascimento. Nascer de novo  o mesmo que nascido do Esprito (v8) ou do alto, conforme sugere o advrbio grego nothen nos versos 
3 e 7. Voc j nasceu de novo?

a. O significado de nascer da gua e do Esprito

O que significa nascer da gua e do Esprito? A expresso nascer da gua e do Esprito tem sido interpretada de vrias maneiras. As diferentes opinies acontecem, 
basicamente, em torno da expresso "nascer da gua". As principais interpretaes referem-se 1)  palavra de Deus (Pink, Mattew Henry, entre outros); 2) ao batismo 
com gua (Hendriksen, Lenski, entre outros); 3)  operao purificadora do Esprito Santo (Calvino, Packer, entre outros). Estou convencido de que a terceira interpretao 
 a correta. O argumento de Calvino sobre esta passagem  digno de considerao. Diz ele que
"... depois de Jesus Cristo expor a Nicodemos a corrupo de nossa natureza, e dizer-lhe que  preciso que sejamos regenerados, como Nicodemos imaginava um segundo 
nascimento corporal, Cristo lhe mostra de que maneira Deus nos regenera; a saber, em gua e em Esprito; como se dissesse: Pelo Esprito, o qual purificando e regando 
as almas faz o ofcio da gua. Desse modo  que eu tomo a gua e o Esprito simplesmente pelo Esprito, que  gua. Esta maneira de falar no  nova, visto que est 
de acordo com a que se encontra em Mateus, onde Joo Batista diz: 'O que vem aps mim vos batizar com Esprito Santo e com fogo' (Mt 3.11). Portanto, como batizar 
com Esprito Santo e com fogo  dar o Esprito Santo, o qual tem a natureza e a propriedade do fogo para regenerar aos fiis, da mesma forma nascer da gua e do 
Esprito no quer dizer outra coisa seno receber a virtude do Esprito Santo, que faz na alma o mesmo que a gua no corpo. Sei que outros interpretam esta passagem 
de outra maneira; mas eu no tenho dvida de que este  o sentido prprio e natural da mesma, uma vez que a inteno de Cristo no  outra que advertir-nos sobre 
a necessidade de nos despojarmos de nossa prpria natureza se queremos entrar no reino de Deus. (...) ningum pode entrar no reino de Deus at ser regenerado com 
a gua viva; isto , com o Esprito".

Packer, seguindo o pensamento de Calvino, diz que em Joo 3.5 a palavra gua "no se refere a nada externo que seja complementar  obra interior do Esprito nem 
ao batismo de Joo nem ao batismo cristo nem s guas do nascimento natural, como algumas pessoas tm suposto, mas, sim, ao aspecto purificador da renovao interior 
como tal, da maneira como  retratada em Ezequiel 36.25-27". Diz ele ainda que o fato de no se mencionar a gua no versculo 6 de Joo 3  uma evidncia de que 
no verso 5 a gua  apenas "uma ilustrao de um aspecto da ao renovadora do Esprito".

Conclumos, portanto, que assim como no h diferena entre ver o reino de Deus e entrar nele; nenhuma distino entre ver a vida (Jo 3.36) e entrar nela (Mt 19.17; 
Mc 9.43,45), tambm no existe qualquer diferena entre nascer da gua e do Esprito.

b. Livre e soberanamente

Em Joo 3 a natureza do novo nascimento fica evidente naquela analogia empregada por Jesus quando diz: "O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas no sabes donde 
vem, nem para onde vai; assim  todo o que  nascido do Esprito" (Jo 3.8). Alm disso, a palavra grega nothen (de novo, vv3,7), que tambm poderia ser traduzida 
por "de cima", "do alto", "do cu" (o que  o mesmo que dizer, "de Deus" [Jo 1.13]), evidencia ainda mais o carter livre e soberano do Esprito Santo na obra da 
regenerao. Tendo-se em vista a estrutura vertical do pensamento joanino, e a nfase que ele coloca na ao soberana do Esprito, a traduo "de cima" (e equivalentes), 
ajusta-se melhor ao contexto. Sendo assim, por que utilizamos tambm a expresso nascer "de novo"? Ns a utilizamos porque 1)  uma traduo possvel no presente 
contexto, e 2) em Joo nascer do "alto" significa o mesmo que nascer de novo e vice-versa.

"Provavelmente, enquanto Jesus conversava com Nicodemos sobre essas questes, o vento noturno soprou mansamente pelas ruas estreitas do lugarejo, e sua presena 
refrescante e fria varreu o que fora deixado nas ruas durante o dia. Essa circunstncia pode ter sugerido a ilustrao usada por Jesus, e convenhamos que foi uma 
figura simblica muito apropriada para representar as operaes do Esprito de Deus" (CHAMPLIN, op. cit., 307).

A comparao que Jesus faz entre o vento e o Esprito Santo em Joo 3.8 para ilustrar o novo nascimento  muito inteligente. A comear pelo uso dos termos, em portugus 
"vento" e "Esprito" so tradues distintas de uma mesma palavra grega, a saber, pneuma. Somente o contexto  que define a traduo correta. A comparao de Jesus 
tambm  indicada pela palavra "assim". Alm disso, nota-se dois pontos na analogia. O primeiro ponto  visto na expresso "onde quer"; e o segundo (que estudaremos 
mais adiante) na expresso "no sabes".

Teologicamente falando, assim como o vento sopra onde quer, ouvimos a sua voz, mas no sabemos donde vem, nem para onde vai; o Esprito Santo age livre e soberanamente, 
implantando no corao a vida que tem sua origem no nos homens, mas em Deus.

O vento  uma fora que no podemos dominar nem barrar. O vento no consulta o beneplcito de ningum, nem pode ser regulado pelos artifcios de quem quer que seja. 
Assim acontece com o Esprito. O vento sopra quando quer, onde quer, como quer. Assim se d com o Esprito. Do modo como o ir e vir do vento no pode ser controlado 
pelo homem, tambm o novo nascimento do Esprito  independente da vontade humana (cf. Jo 1.13). O vento  regulado pela sabedoria divina. Todavia, no tocante ao 
ser humano,  absolutamente livre e soberano em suas operaes.

Do mesmo modo  o Esprito Santo. s vezes o vento sopra to suavemente que as folhas quase no farfalham; em outras ocasies, sopra com tanta fora que seu rugido 
pode ser ouvido a muitos quilmetros de distncia. Assim tambm podemos observar na questo do novo nascimento. Com algumas pessoas o Esprito Santo trata de maneira 
to suave que a sua atuao  quase imperceptvel a observadores humanos; com outras, sua ao  to poderosa, radical e revolucionria que suas operaes tornam-se 
evidentes para muitos. s vezes, o vento tem alcance meramente local; em outras ocasies sua rea de atuao  de grande alcance. Assim acontece com o Esprito Santo: 
hoje ele regenera uma ou duas pessoas, ao passo que amanh poder compungir o corao de multides inteiras, conforme ocorreu no dia de Pentecostes. Seja como for, 
agindo em poucos ou em muitos, ele no consulta homem algum. Age como quer. O novo nascimento se deve  vontade livre e soberana do Esprito Santo de Deus.

c. Sobrenatural e misteriosamente

O carter sobrenatural e misterioso do Esprito Santo na obra da regenerao pode ser encontrado tambm na analogia do vento e o Esprito, principalmente na parte 
em que Jesus diz: "no sabes donde vem, nem para onde vai". O Mestre ensina a Nicodemos que a obra regeneradora do Esprito Santo no pode ser entendida em seu aspecto 
mstico e sobrenatural, como Nicodemos queria (Jo 3.9), ao mencionar o vento como exemplo de comparao. Do mesmo modo que ningum sabe de onde vem o vento, nem 
para onde vai , assim  todo o que  nascido do Esprito. E assim como o vento, a ao oculta do Esprito Santo no corao humano no pode ser vista ou controlada, 
mas seus efeitos so inconfundivelmente evidentes.

Se olharmos atentamente para Joo 3.1-12, veremos que o sobrenatural e o misterioso esto presentes do comeo ao fim da passagem. A prpria expresso "nascer de 
novo" ou "do alto" soava incompreensvel aos ouvidos de Nicodemos. O mestre de Israel sabia que Jesus falava de nascimento, mas no entendeu a natureza desse nascimento, 
que  espiritual (Jo 3.4). No devemos interpretar a pergunta admirada de Nicodemos como se ele pensasse que realmente deveria retornar ao ventre materno e nascer 
segunda vez. Certamente ele aguardava uma resposta negativa por parte de Jesus. E assim, como  absolutamente impossvel algum entrar no ventre materno e nascer 
pela segunda vez, espiritualmente falando tambm no existe qualquer possibilidade de algum entrar no reino de Deus se no nascer de novo. Pelo menos, a colocao 
de Nicodemos em Joo 3.4 serviu para Jesus desenvolver ainda mais o que Ele queria ensinar. A expresso nascer da gua e do Esprito, que para ns ocidentais parece 
estranha e, por isso, tem dado margem para diversas interpretaes, foi usada por Jesus para facilitar a compreenso de Nicodemos sobre o novo nascimento, sem perder 
de vista o carter sobrenatural e misterioso do mesmo. 

Segundo Bruce, a expresso nascer da gua e do Esprito "ecoa a linguagem do A. T. e pode ter sido escolhida para fazer soar uma campainha na mente de Nicodemos". 
E mais:
"Se ele considerasse impossvel adquirir uma natureza nova mais tarde na vida, agora deveria lembrar que Deus tinha prometido fazer exatamente isto em seu povo Israel: 
'Aspergirei gua pura sobre vs, e ficareis purificados; ... e porei dentro de vs esprito novo (Ez 36.25s.). Este 'esprito novo' era o Esprito do prprio Deus: 
'Porei dentro em vs o meu Esprito' (Ez 36.27). A promessa a Israel atravs de Ezequiel foi ampliada na viso do vale de ossos secos, quando o profeta obedeceu 
 ordem divina: 'Profetiza ao esprito (= sopro), profetiza,  filho do homem, e dize-lhe: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos,  esprito, e assopra 
sobre estes ossos, para que vivam' (Ez 37.9). Nesta passagem de Ezequiel, como na presente passagem do quarto evangelho, deve ser lembrado que a mesma palavra hebraica 
(rah) e grega (pneuma) pode ser traduzida por 'sopro', 'vento' ou 'esprito', dependendo do contexto".

Novamente Jesus  mal compreendido pelo fariseu. "Ento, lhe perguntou Nicodemos: Como pode suceder isto? Acudiu-lhe Jesus: Tu s mestre em Israel e no compreendes 
estas cousas?" (Jo 3.9,10). O ensino de Jesus foi sem dvida uma grande lio para um homem que acreditava, como muitos de sua poca, que podia salvar-se mediante 
a obedincia da lei de Moiss, e por muitos outros preceitos produzidos pelos homens. Jesus esperava que um homem como Nicodemos, famoso por suas exposies das 
Escrituras, reconhecido como autoridade em todas as questes religiosas (cf. Jo 7.50,51), compreendesse com naturalidade o que Ele dizia, visto que Seu ensino no 
era completamente novo. Estava respaldado no Antigo Testamento.

Jesus continua: "Se, tratando de cousas terrenas, no me credes, como crereis, se vos falar das celestiais?" (Jo 3.11). O que Jesus quis dizer com essas palavras? 
Se o novo nascimento  algo sobrenatural, por que Ele o chama de "cousas terrenas"? E o que seriam, porventura, as coisas "celestiais"? Uma das melhores interpretaes 
que encontrei foi a de F. F. Bruce. Diz ele: "A maneira mais natural de entender as coisas terrenas  atentar para o que Jesus estava falando. Pode parecer estranho 
classificar o novo nascimento como algo 'terreno', pois, por natureza,  um nascimento do alto; mas  'terreno' no sentido de que acontece na terra e pode ser ilustrado 
por analogias terrenas. No ensino de Jesus, o novo nascimento faz parte do estgio elementar. H muito mais a ser aprendido depois de compreendida esta lio, mas 
como pode algum que ainda no o experimentou avanar para compreender a plenitude da revelao de Deus em Cristo? Entre as coisas 'celestiais', que no tm analogias 
terrenas, podem ser mencionadas a relao eterna do Filho com o Pai e sua encarnao na terra. Estas coisas esto totalmente fora do alcance da experincia humana; 
para saber delas somos completamente dependentes de algum que veio de Deus para revel-las, o Filho do homem".

Conclumos que mesmo quando sabemos o momento exato do nosso novo nascimento, ainda assim no  possvel compreender to alto mistrio. Telogos e filsofos no 
so capazes de resolver este assunto. A teologia e a filosofia no conseguem desvend-lo. Charles Hodge, o erudito de Princeton, expressou-se simplesmente da seguinte 
forma acerca do mistrio da regenerao: "No est ao alcance da filosofia ou da teologia resolver este mistrio. , contudo, o dever do telogo examinar as vrias 
teorias salvficas, e rejeitar toda semelhana quando so inconsistentes com a Palavra de Deus".

3. O passaporte para o reino de Deus  o novo nascimento produzido pelo Esprito Santo de graa.
Se voc ainda no tem, adquira hoje mesmo seu passaporte gratuitamente e faa uma boa viagem.

a. Por que de graa?

Em um comercial de televiso, o vendedor oferecia um produto que garantia a aquisio de um outro "de graa", segundo ele. "Por que de graa?", perguntava, e a resposta 
logo em seguida era, "porque de graa  melhor!". No que se refere  obteno de nosso passaporte para a vida eterna no d para agir assim. O passaporte para o 
reino de Deus no pode ser adquirido como se fosse um brinde por termos comprado (ou merecido) alguma coisa. O passaporte para o reino de Deus s pode ser obtido 
de graa, pela graa, por intermdio da f. "Porque pela graa sois salvos, mediante a f; e isto no vem de vs;  dom de Deus; no de obras, para que ningum se 
glorie" (Ef 2.8,9). O passaporte para o reino de Deus  um presente do Senhor para ns; por isso, no existe nenhuma outra maneira de consegui-lo a no ser de graa, 
pois somos pecadores por natureza, impossibilitados de adquiri-lo por nossos prprios mritos (cf. Rm 3.23; 6.23).

Cristo garantiu o nosso passaporte atravs de sua morte na cruz. O Esprito Santo , por assim dizer, o expedidor ou agente desse passaporte. Em linguagem teolgica 
isso significa que o Esprito Santo  o aplicador da obra redentora de Cristo. "O nico agente eficaz na aplicao da redeno", segundo nos ensina a Confisso de 
F de Westmisnter. De acordo com o Breve Catecismo, "Tornamo-nos participantes da redeno adquirida por Cristo pela eficaz aplicao dela a ns pelo Seu Santo Esprito". 
Vemos, ento, que o Esprito Santo est estreitamente ligado  pessoa e obra de Cristo. Por conta disso, a Bblia o denomina de "Esprito de Jesus" (At 16.7); "Esprito 
de Cristo" (Rm 8.9); "Esprito do Filho" (Gl 4.6) e "Esprito de Jesus Cristo" (Fp 1.19). Em outro lugar Paulo diz: "Ora o Senhor  o Esprito" (2 Co 3.17). Isto 
no significa que Cristo e o Esprito sejam a mesma pessoa, e sim, que h uma unidade divina entre ambos para a nossa redeno. Cooperam mutuamente com esta finalidade. 
Podemos perceber a clareza deste fato quando lemos Mateus 28.20; Joo 15.26; 16.14,15, onde Cristo promete retornar a Seus discpulos e a ns no Esprito.  por 
isso que Paulo diz em algumas vezes que  Cristo e em outras o Esprito Santo quem habita em ns (Rm 8.9,10; 1 Co 3.16; Gl 2.20).

Conclumos, ento, que o passaporte para o reino de Deus  de graa porque no existe a mnima possibilidade de algum nascer de novo, ser salvo e obter a vida eterna 
por seu prprio esforo ou mrito pessoal. A salvao no pode ser comprada ou ganha por obras ou merecimento (At 15.11; Ef 2.8,9).  de graa! Porm, custou um 
alto preo ao nosso Senhor e Salvador. Paulo diz que fomos "comprados por preo" (1 Co 6.20), e Pedro complementa dizendo que no fomos salvos "mediante cousas corruptveis, 
como prata ou ouro..., mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo" (1 Pe 1.18,19). O mrito  todo de Cristo. Ele pagou 
um alto preo para que mseros pecadores como ns pudessem ser salvos de graa.

b. A graa de Deus no novo nascimento.

"Graa"  o favor imerecido de Deus para conosco. Nenhum de ns  merecedor de ver ou entrar no reino de Deus atravs do novo nascimento, a no ser pela graa. Graa 
 o favor imerecido de Deus para quem estava em dbito com Ele.

Imaginemos a seguinte situao: ao se deparar na rua com um mendigo que nunca vira antes, algum tira um dinheiro do bolso e lhe entrega. Esta atitude de ajudar 
o mendigo, por mais louvvel e recomendvel que seja, ainda no  graa.  compaixo. Agora, se aquela pessoa compassiva ajudasse um mendigo ou algum que fez mal 
a ela; algum que prejudicou sua vida e, por isso, est em dbito com ela, e mesmo assim se dispe a ajudar o ofensor, isso  graa.
Graa  um favor imerecido para quem est em dbito com aquele que o ajuda.

Uma diferena bsica entre graa e compaixo no que se refere  pessoa de Deus,  que na primeira o Senhor nos deu o que no merecamos. Paulo diz: "Porque o salrio 
do pecado  a morte, mas o dom gratuito de Deus  a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Rm 6.23). E mais: "Porque pela graa sois salvos, mediante a f; 
e isto no vem de vs;  dom de Deus; no de obras, para que ningum se glorie" (Ef 2.8,9). No merecamos a vida eterna. Quanto  misericrdia ou compaixo de Deus, 
Ele no nos deu o que merecamos; a saber, a morte eterna. "Num mpeto de indignao escondi a minha face por um momento; mas com misericrdia eterna me compadeo 
de ti, diz o Senhor, o teu Redentor" (Is 54.8).

Tiago diz que "Toda boa ddiva e todo dom perfeito so l do alto, descendo do Pai das luzes, em quem no pode existir variao ou sombra de mudana" (Tg 1.17). 
O novo nascimento descrito em Joo 3 tambm vem do alto.  um dom da livre graa de Deus. Uma obra realizada pelo Esprito Santo, a fim de que cegos espirituais 
possam ver o reino de Deus; que pessoas afastadas dele por causa do pecado possam entrar; e que mortos em seus delitos e pecados possam viver a vida do reino. O 
novo nascimento  o dom da graa de Deus que muda a disposio de nossa alma, inclinando nosso corao para o Senhor.

A regenerao  uma ddiva graciosa de Deus, como toda boa ddiva e todo dom perfeito que vm do alto. Tudo de bom que recebemos ou possumos nesta vida, e que nos 
aguarda no futuro tambm,  pela graa. Nada  nosso, exceto o pecado.

"A graa se adapta melhor  nossa necessidade do que qualquer outra coisa. Visto que o pecado  um tirano que reina sobre ns, e pretende levar-nos  morte eterna, 
que esperana podemos ter de salvao firmados em nossos prprios esforos? Quando nossas conscincias ficam alarmadas por causa de nossas muitas falhas vergonhosas, 
no estamos em desespero? Lembre-se, porm, de que a salvao  pela graa de Deus! A graa de Deus est fundamentada na obedincia perfeita e meritria de Cristo. 
O pecado no pode destruir o valor disso. A graa pode reinar sobre a maior indignidade (cf. Rm 5.21). Na verdade,  s com o indigno que a graa se preocupa. Isso 
 assombroso! Isso  maravilhoso! H esperana de salvao para o pior indivduo, se  que ela  assegurada pela riqueza da graa que reina".

c. A condio necessria do novo nascimento

A condio necessria do novo nascimento aparece, pelo menos, em duas ocasies em Joo 3.1-12.
A primeira delas ocorre no verso 3 quando Jesus diz a Nicodemos: "... se algum no nascer de novo, no pode ver o reino de Deus". Segundo Sproul,
"Quando Jesus disse a Nicodemos que 'se' algum no nascesse de novo, ele estava afirmando aquilo a que chamamos de condio necessria. Uma condio necessria 
 um requisito absoluto para que um resultado desejado qualquer tenha lugar. Por exemplo, no pode haver fogo sem a presena do oxignio, pois o oxignio  uma condio 
necessria para que haja combusto. (...). A palavra 'se' faz da regenerao um sine qua non da salvao. No havendo regenerao, no haver vida eterna". Vale 
destacar, ainda, que por trs vezes nesta passagem Jesus utiliza o prefcio solene "em verdade, em verdade te digo" (Jo 3.3,5,11). As palavras "em verdade" em forma 
duplicada aparecem 25 vezes somente no Evangelho de Joo, e sempre pronunciadas pelo Senhor Jesus. Essas palavras - do hebraico amm, transportado para o Novo Testamento 
- denota uma forte nfase. Em outras palavras, quando Jesus falou sobre a regenerao como uma condio necessria para ver e entrar no reino de Deus, ele declarou 
essa condio necessria de maneira enftica. Alm dessas palavras ("em verdade,..."), a expresso "no pode" tambm  crucial no ensino de Jesus.

"Trata-se de uma expresso negativa que aborda a idia de habilidade ou possibilidade. Sem a regenerao, ningum (negativa universal)  capaz de entrar no reino 
de Deus. No h excees.  impossvel algum entrar no reino de Deus sem ter renascido".
A segunda ocasio em que aparece a condio necessria do novo nascimento em Joo 3, encontra-se no verso 7. A verso Almeida Revista e Atualizada (ARA), adotada 
neste estudo, traduz assim o versculo: "No te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo". Outras possveis tradues so as seguintes: "No te maravilhes 
de te ter dito: Necessrio vos  nascer de novo" (ARC); "Por isso no se admire de eu dizer que todos vocs precisam nascer de novo" (BLH). Para Nicodemos aquela 
histria toda sobre nascer de novo parecia muito estranha. Ele estava acostumado  idia de salvao por meio das obras da lei; isto , por uma ao do homem. Mas 
o ensinamento que agora recebe  que a salvao  um dom de Deus, e que, em sua primeira etapa, tem lugar por meio de um acontecimento no qual o homem  necessariamente 
passivo.

"Com freqncia, na pregao de nossos dias, interpreta-se mal a expresso necessrio vos . Deve-se entender claramente que, em concordncia com todo o contexto, 
no se refere  esfera da obrigao moral mas  do decreto divino. Quando Jesus diz: 'Necessrio vos  nascer de novo', no significa, 'Fazei todo o possvel para 
nascer de novo'. Pelo contrrio, o que quer dizer : 'Algo tem que suceder-vos: o Esprito Santo deve por em vosso corao a vida do alto'. E Nicodemos precisaria 
ter um conhecimento suficientemente profundo de sua prpria incapacidade e corrupo para compreender isto imediatamente. Assim no teria mostrado com sua expresso 
ou com suas palavras que lhe parecia to estranha e surpreendente o ensino de Jesus acerca da absoluta necessidade e do carter soberano da regenerao".

Deus seja louvado por to grande salvao! O passaporte para o reino de Deus  o novo nascimento produzido pelo Esprito Santo de graa. 
Notas:
 luz das palavras de Nicodemos em Joo 3.2,  provvel que ele tivesse presenciado os sinais que Jesus fazia em Jerusalm durante a festa da pscoa (Jo 2.23). O 
"sabemos" de Nicodemos (v2) e o "sabemos" de Jesus (v11), parecem sugerir um contraste entre o conhecimento produzido pela reflexo humana e o conhecimento resultante 
da estreita comunho com o Pai. Para outras possveis interpretaes consulte R. N. CHAMPLIN, O Novo Testamento Interpretado Versculo por Versculo: Lucas-Joo, 
Vol. II. Guaratinguet: A Voz Bblica, s/d, p. 308. 

No estamos considerando as trs vezes em que a palavra "reino" aparece isoladamente em Joo 18.36. Cf. Jlio Paulo Tavares ZABATIERO, Vida. In: DITNT. So Paulo: 
Vida Nova, Vol. IV, 1983, p. 758. Um exemplo de que as expresses reino de Deus e vida eterna so equivalentes pode ser encontrado em Marcos, onde "entrar na vida" 
(Mc 9.43,45)  o mesmo que "entrar no reino de Deus" (Mc 9.47). Ibdem. 

Cf. HENDRIKSEN, op. cit., p. 143. "Carne" em Joo 3.6 no tem a mesma conotao de Joo 1.13. Nesta ltima passagem "carne" indica desejo carnal, o impulso sexual 
do homem e da mulher; enquanto que em Joo 3.6 refere-se  natureza no regenerada que est em oposio ao Esprito (cf. Gl 5.17). HENDRIKSEN, op. cit., p. 145.

J. I. PACKER, Vocbulos de Deus. So Jos dos Campos: Editora Fiel, 1994, p. 137.

Joo CALVINO, Institucin de la Religin Cristiana (IV, xvi, 25). 3 ed. Pases Bajos: Felire, 1986, Vol. II, p. 1061,2. Em seu comentrio de Joo, Calvino trata 
deste assunto ainda com mais detalhes. Consulte Calvin's Commentaries: The Gospel According to St John 1-10. Grand Rapids: Eerdmans, 1961, p. 64,65. J. I. PACKER, 
Na Dinmica do Esprito. So Paulo: Vida Nova, 1991, p. 64. Idem, p. 64,65. Embora esteja ciente da distino que alguns telogos fazem entre "regenerao" e "novo 
nascimento", neste estudo essas palavras so usadas indistintamente.

Jesus no disse que ningum conhece a direo do vento, e sim, que ningum conhece sua origem e seu destino. F. F. BRUCE, op. cit., p. 81. Idem, p. 81,82. Note que 
o pronome pessoal da segunda pessoa do singular (tu) est subentendido na frase; portanto, a expresso "no me credes" refere-se a Nicodemos, enquanto que "como 
crereis", que est na segunda pessoa do plural, refere-se a Nicodemos e queles que ele representava.

BRUCE, op. cit., p. 84,85.

C. HODGE, Sistematic Theology. Grand Rapids: Eerdmans, 1946, Vol. III, p. 6. XXXIV, 3. Resposta 29.

Abraham BOOTH, Somente Pela Graa. So Paulo: PES, 1986, p. 15. R. C. SPROUL, O Mistrio do Esprito Santo. So Paulo: Cultura Crist, 1997, p. 94. 

Cf. Joo 7.13; 9.22; 12.42; 19.38. Para outras possibilidades do porqu Nicodemos ter visitado Jesus  noite, consulte G. HENDRIKSEN, Comentario Del Nuevo Testamento: 
El Evangelio Segn San Juan. Grand Rapids: SLC, 1987, p. 142. Alguns eruditos identificam Nicodemos com Nicodemos ben Gorion, um rico cidado de Jerusalm e irmo 
de Josefo ben Gorion, o famoso escritor das guerras e antigidades dos judeus. Mas no h provas conclusivas a respeito desta identificao. Consulte F. F. BRUCE, 
Joo: Introduo e Comentrio. So Paulo: Vida Nova/Mundo Cristo, 1987, p. 78; R. N. CHAMPLIN, op. cit., p. 303. Cf. G. E. LADD, Reino de Cristo, de Deus, dos Cus 
In: EHTIC. So Paulo: Vida Nova, Vol. III, 1990, p. 262.

Idem, p. 95. Ibdem. Consulte a nota 21 para o significado dos pronomes pessoais usados por Jesus neste dilogo. Cf. G. HENDRIKSEN, op. cit., p. 145. Ibdem.

Parte IV
O SIGNIFICADO DA SALVAO 
 Quais as implicaes prticas da salvao em Cristo Jesus para o homem e a mulher de hoje?  A expresso JESUS SALVA  muito conhecida em nossos dias, pois alm 
de ser convencionalmente anunciada  comum v-la nos vidros dos carros e nos pra-choques dos caminhes. Entretanto, o que ela realmente significa? Antes de tudo 
 importante ter em mente que Jesus  salvao. Ele  a prpria salvao, ou melhor, a nica salvao. Pedro afirmou: "E no h salvao em nenhum outro nome, dado 
entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos" (At 4.12). Para o apstolo Pedro Jesus  a salvao no mais profundo sentido da palavra. 

Complementando Pedro, o apstolo Paulo, por sua vez, acrescenta: "Porquanto h um s Deus e um s Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem" (I Tm 2.5). 
Alm disso, o apstolo entendia que o propsito divino para a salvao de algum  eterno. "... Deus nos escolheu desde o princpio para a salvao...", diz Paulo 
em 2 Tessalonicenses 2.13. E em Efsios 1 diz ainda que Deus nos escolheu em Cristo para a salvao antes da fundao do mundo. 

O Senhor Jesus, dentre outras maneiras, apresentou a salvao em termos de ato e processo, libertao e manuteno. 

Vejamos, resumidamente, o que significa a salvao em Cristo Jesus. 

1) LIBERTAO DO PECADO 

Que  pecado? 
"Pecado  qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou qualquer transgresso desta lei" (Breve Catecismo de Westminster, cf Tg 2.10; 4.17; I Jo 3.4). Em 
outras palavras, pecado  tudo aquilo que se faz contrrio  vontade de Deus.  errar o alvo naquilo que Deus quer para a nossa vida. 

O pecado surgiu no jardim do den com a desobedincia dos nossos primeiros pais, ao comerem do fruto proibido (Gn 3.12,13; Os 6.7). Uma vez que Ado era o nosso 
representante diante de Deus, o gnero humano que dele procedeu por gerao ordinria, pecou nele e caiu com ele na sua primeira transgresso (Gn 1.28; At 17.26; 
Rm 5.12-14; I Co 15.21,22). Por causa desta transgresso todo gnero humano possui agora uma natureza corrompida e escravizada pelo pecado (Sl 51.5; Rm 5.18,19; 
6.6,17,20; 8.7; Ef 2.1-3). E o resultado final de tudo isto  que a humanidade perdeu a comunho com Deus, est debaixo de sua ira e maldio, e assim sujeita a 
todas as misrias nesta vida,  morte e s penas do inferno para sempre (Gn 3.8,24; Mt 25.41-46; Rm 6.23; Ef 2.3). 

Mas Deus deixou todas as pessoas perecerem em seus pecados? De modo algum! "Tendo Deus, unicamente pela sua boa vontade desde toda a eternidade escolhido alguns 
para a vida eterna, entrou com eles em um pacto de graa, para os livrar do estado de pecado e misria, e traz-los a um estado de salvao por meio de um Redentor" 
(Breve Catecismo, cf Jo 17.6; Ef 1.4; Tt 1.2). E quando aceitamos a Jesus e por Ele somos salvos, o Pai nos justifica. "Justificao  um ato da livre graa de Deus, 
no qual Ele perdoa todos os nossos pecados e nos aceita como justos diante de Si, somente por causa da justia de Cristo a ns imputada, e recebida s pela f" (Rm 
5.18; 2 Co 5.21; Gl 2.16). 

Para que algum seja salvo por Cristo  necessrio que se arrependa dos seus pecados e creia no Senhor Jesus como nico e suficiente Salvador de sua vida (Mc 1.15; 
At 16.31). 

2) LIBERTAO DO PECADO PARA A VIDA ETERNA 

A morte foi e sempre ser, como conseqncia do pecado, a maior de todas as calamidades que o ser humano j experimentou na face da terra. A morte  o pagamento 
mais elevado do pecado, "porque o salrio do pecado  a morte" (Rm 6.23a). Portanto, viver eternamente, h muitos e muitos anos, tem sido o anseio do corao de 
cada pessoa. Haja vista, por exemplo, a preocupao de Juan Poncil de Leon que no sculo XV saiu  procura duma fonte da juventude, e de Clepatra, a rainha egpcia 
do sculo I a. C., que passava horas e horas se banhando em gua com plantas aromticas para imortalizar a sua idade juvenil. 

A no conformidade com a morte gera a esperana de uma vida eterna. Eis alguns exemplos da Antigidade: Indgenas colocavam junto aos mortos as armas que estes haviam 
usado em vida, na certeza de que lhes seriam teis nas lutas do alm. Os groenlandeses enterravam junto s crianas um co para gui-las atravs do bosque sombrio 
que supunham existir nos limites da outra vida. Os egpcios punham  disposio do morto, na sua tumba, um esboo de uma das regies do alm. Os gauleses 'emprestavam' 
dinheiro aos defuntos na expectativa de reav-lo na outra vida. Os gregos colocavam, na boca dos cadveres, uma moeda de prata, a fim de pagarem a passagem pela 
travessia de um rio que, segundo se cria, limitava os dois mundos. 

VIDA ETERNA  a expresso que praticamente resume a misso de Cristo, agora e sempre, para todo aquele que nEle cr. "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que 
deu o seu Filho unignito, para que todo o que nele cr no perea, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16). Paulo salienta: "Ele (Cristo) vos deu vida, estando vs mortos 
nos vossos delitos e pecados" (Ef 2.1). A palavra "vida" usada por Paulo em Efsios 2.1 , em grego, ZOE e no BIOS, indicando, desse modo, aquela qualidade de vida 
espiritual e eterna que s Jesus pode dar. 
Vale a pena ressaltar que "a vida eterna no  simples existncia eterna; significa existir com todas as faculdades desenvolvidas em plenitude de alegria. No  
existir como a erva seca, mas sim, como a flor em toda a sua beleza" (Carlos Spurgeon, O Conquistador de Almas). 

A vida eterna consiste no conhecimento de Deus (cf Jo 17.3). Este conhecimento, longe de ser uma simples questo de compreenso intelectual acerca de Deus, significa, 
na verdade, um relacionamento pessoal, devocional e ntimo com Ele. A vida eterna  uma obra da livre graa de Deus que adquirimos quando nos convertemos, isto , 
quando nos arrependemos de nossos pecados e cremos em Jesus para a nossa salvao. E nem mesmo a morte fsica serve de obstculo para a vida eterna; pelo contrrio, 
a morte, para os crentes,  "uma libertao do pecado e um passo para a vida eterna" (Catecismo de Heidelberg, cf Jo 5.24; Rm 7.24; Fp 1.23). Alm disso, ter a vida 
eterna  o mesmo que estar salvo num processo irreversvel (Jo 5.24; 6.47; 10.27,28; I Jo 5.13). Vida eterna, como o prprio nome indica, no  uma coisa que temos 
hoje e perdemos amanh. Neste caso seria vida transitria, jamais eterna. 

"O salrio do pecado  a morte, mas o dom gratuito de Deus  a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 6.23). 

3) LIBERTAO DO PECADO PARA A VIDA ETERNA EM SANTIDADE DE VIDA 

A santidade de vida consiste no fato de morrermos cada vez mais para o pecado e vivermos para a retido (cf Rm 6.6; 12.1,2; Ef 4.20-24; I Pe 1.2). E no h outra 
coisa que Deus mais deseja para aqueles que foram libertados do pecado, enquanto estiverem no mundo, seno uma vida contnua de santificao. "Pois esta  a vontade 
de Deus, a vossa santificao", diz Paulo (I Ts 4.3). E Pedro complementa: "... segundo  santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos tambm vs mesmos em todo 
o vosso procedimento, porque escrito est: Sede santos, porque eu sou santo" (I Pe 1.15,16). 

Paulo diz ainda em Efsios 1.4 que a nossa eleio por parte de Deus visava a nossa santificao: "... nos escolheu... para sermos santos e irrepreensveis perante 
Ele". E no somente isto, mas a santidade de vida  tambm uma das grandes evidncias de nossa eleio e salvao (cf 2 Pe 1.3-11). 

 necessrio que estejamos atentos para o estado perigoso de muitos que professam a f crist hoje em dia. Sem a santificao "ningum ver ao Senhor", diz o autor 
de Hebreus (Hb 12.14). Quanto a este particular, o erudito John Owen, puritano do sculo XVII, afirmou: "No h imaginao mais tola e perniciosa, que costuma caracterizar 
os homens, do que esta - que pessoas no purificadas, no santificadas, cujas vidas no so santas, supostamente possam ser levadas quele estado de bem-aventurana 
que consiste no aprazimento de Deus. Nem tais pessoas desfrutariam de Deus, e nem Deus seria uma recompensa para elas. A santidade, na verdade, ser aperfeioada 
no cu, mas os seus primrdios invariavelmente esto confinados a este mundo". 

"No h salvao sem santificao", costumavam dizer os puritanos do passado. 

De que maneira trocamos o pecado pela vida de santidade? Como a velha natureza ainda faz parte de nossa vida, devemos lutar constante e diligentemente contra toda 
forma de pecado. O bispo anglicano J.C.Ryle, em seu famoso livro Santidade, apresenta-nos uma receita infalvel para se lutar contra e vencer o pecado. Diz ele: 
"A santidade tambm  algo que depende em muito do uso diligente dos meios bblicos. Quando falo em meios, tenho em vista a leitura da Bblia, a orao privada, 
a freqncia regular  adorao pblica, o ouvir constante da Palavra de Deus e a participao regular na Ceia do Senhor. Afirmo como um simples fato que ningum 
que se descuida quanto a esses exerccios pode conseguir grande progresso no caminho da santificao. (...). Deus opera atravs de meios, e Ele nunca abenoar uma 
alma que pretenda ser to elevada e espiritual que possa dispensar esses exerccios, como se fossem desnecessrios". 

O Pai celestial nos abenoar atravs dos meios, mas s se estivermos dispostos a nos apropriarmos deles (Mc 14.38). E no se esquea: Jesus Cristo deve ser o maior 
exemplo de santidade a ser imitado por voc (Cl 2.6; I Pe 2.21,22; I Jo 2.6). Pois s assim  possvel manifestar a f verdadeira, porque, como sabemos, a f sem 
obras  morta! 

4) LIBERTAO DO PECADO PARA A VIDA ETERNA EM SANTIDADE DE VIDA, VISANDO A GLRIA DE DEUS

Em sua pergunta de n 3, o Catecismo de Doutrina Crist declara: "Para que fim vos criou Deus a vs e a todas as coisas?". "Para a sua prpria glria",  a resposta. 
Esta declarao singela resume o contedo de toda a Bblia no que concerne ao propsito de Deus para a Sua criao em geral, e para o ser humano em particular. 

A glria de Deus  o tema da revelao geral (a criao) e da revelao especial (a Palavra). O Salmo 19  um exemplo maravilhoso de declarao e manifestao da 
glria de Deus pela criao (vv1-6) e pela Palavra (vv7-14). Contudo, somente a Bblia  a nica regra para nos dirigir na maneira correta de glorificar a Deus. 
E dentro do que estamos apresentando at aqui, conclumos, pela Palavra de Deus, que a salvao em Cristo, que consiste na libertao do pecado para vivermos eternamente 
em santidade de vida, no tem outro fim supremo e principal seno o de glorificar a Deus. 

Mas o que significa glorificar a Deus? A palavra glorificar s vezes significa tornar algum glorioso, ou conceder-lhe glria; outras vezes quer dizer reconhecer 
algum como glorioso, ou manifestar sua glria. No primeiro sentido se diz que Deus glorifica (torna ou concede glria) tanto a Cristo (At 3.13) como aos justificados 
(Rm 8.30). Neste caso, portanto, no podemos glorificar a Deus, pois nada podemos acrescentar  perfeio que Ele tem em si mesmo. 

O segundo sentido de glorificar, que ocorre vrias vezes nas Escrituras, quer dizer que podemos e devemos declarar por palavras e atitudes que Deus  glorioso, isto 
, honr-lO e louv-lO como tal, e tornando conhecidas de outros Sua majestade, bondade, etc. 

Ns glorificamos a Deus quando cantamos para Ele, quando oramos a Ele, quando estudamos a Sua Palavra e, principalmente, quando fazemos a Sua vontade (Mt 12.50; 
Lc 6.46-49). Ademais,  importante ficar claro que de nossa parte apenas glorificamos a Deus quando fazemos as coisas com o propsito de glorific-lO de fato (cf 
I Co 10.31). Digo isto simplesmente porque Deus no tem prazer naquilo que no O Glorifica. Por exemplo: Quantas vezes oramos a Deus com o fim de satisfazermos simplesmente 
os nossos prprios interesses? No duvido que  na orao que muitas vezes usurpamos a glria que pertence a Deus. Tiago 4.3 diz: "Pedis, e no recebeis, porque 
pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres". Ao tratar dos impedimentos  orao, R.A.Torrey comenta Tiago 4.3 de um modo que deve nos levar  reflexo. Diz 
ele: "Um propsito egosta na orao rouba-lhe o poder. Muitas oraes so egostas. Pode tratar-se de coisas perfeitamente adequadas para ser objeto de petio, 
coisas que sejam da vontade de Deus conceder, mas o motivo da orao  inteiramente errado, e assim ela se anula. O verdadeiro propsito na orao  para que Deus 
possa ser glorificado na resposta. Se pedirmos algo simplesmente para recebermos o que pedimos e us-lo em nossos prazeres ou em nossa prpria gratificao, estamos 
'pedindo mal' e no podemos esperar receber aquilo que pedimos. Isto explica porque muitas oraes permanecem sem resposta" (Torrey, Como Orar). Deus quer abenoar 
muito a voc e a mim, mas para isso precisamos fazer a coisa certa, do jeito que a Bblia nos ensina a fazer. 

O sentido da vida consiste em atribuir a Deus a glria que exclusivamente Lhe pertence. Por isso precisamos ter em mente ainda outra coisa:  necessrio reconhecermos 
que se existe alguma bondade, habilidade e talento em ns  por causa da graa e misericrdia de Deus para conosco. I.H. Marshall, comentando a trgica morte do 
rei Herodes em Atos 12, disse corretamente: "A lio  que o prprio Deus age contra aqueles que usurpam a Sua posio e reivindicam para si mesmos as honras divinas". 
Talvez no cheguemos ao ponto de reivindicar para ns mesmos as honras divinas como Herodes fez, mas no estamos to longe desse erro como poderamos pensar. Toda 
forma de soberba e orgulho  uma pssima indicao de que algum est querendo para si o que deveria atribuir a Deus. A Bblia, assim como a histria antiga e moderna, 
tem vrios exemplos desastrosos da chamada sndrome de Lcifer. Porque quem a si mesmo se exaltar ser humilhado por Deus. E ser humilhado por Deus  uma experincia 
deveras terrvel. Mas quem a si mesmo se humilhar ser exaltado por Deus (Mt 23.12; Pv 15.33). 

Aprendamos, pois, as sbias lies de Joo Batista ("Convm que Ele cresa e que eu diminua", Jo 3.30), de Paulo ("Mas longe esteja de mim gloriar-me, seno na cruz 
de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo est crucificado para mim, e eu para o mundo", Gl 6.14) e do Senhor Jesus Cristo ("Pois o prprio Filho do homem 
no veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos", Mc 10.45). 

Concluindo: Somos libertados da escravido do pecado por Cristo para vivermos dia-a-dia a nova vida que glorifica a Deus. Portanto, faamos da seguinte orao o 
nosso compromisso de f: 

Resolutos, Senhor, e com zelo e fervor,
Os teus passos queremos seguir!
Teus preceitos guardar, o teu nome exaltar,
Sempre a tua vontade cumprir.
(Sammis e Ginsburg)

Parte V
JESUS E O "CRISTO REDENTOR" 
 Construdo no perodo de 1921 a 1931, para comemorar o centenrio da independncia do Brasil, o monumento que representa Cristo contemplando a cidade do Rio de 
Janeiro, do alto do Corcovado,  o mais imponente smbolo da idolatria nacional. 

Quiseram as autoridades da poca, certamente, proclamar bem alto a opo crist do Brasil. A imagem de Jesus erigida num pedestal natural, num monte, na capital 
e mais importante cidade brasileira, atingia plenamente os objetivos. O monumento ficaria defronte para o Po de Acar e Baa de Guanabara, exposto visitao pblica 
e fcil de ser apreciado pelos navegantes. Tudo muito ajustado e correto sob o ponto de vista de seus idealizadores, no fosse um detalhe importante: Deus condena 
a construo de imagens de qualquer Pessoa da Santssima trindade, dos anjos e dos santos bblicos. No podiam desconhecer a Lei Moral porque o encerramento do cnon 
do Antigo Testamento se deu mais ou menos a 445 a.C., e as primeiras Bblias comearam a chegar ao Brasil por volta de 1856. Vejamos o que diz o Segundo Mandamento:

"No fars para ti imagens de escultura, nem alguma semelhana do que h em cima dos cus, nem embaixo na terra, nem nas guas debaixo da terra. No te encurvars 
a elas nem as servirs; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos at  terceira e quarta gerao daqueles que me aborrecem, 
e fao misericrdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos" (xodo 20.4). Deus  infinitamente divino e grandioso para ser representado por obras 
feitas por homens. Jesus  Deus. O Segundo Mandamento probe fazer imagem do prprio Deus. H quem acredite que o "Cristo Redentor" com seus braos abertos est 
abenoando a cidade e seus moradores. Engano. Jesus, o Cristo, ressuscitou e vive. Ele fala, ouve, atende, cura, salva e perdoa. No est petrificado, mudo, surdo, 
paraltico e cego. No decora as casas, os montes, as cidades ou o colo de alguma donzela. Dispensa e rejeita qualquer adorao que lhe seja dirigida por meio de 
uma imagem, seja ela de 30 centmetros ou de 50 metros de altura, pese dois quilos ou dez toneladas. "Deus  Esprito, e importa que os que o adoram o adorem em 
esprito e em verdade" (Joo 4.24). As "bnos" do "Cristo de pedra" no evitaram que o Rio se tornasse na mais carnavalesca das cidades; no evitaram a construo 
de um monumento  festa da carne, o sambdromo, nem que seus morros se transformassem em reduto de traficantes de drogas. Nem evitaram que a feitiaria ali fizesse 
morada. O "Cristo Redentor", alm de ser um smbolo da desobedincia a Deus,  uma mentira. A figura que ali est no  a de Jesus, o Jesus da Bblia. Ningum fotografou 
o Mestre ou fez qualquer descrio de suas feies: "Suas imagens so mentira. Nelas no h esprito" (Jeremias 10.14). Jesus no pactua com essas coisas e dispensa 
essas honrarias. Vejamos: "Vs pertenceis ao vosso pai, o diabo, e quereis executar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princpio, e no se firmou na verdade, 
pois no h verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe  prprio, pois  mentiroso e pai da mentira" (Joo 8.44). Jesus tambm disse: "Eu sou a Verdade" 
(Joo 14.6). Ao erguerem o "Cristo Redentor" seus construtores davam cumprimento s inspiradas palavras do apstolo peregrino": "Pois tendo conhecido a Deus, no 
o glorificaram como Deus, nem lhe deram graas, antes seus raciocnios se tornaram fteis, e seus coraes insensatos se obscureceram. Dizendo-se sbios, tornaram-se 
loucos, e mudaram a glria de Deus incorruptvel em semelhana da imagem de homem corruptvel, bem como de aves, quadrpedes e rpteis" (Romanos 1.21-23).

O que devo fazer? Perguntaria um preocupado pecador, arrependido pelas vezes que subiu com reverncia ao monumento do falso redentor. Aquele que chorou amargamente 
por haver negado a Jesus por trs vezes, responde: "Arrependei-vos, e cada um de vs seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdo dos pecados" (Atos 2.38). 
"Deus, no levando em conta os tempos da ignorncia, manda agora que todos os homens em todos os lugares se arrependam" (Atos 17.30). O monumento deve ser demolido? 
Se algum lanar essa idia enfrentar uma cerrada oposio; muitos sero os argumentos contrrios  derrubada do "Cristo". O diabo teve ativa participao nessa 
obra e deseja a sua perpetuao. Desde o tempo de Ado e Eva o diabo continua dizendo aos homens que vale a pena desobedecer a Deus. Convm a Satans e a seus anjos 
que muitos dolos sejam construdos em todo o Brasil. dolos de barro, de pedra, de madeira, de ouro, de prata, de bronze. Por qu? Porque enquanto os olhos e os 
pensamentos do povo estiverem fixos nessas imagens, o verdadeiro Cristo redentor ser esquecido, e no ser adorado "em esprito e verdade".

Para destruir esse "bezerro de ouro" seria necessrio surgir um Moiss, com a face iluminada pela glria de Deus? Haveria necessidade de Deus imprimir em tbuas 
de pedra um outro Mandamento, mais claro, mais contundente, mais cristalino? Por certo o mais seguro  esperarmos pela promessa do Todo-Poderoso:

"E suceder, naquele dia, diz o Senhor, que eu exterminarei no meio de ti os teus cavalos e destruirei os teus carros; e destruirei as cidades da tua terra e derribarei 
todas as tuas fortalezas; e tirarei as feitiarias da tua mo, e no ters agoureiros; E ARRANCAREI DO MEIO DE TI AS TUAS IMAGENS DE ESCULTURA E AS TUAS ESTTUAS; 
e tu no te inclinars mais diante da obra das tuas mos; e arrancarei os teus bosques do meio de ti; e destruirei as tuas cidades"
(Miquias 5.10-14).

Parte VI
AS IMPLICAES DA RESSURREIO DE CRISTO
Para a Igreja - (Marcos 16.1-8) 
 Nesta ocasio de celebrao da Pscoa, devemos estudar sobre as implicaes eclesiolgicas da ressurreio de nosso Senhor Jesus para nossas vidas em particular 
e, conseqentemente, para a Igreja que  o Corpo Vivo de Cristo. 

No trataremos das implicaes teolgicas, o que nos exige estudo aprofundado de Cristologia, mas podemos e devemos aproveitar a ocasio para uma reflexo profunda 
sobre a nossa prtica no ser igreja e ainda, se nossa expresso cltica  verdadeiramente louvor a Deus e proclamao de seu Evangelho. 

A ressurreio sempre foi um tema desafiador para o povo de Deus e ainda o  para a igreja. Se estudarmos com seriedade o tema identificaremos trs divises objetivas 
que so: 

1) Ressurreies anteriores a de Jesus:
a) 1 Reis 17.22 - O filho da viva de Sarpta por Elias. 
b) 2 Reis 4.35 - O filho da sunamita por Eliseu. 
c) 2 Reis 13.21 - O homem jogado na sepultura de Eliseu, pelo contato com os ossos do profeta.

2) Ressurreies no Ministrio de Jesus:
a) Mateus 9.25 - A filha de Jairo. 
b) Lucas 7.15 - O filho da viva de Naim. 
c) Joo 11.44 - Lzaro, o amigo de Jesus.
d) Mateus 27.52-53 - Os Santos que morreram justos no momento da morte de Jesus.
e) Marcos 16.6 e correlatos - O prprio Senhor Jesus.

3) Ressurreies posteriores a de Jesus:
a) Atos 9.37 e 40 - Tabita ou Dorcas, por Pedro.
b) Atos 20.9-12 - utico, por Paulo em Trade.

De todas as narrativas sobre esta manifestao sobrenatural de Deus a ressurreio de Jesus tem implicaes especficas, conforme profetizado no Salmo 16.10, que 
assevera que o Pai no permitiria que ao Filho habitar com os mortos, mesmo tendo ele estado na habitao dos mortos e proclamado libertao ali, 1 Pedro 3.18 e 
19. 

Veremos pelo menos trs destas implicaes para nossas vidas e Igreja.

I - As barreiras e dificuldades para nossa atuao no mundo so retiradas pelo prprio Deus; (vs. 3 e 4):

O texto declara que as mulheres estavam preocupadas com a pedra que era muito grande. Em Mateus 27.60, referindo-se ao tamanho da pedra, o evangelista diz ser mega, 
isto , muito grande, de uma amplitude que grande seria pouco para expressar, a pedra colocada na entrada do sepulcro.

Os olhos daquelas mulheres, vs. 3, estavam como muitas vezes ficam os olhos da igreja diante dos desafios para a evangelizao ou para a realizao de seus ministrios, 
fixados nos problemas, presos nas dificuldades e voltados para a derrota, como se fssemos cegos.
A prova disto  a expresso do texto no vs. 4, "levantaram os olhos", no original. O verso afirma que elas recuperaram a viso ao erguerem os olhos. Na verdade houve 
uma mudana radical na perspectiva daquelas mulheres. No mais olhavam para baixo e sim para cima, para o alto, e isso lhes permitiu a visualizao do milagre. A 
pedra estava revolvida e no era mais uma barreira.

Amados irmos e irms, erguer os olhos denota ato de f. Sempre que agimos pela f os obstculos, as barreiras e dificuldades para a consecuo do ministrio da 
igreja e da evangelizao deixam de existir. Deus mesmo nos abre as portas pelo seu poder e para sua glria.

A segunda implicao  decorrente da primeira, visto que...

II - No h o que temer, o mais feroz inimigo foi vencido por Jesus; (vs. 5 e 6):

A profecia do Salmo 16.10 e 11, j citado, afirma que no haveria destruio espiritual na vida de Jesus. Seu esprito no ficaria no inferno, a habitao dos mortos. 
A vitria foi prometida e  garantida por Deus para a igreja, que  o Corpo Vivo do Senhor Jesus.

O vs. 5 de Marcos 16 fala do medo daquelas mulheres. Esse medo seria uma reao humana que precisava ser vencido. O texto, no original, fala que elas "caram atnitas 
de espanto" por no terem visto o corpo de Jesus. Neste instante, o anjo que estava ali para ministrar queles coraes, vs. 6, diz que no havia motivos para espanto, 
para o susto. As mulheres foram desafiadas  renunciarem o medo, vencendo-o pela f.

Jesus no estava l. No encontraram um corpo inerte e em putrefao. Jesus havia ressuscitado. Acordara! Despertara da morte levantando em triunfo e vitria sobre 
a morte e o pecado. Jesus ressurgiu! O defunto, aparentemente derrotado, no est inerte e nem mesmo preso em sua lpide, pois no confronto com a morte, com o poder 
das trevas, Jesus sempre  vitorioso. As mulheres procuravam um homem morto mas encontraram o Deus Vivo! O apstolo Paulo, em 1 Corntios 15.54-56, pergunta sobre 
a vitria da morte, ao que ele mesmo responde: "tragada foi a morte na vitria". A vitria de Jesus Cristo na sua ressurreio. O tmulo de Jesus vazio, fato que 
nenhum outro lder religioso conseguiu,  prova cabal e insofismvel da vitria de Cristo sobre a morte e sobre o inferno. A igreja precisa expressar f genuna 
e plena nesta vitria se deseja consumar o Reino de Deus no mundo.

No existe nada que possa deter o triunfo da igreja, a no ser a falta de f na vitria que nos foi outorgada por Jesus Cristo. O medo  paralisante. A paralisia 
desemboca na acomodao. A acomodao fossiliza a igreja. Devemos subjugar o medo e rejeitar com veemncia a acomodao, libertando-nos do risco da fossilizao, 
para que, pela f, sejamos uma igreja com autoridade proftica no testemunho do Cristo vivo. 

A terceira implicao, como no poderia deixar de ser,  decorrente desta, e indica que... 

III - A igreja deve avanar sempre com a convico de que Jesus vai adiante dela; (vs. 7):

Tenho em mente a experincia do povo de Deus na travessia do mar, ao sarem do Egito, quando clamaram ao Senhor diante de um desafio intransponvel aos olhos humanos. 
Deus simplesmente determina: "dize ao povo que marche", xodo 14.15. Seria maravilhoso se ns tivssemos a disposio de apenas marcharmos rumo a vitria do Evangelho 
no mundo, jamais lamentando os desafios, a dureza dos coraes ou a incredulidade reinante. 

Como igreja, nosso desafio  conquistar a totalidade das etnias pela pregao. A ordem do Mestre  ir, verso 15. Da mesma forma o anjo ordena s mulheres dizendo 
"ide".  um imperativo. No existe a alternativa para permanecerem prostradas. No lhes  oferecida a opo para cumprirem apenas uma parte do mandado. A ordem determinada 
pelo anjo  tal qual a de Jesus, unvoca e irrefutvel. 

Devemos observar que no  ir em qualquer direo ou sem uma misso especfica.  ir para o lugar designado por quem deu a ordem. Ir em frente, para a Galilia, 
pois o Senhor vai adiante. No texto original o termo indica que Jesus mesmo preparava o caminho para que seguissem, garantindo a chegada em segurana, bem como a 
eficcia na misso. O Senhor ressurreto e vitorioso vai adiante da igreja aplainando o caminho para os "ps daqueles que anunciam a Paz".

No encontramos no Texto Sagrado desculpas para ficarmos prostrados ou vislumbrados diante da magnitude da vitria de Cristo. Devemos avanar em ofensiva contra 
o pecado na proclamao do Evangelho.  imperioso pregarmos a qualquer tempo e circunstncias a vitria de Jesus Cristo contra o pecado, a morte e o inferno. O Senhor 
Jesus vai adiante de ns, prepara o caminho, tira as barreiras e rompe os grilhes. A igreja deve segui-lo com firme convico de f, pois somos a Igreja vitoriosa, 
triunfante e gloriosa.

Concluso:

 maravilhoso fazermos parte de uma equipe que j tem a garantia da vitria contra os seus opositores e seu Adversrio.

Amados irmos e irms, se nos detivermos ante aos obstculos, ante aos temores que nos tentam embotar a conscincia e nos arrefecer a f, ou se nos prostrarmos em 
inrcia ociosa e diablica resultante de ostracismo espiritual e de uma vida devocional rasa e insipiente, de certo perderemos o Senhor Jesus de vista, pois ele 
sempre vai adiante e nunca estaciona em sua marcha triunfal  Jerusalm celestial. Devemos adentrar a Cidade Santa com o Senhor.

Creiamos, amados, o Senhor mesmo colocar por terra todos os obstculos. A ressurreio de Jesus  prova mais que contundente de que no precisamos temer, pois o 
mais vors inimigo est derrotado e envergonhado, Colossenses 2.15. Nada pode deter o avano do evangelho no mundo, a no ser o comodismo da igreja.

Minha orao  que as implicaes da ressurreio de Cristo sejam as implicaes pertinentes em nossas vidas e igreja. Somos o Corpo Vivo de Cristo e membros uns 
dos outros, o que nos impe convico de f e determinao evangelstica jamais praticadas em nossa histria. 

Somos ns hoje, como Elias, Eliseu, Pedro e Paulo o foram no passado, os detentores do poder e da uno espiritual para a ressurreio de todo aquele que crer em 
Cristo Jesus como resultado do nosso testemunho e pregao. Que Deus nos ajude nesta atuao como ressuscitadores dos mortos nos delitos e pecados. 

Amm.
Parte VII
MINISTRIO DE CRISTO
Modelo para o Ministrio da Igreja - Parte II 
Mateus 4. 23-25 

4.23. Percorria Jesus toda a Galilia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenas e enfermidades entre o povo.

4.24. E a sua fama correu por toda a Sria; trouxeram-lhe, ento, todos os doentes, acometidos de vrias enfermidades e tormentos: endemoninhados, lunticos e paralticos. 
E ele os curou.

4.25. E da Galilia, Decpolis, Jerusalm, Judia e dalm do Jordo numerosas multides o seguiam. 9.35. E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando 
nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenas e enfermidades.

Estivemos em ocasio anterior refletindo a respeito do ministrio de Cristo e afirmando que o ministrio de Cristo era um modelo ideal para o nosso ministrio. Na 
ocasio anterior, falamos de trs aspectos do ministrio de Jesus Cristo: que o seu ministrio foi de ensino, destacando que ao ensinar Jesus apelava  mente de 
seus ouvintes; tambm destacamos que o seu ministrio foi de proclamao, vendo que neste aspecto Ele apelava ao corao dos ouvintes; finalmente, enfatizamos que 
o ministrio de Jesus Cristo foi um ministrio de cura e que Jesus Cristo curava toda sorte de doenas e enfermidades, nesse ltimo aspecto Jesus Cristo estava tratando 
do corpo. Com isso, queramos demonstrar a integralidade do ministrio de Cristo que envolvia todas as reas do ser humano.

Na continuao, queremos destacar a influncia do ministrio de Jesus no seu contexto e na sua poca.

1. O ministrio de Jesus teve repercusso.

E a sua fama correu por toda a Sria.

Ao ler a narrativa de Mateus podemos perceber que o ministrio de Jesus sem que fossem necessrios cartazes e anncios na Folha de Jerusalm ou nos principais programas 
televisivos de Israel era cada dia mais conhecido. No que Jesus contasse por trs de si mesmo com uma equipe especialista em estratgia de marketing religioso que 
apregoasse as suas virtudes e grandezas. No, no era esse o caso! As coisas excelentes se afirmam por si mesmas. A luz no pode ser escondida, o sabor do sal sempre 
ser perceptvel, o brilho do diamante sempre se revela. 

Quem precisa de propaganda, de anncio, de divulgao do seu ministrio  quem est ansioso por projeo, por sucesso e fama.

Jesus, j havia rejeitado anteriormente, no episdio da tentao, usar o poder para provar quem era. Quem  no precisa provar. Satans disse: se s! Mas Deus disse: 
Tu s o meu filho amado.

Jesus sabia e nos ensina isso, o importante  aquilo que somos para Deus; seus amados. 

Somos amados por Deus, no pelo sucesso que fazemos, pela fama que temos, pelo poder que possumos. Nada disso impressiona a Deus. Ele nos ama porque somos seus 
filhos, no porque somos astros de um teatro religioso.

A repercusso do nosso ministrio vir como corolrio, como conseqncia da ao do Esprito Santo de Deus na nossa vida. Cedo ou tarde vir  luz. No vir como 
a conseqncia de uma busca. Assim como a obra de Deus na natureza, como afirma Paulo, no fica escondida, assim a obra do Esprito Santo no meio do povo de Deus 
h de repercutir. O Esprito produz fruto. A tcnica produz fantasia. 

Foi dito dos primeiros cristos que eles abalaram o mundo de sua poca (Atos 17.6). 

Devemos ter equilbrio no que diz respeito a esse assunto. No cabe a ns proclamar o que fazemos, mas a obra que o Senhor realiza por meio de ns, com certeza ecoar.

Ao escrever aos tessalonicenses, no captulo 1, verso 7, Paulo, assim se reporta ao que Deus estava fazendo no meio deles: Porque de vs repercutiu a palavra do 
Senhor no s na Macednia e Acaia, mas tambm por toda parte se divulgou a vossa f para com Deus, a tal ponto de no termos necessidade de acrescentar coisa alguma. 

2. O ministrio de Jesus teve resultados.

A segunda coisa a se destacar a respeito do ministrio de Jesus Cristo  que o seu ministrio teve resultados. 

Jesus curou enfermos, ressuscitou mortos, restaurou vidas, transformou a histria de muitas pessoas.

Ao falar da relao da Videira Verdadeira com os seus ramos assim Jesus se expressa: Joo 15:16 No fostes vs que me escolhestes a mim; pelo contrrio, eu vos escolhi 
a vs outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permanea. 

H duas coisas que quero destacar neste texto: primeiro, que Jesus deixa claro o seu objetivo para conosco,  que sejamos frutferos. Jesus no nos chamou para sermos 
estreis. A conseqncia de quem est ligado com Jesus Cristo  ser frutfero. 

O segundo aspecto a ser destacado  a permanncia do fruto. H uma coisa que deve ser levado em conta nas estatsticas evangelsticas dos nossos dias:  o que se 
denominou de igreja rodoviria.  uma igreja na qual h sempre um grande nmero de pessoas, mas sempre a caminho. O nmero de pessoas que chega e que sai  muito 
grande.

Nesse momento fico a pensar na imagem que Cristo criou da videira e uma coisa vem a minha mente; no deveria o fruto ter a qualidade da rvore? Ser que algumas 
uvas que esto aparecendo foram criadas em laboratrio, geneticamente modificadas e por isso no tm a qualidade original da videira verdadeira. Pensar que o ministrio 
de Cristo teve resultados deve nos leva a criticar o nosso conformismo que, nos leva procurar desculpas pela falta de resultados.

Uma igreja que  nutrida na seiva de Jesus Cristo e que  permanentemente regada com a uno do Esprito Santo  uma igreja produtiva e que se desenvolve.

Por outro lado, devemos buscar o selo de qualidade de Cristo na produo. Se a rvore  conhecida pelo fruto, o inverso tambm  verdadeiro: pelo fruto se conhece 
a rvore que o gerou. 

Se no podemos permitir que o comodismo se assenhoreie das vidas de nossas igrejas, no podemos, por outro lado, cair em um pragmatismo vazio em que em busca de 
produtividade sacrificamos a qualidade.

Algum j disse com muita propriedade: o frango de granja pode ser grande e crescer rpido, mas nunca h de se comparar com o delicioso sabor de uma galinha caipira.

3. O ministrio de Jesus teve relevncia.

Em algumas passagens dos evangelhos podemos aclarar ainda mais esta verdade que j afirmamos, elas no so exaustivas, mas, exemplificativas, h muitas outras que 
poderiam se somar a essas.

Mateus 9.33 E, expelido o demnio, falou o mudo; e as multides se admiravam, dizendo: Jamais se viu tal coisa em Israel!

Marcos 2.12 Ento, ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se  vista de todos, a ponto de se admirarem todos e darem glria a Deus, dizendo: 
Jamais vimos coisa assim!

Joo 7.45-46 Voltaram, pois, os guardas  presena dos principais sacerdotes e fariseus, e estes lhes perguntaram: Por que no o trouxestes? Responderam eles: Jamais 
algum falou como este homem.

Finalmente, se o ministrio de Jesus Cristo  modelo para no nosso ministrio, no podemos perder de vista que o ministrio de Jesus Cristo teve relevncia. 

Com isso, ns queremos mostrar que o seu ministrio era diferenciado e fazia diferena.

Na sua proclamao e na sua prtica a igreja tem que demonstrar a sua relevncia na sociedade na qual est inserida.

Se colocarmos a igreja em comparao com outras instituies poderemos afirmar a sua superioridade de tal sorte que se possa dizer que h ningum que possa se comparar 
a ela.

Temos tido por Jesus Cristo e pelo seu Reino a paixo que tem a torcida fiel corintiana. Para alguns, as coisas de Deus esto reservadas para o domingo  noite, 
se no estiver chovendo. Afinal de contas, ningum  de ferro, talvez de acar. E quando o culto fica demorando... onde j se viu, mais de duas horas de culto? 
Enquanto muitos torcedores de futebol viajam longas distncias para ver seu time jogar, h muitos crentes que no saem da frente da televiso nem por Jesus Cristo.

Temos tido por Jesus Cristo e pelo seu Reino a abnegao que tiveram aqueles que fizeram as grandes revolues comunistas desse sculo que foram capazes de matar 
e de morrer por uma ideologia, por uma esperana que se derreteu como um sorvete ao sol.

A obra missionria vive a mingua de recursos. Os missionrios so enviados com as sobras dos recursos investidos em vitrais e em luxo nas igrejas.

O nico patrimnio que uma igreja poder levar para a eternidade so as vidas que ela conquistou para o seu Senhor.

A igreja tem que ser mais aguerrida na proclamao do Reino de Deus do que sindicalista em porta de fbrica. Tem que ser mais compassiva com a misria humana do 
que qualquer esprita engajado.

Tem que amar a justia e o direito mais do que qualquer promotor idealista.

Para que se possa dizer, a igreja  insubstituvel. Ningum jamais foi como ela na paixo pelo seu Senhor, na compaixo para com os perdidos, na denncia do pecado 
e da injustia e na proclamao da verdade do Reino de Deus.

Queremos, concluir relembrando que se queremos buscar um modelo para o nosso ministrio como igreja e como servos de Jesus Cristo, no devemos busca-lo na imitao 
da igreja da moda ou lder cristo em evidncia. Devemos, busca-lo em Jesus Cristo como dizia o autor de Hebreus olhando firmemente para Jesus Cristo, cujo ministrio 
teve repercusso, E a sua fama correu por toda a Sria, e da Galilia, Decpolis, Jerusalm, Judia e dalm do Jordo numerosas multides o seguiam.

Foi um ministrio que teve resultados e resultados permanentes. Eu, voc e os milhes de cristos espalhados sobre a face da terra somos a prova disso. Daqueles 
que o seguiam, muitos saram pelo mundo a proclamar a sua morte e ressurreio. Finalmente, foi um ministrio relevante. A histria  dividida por Ele. Imaginem 
a histria da humanidade sem Jesus Cristo. Seria despida de todo o sentido e brilho. Seria como um mar sem gua; um cu sem estrelas; um sol sem luz e calor; uma 
msica sem som; um alfabeto sem letras. Um absurdo completo.

E como seria essa cidade sem a sua igreja? Como seria a sua rua sem voc? Como seria a sua classe sem voc? Como seria a sua famlia sem voc? Como seria essa igreja 
sem voc? A sua f e o seu ministrio so relevantes?

Parte VIII
MINISTRIO DE CRISTO:
Modelo para o Ministrio da Igreja - Parte I 
 Se nos fosse pedido nesse momento que resumssemos o ministrio de Jesus. De que forma o resumiramos ou como o sintetizaramos. Qual foi a essncia do ministrio 
de Jesus. Existe, porventura, nos evangelhos, alguma indicao do que seria a sntese desse ministrio de tal maneira pudssemos toma-la como parmetro para servir 
de modelo para o ministrio da igreja. 

Se existe quais reas seriam abrangidas por essa sntese? Em duas passagens, Mateus resume as aes do Ministrio de Jesus Cristo, que eu penso deveriam nortear 
todas as aes da igreja.

MATEUS 4. 23-25 e 9.35

4.23. Percorria Jesus toda a Galilia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenas e enfermidades entre o povo.

4.24. E a sua fama correu por toda a Sria; trouxeram-lhe, ento, todos os doentes, acometidos de vrias enfermidades e tormentos: endemoninhados, lunticos e paralticos. 
E ele os curou.

4.25. E da Galilia, Decpolis, Jerusalm, Judia e dalm do Jordo numerosas multides o seguiam.

9.35. E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenas e enfermidades.

1. O ministrio de Jesus foi de ensino.

Ensinando nas sinagogas

Tanto aqui quanto em 9. 35 e ss. Mateus estabelece uma diferena entre ensino e pregao. Um conjunto de 10 famlias constitua uma Sinagoga. O papel de do chefe 
da Sinagoga era mais o de um administrador. Ele convidava os Rabinos para ensinar na sinagoga. Penso que quando Jesus chegava s sinagogas procurava convencer os 
judeus da nova aliana, do novo tempo, da nova dispensao que se instalava com o seu ministrio. O Sermo do Monte  um exemplo dessa mudana ao afirmar os famosos 
eu porm vos digo.
Aqui o apelo de Jesus era a mente. 

Talvez essa seja uma das dimenses que precisa ser resgatada em alguns crculos evanglicos: a mente a servio de Deus. O cristianismo embora apele  f, no  um 
aniquilamento intelectual. Jesus nos disse que deveramos amar a Deus com todo o nosso entendimento.

A teologia em si no  um mal para a Igreja. Ela  na verdade a articulao da f de forma sistematizada.

O Apstolo Pedro disse que devemos estar sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razo da esperana que h em vs. 1 Pedro 3:15

O Apstolo Paulo, ao chegar s sinagogas procurava convencer os presentes a respeito da f em Cristo e do Reino de Deus. Atos 18:4 E todos os sbados discorria na 
sinagoga, persuadindo tanto judeus como gregos. Ato 19:8 Durante trs meses, Paulo freqentou a sinagoga, onde falava ousadamente, dissertando e persuadindo com 
respeito ao reino de Deus.

E ao escrever a Tito acerca de que tipo de Presbtero deveria ele constituir em Creta, Paulo disse o seguinte: Tito 1:9 apegado  palavra fiel, que  segundo a doutrina, 
de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem.

2. O ministrio de Jesus foi de proclamao.

O segundo aspecto que devemos destacar a respeito do ministrio de Jesus Cristo foi a proclamao. Jesus pregava o Evangelho do Reino. Se com o ensino Jesus queria 
convencer os homens a respeito da verdade; com a proclamao ele queria desafiar os homens a viverem estas verdades. 

Ou seja no basta ao homem estar convencido da doutrina correta.  necessrio que ele a viva. No basta apenas a ortodoxia (a doutrina certa)  necessrio, tambm, 
a ortopraxia (a prtica correta).

A proclamao do evangelho,  um chamado para o homem se arrepender. Para mudar de vida, para abandonar os velhos hbitos, os costumes, os pecados. 

O lema do evangelho no  mude para vir ; mas, venha para mudar. 

A mensagem do Evangelho comea com o arrependimento. Ela no comea com: venha e receba a sua bno e depois decida se voc quer mudar.

O chamado do evangelho  radical. No permite a olhar para trs, no permite ficar acalentando velhos vcios, velhas prticas. 

Sem arrependimento no h remisso de pecados. Aqui, a palavra de Cristo est dirigida ao corao do homem. 

3. O ministrio de Jesus foi de cura.

Vimos em primeiro lugar que Jesus com o seu ensino procurou alcanar a mente do homem; com a proclamao do evangelho o seu corao. Aqui o alvo  o fsico do homem.

Aqui, Mateus, diz que Jesus curava toda sorte de doenas e enfermidades. 

O texto no grego faz distino entre as duas coisas: doenas (noson), significa a doena aguda, crnica. J enfermidade (malakian), significa aquela doena ocasional. 

Com isso, tambm, Mateus est dizendo que Jesus curava tanto as doenas do corpo quanto as da mente. Que Jesus tanto curava as dores de cabea quanto cncer. Tanto 
curava uma lepra quanto uma esquizofrenia. O espectro do ministrio de cura de Jesus era amplo. 

Quando usei a expresso Jesus curava, no quis dizer que Jesus perdeu o poder de curar. Mas  que quis enfatizar que Jesus exerce o seu ministrio de cura atravs 
da Igreja. E aqui, no estou falando dos mdicos. A medicina faz parte da providncia, da graa geral de Deus para com a humanidade. Todas as tcnicas cirrgicas, 
todos os procedimentos mdicos, todos os remdios so um exerccio da misericrdia de Deus para com a humanidade.

Ao falar aqui de cura, estou me reportando ao dom de cura. Porque creio que este dom no ficou com os apstolos mas  um dom dado  Igreja. E penso que hoje, como 
Igreja, somos bons no ensino, fracos na proclamao e nulos no ministrio teraputico da Igreja.

Se curar  um dom do Esprito, no entendo porque como Igreja no temos orado para que Deus o conceda  Igreja para que ela o exera e seja alvio e blsamo na vida 
das pessoas.

Para muitas pessoas falar em cura soa como uma coisa completamente estranha  vida da igreja e do seu ministrio. Porm, como j nos advertia Jesus nos evangelhos: 
o servo no  maior (nem melhor) do que o seu Senhor. 

Se no nosso entendimento o ministrio de Jesus  modelo e referncia para os nossos ministrios; curar, tambm  tarefa da igreja, como j dizia o ttulo de um dos 
livros do Corpo de Psiclogos e Psiquiatras Cristos.

Concluso

Salta aos nossos olhos que o ministrio de Cristo era integral ele visava o homem no seu todo: mente, esprito e corpo.  Jesus, ao contrrio do que muitos pensam, 
mesmo sendo pleno do Esprito Santo, no entendeu que falar  mente do ser humano para convence-lo da verdade fosse uma negao da espiritualidade.

Por isso, o estudo e o preparo para o ensino so de profunda importncia, visto que alicerado no ministrio de Cristo e ratificado pelos apstolos.

Por outro, lado, o desafio de Cristo  tambm para que o homem mude de vida. Por isso, a proclamao do Evangelho  imperativo da Igreja, no intuito de que possamos, 
como Igreja transformar o nosso bairro, a nossa cidade, o nosso estado, o nosso pas, atravs do anncio do reino.

Gritar palavras de ordens tais como: Natal, o Nordeste e o Brasil, so de Jesus, povo de Deus declare isso! No passa de tolice, de infantilidade, de atitude pueril. 

Se esse  realmente o desejo de nosso corao, s iremos transforma-lo em realidade anunciando o evangelho do reino aos homens, convocando-os ao arrependimento e 
no declarando palavras de ordem aos anjos, principados e potestades isso  incuo e se ns pudssemos v-los saberamos que eles s se incomodam quando a igreja 
a exemplo de Jesus Cristo que percorria todas as cidades, samos para anunciar o evangelho.

Finalmente, quero ressaltar o ministrio de cura da Igreja, para ns um ilustre desconhecido. Quero desafiar a esta igreja, nesse momento a orar para que Deus esteja 
levantando servos e servas cujas mos tragam blsamo e refrigrio aos enfermos atravs da cura de toda sorte de enfermidades. Crnicas e terminais ou comuns e temporais. 
Na mente e no corpo e tudo para a glria de Jesus Cristo.
Amm

Pregado na 1 Igreja Presbiteriana Independente de Natal em 18 de fevereiro de 2001

Parte IX
TERRA SEDENTA 
"A quem tiver sede, de graa lhe darei a beber da fonte da gua da vida" (Ap 21.6b)

O estarrecedor fenmeno da sede tem rondado nosso planeta. Apesar de nosso lar espacial ser chamado Terra, bem poderia ter sido chamado Planeta gua, pois esta representa 
75% de seu volume. S o Brasil detm 12% das reservas mundiais de gua doce, das quais, 72% so produzidas pela bacia amaznica. 

Dizem os prognsticos que o suprimento mundial de gua doce pode ser esgotado em cerca 50 anos, se for continuado o seu uso irresponsvel. Hoje o ser humano consome 
54% de toda a gua doce disponvel no mundo, nmero que cresce, evidentemente, com a passagem dos anos. Se for levado em conta o crescimento populacional, dentro 
de 25 anos estaremos usando 90% de toda a gua doce, e dois teros da humanidade estaro passando sede. No entanto, o que nos chama a ateno  a manifestada sede 
do transcendental, do eterno: o anseio por Deus, como claramente expressou o livro do Eclesiastes 3.11: "(Deus) ps na mente do homem a idia da eternidade".

Isso explica porque a alma clama (literalmente, "grita") por Deus. A expresso do salmo dos filhos de Core foi "A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo!" (Sl 
42.2). Davi, o rei-poeta, anelando pela face de Deus implorava, " Deus, tu s o meu Deus; ansiosamente te busco. A minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja 
muito em uma terra seca e cansada, onde no h gua" (Sl 63.1), e, ainda "A ti estendo as minhas mos; a minha alma , qual terra sedenta, tem sede de ti" (143.6). 
Agostinho, pastor da igreja de Hipona no norte da frica, declarou que ns fomos criados por Deus e para Deus, de tal maneira que s podemos achar conforto e descanso 
quando nEle descansarmos. O anseio por Deus est expresso na busca do que  espiritual.  uma sede insacivel, terrivelmente insacivel se procurarmos resolv-la 
fora de Deus.

Essa  a necessidade do ser humano, o que implica numa responsabilidade nossa, um grave e serissimo cometimento. 

Apesar de a nsia da eternidade se encontrar no corao humano, apesar da fome e sede pelo transcendental, o homem est atnito: ele busca, ele pesquisa, ele anela, 
ele  arrastado pelos cantos de sereia ou por qualquer coisa que parea tornar possvel a concesso do segredo da felicidade e do descanso. Coitado dele! E ai de 
ns se falharmos em mostrar-lhe o caminho verdadeiro e vivo!
Ansioso por resolver seu problema, o poeta no Salmo 42.2 pergunta com uma ponta de dor e pressa: "quando entrarei e verei a face de Deus?"  nosso dever mostrar 
a esse corao sedento a face de Deus em Jesus Cristo, Seu Filho, nosso Salvador. Foi Ele quem o revelou ao dizer, "Se algum tem sede, venha a mim e beba" (Jo 7.37). 
Anteriormente, j havia falado  mulher samaritana e lhe dissera, "Se tivesses conhecido o dom de Deus e quem  o que te diz: D-me de beber, tu lhe terias pedido 
e ele te haveria dado gua viva" (Jo 4.10).

Bom  saber que tudo isso  absolutamente de graa! De graa, mas no foi barato: custou o sacrifcio de Jesus Cristo, o mesmo que continua a dizer: "A quem tiver 
sede, de graa lhe darei a beber da fonte da gua da vida" (Ap 21.6b). 
Tem sede? Venha a Cristo!

Parte X
A CRISTOLOGIA SEGUNDO OSCAR CULLMAN 
O estudo da cristologia h muito se acha dividido entre duas correntes principais, no que diz respeito aos pressupostos da pesquisa e  metodologia aplicada. A dogmtica, 
a partir da exegese escriturstica, estrutura os dados relativos  pessoa e  obra do Cristo sobre um alicerce bblico-filosfico, ao moldar os dados da revelao 
com determinadas estruturas de pensamento e de rigor lgico. O historicismo crtico, por sua vez, parte da suficincia da pesquisa histrica no conhecimento de Jesus 
Cristo para reconstruir suas caractersticas pessoais, seus condicionamentos scio-religiosos e as nuances da piedade judaico-crist primitiva, delimitando o perfil 
do Jesus histrico. A proposta de Oscar Cullman para a investigao cristolgica, no entanto, constitui-se uma abordagem diferente, denominada por ele de mtodo 
histrico-filolgico, talvez uma sntese entre dogmtica e crtica histrica. Sua anlise filolgica examina o texto, interpreta-o e utiliza-o como fundamento da 
compreenso do Cristo, considerando sua pessoa e obra como aspectos indissociveis - faces interdependentes de um mesmo objeto de estudo -, sem necessidade de "enquadramento" 
em esquemas filosfico-teolgicos. A contribuio das disciplinas histricas  utilizada como ferramenta exegtica, dialeticamente confrontado com o texto bblico, 
nica perspectiva possvel, para Cullman, de fundamentao histrica da vida do galileu chamado Jesus de Nazar.

Tendo como texto base a obra de Cullman Cristologia do Novo Testamento, este trabalho visa ressaltar pontos importantes do pensamento deste telogo alsaciano, atravs 
do confronto com a dogmtica clssica em seus matizes atuais e com algumas concluses do historicismo obtidas nas ltimas dcadas do sculo vinte, presentes na obra 
de Geza Vermes.

A VIDA TERRENA DE JESUS CRISTO
Sua humanidade

O tratamento dispensando por Cullman  pessoa de Cristo  de carter funcional, isto , define-o pelos aspectos de sua obra, pelas particularidades de seu ministrio 
e pela singularidade de sua existncia, conforme os ttulos pelos quais foi identificado, seja pela comunidade crist, seja por ele mesmo. Assim, escreve no incio 
de sua obra que "... no Novo Testamento no se fala quase nunca da pessoa de Cristo sem que se trate, ao mesmo tempo, de sua obra" [itlicos do autor]. Para Cullman 
esta  a questo cristolgica pertinente, j presente nos sinticos sob a interrogao de Cristo: "quem o povo diz que eu sou?" As influncias judaicas e helnicas 
na formao do pensamento cristo no sugerem uma reduo das categorias deste  mera repetio dos conceitos daquelas, tampouco um sincretismo ou sntese entre 
as concepes cosmolgico-mitolgicas peculiares quelas; antes, proporcionam uma melhor compreenso da nova doutrina que se iniciara utilizando elementos das culturas 
presentes em seus primrdios.

Ressaltando sua imparcialidade na pesquisa do Jesus histrico e a ausncia de motivao teolgica em seu trabalho, ainda que aceite os pressupostos da investigao 
da verdade histrica sobre Jesus como algo factvel, Vermes lembra que Jesus foi judeu e no cristo. De maneira diferente, Cullman v Jesus como o judeu que, atravs 
de sua vida, iniciou uma religio diferente do judasmo, bem como inaugurou uma cosmologia diversa da encontrada no helenismo, no obstante o inegvel relacionamento 
com eles. "Com efeito, devemos considerar a priori, como coisa possvel e at provvel, que Jesus tenha trazido, por sua doutrina e por sua vida, algo novo...". 
Contudo, como a igreja crist ao longo dos sculos respondeu a indagao sobre a pessoa de Jesus, o Cristo? Para Cullman, diversamente da perspectiva neotestamentria. 
As especulaes sobre as naturezas de Cristo ocuparam o lugar central na cristologia patrstica por ocasio da luta contra as heresias que surgiam, das mais variadas 
formas, no seio da cristandade. Continuaram, ainda, presentes no escolasticismo medieval e na Reforma. A unidade de Cristo tornou-se um paradoxo existente entre 
a dupla natureza e a nica hipstase, afirmada pela frmula calcednica e repensada pelos reformadores. (...) Lutero postulou a comunicao de atributos entre as 
naturezas, a communicatio idiomatum; Calvino insistiu na existncia do Logos fora da carne, o extra-calvinisticum.

A dogmtica, predominantemente metafsica, deve ceder espao  viso do evento-Cristo como parte integrante da histria da salvao. A partir deste vis,  possvel 
investigar adequadamente a compreenso da revelao pela comunidade crist conforme expressa no Novo Testamento. "A cristologia no , portanto, uma cincia das 
'naturezas' de Jesus Cristo, mas a cincia de um 'acontecimento', de uma histria". 

Sem dvida, qualquer pretenso de se redigir uma biografia de Jesus  inviabilizada pela dificuldade de sua realizao - os evangelhos constituem um estilo literrio 
nico, redaes de eventos e de ensinos de Jesus organizados de forma temtica. Por outro lado, no h qualquer questionamento expressivo sobre a historicidade de 
Jesus de Nazar. Duas so as afirmaes das Escrituras acerca de seu nascimento: foi virginal, de acordo com os relatos de Mateus e Lucas, sem qualquer outra referncia 
a isso no restante do corpus do Novo Testamento; e sua ascendncia real, da famlia de Davi (Rm 1:3). As dificuldades em conciliar estes dois dados persistem,  
espera de uma soluo mais satisfatria que as sugeridas at hoje; como, por exemplo, a tradicional hiptese de a genealogia mateana ser a de Jos e a lucana dizer 
respeito  Maria, ambos descendentes de Davi . Sobre a vida adulta de Jesus, a historiografia reconhece sua intensa atividade como mestre, mdico do corpo e da alma, 
sbio: um galileu carismtico, talvez um hasid. O testemunho evanglico registra, interpretado pela teologia sistemtica crist, que o Cristo:

"... comeou seu ministrio pblico anunciando o reino vindouro com grande expectativa.Terminou-o com sua morte na cruz. (...) Na crucificao e ressurreio de 
Jesus (...) o Cristo da f e o Jesus histrico provam ser um nico e mesmo Senhor Jesus Cristo". 

Atualmente telogos dogmticos tm rejeitado o esquema cristolgico do trplice ofcio Profeta-Sacerdote-Rei, alegando sua artificialidade . Cullman reconhece tais 
ttulos como designaes de suma importncia relacionadas a Cristo - a exceo de "Rei", pelo aspecto poltico envolvido, que  entendido como sinnimo de Kyrios 
-, por se tratar do resultado da reflexo cristolgica no cristianismo primitivo. Serve-se destes e de outros ttulos como categorias para a construo de sua metodologia 
de pesquisa, na busca pela compreenso dos conceitos que lhes subjazem na cristologia do Novo testamento.

Seu ministrio
Em sua atividade pblica Jesus fora aceito, indubitavelmente, como um mestre, um rabb. Sua origem, entretanto, no permite associ-lo aos fariseus e mestres da 
lei, cuja atividade em nada lembra o pregador itinerante, crescido na Galilia e sem a tradicional erudio daqueles que se debruavam sobre a lei a fim de esmiu-la 
em pormenores ritualsticos. A exousia de Jesus, como bem notou Vermes, tambm no derivava de abstraes filosficas, mas da associao de Deus  realidade existencial 
, a exemplo de outros mestres e dos profetas veterotestamentrios, o que lhe valeu ser identificado como um destes (Lc 24:19). Talvez a pouca ateno dada pela dogmtica 
ao aspecto proftico do ministrio de Jesus deva-se a condicionarmo-nos "de tal forma, e com razo, a fazer de Jesus objeto de religio, que acabamos por esquecer 
que, em nossos registros mais antigos, ele  apresentado no como objeto de religio, mas como homem religioso".  Indo alm da caracterizao de Jesus como mestre 
e profeta, Cullman destaca a expectativa judaica da vinda do profeta escatolgico. No obstante a ausncia de qualquer idia reencarnacionista no judasmo, a esperana 
consistia no ressurgimento de Moiss, Enoque, Elias, Jeremias ou de algum dos antigos profetas, e era fortalecida pela crena na ressurreio e pelo fim do profetismo 
nos moldes do Antigo Testamento. Nos sinticos Joo Batista  tido como o "Elias", o maior dos profetas (Mt 11:8 e ss). Em outro sentido, contudo, devido  preocupao 
em refutar a "seita do Batista" e os mandeus, o evangelho de Joo descreve-o como "uma 'voz' (fwnh) que clama no deserto, como o antigo profeta. Em outras palavras: 
[Joo Batista] quer ser somente um profeta  maneira dos do Antigo Testamento" . 

Jesus, pelo testemunho joanino e pelo incio de Atos,  concebido como "o profeta", o mensageiro escatolgico, ainda que tal ttulo seja empregado de modo restrito 
e relacionado  proclamao do Reino de Deus. Os sinais operados certamente permitiram associaes, por parte do povo, com os milagres da antiga era proftica (Lc 
7:16), caracterstica de seu ministrio reconhecida por ele (Mc 6:4). Jesus fora um grande profeta. Mas foi sua pregao o aspecto distintivo de sua posio como 
profeta escatolgico, cuja funo consistia em, nas palavras de Cullman:

"... preparar o povo de Israel e o mundo para a vinda do Reino de Deus; e isto no  maneira dos profetas do Antigo Testamento, mas de um modo muito mais direto: 
como precursor imediato do advento deste Reino. (...) A noo de 'profeta' explica, pois, perfeitamente a atividade de Jesus como pregador, assim como tambm a autoridade 
com a qual atua e fala". 

O ttulo de Servo Sofredor de Deus - Ebed Yahweh - , na opinio de Cullman, central para a cristologia do Novo Testamento. Somente assim  possvel enfatizar, com 
justia, o conceito de substituio, implicao natural do pensamento judaico de representatividade e de solidariedade corporativa. Ao tentar reformular os dogmas 
da morte de Cristo e da misericrdia de Deus, com o objetivo de harmoniz-los, certas vertentes atuais da teologia dogmtica questionam a categoria de "substituio" 
como imprpria e carente de base exegtica, visto no existir indcios na tradio judaica contempornea a Jesus que indicassem essa direo, "... fossem correntes 
ou estivessem combinados da forma proposta por pesquisadores como Oscar Cullman". 

Os captulos 42 e 53 de Isaas so primordiais para a compreenso do Servo - algum que traria a justia irrepreensvel de Deus s naes pelo Esprito, no pela 
fora militar ou pela opresso - e de seu sofrimento - seria morto em lugar de muitos. A difcil identificao do Servo no judasmo tem estimulado muitas pesquisas, 
sem qualquer concluso definitiva. No fazia parte da figura messinica judaica o sofrimento ou a substituio expiatria, exceo feita talvez a alguns intrpretes 
ou escolas. Contudo, para Cullman, o Ebed  Jesus. Ele rejeita a tese de que as principais declaraes de Jesus a respeito de sua morte sacrificial seriam vaticina 
ex eventu, a exemplo de exegese de Mc 2:18 e ss., contra Bultmann; assim como insiste que, ao aplicar a si indireta ou diretamente a figura do Servo (Lc 22:37), 
Jesus "fala de uma maneira geral de sua morte, [demonstrando que] Is 53 est por trs". O testemunho do Novo Testamento, segundo Cullman, corrobora sua posio, 
haja vista a citao de Isaas 53 pelo etope (At 8), o Cristo como a "nossa Pscoa" (1 Co 5) e o sofrimento de Jesus como parte integrante de sua misso (1 Pe 2). 
Em particular, cita dois textos do quarto evangelho: a declarao indireta de Joo Batista a respeito do Ebed (Jo 1:29, 36) e a "citao que a voz celestial faz 
do comeo dos cnticos do Servo. (...) Para ele [Joo], a vocao batismal de Jesus foi um chamado a assumir a misso do Ebed Iahweh". 

"Sumo Sacerdote" como designao aplicada a Jesus somente foi utilizada aps a sua morte e proposta como soluo cristolgica aos questionamentos sobre a relao 
entre Cristo e o Antigo Testamento. Conquanto o judasmo tardio, no primeiro sculo, no tenha descrito a figura do Messias com funes sacerdotais, tal foi o entendimento 
dos primeiros cristos e, parece, do prprio Jesus, ao interpretarem o Salmo 110, aplicando-o ao Cristo, o "sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque" 
(Mc 12:35 ss.).  incontestvel, no entanto, que crenas a respeito deste misterioso rei-sacerdote, associando-o a figuras escatolgicas, existissem no imaginrio 
judaico e nas especulaes crist-gnsticas anteriores  epstola aos Hebreus - cuja temtica versa, principalmente, em torno da superioridade do sacerdcio de Jesus 
em relao ao sistema sacrificial veterotestamentrio. 

De acordo com Cullman, o escritor da epstola aos Hebreus baseia-se principalmente no j citado Salmo 110 e em Gnesis 14 para formular seu raciocnio, cuja chave 
est no captulo 7, assim como:

"... se esmera em demonstrar que Jesus consuma, de forma absoluta, a funo [imperfeita e passageira] do sumo sacerdote judaico, (...) o autor encontra este sacerdcio 
absoluto e perfeito prefigurado j na figura misteriosa deste Melquisedeque de Gn 14". 

Claro est, segundo Cullman, que em Hebreus Jesus consuma em si o sacrifcio perfeito e completo, pois ele mesmo  a oferta sacrificada e o sumo sacerdote que oferta. 
E pela superioridade de sua abrangente obra, decorrente da posio mais elevada que ocupa em relao ao sacerdcio levtico, no h necessidade de repetio do sacrifcio 
que foi realizado uma vez por todas; seu alcance  ilimitado e seus efeitos plenos em sua realizao. A perfeio de seu sacrifcio inaugura o caminho de aperfeioamento 
dos santos, agora aceitos por Deus e objetos da intercesso de Jesus. Eis a diferena do sumo sacerdote Jesus para o seu correspondente judaico: o carter intemporal 
de sua obra e sua identificao com o Ebed, oferta pelo pecado, que no pecou ainda que em tudo tenha sido tentado, semelhante a qualquer ser humano. A influncia 
das concepes judaicas sobre o sumo sacerdote escatolgico, ideal, evidencia-se na meno da parusia em 9.28, ocasio em que ele vir ainda como mediador, para 
"levar-nos  plenitude de nossa santificao". 

A dogmtica adotada neste trabalho concorda, em linhas gerais, com Cullman. Entretanto, acrescenta que o aspecto vicrio da obra de Cristo representa um ato de amor 
a fim de destruir o pecado e a morte, no uma pura satisfao da ira de Deus. Em 13.10-14 o sacrifcio de Cristo  tipificado pela queima das vsceras da vtima 
"fora do arraial", banindo toda a impureza. Esta  a chave hermenutica para a compreenso de sua morte, "... numa poca em que a fenomenologia e a antropologia 
(...) voltaram-se para a prtica ritual e cltica para dela extrair nossos sentidos e teorias". 

A EXPECTATIVA FUTURA SOBRE JESUS CRISTO
O Messias

Dentre os diversos ttulos cristolgicos, certamente "Messias" - em grego "Cristo" -  o mais mencionado.  reconhecido no somente por ser associado ao nome prprio 
"Jesus", como tambm pela posio ocupada no judasmo tardio, pois estava ligado  esperana escatolgica de tal maneira que outras figuras, no raro, eram incorporadas 
a ele. No perodo intertestamentrio surgiu o conceito "de que o reino de Deus se seguiria  vitria na terra de exrcitos anglicos celestiais sobre as hostes de 
Satans". Contempornea  poca neotestamentria fora a concepo do "Messias poltico", um lder nacional que libertaria o povo escolhido da opresso scio-poltico-econmica 
infligida pelo imprio romano. Embora estas idias estejam presentes nos escritos do Novo Testamento, Jesus como o Messias foi compreendido com outra conotao no 
Antigo Testamento.

A palavra  traduzida pelo particpio "ungido" e se referia a homens escolhidos por Deus para levar a cabo determinada misso; por exemplo, um rei, um sacerdote, 
um profeta e at algum como Ciro, um soberano estrangeiro que seria instrumento de Deus no cumprimento de seus desgnios (Is 45.1). Cullman destaca que a promessa 
feita por Deus a Davi, de perpetuidade de seu reinado atravs de seus sucessores (2 Sm 7.12 ss.), incitou uma expectativa escatolgica, por no ter sido cumprida 
como se esperava. Em suas prprias palavras:

"Isto no significa que este 'Ungido' aparecer fora do mbito terrestre. A palavra 'escatolgico' deve ser tomada aqui em seu sentido etimolgico, ou seja, temporal. 
Pensa-se que  preciso uma realeza terrena para trazer a salvao futura. (...) Trata-se de uma esperana escatolgica que deve realizar-se inteiramente na esfera 
terrena". 

Na literatura apcrifa judaica o Messias aparece como libertador, ora como quem inauguraria uma era escatolgica de paz e liberdade, ora como um rei que aniquilaria 
os inimigos dos judeus, ora ainda como o sacerdote-redentor da nao. A autoconscincia messinica de Jesus, de modo diferente, descartou qualquer carter poltico 
de sua obra e tampouco alimentou o anseio de v-lo ocupando o trono de Davi. A exegese de Cullman de textos do evangelho de Marcos - 8.27 e ss., 14.61 e ss., 15.2 
e ss. - e de seus paralelos sinticos, que se referem  indagao acerca de Jesus como o "Messias-rei", conclui que ele mesmo rejeitou ser assim reconhecido, com 
respostas evasivas finalizadas com a sua identificao como o "Filho do Homem", cuja misso, estranha ao messianismo judaico, era a de Servo Sofredor, de Ebed Iahweh. 
Seu reino no  deste mundo e seu trono est  direita do Pai. Para o cristianismo primitivo:

"... a realeza do Filho de Davi era, acima de tudo, a realeza que exercia sobre a igreja. (...) mais potente tornava-se, tambm, a esperana da manifestao final 
e total de sua consumao. Pois tornamos a achar no cristianismo primitivo, como no prprio Jesus, a tenso entre 'o j cumprido' e o 'por cumprir-se'. (...) Segundo 
a f dos primeiros cristos  unicamente no futuro que a realeza de Jesus se manifestar de modo visvel". 

O Filho do Homem

A pesquisa sobre o significado de "Filho do Homem" no Novo Testamento h anos encontra-se em plena efervescncia. Estudiosos, como Vermes, tm se restringido  anlise 
filolgica do termo original aramaico barnasha para justificar o uso puramente idiomtico da expresso, referindo-se a homem em geral e, em particular, a si mesmo 
"em contextos que denotam reverncia, reserva ou modstia". Rejeitando a interpretao messinica de Daniel 7 e, conseqentemente, a exegese de Cullman, assim como 
descartando a hiptese de Bultmann de Jesus ter se referido a outrem, esses crticos entendem "... que o ttulo apocalptico de Filho do Homem  uma inveno moderna. 
Jesus e a igreja primitiva desconheciam por completo um ttulo judaico de Filho do Homem". O estudo histrico-filolgico de Cullman adota uma perspectiva mais abrangente 
do assunto.

Segundo os evangelhos, Jesus referiu-se a si mesmo como o Filho do Homem. Que queria dizer ele? Seria apenas um modo peculiar de tratamento, no aramaico, da primeira 
pessoa do singular? No obstante as recentes hipteses levantadas pelos fillogos, como exposto acima, o ttulo requer outras consideraes. Cullman pressupe a 
suficincia da anlise da idia judaica de Filho do Homem, porquanto consiste, ao mesmo tempo, em fonte da correspondente noo crist do termo e em sntese de figuras 
similares existentes no paganismo.  bem provvel que, em crculos judeu-gnsticos anteriores, a expectativa do surgimento do Filho do Homem fosse evidente, em contraste 
com o perfil poltico do messianismo do primeiro sculo. Na apocalptica judaica o Filho do Homem, em Daniel 7, aparece como representao do povo escolhido; em 
4 Esdras como o Messias, salvador enviado pelo Altssimo; e em Enoque, a mais expressiva obra do judasmo tardio no tocante a esta questo, um indivduo representando 
a nao, "aquele cujo nome  pronunciado pelo 'Ancio de dias' no comeo da criao; aquele que, por conseguinte, foi criado antes de todas as criaturas". Se, por 
um lado, no se deve ignorar a simbologia judaica presente em tais conceitos, por outro se faz necessrio destacar a crena nesse ser especial, nesse homem do cu 
"que, sendo realmente homem, possui uma dignidade divina particular; com efeito, a histria das religies nos ensina que existem especulaes relativas a um 'primeiro 
homem', prottipo divino da humanidade" [itlicos do autor]. Seria ele, no judasmo, imago Dei em sua integridade, o "Ado ideal", o "Segundo Ado" conforme adaptao 
da teologia paulina, visto por Cullman como estreitamente ligado  categoria de Filho do Homem, apesar do prprio Jesus no haver feito tal conexo.

As duas possveis explicaes para o uso da expresso - referncia ao homem do cu e termo idiomtico para denominar "homem" de forma geral - foram reconhecidas 
por Cullman, com a ressalva da particularidade de seu uso relacionado ao ser celestial, denotando a singularidade da pessoa de Jesus e a patente autodenominao 
como Filho do Homem, esta notavelmente presente em descries da parusia, quando ser o executor do juzo divino sobre a terra (Mc 8.38) - no h porque pensar na 
referncia ao Filho do Homem como algo de cunho puramente escatolgico, visto as inmeras citaes existentes, em diversas situaes, do ttulo. Nos logia de Jesus, 
igualmente, as expresses "homem" e "Filho do Homem" so aplicadas com conotaes distintas: a primeira para indicar algum homem, de modo geral; a segunda usada 
especificamente para Jesus. Mesmo barnasha no possuindo uma traduo inequvoca, os contextos nos quais aparece relacionado a Cristo sugerem ser um ttulo aplicado 
a ele. Ademais,  simplista "e sumrio afirmar que os evangelistas foram os que puseram este ttulo nos lbios de Jesus, (...) a designao de Jesus como 'Filho 
do Homem' no , de modo algum, corrente no cristianismo primitivo". 

A concluso de Cullman  que Jesus, ao aplicar tal ttulo a si mesmo, no estava simplesmente realando sua humanidade, como a dogmtica insiste ao op-lo  idia 
de "Filho de Deus". Supe sua preexistncia e sua apario na era escatolgica - conforme a crena judaica corrente no homem celestial -, assim como sua encarnao 
e humilhao, pois o Filho do Homem representa o povo e o substitui ao sacrificar-se. No restante do Novo Testamento ele  aquele que "esvaziou-se" de sua glria 
(Fp 2.6 e ss.), fazendo-se "carne" (Jo 1.14) e a figura apocalptica que vir no juzo (Ap 14.14). Segundo Cullman, exceo feita  interpretao cristolgica  
luz da imago Dei empreendida por Karl Barth, no h um esforo de construo de uma cristologia calcada na concepo de "Filho do Homem". Esta se justifica, mormente, 
pela necessidade de redefinio do problema das duas naturezas, insolvel pela lgica formal. 

A OBRA PRESENTE DE JESUS CRISTO
Senhor

A f crist no limita a atuao de Jesus ao passado, nem apenas nutre a expectativa da vinda do reino escatolgico. Cr, sim, em sua atuao presente junto aos 
seus e  sua Igreja; pressupe um ministrio atual de intercesso junto ao Pai e de autoridade sobre a comunidade crist, como cabea a dirigir os movimentos e aes 
do corpo. 

Cullman v na denominao "Senhor", Kyrios, a indicao dessa crena por parte dos primeiros cristos. Destaca, ainda, que tal designao possua significado especfico 
no meio helnico e, rejeitando qualquer explicao que confira a tal ambiente a exclusividade de dirigir a Jesus este ttulo reconhece, todavia, sua grande influncia 
pelo uso corrente do termo no paganismo helenstico oriental. 

Refutando a suposio da insero de Kyrios puramente pelos escritores helenistas do Novo Testamento, Cullman identifica a apario da expresso como reao crist 
aos "senhores", Kyrioi, divindades pags s quais era dispensado este tratamento. Os cristos reconheciam um s Senhor, Jesus Cristo, cuja revelao desmistificara 
todos os outros supostos kyrioi (1 Co 8.5 e ss.). Evoluindo de simples referncia a autoridades polticas e jurdicas para forma de tratamento ao imperador como 
reconhecimento de sua divindade; adquirindo uma significao cuja concepo associava estes dois sentidos ao ser empregada no culto ao soberano, prtica religiosa 
oriental e estrategicamente fomentada por Roma; e, por sua conotao religiosa, provavelmente tendo inspirado a gematria do apocalipse joanino, "pode-se dar por 
coisa certa que a profisso de f Kyrios Iesous Christos, onde ela ocorre no Novo Testamento, representa uma espcie de resposta polmica ao mesmo ttulo Kyrios 
conferido s divindades helensticas e ao imperador..." 

No judasmo, o vocbulo hebraico Adonai fora substituto do tetragrama sagrado JHVH, prtica corrente contempornea aos primrdios do cristianismo. Nota-se na Septuaginta 
esta palavra traduzida por Kyrios como referncia a Deus. O correspondente aramaico  mar, de onde  derivada a expresso crist bblica Maranatha, porm sem ter 
seu emprego relacionado a Deus nos escritos aramaicos do Antigo Testamento. A discusso recai, diante do ocorrido no helenismo e no culto judaico, sobre a possibilidade 
do uso aramaico palestino de mar como forma respeitosa de se dirigir a algum - a exemplo dos discpulos no trato com seu rabb - ter evoludo ao patamar de ttulo 
cristolgico reconhecido pela comunidade primitiva. Com Bultmann, eruditos defendam a descontinuidade de seu uso, uma origem helnica desta categoria sem algum vnculo 
com o sitz im leben palestino. Recorrendo  citao litrgica crist Maranatha, encontrada tambm no Didaqu e cuja provvel traduo  "Senhor nosso, vem!", Cullman 
conclui que em aramaico Jesus  descrito como "Senhor" em sentido mais profundo, anlogo ao uso judaico e helnico:

"Sem dvida, no terreno do helenismo, o uso pago do termo Kyrios, seu vnculo com o culto do soberano e, primordialmente, o fato de que por este termo os LXX tenham 
traduzido o nome de Deus, contriburam para fazer de Kyrios o ttulo mais corrente para designar o Cristo". 

A confisso de f em Jesus, o Kyrios, expressa em 1 Co 12.3, em detrimento do uso aramaico, justifica-se pela oposio aos outros "senhores" atravs do reconhecimento 
da superioridade de sua realeza e fora, acima de qualquer imperador, pois  o "... 'Rei dos Reis'. Isto significa que o Kyrios  Jesus, e no o imperador (Ap. 17.14)". 
Urgia fortalecer a convico dos cristos a fim de no se curvarem diante do Kyrios Kaisar, tampouco maldizerem a Cristo, quaisquer que fossem as circunstncias, 
inclusive a morte. Jesus, o Cristo e Senhor, domina hoje sobre toda a criao e trar a lume no somente isto, como tambm reinar visivelmente, sujeitando todas 
as coisas. Contm a tenso entre o "j" e o "ainda no" da dialtica histrica cullmaniana e, apesar de no ser a categoria cristolgica mais antiga,  a mais significativa, 
pois "... a partir da cristologia do Kyrios  que se tem empreendido a sntese em que todos os aspectos associados aos ttulos cristolgicos encontram seu lugar, 
conforme o papel que tem na histria da salvao. (...)  a nica que torna possvel o que podemos chamar de cristologia do Novo Testamento" [itlicos do autor]. 
As Escrituras dizem que Jesus assentou-se  direita de Deus, ao ser declarada a sua autoridade exercida em nome do soberano criador, pela interpretao crist do 
Salmo 110.1. Segundo atesta a dogmtica, a despeito das diferentes interpretaes, desde a Reforma, sobre as implicaes do senhorio de Cristo e sua presena na 
eucaristia:

"Quando, na Igreja primitiva, Jesus foi chamado 'Senhor', o dito foi interpretado no sentido de que Deus fala a Jesus. Entre a poca de seu ministrio terreno e 
de sua volta no fim do tempo para julgar o mundo, Jesus governa agora como o Senhor da histria e da Igreja". 

Salvador

Pela primazia do pensamento sobre Jesus como o "Senhor", conforme visto acima, o ttulo "Salvador", to mencionado em nossos dias,  pouco utilizado no Novo Testamento; 
quando o  - observao oportuna de Cullman -, Ster figura como mero complemento de Kyrios. Por outro lado, seu uso percorre os escritos do Antigo Testamento e 
do judasmo, desde pocas remotas, como atributo de Deus e do Messias que havia de vir. No helenismo, o termo aplicava-se aos deuses que intervinham na histria, 
s autoridades humanas quando da libertao de determinado povo da opresso e dos males sofridos e, ainda, ao imperador romano. Menos preciso  o seu sentido nas 
religies de mistrio: provavelmente referia-se s divindades ligadas  imortalidade. Digno de nota  a ausncia do termo nos evangelhos, o que demole a idia da 
referncia a Jesus como taumaturgo, segundo tese de Harnack, e aponta para uma utilizao posterior associada  obra total de Cristo como entendida pelos primeiros 
cristos, concentrando a discusso numa exegese filolgico-histrica  moda de Cullman, evitando uma "psicologizao" da atribuio do conceito de Ster a Cristo, 
evocada sob o pretexto de se empreender a busca do Jesus "judeu" ou "histrico". O significado do nome "Jesus"  sugestivo, pois j o identificava como "Salvador", 
revelando-se o cumprimento das profecias a respeito da salvao de Deus, a consumao da expectativa messinica e o propiciador da remisso dos pecados de Israel. 
Para Cullman:

"Trata-se, pois, principalmente da transferncia a Jesus de um atributo que o Antigo Testamento reserva a Deus. (...) Sem dvida, aqui estamos dentro de categorias 
de pensamento que so mais judeu-crists do que pag-crists. O Cristo  Ster porque nos salvou do pecado". 

Uma outra constatao pode ser feita pela ausncia de "Salvador" no Novo Testamento: seu uso remonta a um perodo anterior aos escritos paulinos, cujo estilo menciona 
a salvao atravs de Jesus Cristo sem usar o ttulo. No obstante, a expresso crist primitiva Icthys sugere a plena conscincia dos cristos do perodo apostlico 
a respeito de Jesus Ster.

A DIVINDADE DE JESUS CRISTO
Sua existncia anterior  encarnao

Como bem reconhece Cullman, sua classificao dos ttulos atribudos a Jesus facilita o estudo sistematizado da cristologia do Novo Testamento, no constituindo 
uma rgida formatao. Isso porque certas designaes de Jesus relacionam-se com outros temas alm daqueles nos quais esto inseridos. Assim sendo, certos ttulos 
acima estudados implicam a divindade de Jesus ou sua preexistncia; contudo, so os de Logos, "Filho de Deus" e "Deus" que sugerem tais categorias de modo mais direto. 
Em sua introduo  quarta diviso de sua obra, sob o tema "Ttulos referentes  preexistncia de Jesus", Cullman enfatiza sua convico que especulaes sobre as 
naturezas da pessoa de Jesus no conferem uma real compreenso da revelao divina:

"... veremos que estes termos [Logos e 'Filho de Deus'] tampouco contemplam uma unidade de essncia ou de natureza entre Deus e o Cristo; trata-se de uma unidade 
de ao, na obra da revelao. (...) resulta da o paradoxo de que o Pai e o Filho so, ao mesmo tempo, um e diferentes. Se os telogos posteriores no puderam dar 
uma explicao satisfatria deste paradoxo, deve-se ao fato que o tentaram por especulaes filosficas". 

No incio do Evangelho de Joo e em Apocalipse 19.13 aparece o termo Logos. O evangelista tencionou demonstrar que o Filho do Homem fizera-se carne, tornara-se humano 
e habitara no mundo. Sua origem, portanto, era celestial e sua preexistncia remontava  criao de todas as coisas. "No princpio" foi o incio escolhido para o 
quarto evangelho, a fim de vincular Jesus ao relato de Gnesis, ao bereshit. O conceito de Logos est presente no pensamento grego antigo, sendo amplamente difundido 
na Antigidade e tendo influenciado o judasmo tardio e o helenismo. Seja como fora impessoal a reger o universo e a iluminar a razo, seja como personificao 
com facetas mitolgicas, passando pelo idealismo platnico, a idia do Logos jamais assumiu, a no ser em sua verso joanina, a possibilidade de encarnao. Cullman 
rejeita, sob a pecha da simplificao esquemtica, a proposta de Bultmann que relaciona o Logos judaico-helenista e cristo a um possvel modelo gnstico - mtico 
e doceta - da personificao de um mediador entre Deus e os homens. Ele tentar provar que o Evangelho de Joo, "... pelo contrrio, submeteu cabalmente a concepo 
no crist ou pr-crist de Logos  suprema e nica revelao de Deus em Jesus de Nazar, dando-lhe assim forma inteiramente nova". 

Esta forma, segundo Cullman, conquanto admita certa semelhana  personificao do Logos como mediador e salvador,  influenciada pela reflexo em torno da "Palavra 
de Deus", do "Verbo", herdada do Antigo Testamento e do judasmo. No relato da criao, Deus d origem ao mundo pela sua "Palavra". Em outros textos, como em Salmos 
e Isaas, a Palavra cumpre os desgnios divinos, na forma de fora autnoma a agir no universo. Em Flon, o Logos comea a ganhar contornos de ente personificado; 
no judasmo tardio, a "Sabedoria" aproxima-se ainda mais da noo do Logos joanino (Pv 8:22-26; Sabedoria de Salomo 7.26). Ainda assim, Cullman adverte que "... 
esta Palavra (...) poder finalmente encarnar-se no quadro histrico de uma vida humana e terrena,  coisa to estranha a uma como a outra [judasmo bblico e tardio]". 

O Logos cristo  fruto da reflexo sobre Jesus como a revelao de Deus e, ao mesmo tempo, portador dela. Ele  a "Palavra" e traz a palavra, o anncio da salvao 
aos homens.  mais que uma voz, como o Batista;  a revelao de Deus em si, em sua pessoa e obra. Nisso, as semelhanas entre o prlogo de Joo e os versos iniciais 
de Hebreus 1 so incontestveis, no obstante as diferentes nfases; o primeiro introduz o relato obra sobre a vida e a obra do Cristo encarnado e, o segundo, um 
sermo apologtico da eficcia de seu sacrifcio e de sua obra presente. O "Verbo" como hipstase  descrito no evangelho de Joo como aquele que "estava com Deus" 
e "era Deus". Esclarecidas, como esto hoje, as questes filolgicas envolvidas e as tentativas de racionalizao do problema levantado no prlogo de Joo, resta 
a Cullman asseverar:

"Devemos deixar este paradoxo subsistir em toda a cristologia. (...) Alis, voltamos a encontrar o mesmo paradoxo no curso do [quarto] Evangelho; (...) em virtude 
da prpria natureza do Logos, no se pode falar dele seno em referncia  ao de Deus". 

H pontos de convergncia e divergncia entre Cullman e a dogmtica. Enquanto a anlise cullmaniana restringe-se  revelao histrica de Deus em Jesus, em termos 
de instrumentalidade e sem pensar em questes ontolgicas, a dogmtica permite-se falar dele como Filho, Segunda Pessoa da Trindade e igual ao Pai enquanto Ser, 
"presena viva de Deus na carne". Por outro lado, o universalismo do Cristo, como revelao de Deus ao mundo e no simples dogma religioso ou possibilidade de sincretismo 
a partir de outras "revelaes" no crists,  compartilhado pelas perspectivas cullmaniana e dogmtica de compreenso da figura transcendente do Logos. 
Sua filiao divina

Ao tratar sobre Jesus como o "Filho de Deus" em Cullman, necessrio se faz ter em mente sua proposta inicial, apresentada acima, de desconsiderar a discusso sobre 
as naturezas e a co-substancialidade do Filho em relao ao Pai. O interesse do estudo deve recair sobre a revelao de Deus em Jesus e no contedo dado por este 
e pelos autores bblicos aos ttulos cristolgicos. Portanto, a expresso "Filho de Deus" no diz respeito  essncia de Jesus, tampouco se refere apenas  sua divindade, 
haja vista outros ttulos aludirem a tal; antes, descreve o relacionamento especfico daquele que fora enviado por Deus para revelar Sua Pessoa e vontade.

A influncia helenista do conceito de "Filho de Deus" no cristianismo  vista por Cullman como limitada. Seu uso era vasto, aplicando-se a monarcas, taumaturgos, 
pessoas que manifestavam poderes sobrenaturais, alm de estar presente como expresso comum em obras antigas. "A pretenso destes homens de serem 'Filhos de Deus' 
baseia-se unicamente na convico que tinham de serem dotados de foras divinas". O politesmo helenista no admitiria, como tentou demonstrar Bultmann, uma idia 
monotesta de "Filho de Deus".

No Antigo Testamento, eram assim chamados, de forma mtica, os anjos (Gn 6.2). O povo de Israel  designado como primognito de Deus (Ex 4.22 e ss.); o rei entronizado, 
como representante da nao, era adotado por Deus como filho (2 Sm 7.14, Sl 2.7); e o Messias, em sua realeza, provavelmente era visto no judasmo como eleito do 
Senhor "para realizar uma misso divina particular, e obedecer estritamente ao chamado de Deus". Nesse sentido parece caminhar o significado de "Filho de Deus" aplicado 
a Jesus nos sinticos. Ele no  reconhecido assim por ser um taumaturgo ou possuir poderes extraordinrios, mas por estar disposto a levar a efeito a incumbncia 
dada a Ele pelo Pai; este o chama de "Filho" na ocasio do batismo. No relato da tentao, o diabo procura instig-lo a desejar riquezas e a fazer milagres para 
que se desvie dos propsitos divinos. Entretanto a expectativa messinica no se compatibiliza com a concepo do Ebed sofredor, estreitamente associada  misso 
do Filho. O trecho de Mt 16.16-19 sugere que a confisso de Pedro sobre a filiao de Jesus implicaria na aceitao de seu sofrimento e morte, motivo pelo qual Pedro 
 duramente repreendido. A concluso de Cullman  que Jesus designou-se como "Filho de Deus", demonstrando sua conscincia de intimidade mpar com o pai e zelando 
por separ-la de qualquer associao com uma realeza messinica.

Dentre os evangelhos, Joo explora a autoconscincia de Jesus de ser o "Filho" e Marcos ressalta a f no Filho de Deus; Mateus e Marcos procuram traar sua origem 
humana, cujo nascimento virginal denotaria sua origem tambm divina. A ntima relao entre Jesus e o Pai aparece nos sinticos com clareza em Mt 11.27, em raro 
momento, diversamente do quarto evangelho em suas declaraes sobre o "Filho". Por isso, exegetas tm questionado a autenticidade da passagem sintica, classificando-a 
como glosa deliberadamente confeccionada com moldes joaninos, tese rejeitada por Cullman, entre outros estudiosos de vulto, cujo entendimento  que tal verso "pode, 
com efeito, 'ter sido pronunciado em virtude de uma conscincia da preexistncia'". 

Nas confisses de f da igreja primitiva indubitavelmente estava presente a crena no "Filho de Deus". Apesar de pouco aparecer fora dos evangelhos,  evidente no 
relato do batismo do eunuco etope em Atos 8, em Paulo (Rm 1.3, confisso provavelmente antiga), na polmica de 1 Joo e na frmula ICQUS. Ao citar 1 Co 15.28, Cullman 
reitera o que considera o sentido mais profundo da unio entre o Pai e o Filho Unignito:

"Esta  a chave de toda a cristologia do Novo Testamento: falar do Filho no tem sentido seno em relao  obra de Deus e no em relao ao seu 'ser'. (...) Do 
'Filho de Deus', como do Logos, se pode dizer: ele  Deus, enquanto Deus se revela em sua obra da salvao, obra da qual fala todo o Novo Testamento". 

Jesus como "Deus"

Em Cullman, Jesus  "Deus enquanto se revela". Somente h sentido em se falar de sua divindade quando associada  histria da salvao, pois assim Deus se revelara 
nas Escrituras, cuja concepo de Deus no  esgotada. Em sua opinio, as passagens bblicas onde Jesus  chamado "Deus" apenas corroboram aspectos contidos em outros 
ttulos cristolgicos; por outro lado, pelas bvias implicaes impostas pelo tema, so mais suscetveis s pressuposies do exegeta, conservadores ou liberais. 
Nos sinticos, o prprio Jesus e os evangelistas no se preocupam em descrever o Cristo como "Deus" ou Kyrios. Contudo, "... o cristianismo primitivo no teme aplicar 
a Jesus, ao dar-lhe o ttulo de Kyrios, tudo o que o Antigo Testamento diz acerca de Deus". O evangelho de Joo no afirma que Jesus  simplesmente divino, mas, 
em seu prlogo e em sua confisso de f final, que estava com Deus e  Deus em sua revelao (1.1; 1.18 como lectio difficilior; 20.28, cf. 1 Jo 5.20). Visto por 
Cullman estreitamente relacionado ao estilo joanino, a epstola aos Hebreus cita, em seu primeiro captulo, o salmo 45:7-9, enfatizando que o vocativo " Deus" refere-se 
a Jesus. Paulo entende ser ele imagem de Deus, expresso de seu ser, o Kyrios; diretamente, porm, apenas em Rm 9.5 e Tito 2.13,  provvel filologicamente que o 
apstolo aos gentios tenha dito que o Cristo  "Deus". Ao afirmar que esta idia esteja presente tambm em 2 Pe 1.1 e Atos 20.28, Cullman conclui que "... naquelas 
poucas passagens do Novo Testamento onde Jesus recebe o ttulo 'Deus' esta qualificao se liga, por um lado, a sua elevao  dignidade de Kyrios (Epstolas de 
Paulo, 2 Pedro), e por outro,  idia de ser, ele mesmo, a revelao (escritos joaninos, Hebreus)" [sic]. 

CONCLUSO

Na ltima parte de sua obra, Cullman sumariza algumas de suas concluses e reflete sobre as implicaes de sua metodologia histrica. Percebe o mrito de sair do 
lugar comum de certas escolas teolgicas - por exemplo, a expectativa da parusia na igreja primitiva -, atravs de uma viso mais abrangente e investigativa, portanto 
menos reducionista do processo de construo das diversas perspectivas cristolgicas existentes no Novo Testamento. Em suas palavras:

"Ainda hoje no h outro 'mtodo' de compreender a cristologia, seno aquele que est exposto nos captulos 5-8 do Evangelho de Joo. Pois para o homem de ento 
era to difcil, como  para ns, crer no que para os judeus era um 'escndalo' e para os gregos uma 'loucura'". 

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BIBLIOGRAFIA 
BRAATEN, Carl E., JENSON, Robert W. Dogmtica crist. So Leopoldo: Sinodal, 2 v., 1990.
CULLMAN, Oscar. Cristologia do Novo Testamento. So Paulo: Liber, 2001.
VERMES, Geza. Jesus e o mundo do judasmo. So Paulo: Loyola, 1996.

XI
A DIVINDADE DE JESUS CRISTO - I
 No Espiritismo, Ele era um reformador da Judia, com a misso de ensinar aos homens uma elevada moral, a moral evanglico-crist; segundo Allan Kardec, foi Ele 
um mdium de primeira grandeza e a segunda revelao de Deus (a primeira teria sido Moiss, e a terceira e ltima, o Espiritismo). Para os Testemunhas-de-Jeov, 
Ele  um Ser criado por Jeov, poderoso, mas no todo-poderoso. No Budismo, Jesus foi um grande Mestre. No Mormonismo, Jesus no foi gerado pelo Esprito Santo, 
e viveu em poligamia com Marta e Maria, irms de Lzaro. No Islamismo, foi um mensageiro de Deus, porm menor que Maom. Na Nova Era, Jesus no  Deus porque todos 
somos deuses, e a Era de Peixes, de Jesus, est se expirando, e um novo avatar surgir para conduzir a humanidade  Era de Aqurios, que colocar o mundo em ordem 
e estabelecer a paz.

Negar a divindade de Jesus  uma das caractersticas das seitas, mas "as portas do inferno no prevalecero" contra a Igreja de Cristo. Para ns cristos, Jesus 
Cristo  Deus. A prova disso no  apenas a nossa f. Contamos com a Bblia Sagrada, livro escrito por cerca de 40 escritores, divinamente inspirados; contamos com 
o testemunho de apstolos que caminharam com Jesus, ouviram suas palavras e viram seus milagres, a exemplo de Pedro que declarou enftico: "TU S O CRISTO, O FILHO 
DO DEUS VIVO" (Mateus 16.16). 

At os demnios reconhecem que Jesus  o Filho do Deus altssimo "(Lucas 8.28). Temos as palavras do prprio Jesus que afirmou: "EU E O PAI SOMOS UM" (Joo 10.30). 
Temos o testemunho do profeta Isaas que, 700 anos de o Verbo habitar entre ns, chamou-O de "Deus Forte" e "Pai da Eternidade" (Isaas 9.6). Contamos, tambm, com 
o testemunho de milhes de vidas transformadas pela redeno que nEle h. Tratar-se-ia de apenas um esprito evoludo, um homem com poderes medinicos como desejam 
os kardecistas? Se Jesus  apenas um esprito iluminado, por que no "baixa" nas sesses espritas? Se Jesus foi igual a Buda e Maom, onde esto seus ossos? Em 
lugar nenhum iremos encontr-los porque Jesus ressuscitou, e vive e reina para sempre. Aleluia! Vejamos o que dizem as Escrituras sobre a divindade de Jesus.

CRISTO, O CRIADOR 

 "Todas as coisas foram feitas por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez... estava no mundo, e o mundo foi feito por ele e o mundo no o conheceu" (Joo 
1.3, 10). "Pois nele foram criadas todas as coisas que h nos cus e na terra, visveis e invisveis, sejam tronos, sejam dominaes, sejam principados, sejam potestades, 
tudo foi criado por ele e para ele" (Colossenses 1.16). "...a ns falou-nos [Deus] nestes ltimos dias pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez 
o mundo" (Hebreus 1.2).

CRISTO, O DEUS

 "A virgem conceber e dar  luz um filho, e o chamaro pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus conosco" (Mateus 1.23). "No princpio era o Verbo, e o Verbo 
estava com Deus, e o Verbo era Deus... e o Verbo se fez carne e habitou entre ns (Joo 1.1,14). Ateno: "O Verbo era Deus", e no "o Verbo era um deus", como desejam 
os testemunhas-de-Jeov. "Eu e o Pai somos um" (Joo 10.30); "Quem me v, v o Pai" (Joo 14.9). "O Pai est em mim, e eu nele" (Joo 10.38); "Disse-lhe Tom: Senhor 
meu e Deus meu" (Joo 20.28); "Deles so os patriarcas, e deles descende Cristo segundo a carne, o qual  sobre todos, Deus bendito eternamente. Amm". (Romanos 
9.5). "Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Colossenses 2.9). "Porque um filho nos nasceu...o seu nome ser: Maravilhoso, Conselheiro, Deus 
Forte, Pai da Eternidade, Prncipe da Paz" (Isaas 9.6). "Este  o verdadeiro Deus e a vida eterna" (1 Joo 5.20). Outras referncias: Joo 1.15,18,30; Colossenses 
1.15; 2 Corntios; 4.4; 5.19. 

CRISTO, O ETERNO

 "Eu sou o Alfa e o mega, o primeiro e o ltimo, o princpio e o fim" (Apocalipse 22.13). "Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abrao nascesse, eu sou" 
(Joo 8.58). "Eu e o Pai somos um" (Joo 10.30,38). "H tanto tempo estou convosco e no me conheces, Filipe? Quem me v, v o Pai... crede-me quando digo que estou 
no Pai e o Pai est em mim" (Joo 14.9-11,20; 17.21). "Vim do Pai e entrei no mundo; agora deixo o mundo e volto para o Pai" (Joo 16.28) Outras ref.: Joo 1.18; 
6.57; 8.19.

CRISTO, O TODO-PODEROSO

 "-me dado todo o poder no cu e na terra" (Mateus 28.18). "Eu sou o Alfa e o mega, o princpio e o fim, diz o Senhor, aquele que , que era e que h de vir, 
o Todo-poderoso" (Apocalipse 1.8). Outras referncias: Efsios 1.20-23; Joo 21.17.

CRISTO, O SALVADOR

 "Mas quando apareceu a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens, no por obras de justia que houvssemos feito, mas segundo a sua 
misericrdia, ele nos salvou mediante a lavagem da regenerao e da renovao pelo Esprito Santo, que ele derramou ricamente sobre ns, por meio de Jesus Cristo 
nosso Salvador"(Tito 3.4-6).

 "E em nenhum outro h salvao, porque debaixo do cu nenhum outro nome h, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos" (Atos 4.12). Vejam a nfase: "Em 
nenhum outro nome". No sobra para Buda, para Allan Kardec, para Maom, para Confcio, para Lao-Ts, para Osris, Vishnu, Brama, Shiva, Zoroastro, Maytreia. O nome 
de Jesus est acima de todos e de tudo. Outras referncias: Joo 3.16; Lucas 4.18; Isaas 61.1.

Jesus no foi um simples fundador de uma religio. Os afamados fundadores de seitas que surgiram na histria da humanidade esto todos mortos e devidamente enterrados; 
seus corpos foram comidos pelos vermes, e seus ossos, se ainda restam, esto em algum lugar. Com Jesus no aconteceu a mesma coisa. A terra no pde det-lo, a morte 
no teve domnio sobre Ele. Jesus ressuscitou do sepulcro e sobre isto h o testemunho das Escrituras; h o registro de testemunhas oculares que com Ele estiveram 
durante sua vida terrena e aps a sua ressurreio, e viram-no ascender aos cus (Mateus 28.1-10; 16-18; Marcos 16.1-14; Lucas 24.1-53; Joo 20.1-18).

OS TTULOS DE JESUS 

De forma direta ou indireta, pelo nome ou pelos ttulos, o nosso Salvador permeia toda a Bblia, onde  apresentado, por exemplo, como Messias, Redentor, Libertador, 
Perdoador de pecados, Juiz, Rei dos reis e Senhor dos senhores. Vejamos alguns dos ttulos de Jesus distribudos por vrios livros: 

Gnesis: Semente da mulher.
J: Redentor.
Salmos: Pedra angular. 
Cantares: Rosa de Saron. 
Isaas: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Prncipe da Paz, Emanuel, Glria do Senhor, Legislador, Poderoso de Jac, Renovo, Santo de Israel. 
Jeremias: Justia nossa.
Daniel: Ungido ou Messias. 
Miquias: Juiz de Israel. 
Ageu: Desejado de todas as naes.
Zacarias: Rei. 
Malaquias: Mensageiro da aliana, Sol da justia. 
Mateus: Filho amado, Filho de Davi, Filho de Deus, Filho do homem, Guia, Rei dos judeus. 
Marcos: Filho do Deus Bendito, Santo de Deus. 
Lucas: Consolao de Israel, Filho do Altssimo, Poderoso Salvador, Profeta, Salvador, Sol nascente. 
Joo: A Porta, a Ressurreio e a Vida, Bom Pastor, Cordeiro de Deus, Criador, Deus Unignito, Eu Sou, Luz do mundo, Luz Verdadeira, Verbo, Verdade, Vida, Videira 
verdadeira. 
Atos: Justo, Santo, Senhor de todos. 
Romanos: Deus bendito, Libertador. 
1 Corntios: Ado, Nossa Pscoa, Rocha, Senhor da glria. 
2 Corntios: Imagem de Deus. 
Efsios: Cabea da Igreja. 
1 Timteo: Bem-aventurado e nico Soberano, Mediador, Rei dos reis, Rei dos sculos, Senhor dos senhores. 
Tito: Salvador. 
Hebreus: Apstolo da nossa confisso, Herdeiro de todas as coisas, Autor e Consumador da f, Grande Sumo Sacerdote. 
1 Pedro: Pastor e Bispo das almas, Prncipe dos pastores. 
1 Joo: Advogado. 
Apocalipse: Alfa e mega, Cordeiro, Leo da Tribo de Jud, O Primeiro e o ltimo, Primognito, Rei dos santos, Resplandecente Estrela da Manh, Todo-poderoso. 

A TRINDADE

Negar a divindade de Jesus  negar a existncia do Deus trino, ou seja, do Deus nico, eternamente subsistente em trs Pessoas: a Primeira Pessoa, Deus Pai; a Segunda 
Pessoa, Deus Filho; e a Terceira Pessoa, Deus Esprito Santo. A unidade divina  uma unidade composta dessas trs Pessoas, coexistentes, porm distintas. Examinemos 
a Palavra: 

 "Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus,  o nico SENHOR" (Deuteronmio 6.4). Este versculo  muito usado pelos que no aceitam a Trindade. Sustentam que no existem 
trs Deuses, mas apenas um. Ora, a idia do Deus trino, da unidade composta, est subjacente em outras passagens, como veremos a seguir.

 "Ento disse Deus: Faamos o homem  nossa imagem..." (Gnesis 1.26). O uso da primeira pessoa do plural - FAAMOS - indica que Deus no estava s na obra da Criao: 
o Filho e o Esprito estavam presentes. Vejam tambm Gnesis 3.22; 11.7; Isaas 6.8. 

 "Portanto, ide, ensinai todas as naes, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Esprito Santo" (Mateus 28.19).

 "A graa do Senhor Cristo, e o amor de Deus, e a comunho do Esprito Santo sejam com todos vs" (2 Corntios 13.13). Conhecida como a "bno apostlica", este 
versculo revela o Deus trino. 

 No batismo de Jesus no Jordo, conforme Mateus 3.16-17, temos o Esprito de Deus "descendo sobre Jesus"; a voz do Pai dizendo "Este  o meu Filho amado"; e o Verbo, 
o Deus Filho ali encarnado e habitando entre ns. 
 O livro de Judas fala da Trindade: "Mas vs, amados, edificando-vos a vs mesmos sobre a vossa santssima f, orando no Esprito Santo, conservai a vs mesmos 
na caridade de Deus, esperando a misericrdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna" (Judas 20.021). 

 O apstolo Pedro deixou o seu testemunho sobre as Pessoas da Trindade: "Eleitos segundo a prescincia de Deus Pai, em santificao do Esprito, para a obedincia 
e a asperso do sangue de Jesus Cristo" (1 Pedro 1.2). 

 Na seguinte passagem Jesus mais uma vez revela sua divindade e reafirma a existncia da trindade em Deus: "E eis que sobre vs envio a promessa de meu Pai; ficai, 
porm, na cidade de Jerusalm, at que do alto sejais revestidos de poder" (Lucas 24.49). A promessa diz respeito ao batismo no Esprito Santo, plenamente cumprida 
em Atos 2.1-4. Vejam que a promessa  do Pai, mas quem envia  o Senhor Jesus; envia do alto, do cu. Jesus confirma o que j houvera dito: "Eu e o Pai somos um". 
Outra referncia: Atos 2.32-33. 

A verdade  que "Deus estava em Cristo", como afirmou o apstolo Paulo (2 Corntios 5.19). Finalmente, fiquemos com estas palavras gloriosas: "O Filho  o resplendor 
da sua glria e a expressa imagem da sua pessoa [do prprio Deus], sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder. Havendo feito por si mesmo a purificao 
dos nossos pecados, assentou-se  destra da Majestade nas alturas" (Hebreus 1.3).

Parte XII
A DIVINDADE DE JESUS CRISTO - II 
A deidade de Jesus est explcita de forma direta ou indireta em muitos textos bblicos que, no raro, passam despercebidos por olhos menos atentos. As seitas de 
um modo geral no aceitam a verdade bblica sobre o "Verbo que se fez carne e habitou entre ns". Para o combate a essas heresias, no exerccio da apologtica crist, 
convm que saibamos manejar bem a "espada do Esprito, que  a palavra de Deus, viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, apta para discernir 
os pensamentos e intenes do corao". 

Jesus: Senhor e Juiz dos mortos:

"Para isto Cristo morreu e tornou a viver, para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos (Rm 14.9); "De maneira que cada um de ns dar conta de si mesmo a Deus" 
(Rm 14.12). "Eu sou o Deus de Abrao, o Deus de Isaque e o Deus de Jac? Ora, Deus no  Deus dos mortos, mas dos vivos" (Mt 22.32) "[Jesus} foi constitudo Juiz 
dos vivos e dos mortos" (Atos 10.40,42; Jo 5.22;2; Tm 4.1; Hb 10.30)

O domnio de Cristo  supremo e abrange tudo: a vida, a morte e o juzo. 

Jesus: O Criador

"Ele  a imagem do Deus invisvel, o primognito de toda a criao. Pois nele foram criadas todas as coisas que h nos cus e na terra, visveis e invisveis, sejam 
tronos, sejam dominaes, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. Ele  antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por 
ele" (Cl 1.15-17).

Se Jesus  o Criador, logo Ele  Deus. O termo "primognito" atribudo a Jesus no significa que Ele tenha sido o primeiro a ser criado,mas trata do relacionamento 
de Pai e Filho na Trindade, confirmado em Joo 3.16 ("Filho Unignito"). O prprio versculo afirma que Ele  Criador ("Tudo foi criado por ele..."). O Criador de 
todas as coisas no pode ser criatura. O Filho  a expressa imagem de Deus (Hb 1.3). A divindade de Jesus est expressa de forma inequvoca no Evangelho do apstolo 
Joo: "No princpio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus; Ele estava no princpio com Deus; todas as coisas foram feitas por Ele; e o Verbo 
se fez carne e habitou entre ns" (Jo 1.1,2,3,14). O termo UNIGNITO "descreve a filiao singular entre Jesus Cristo e Deus-Pai. Ningum, a no ser o Cristo, detm 
semelhante prerrogativa" (Dicionrio. Teolgico). 

Jesus: O Filho de Deus

Disseram os judeus: "No te apedrejamos por nenhum milagre, mas pela blasfmia, porque tu, mero homem, te fazes Deus a ti mesmo". Disse Jesus: "O que dizer daquele 
a quem o Pai santificou e enviou ao mundo? Ento por que me acusais de blasfmia, porque eu disse: Sou Filho de Deus? Mas fao as obras de meu Pai e no credes em 
mim, crede nas obras, para que possais saber e compreender que o Pai est em mim, e eu nele". "De novo procuravam prend-lo" (Jo 10.33,36,38,39). 

Para os judeus, identificar-se como Filho de Deus era colocar-se em p de igualdade com o prprio Deus. Por isso ficaram enfurecidos ao ouvirem a expresso "Filho 
de Deus", dita pelo prprio Jesus. Vejam outras com o mesmo teor: 

"Ento, os que estavam no barco o adoraram, dizendo: s verdadeiramente o Filho de Deus" (Mt 14.33). "Tu s o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mt 16.16) "Que tenho 
eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altssimo". "Se tu s o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em po" (Mt 4.3). "Se tu s o Filho de Deus lana-te 
daqui abaixo" (Mt 4.6). At os demnios reconhecem a divindade de Jesus. 

"No vos fizemos saber o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fbulas artificialmente compostas, mas ns mesmos vimos a sua majestade: "Este  
o meu Filho amado em quem me comprazo. Ns mesmos ouvimos esta voz vinda do cu, estando ns com ele no monte santo" (2 Pe 1.16-18).

Jesus: Senhor, Deus e Salvador

"Aguardando a bem-aventurada esperana e o aparecimento da glria do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus" (Tt 2.13). "Mas quando apareceu a benignidade de 
Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens... que ele derramou sobre ns por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador" (Tt 3.4,6). [Estevo]: "Senhor Jesus, 
recebe o meu esprito" (Atos 7.59). Jesus: "Pai, nas tuas mos entrego o meu esprito" (Lc 23.46). 
"Simo Pedro, servo e Apstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcanaram f igualmente preciosa pela justia do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo" (2 Pe 1.1,11).

Eis a Jesus sendo chamado de Deus e Senhor. Estevo entregou seu esprito ao Senhor Jesus, e este, ao morrer, entregou seu esprito ao Pai. V-se que os dois - 
o Deus Filho e o Deus Pai - so o mesmo Senhor no mistrio da Trindade.

Jesus: Cristo Deus

"Que, sendo em forma de Deus, no teve por usurpao ser igual a Deus, mas a si mesmo se esvaziou, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens... 
e toda lngua confesse que Cristo Jesus  o Senhor, para glria de Deus Pai" (Fp 2.6,7,11)

Se Jesus esvaziou-se para tomar a forma de servo, para em tudo ficar semelhante aos homens, entende-se que Ele esvaziou-se de alguma prerrogativa, ou seja de seus 
atributos e privilgios divinos.

Jesus: O Todo-Poderoso 

"Mas todos os que o receberam, queles que crem no seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus" (Jo 1.12). "-me dado todo o poder no cu e na terra" 
(Mt 28.18)
O prprio Jesus, na qualidade de Deus, recebe a todos como filhos, e se declara Todo-Poderoso.

Jesus: Digno de adorao

"E, novamente, ao introduzir o primognito no mundo, diz: E todos os Anjos de Deus o adorem; e, quanto aos anjos, diz: quem de seus anjos faz ventos, e de seus ministros 
labaredas de fogo, mas, do Filho, diz:  Deus, o teu trono subsiste pelos sculos dos sculos, e cetro de equidade  o cetro do teu reino" (Hb 1.6-8). "Ao Senhor 
Deus adorars..." (Mt 4.10). 

Quando o apstolo Joo prostrou-se aos ps do anjo para ador-lo, ouviu o seguinte: "No faas isso... Adora a Deus" (Ap 22.8-9).

O Senhor Jesus no  em nada inferior ao Deus Pai. Mais uma vez o Filho  chamado de Deus (" Deus"). Jesus ensinou que somente a Deus devemos adorar. Se Ele no 
fosse a expressa imagem de Deus, no aceitaria adorao. Entretanto, no apenas os anjos o adoravam; os homens, tambm. Vejam:

"E elas [Maria Madalena e outra Maria] abraaram os seus ps, e o adoraram" (Mt 28.9).
"Veio um leproso, e o adorou..." (Mt 8.2).
"Vimos a sua estrela no oriente, e vimos ador-lo" (Mt 2.2, 11).
"Os que estavam no barco o adoraram dizendo: s verdadeiramente o Filho de Deus" (Mt 14.33).
"A mulher chegou e o adorou:..." (Mt 15.25;28.17).
"Disse o homem: Creio, Senhor, e o adorou" (Jo 9.38).

Considerando que Jesus disse ao diabo: "Ao Senhor teu Deus adorars, e s a ele servirs" (Mt 4.10), e sabendo-se que Ele aceitou que vrias pessoas O adorassem, 
fica claro que Ele se colocou como Deus. A no ser que as seitas queiram dizer que Ele foi um hipcrita, charlato, mentiroso, louco ou impostor. 

"O Filho  o resplendor da sua glria e a expressa imagem da sua pessoa, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder. Havendo feito por si mesmo a purificao 
dos nossos pecados, assentou-se  destra da Majestade" (Hb 1.3).

Jesus: Cristo - Deus

Paulo: "Olhai por vs, e por todo o rebanho sobre o qual o Esprito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu 
prprio sangue" (Atos 20.28).

"Sobre esta pedra edificarei a minha igreja" (Mt 16.18).

"Para conhecimento e mistrio do Deus-Cristo..." (Cl 2.2-3). "Nele habita toda a plenitude da divindade" (Cl 2.8). 

Jesus declara que a Igreja  dele, e em Atos 20.28 lemos que a Igreja  de Deus. Logo, correta est a expresso "Deus-Cristo", como acima. 

Jesus: O Autor da Vida

"Mataste o Autor da Vida, ao qual Deus ressuscitou dos mortos, do que ns somos testemunhas" (Atos 3.15). 
"O Senhor  o que tira a vida e a d" (1 Sm 2.6).
"Deus dos mortos e dos vivos" (Mt 22.32).

Temos a a identificao de Jesus como Autor da Vida; o mesmo ttulo  dado a Deus, o Senhor que tira a vida e a d.

Jesus: o Deus Perdoador

"Homem os teus pecados te so perdoados. Os escribas e fariseus comearam a pensar: quem  este que diz blasfmias? Quem pode perdoar pecados, seno s Deus?. Jesus 
disse: "Por que pensais essas coisas em vossos coraes? Qual  mais fcil? Dizer: os teus pecados esto perdoados, ou dizer: Levanta-te e anda? Ora, para que saibais 
que o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados - disse ao paraltico : A ti te digo, levanta-te, toma o teu leito, e vai para a tua casa "(Lucas 
5.17ss). 

Atravs de uma dificuldade maior (a de curar o paraltico) Jesus justificou a dificuldade menor (a de perdoar pecados). Jesus, conhecedor da Palavra, no iria perdoar 
pecados se Ele no fosse o prprio Deus encarnado. Salvo se Ele fosse um mentiroso, hipcrita e charlato. Vejam: 

" Ele [Deus] quem perdoa todas as tuas iniqidades..." (Sl 103.3). 
"Perdoa-nos as nossas dvidas,assim como ns perdoamos aos nossos devedores" (Mt 6.12).
"Antes sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como tambm Deus vos perdoou em Cristo" (Ef 4.32).
"O que encobre as suas transgresses jamais prosperar;mas o que as confessa e deixa,alcanar misericrdia". [Misericrdia de Deus] (Pv 28.13).
"Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgresses por amor de mim, e dos teus pecados no me lembro". (Is 43.25; 1.18).
"Arrependei-vos e convertei-vos para que sejam apagados os vossos pecados" (At 3.19).

Jesus: o Eu Sou

"Antes que Abrao nascesse, eu sou. Ento pegaram em pedras para lhe atirarem, mas Jesus ocultou-se, e saindo templo, passando pelo meio deles" (Jo 8.58,59). "Se 
no crerdes que EU SOU, morrereis em vossos pecados" (Joo 8.24).

"Assim dirs aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vs" (x 3.14).

Jesus USOU O MESMO NOME pronunciado por Deus quando falou a Moiss. Com relao a xodo 3.14, a Bblia de Estudo Pentecostal faz o seguinte comentrio: "O Senhor 
deu a si mesmo o nome pessoal: "Eu sou o que sou" (de onde deriva o hb. Iav), uma expresso que expressa ao.Deus estava efetivamente dizendo a Moiss: "Quero 
ser conhecido como o Deus que est presente e ativo" (1) Inerente no nome Iav est a promessa da presena viva do prprio Deus, dia aps dia com o seu povo... O 
Senhor declara que esse ser o seu nome para sempre.  digno de nota que quando Jesus nasceu, foi chamado Emanuel, que significa "Deus conosco"(Mt 1.23); Jesus tambm 
se chamava a si mesmo pelo nome "Eu sou" (Jo 8.58)".

Jesus: a Ele servirs

"E tudo o que fizerdes, fazei-o de todo o corao, como ao Senhor, e no aos homens, sabendo que recebereis do Senhor a recompensa da herana.  a Cristo, o Senhor, 
que servis" (Cl 3. 23-24)

"Ao Senhor teu Deus adorars, e s a Ele servirs" (Mt 4.10).
"Ao Senhor teu deus temers, e a ele servirs..." (Dt 6.13). 
"Eu e a minha casa serviremos ao Senhor" (Js 24.15). 
"Aquele que me serve deve seguir-me, e onde eu estiver, ali estar tambm o meu servo. E se algum me servir, meu Pai o honrar" (Jo 12.26).
"Porque quem nisto [justia, paz e alegria no Esprito Santo] serve a Cristo, agradvel  a Deus e aprovado pelos homens" (Rm 14.18). 

"Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ningum VEM AO PAI seno por mim" (Jo 14.6). 
Jesus no disse VAI ao Pai, mas se colocou em igualdade com Deus Pai, ao dizer VEM ao Pai. 

"Se vs me conhecsseis, tambm conhecereis a meu Pai" (Jo 8.19). 

Do que foi lido acima, deduz-se o seguinte:

Primeiro, a palavra SENHOR (do hebraico Yav; do grego kyrios), significando supremacia, soberania,  um ttulo de reverncia usado tanto para Deus como para Jesus. 
Exemplos: "No tentars o Senhor teu Deus" (Mt 4.7, 10); "...o tempo em que o Senhor Jesus andou entre ns" (At 1.21). 
Segundo, Jesus, confirmando as Escrituras, afirmou que devemos servir somente a Deus. Todavia, Ele disse: "aquele que me serve deve seguir-me..." (Jo 12.26). O apstolo 
Paulo, na carta aos romanos, fala em servir a Cristo. 
Terceiro, em Joo 8.19 Jesus confirma ser a expressa imagem de Deus. Paulo confirma em Colossenses 1.15: "Ele  a imagem do Deus invisvel..." Em Joo 14.9 Jesus 
confirma a segunda condio de Verbo encarnado: "Quem me v, v o Pai". 

A Bblia registra muitas outras passagens que testemunham a divindade de Jesus, bastando que examinemos com ateno o texto e o contexto.

Parte XIII
A ESCOLHA DE CRISTO
MATEUS 4. 18-22 
18 Caminhando junto ao mar da Galilia, viu dois irmos, Simo, chamado Pedro, e Andr, que lanavam as redes ao mar, porque eram pescadores.
19 E disse-lhes: Vinde aps mim, e eu vos farei pescadores de homens.
20 Ento, eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram.
21 Passando adiante, viu outros dois irmos, Tiago, filho de Zebedeu, e Joo, seu irmo, que estavam no barco em companhia de seu pai, consertando as redes; e chamou-os.
21 Ento, eles, no mesmo instante, deixando o barco e seu pai, o seguiram.

1. Jesus chamou homens simples.

Uma das coisas complicadas nas peladas de futebol  na hora de dividir os times. Confesso que no gosto muito de escolher entre um jogador e outro e s vezes at 
de deixar algum de fora. Porm, talvez, o pior perigo  a tentao que temos de escolher os melhores jogadores para o nosso time. Afinal de contas como queremos 
ganhar, queremos nos garantir com os melhores jogadores jogando no nosso time.

Sei que voc  como eu se vai montar uma equipe vai escolher os melhores; os mais capacitados, os mais geis. Jesus no foi assim. Nenhum executivo de empresa faria 
o que Jesus fez. Jesus no escolheu os melhores; Jesus no escolheu os mais preparados; ele no foi recrutar os seus seguidores na Universidade Federal de Jerusalm 
(Ele sabia que aqueles estavam muitos confiantes no que sabiam para aprender alguma coisa); Jesus no escolheu os mais comunicativos. Ele escolheu homens simples, 
pescadores, rudes, mais acostumados  solido do mar do que s multides. Foi estes que Jesus escolheu e a estes confiou a misso mais importante de toda a histria: 
dar continuidade ao seu ministrio.

2. Jesus chamou homens sem mritos.

Quando se vai comear uma empreitada,  de bom alvitre se escolher pessoas que alm de preparadas, tenham boa reputao, que tenham aceitao na sociedade. E quando 
essa tarefa  no campo da f,  importante que essas pessoas tenham o reconhecimento da comunidade. Jesus, porm, contrariou esses princpios.  verdade que Pedro 
e seu irmo embora no fizessem parte da liderana de alguma sinagoga ou daqueles que trabalhavam no templo, no eram contudo, to mal afamados como aquele tal de 
Mateus. Fazer de um cobrador de impostos um discpulo a j  um exagero!  comprometer a credibilidade do ministrio. Aquele homem, alm de ser um lesa-ptria, 
levava sobre a suspeio de roubar na cobrana de impostos. 

A verdade  que Jesus no escolheu ningum baseados nos mritos. Ele no olhou para as medalhas de vitrias nas batalhas espirituais, no levou em conta aqueles 
que se julgavam santos e puros a ponto de menosprezarem os outros. Talvez nem eu nem voc os escolhssemos, mas Jesus os escolheu.

3. Jesus chamou homens trabalhadores!

Jesus, no pensou assim, esses homens esto desocupados, no tm mesmo o que fazer, acho que vou aproveita-los. Porque, iria eu tirar algum do seu curso universitrio, 
do seu trabalho, da sua famlia para me seguir quando tem tanta gente ai sem fazer nada.

No foi assim que Jesus pensou! Ele chamou homens trabalhadores, homens que estavam no seu trabalho, no seu labutar.

Ningum pode dizer, Jesus, vai chamar outros, afinal de contas eu sou to ocupado!

4. Jesus aproveitou o que havia de bom naqueles homens.

Jesus aproveita o pouco que ns temos para fazer muito. Um pouco de azeite, um punhado de farinha, uma pedra e uma funda, uma vara, cinco pes, dois peixinhos. 

Pedro era pescador. Virou o maior pescador da igreja. Jesus usou a intempestividade de Pedro, o seu desembarao, a sua intrepidez. No dia de Pentecostes quando a 
multido aturdida ficou a se indagar o que aquilo acontecia. Pedro aproveita aquela oportunidade para apresentar a Jesus Cristo. Pedro no era homem de ficar traando 
planos. Ele era homem de aes imediatas e Jesus usou isso.

Assim, o pouco que ns temos, pode ser muito nas mos de Jesus. Ningum na Igreja pode dizer. Ah! Mas Jesus no precisa de mim, afinal de contas tem tanta gente 
na Igreja mais capacitada do que eu. Ah! Voc no sabe o que Jesus pode fazer atravs de voc, com os dons e talentos que Ele colocou em suas mos. Quando Ele os 
pega e multiplica, grandes milagres acontecem.

5. Jesus os chamou para que viessem imediatamente

O Chamado de Jesus  sempre urgente. Imagine as inmeras questes que se levantam em uma hora como essa: E o meu barco, quem vai tomar conta? A minha famlia, quem 
vai sustentar? Como ns vamos viver? Para onde vamos? Que garantia ns teremos? A nica garantia  aquele que chama. Aquele que chama sustenta, aquele que chama 
dirige, aquele que chama capacita, aquele que chama vai  frente. 

E o seu chamado tem sempre esse sentido de urgncia. No pode ser postergado, no pode ser adiado, no pode ficar para depois. Se Pedro tivesse levado trs anos 
para poder responder a Cristo teria perdido a grande oportunidade de estar com Ele ao longo de seu ministrio e de desfrutar de momentos que nem toda a fortuna de 
Bill Gates poderia comprar: ver Jesus Cristo transfigurado, em glria fulgurante, em brilho inenarrvel, em beleza indescritvel. Um s momento como aquele vale 
mais do que qualquer outra coisa nesta vida.
O melhor momento para se fazer a vontade de Deus  exatamente aquele no qual Ele est nos chamando. E eles imediatamente o seguiram.
6. Jesus os chamou radicalmente.

O chamado de Cristo  radical. Ele no deixa espaos. Nem meias escolhas  tudo ou nada.  negar-se a si mesmo.  vender tudo para comprar a prola de grande valor. 
A vida de Pedro nunca mais seria a mesma. Os barcos ficaram para trs, as conversas na beira da praia sobre as grandes pescarias ficaram para trs. 

Pedro naquele momento teria que deixar tudo, renunciar a tudo, abandonar tudo, renegar tudo, desdenhar de todas as tolas vantagens que o mundo pudesse lhe oferecer, 
desprezar as tentaes. Pedro, Andr e os outros apstolos teriam que deixar tudo, para ter apenas aquilo que o Senhor quisesse lhes entregar.

As implicaes do chamado Cristo para voc nesta manh so as seguintes: 

A sua falta de preparo ou de qualquer outro mrito no  desculpa. A sua ocupao no  desculpa. 
Jesus vai multiplicar o pouco que voc tem, para alimentar multides famintas. 
Os campos j esto brancos para a colheita. A Chamada  urgente. O Tempo  agora. 

Pregado na 1 IPI de Natal em 11/02/2001

Parte XIV
A F EM JESUS CRISTO
O que a Bblia diz a respeito? 
Para que algum seja salvo de seus pecados  necessrio que se arrependa e creia no Senhor Jesus. O que significa crer em Jesus Cristo? Em que consiste a f salvadora? 
Embora resumidamente, esperamos responder a contento essas indagaes.

A F EM JESUS CRISTO  DOM DE DEUS

Agostinho costumava dizer que nada  nosso, exceto o pecado. Portanto, a f em Jesus Cristo  uma graa salvadora de Deus para a nossa vida. Isto  o mesmo que dizer: 
A f  um dom de Deus. 

No podemos ter dvida quanto a isso. Que a f  um dom de Deus est claro em passagens bblicas como Atos 13.48 (creram todos os que haviam sido destinados para 
a vida eterna), Efsios 2.8 (pela graa sois salvos, mediante a f; e isto no vem de vs,  dom de Deus), Filipenses 1.29 (Porque vos foi concedida a graa de padecerdes 
por Cristo, e no somente [a graa] de credes nele), 2 Tessalonicenses 3.2 (a f no  de todos) e Tito 1.1 (a f que  dos eleitos de Deus). Alm de ser um dom 
de Deus, a f aparece tambm em algumas das passagens acima como fruto da eleio divina. Eleio que tambm  pela graa e dom de Deus (cf. Rm 11.5,6).
Mas algum poderia perguntar: "Se a f em Jesus Cristo  dom de Deus, por que em vrios lugares da Bblia  ordenado ao homem crer em Jesus?". A soberania de Deus 
no anula a nossa responsabilidade. Todos ns somos moralmente responsveis diante de Deus e, como tais, responderemos pelos nossos atos. O ser humano precisa se 
arrepender de seus pecados e confiar somente em Jesus para a vida eterna, pois Deus no pode se arrepender e crer em seu lugar. Por outro lado, como bem salientou 
James Packer, "Se ns mesmos temos f, isso deve-se apenas ao fato que Deus em sua misericrdia abriu os nossos olhos". A converso de Ldia  um timo exemplo. 
Lucas relata: "Quando foi sbado, samos da cidade para junto do rio, onde nos pareceu haver um lugar de orao; e, assentando-nos, falamos s mulheres que para 
ali tinham concorrido. Certa mulher chamada Ldia, da cidade de Tiatira, vendedora de prpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o corao para atender 
s cousas que Paulo dizia" (At 16.13,14). Aqui temos o que biblicamente denominamos de novo nascimento ou converso de Ldia. Uma obra do Esprito de Deus. O verbo 
grego dih/noicen (abriu) est no aoristo e significa que ali houve uma ao completa e definitiva do Esprito Santo. Durante a pregao de Paulo Ldia "escutava" 
e o seu corao foi "aberto" para que atendesse.  necessrio que a interveno divina, que torna o homem natural receptivo para com a Palavra de Deus, anteceda 
o ouvir com proveito a pregao do evangelho. "Deus concedeu a Ldia um corao receptivo para compreender coisas espirituais. Ele deu a ela o dom da f e a iluminao 
do Esprito Santo" (Simon J. Kistemaker).

O autor aos Hebreus (12.2) nos lembra ainda que Jesus Cristo  o autor e o consumador de nossa f. O princpio e o fim da f salvadora. E o que isso quer dizer? 
Quer dizer que como Autor Jesus "preparou o caminho da f com triunfo diante de ns, abrindo assim um caminho para os que O seguem". Como Consumador da f Ele  
"o completador e aperfeioador; no sentido de levar uma obra at o fim, no por decurso de prazo".

A teologia arminiana afirma que Deus no concede o dom da f em Jesus a ningum porque, segundo ela, "nem mesmo existe tal dom". Diz ainda que a f  prpria do 
ser humano e que, por conseguinte, toda pessoa pode crer em Cristo. Por ltimo, salienta que embora o ser humano esteja debilitado pela queda do pecado, no est 
incapaz de exercer f em Cristo, receber o evangelho e tomar posse da salvao para si mesmo.

A teologia arminiana est equivocada. A Bblia  clara em dizer que o homem natural est morto em seus delitos e pecados (Ef 2.1). No diz que ele est doente ou 
com fora suficiente para fazer alguma coisa por si s. Ele est morto! A palavra morto j diz tudo. Alm disso, a teologia arminiana contraria explicitamente aquelas 
passagens bblicas que afirmam ser a f um dom de Deus.

Embora sejamos responsabilizados a crer em Jesus (porque Deus no cr em nosso lugar), a f, do comeo ao fim,  dom de Deus. 

A F EM JESUS CRISTO  SALVADORA

A f em Jesus Cristo  uma graa salvadora (cf. Ef 2.8). A f salvadora no  um mero assentimento intelectual ou mera f temporal. 

Muitas pessoas crem em Jesus Cristo do modo como crem em Pedro lvares Cabral ou em D. Pedro I. Acreditam que Jesus realmente viveu, morreu e ressuscitou, isto 
, crem que Ele era de fato uma pessoa da histria. Essas pessoas supem que isso seja f na verdadeira concepo do termo, isto , a f salvadora. Mas no , porque 
elas no esto confiando em Jesus para qualquer coisa agora, muito menos para a vida eterna. Essas pessoas possuem meramente a f intelectual para fatos histricos, 
da mesma forma que acreditam em Pedro lvares Cabral mas hoje no confiam nele para nada. Um exemplo da f como mero assentimento intelectual pode ser encontrado 
em Tiago 2.19: "Crs tu que Deus  um s? Fazes bem. At os demnios crem e tremem". Tiago est ironizando aqueles que diziam ter f na unicidade de Deus, porm, 
no evidenciavam tal f atravs das obras. Os demnios crem e tremem, mas nem por isso so salvos. 

Outro exemplo do que no  f salvadora  a f temporal. Voc deve ter orado a Deus muitas vezes, no  verdade? Confia nele para certas coisas, no  mesmo? Quando 
voc confia no Senhor a respeito de suas finanas, podemos dizer que voc tem f financeira. Quando voc confia no Senhor para cuidar de sua famlia, voc pode chamar 
isso de f familiar. Em viagens voc tem f viajante. H um elemento comum em todas essas coisas. So temporais. Todas elas so cosias desta vida, coisas deste mundo 
que iro passar. Muitas vezes confiamos em Jesus para todas essas coisas temporais, que no  errado, contudo, essa ainda no  a verdadeira f salvadora.

F salvadora  receber a Jesus e confiar somente nele para a vida eterna. Quem  Jesus? A maioria das pessoas sabe que Jesus Cristo  o filho de Deus, mas esta mesma 
maioria no sabe que Jesus tambm  o Deus Filho, o infinito Deus-homem que morreu na cruz e ressuscitou dentre os mortos, para pagar a pena dos nossos pecados e 
comprar um lugar nos cus para ns, o qual nos oferece gratuitamente.

A f em Jesus envolve tanto confiana nele como a entrega da vida a Ele. Estas coisas fazem parte da f que conduz  vida eterna. E se a nossa convico  de que 
realmente temos a vida eterna porque temos a f salvadora, ento, vamos nos firmar cada vez mais e mais nesta certeza, pois o prprio Senhor Jesus garantiu aos que 
nele crem que ser assim. "Em verdade, em verdade vos digo: Quem cr (em mim), tem a vida eterna" (Jo 6.47). 
Concluindo:
Lembremos que a Escritura Sagrada d testemunho de Jesus (cf. Jo 5.39) e  atravs dela que, iluminados pelo Esprito Santo, somos habilitados a crer em Jesus para 
a salvao (I Co 1.21-24). Por isso mesmo, precisamos pregar a Palavra. O Esprito Santo usa a mensagem bblica para conceder a f (Rm 10.17), mas isso no o impede 
de usar a voc e a mim (Rm 10.13-15), pelo contrrio, por ele somos capacitados a evangelizar quando ouvimos a sua voz e obedecemos ao seu chamado.

Parte XV
A F EM JESUS CRISTO
O que a Bblia diz a respeito? 
 Para que algum seja salvo de seus pecados  necessrio que se arrependa e creia no Senhor Jesus. O que significa crer em Jesus Cristo? Em que consiste a f salvadora? 
Embora resumidamente, esperamos responder a contento essas indagaes.

A F EM JESUS CRISTO  DOM DE DEUS

Agostinho costumava dizer que nada  nosso, exceto o pecado. Portanto, a f em Jesus Cristo  uma graa salvadora de Deus para a nossa vida. Isto  o mesmo que dizer: 
A f  um dom de Deus. 

No podemos ter dvida quanto a isso. Que a f  um dom de Deus est claro em passagens bblicas como Atos 13.48 (creram todos os que haviam sido destinados para 
a vida eterna), Efsios 2.8 (pela graa sois salvos, mediante a f; e isto no vem de vs,  dom de Deus), Filipenses 1.29 (Porque vos foi concedida a graa de padecerdes 
por Cristo, e no somente [a graa] de credes nele), 2 Tessalonicenses 3.2 (a f no  de todos) e Tito 1.1 (a f que  dos eleitos de Deus). Alm de ser um dom 
de Deus, a f aparece tambm em algumas das passagens acima como fruto da eleio divina. Eleio que tambm  pela graa e dom de Deus (cf. Rm 11.5,6).

Mas algum poderia perguntar: "Se a f em Jesus Cristo  dom de Deus, por que em vrios lugares da Bblia  ordenado ao homem crer em Jesus?". A soberania de Deus 
no anula a nossa responsabilidade. Todos ns somos moralmente responsveis diante de Deus e, como tais, responderemos pelos nossos atos. O ser humano precisa se 
arrepender de seus pecados e confiar somente em Jesus para a vida eterna, pois Deus no pode se arrepender e crer em seu lugar. Por outro lado, como bem salientou 
James Packer, "Se ns mesmos temos f, isso deve-se apenas ao fato que Deus em sua misericrdia abriu os nossos olhos". A converso de Ldia  um timo exemplo. 
Lucas relata: "Quando foi sbado, samos da cidade para junto do rio, onde nos pareceu haver um lugar de orao; e, assentando-nos, falamos s mulheres que para 
ali tinham concorrido. Certa mulher chamada Ldia, da cidade de Tiatira, vendedora de prpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o corao para atender 
s cousas que Paulo dizia" (At 16.13,14). Aqui temos o que biblicamente denominamos de novo nascimento ou converso de Ldia. Uma obra do Esprito de Deus. O verbo 
grego dih/noicen (abriu) est no aoristo e significa que ali houve uma ao completa e definitiva do Esprito Santo. Durante a pregao de Paulo Ldia "escutava" 
e o seu corao foi "aberto" para que atendesse.  necessrio que a interveno divina, que torna o homem natural receptivo para com a Palavra de Deus, anteceda 
o ouvir com proveito a pregao do evangelho. "Deus concedeu a Ldia um corao receptivo para compreender coisas espirituais. Ele deu a ela o dom da f e a iluminao 
do Esprito Santo" (Simon J. Kistemaker).

O autor aos Hebreus (12.2) nos lembra ainda que Jesus Cristo  o autor e o consumador de nossa f. O princpio e o fim da f salvadora. E o que isso quer dizer? 
Quer dizer que como Autor Jesus "preparou o caminho da f com triunfo diante de ns, abrindo assim um caminho para os que O seguem". Como Consumador da f Ele  
"o completador e aperfeioador; no sentido de levar uma obra at o fim, no por decurso de prazo".

A teologia arminiana afirma que Deus no concede o dom da f em Jesus a ningum porque, segundo ela, "nem mesmo existe tal dom". Diz ainda que a f  prpria do 
ser humano e que, por conseguinte, toda pessoa pode crer em Cristo. Por ltimo, salienta que embora o ser humano esteja debilitado pela queda do pecado, no est 
incapaz de exercer f em Cristo, receber o evangelho e tomar posse da salvao para si mesmo.

A teologia arminiana est equivocada. A Bblia  clara em dizer que o homem natural est morto em seus delitos e pecados (Ef 2.1). No diz que ele est doente ou 
com fora suficiente para fazer alguma coisa por si s. Ele est morto! A palavra morto j diz tudo. Alm disso, a teologia arminiana contraria explicitamente aquelas 
passagens bblicas que afirmam ser a f um dom de Deus.

Embora sejamos responsabilizados a crer em Jesus (porque Deus no cr em nosso lugar), a f, do comeo ao fim,  dom de Deus. 

A F EM JESUS CRISTO  SALVADORA

A f em Jesus Cristo  uma graa salvadora (cf. Ef 2.8). A f salvadora no  um mero assentimento intelectual ou mera f temporal. 

Muitas pessoas crem em Jesus Cristo do modo como crem em Pedro lvares Cabral ou em D. Pedro I. Acreditam que Jesus realmente viveu, morreu e ressuscitou, isto 
, crem que Ele era de fato uma pessoa da histria. Essas pessoas supem que isso seja f na verdadeira concepo do termo, isto , a f salvadora. Mas no , porque 
elas no esto confiando em Jesus para qualquer coisa agora, muito menos para a vida eterna. Essas pessoas possuem meramente a f intelectual para fatos histricos, 
da mesma forma que acreditam em Pedro lvares Cabral mas hoje no confiam nele para nada. Um exemplo da f como mero assentimento intelectual pode ser encontrado 
em Tiago 2.19: "Crs tu que Deus  um s? Fazes bem. At os demnios crem e tremem". Tiago est ironizando aqueles que diziam ter f na unicidade de Deus, porm, 
no evidenciavam tal f atravs das obras. Os demnios crem e tremem, mas nem por isso so salvos. 

Outro exemplo do que no  f salvadora  a f temporal. Voc deve ter orado a Deus muitas vezes, no  verdade? Confia nele para certas coisas, no  mesmo? Quando 
voc confia no Senhor a respeito de suas finanas, podemos dizer que voc tem f financeira. Quando voc confia no Senhor para cuidar de sua famlia, voc pode chamar 
isso de f familiar. Em viagens voc tem f viajante. H um elemento comum em todas essas coisas. So temporais. Todas elas so cosias desta vida, coisas deste mundo 
que iro passar. Muitas vezes confiamos em Jesus para todas essas coisas temporais, que no  errado, contudo, essa ainda no  a verdadeira f salvadora.

F salvadora  receber a Jesus e confiar somente nele para a vida eterna. Quem  Jesus? A maioria das pessoas sabe que Jesus Cristo  o filho de Deus, mas esta mesma 
maioria no sabe que Jesus tambm  o Deus Filho, o infinito Deus-homem que morreu na cruz e ressuscitou dentre os mortos, para pagar a pena dos nossos pecados e 
comprar um lugar nos cus para ns, o qual nos oferece gratuitamente.

A f em Jesus envolve tanto confiana nele como a entrega da vida a Ele. Estas coisas fazem parte da f que conduz  vida eterna. E se a nossa convico  de que 
realmente temos a vida eterna porque temos a f salvadora, ento, vamos nos firmar cada vez mais e mais nesta certeza, pois o prprio Senhor Jesus garantiu aos que 
nele crem que ser assim. "Em verdade, em verdade vos digo: Quem cr (em mim), tem a vida eterna" (Jo 6.47). 

Concluindo:

Lembremos que a Escritura Sagrada d testemunho de Jesus (cf. Jo 5.39) e  atravs dela que, iluminados pelo Esprito Santo, somos habilitados a crer em Jesus para 
a salvao (I Co 1.21-24). Por isso mesmo, precisamos pregar a Palavra. O Esprito Santo usa a mensagem bblica para conceder a f (Rm 10.17), mas isso no o impede 
de usar a voc e a mim (Rm 10.13-15), pelo contrrio, por ele somos capacitados a evangelizar quando ouvimos a sua voz e obedecemos ao seu chamado.

Parte XVI
APONTAMENTOS SOBRE O LIVRO
Cristo: uma crise na vida de Deus 
Cristo: uma crise na vida de Deus
Jack Miles nasceu em Chicago, em 1942. Ex-jesuta,  doutor em lnguas do Oriente e mdico pela Universidade de Harvard. Foi professor da Universidade da Califrnia 
e presidente do Crculo Nacional de Crticos Literrios dos Estados Unidos. Dele, a Companhia das Letras publicou Deus - Uma biografia, vencedor do Prmio Pulitzer.
Para Miles, Deus tinha um propsito muito mais pessoal do que universal ao enviar Jesus. Deus, como Jack Miles descreve, estava com srios problemas diante de suas 
criaturas, pois Ele mesmo, o Deus Todo-Poderoso, tinha, ao que parece, perdido o controle sobre estas.
 claro que, mesmo sendo o autor destes apontamentos feitos sobre o livro de Jack Miles, no concordo com ele, mas, vejo a importncia do estudo sobre a sua obra 
pelo fato de, atravs dela, respondermos uma pergunta muito pertinente que nos acompanha, como leitores da Bblia Sagrada: "Deus mudou na pessoa de Cristo?"

Prlogo
Crucificao e a conscincia do Ocidente 
Jack Miles diz que a crucificao, a cena fundamental da religio e da arte ocidentais, perdeu muito do seu poder de chocar. Atualmente, talvez somente os no ocidentais 
possam perceber a crucificao na sua forma real, ou seja, dar o devido valor a este ato.

A questo que nos sobrevm, segundo o autor deste livro,  a de que, se Deus teve de sofrer e morrer, ento Deus teve de infligir sofrimento e morte sobre si prprio. 
Mas, porque Deus faria isso? Uma resposta seria um dito francs: "compreender tudo  perdoar tudo. Todo criminoso foi antes uma vtima". Assim, Albert Camus j tinha 
escrito, se referindo a Deus, que "ele prprio sabia que no era completamente inocente". Se o Cristo crucificado  divino, ento os sofredores so como deuses. 
Como Deus, o Senhor no pode deixar de existir, mas, como Cristo, pode experimentar a morte, isto , sua prpria maldio imposta sobre a humanidade, e assim, compreender 
tudo, para a tudo perdoar!

O Pai sofre com o Filho, pois o Pai e o Filho so um s com o Esprito. Ento, quando Cristo sofre na cruz, para Miles, o crucificado  ao mesmo tempo inocente e 
divino, ele  ao mesmo tempo divino e culpado por ser ele Deus-homem. Seu lado humano,  o que herda a inocncia, e Seu lado divino, ao contrrio do pensamento contido 
na Hamartiologia comum,  o que herda a culpa. Deus, com isto, se desculpa tornando-se humano, pois o mundo  um grande crime, para Jack Miles, e algum deve ser 
obrigado a pagar por isso.

1. O Messias, ironicamente

Neste captulo, a questo apresentada  a de "o que Deus estava pensando na eternidade". A resposta a ns apresentada  que Deus era o todo abrangente pensamento 
de si prprio. Em certo ponto no tempo, essa mesma autoconscincia divina e muda se expressou. Porque Deus fez isto? Porque a raa humana, a quem Deus concedera 
domnio sobre o mundo, tinha se distanciado dele. Deus torna-se um deles. Dessa vez, foi igualmente rejeitado, ainda que por meio dessa rejeio tenha realizado 
algo glorioso. Pois, atravs da rejeio, Ele compreende o que sentiu a humanidade quando rejeitada por Ele mesmo no princpio, diante do pecado de Ado. Joo, o 
Batista, quando no batismo de Jesus, a encarnao de Deus, sada-o como o Cordeiro de Deus. O Cordeiro de Deus? Jack Miles argumenta que um leo viria mais a calhar! 
Pois, qual  o significado dessa estranha frase? Ao referir-se a ele como um animal, o que Joo Batista est querendo dizer? Miles assevera que algo impronuncivel, 
de repente fora meio dito.

Uma resposta seria a de que, no ritual israelita e judeu, o que o sacrifcio do cordeiro de fato levava embora era mais maldio do que pecado. Ela representava 
o reconhecimento da antiga Israel de que o Senhor ainda no revertera a maldio que havia proferido contra todas as criaturas humanas logo depois de as ter criado. 
O animal era inocente, assim como Deus deveria tomar a forma humana (inocente) diante da culpa divina, e sofrer humanamente a pena da maldio, que  a morte. A 
questo, para os judeus da poca de Cristo, foi que o esperado filho de Davi devesse fazer o papel de animal de sacrifcio! Parecia-se mais, para eles, uma blasfmia. 

Esperava-se mais Deus como sacrificador e no como sacrificado, pois o sacrificado levava a culpa. Porm, era isto que, segundo Miles, Deus estava fazendo, levando 
sua culpa. A oferta simbolizava o arrependimento do sacrificante, assim, Deus como oferta, simboliza Seu prprio arrependimento. Deus arrependeu-se! Mas do qu? 
O que ele fez de errado?  aqui onde o demnio passa a ter um papel avaliativo na capacidade de Jesus como Deus.

Quando o Demnio mostra possuir um certo poder fsico sobre Jesus, leva-se, com isto,  pergunta que ele quer ver respondida. Especificamente: quanto poder Jesus 
tem de fato  sua disposio? Quando o Demnio sugere que Jesus transforme a pedra em po, est se referindo a muito mais do que  mera fome.

Por trs da sugesto, est a memria de um momento anterior no deserto quando o Senhor alimentou toda Israel com comida miraculosa. O que o Demnio est realmente 
dizendo a Jesus : "Voc  Deus, o deus que, naquela poca, realizou o milagre do alimento no deserto? Se isso  verdade, prove-o realizando outro".

O demnio diz: "Dar-te-ei toda esta autoridade (...) porque ela me foi entregue". Foi entregue por quem? Por quem, se no pelo prprio Senhor? uma pergunta interessante, 
que Miles faz  que, ser que o demnio que desafia Jesus no o estar fazendo em nome do Deus que lhe "havia entregado" esse poder? Pois, Deus entregara o mundo 
ao Demnio quando Ado e Eva pecaram. Jesus no reivindica o poder ao seu oponente, mas, mostra que poderia faz-lo, pois o poder definitivo est com o Senhor. o 
que Jesus deixa em suspenso,  a questo de "se" e "quando" ir reivindicar o poder que, no fim das contas,  seu.

A pergunta diante de tudo isto nos  apresentada no livro de Miles, como: "Por que ele se contm tanto?" Esta pergunta, poderia at ser respondida com outra pergunta: 
"Que confiana Jesus tem em si prprio?" Estar Jesus mantendo-se com grandeza acima da briga? Ou ser sua preocupao a preocupao do seqestrado?  A questo do 
"Cordeiro de Deus" continua em aberto. Como pode um imperador ser um cordeiro, ou um cordeiro ser um imperador? Mussolini disse: "Vale mais um dia como leo do que 
mil anos como cordeiro".

Jesus realiza seu primeiro milagre, como diz Jack Miles, relutante. Este primeiro milagre, no foi uma mensagem aos convidados da festa em si, mas aos seus discpulos. 
A primeira ao pblica da carreira de Jesus, foi na verdade um ataque ao Templo. A destruio do primeiro Templo, Deus deixou claro na poca, no foi obra da Babilnia, 
mas sua. Assim, Jesus demonstra que ele  o mesmo Deus que usou a Babilnia.

Porm, na sua ameaa contra o Templo, tentava ele mostrar uma tipologia entre o Templo literal, com o Templo figurativo, que era seu corpo. O cordeiro expiatrio 
 familiar; um cordeiro humano  estranho. O Templo  igualmente familiar; um templo humano  estranho novamente. Ento, na verdade, quando disse para destrurem 
o Templo, estava desafiando-os a matarem-no. 

A capacidade do Deus encarnado de "saber o que era a natureza humana" foi sendo adquirida gradualmente. Jesus, invariavelmente, parece compreender os desejos de 
seus interlocutores melhor do que eles prprios. Isto, provavelmente, porque ele, agora que era humano, tinha a totalidade do conhecimento do que  ser humano. 

Jesus fala a Nicodemos sobre uma nova criao, mas privadamente. E mostra ao sbio fariseu que, apesar de seus conhecimentos terrenos, ele no podia ainda falar 
se Jesus vem de Deus ou no, pois esta capacidade  dada aos "regenerados" apenas.

Jack Miles diz que no A.T., Deus  desatento consigo mesmo. J no N.T. Ele torna-se obcecado por si prprio. Prova disto, mostra-nos o autor,  quando Deus diz a 
Moiss que Ele  o "Eu Sou" - Miles diz que este  Seu nome nu e cru.  como se Deus desse um nome a si mesmo, naquele instante, ao descobrir a necessidade de um 
nome. Ele no vive entre outros deuses, por isto no precisa de um nome, mas passa a lidar com seres humanos, e tambm com a idia de outros deuses, ento, agora 
necessita de um nome.

No caso da serpente de bronze do deserto, Deus mostra aos israelitas que Ele  a doena e tambm o remdio. Assim, as serpentes no eram a causa de suas mortes, 
mas sim Deus. Jesus, se referindo a este fato, diz que Ele ser levantado da mesma forma que a serpente de bronze no deserto. Olhando para Jesus, como para a serpente 
no deserto, estariam olhando para a causa e tambm para a cura de seu sofrimento. O mundo precisa ser salvo, mas para tal, necessita-se de uma nova criao, pois 
este mundo est perdido. Porm, conforme Miles, a nova criao requer a morte do criador. Um ponto muito complicado tratado neste livro, foi a questo da assexualidade 
do Pai e a sexualidade do Filho. Segundo Miles, os "filhos de Deus" (Gn. 6), parecem descobrir o sexo somente quando encontram as filhas dos homens. Deus  celibatrio 
porque  o nico de sua espcie. Ento, surge a questo que Jack Miles nos mostra, que, o que Joo quer sugerir quando chama o Deus encarnado de noivo? Surge ento 
uma pergunta muito interessante, se Deus agora est encarnado, vivendo como um homem, no poderia ele consumar um casamento comum a si mesmo? E se isto tivesse ocorrido? 
Quando os evangelhos foram escritos, o celibato era considerado condio apropriada para qualquer filsofo. Deus, em toda a histria, no recrimina o sexo, mas sim 
a libidinagem. 

Sendo assim, at mesmo em suas conversas figurativas dirigidas ao Israel rebelde, Ele mostra-se como um marido enfurecido pela incontinncia sexual de sua esposa, 
e no pelos desejos em si. Miles escreve que quando Deus fez Eva para Ado, no a fez para gerar filhos, mas para que o homem no estivesse s. Desta forma, a procriao 
teria comeado apenas depois da "queda", quando a imortalidade foi perdida. A reproduo passa a ser, conforme esta viso, uma evidncia da maldio. Com isto, o 
autor chega  concluso que se no tivesse morrido cedo, Jesus teria se casado.

No desenrolar de suas manifestaes no N.T., Jesus admite que  o Messias, mas a uma mulher samaritana, considerada na poca, pelos judeus, como herege. Jesus fez 
isto, segundo Miles, para dar a entender aos judeus que eles eram como aquela mulher, adltera e, assim como os judeus consideravam os samaritanos, herege. A mulher 
interpreta a ateno de Jesus a ela, como um flerte, mas Jesus corrige seu pensamento sobre ele. Assim como a mulher teve cinco esposos (senhores), sem nenhum ser 
seu marido, os samaritanos tiveram vrios deuses, sem nenhum deles ser o verdadeiro Deus.

Jesus se apresenta a ela como o "Eu Sou", e ela acredita-lhe, pelo mesmo motivo que levou Natanael a acreditar-lhe, Jesus leu sua mente e seu passado. Jesus mostrou 
 mulher samaritana que a salvao vem dos judeus, mas no acaba neles. Seus discpulos vm esta sua atitude como promiscuidade, uma simbologia  promiscuidade de 
Deus, isto , simbolicamente, seu interesse por outros povos.

Para findar este captulo, Miles expe a questo de "quem seus discpulos pensam ser ele". Foram-lhe conferidos alguns papis, na seguinte ordem de apario: 1. 
Juiz; 2. Cordeiro de Deus; 3. Messias (Filho de Davi e Filho Adotivo de Deus); 4. Filho do Homem; 5. Templo; 6. Noivo; 7. Profeta e Legislador (Um Segundo Moiss).

2. Um profeta contra a promessa

Sua primeira cura, j foi, diante do pensamento judeu, contrria, pois curou uma criana romana (Jo. 4:49-53). Parece que Jesus tenta esconder algo, talvez todo 
seu poder? Um demnio, num breve encontro com Jesus, parece tentar rasgar seu disfarce (Lc. 4:33-37), dizendo: "Eu sei quem voc ". Tambm nos  sugerido aqui, 
que como Deus encarnado, Deus parece haver perdido seu apetite por punies. Em Lucas 4:16-22, Jesus disse que a profecia de Isaas 61:1-2 que diz: "hoje se cumpriu", 
estava em seu pleno cumprimento nEle. Isto fez com que os homens de Nazar, insultados, tentassem mat-lo. Jesus diz, em Lucas 4:25-27, que Elias deu ateno aos 
estrangeiros, ao invs de usar todo o seu tempo aos israelitas. E  aqui onde Miles pergunta se ser que Jesus est sugerindo, de forma escandalosa, que a profecia 
que "hoje se cumpriu" ser cumprida no em benefcio de Israel, mas sim de seus vizinhos e inimigos?

Sugerir que Elias, em seu retorno, empregaria seus poderes em benefcio de outras naes, em vez de Israel,  um misto de blasfmia e traio. Se "liberdade para 
os cativos" refere-se a alguma outra coisa que no a liberdade de Israel do jugo estrangeiro, o que seria?

A grande pergunta que pairava no ar, enquanto esta mensagem de Jesus estava sendo proferida em Nazar, era: "No  este o filho de Jos?" a resposta  sim, e deve 
ser sim. Na verdade, no foi a maneira do nascimento de Jesus que daria-lhe autoridade divina, pois Deus poderia facilmente ter introduzido a concepo em uma virgem 
sem que, no momento em que ela desse  luz, ele prprio fosse o beb.

 a identidade do beb, no a maneira do nascimento, que  indita. Maria fica sabendo, por Gabriel, que seu filho ser o Messias, o descendente do rei Davi e que 
restaurar a grandeza de Israel. Ainda tratando do nascimento de Jesus, Miles nos suspende com a seguinte afirmao: "Deus poderia ter se tornado humano sem comear 
sua existncia humana no tero de uma mulher.

Mas, Deus no quis privar-se do momento to conhecido e diferenciado, que  o nascimento.

Apesar de todos os bebs serem parecidos, todas as cenas de nascimento so diferentes entre si". Outra coisa bem frisada nesta parte do livro,  que Jesus nasceu 
em um momento humilhante da vida dos judeus, propositadamente,  claro - pois estavam passando por um censo conduzido por um poder estrangeiro. Algo chocante  o 
fato de Deus se submeter a este tipo de humilhao, ao invs de acabar com esta dominao gentlica sobre seu povo, para mostrar o poder de sua encarnao. 

Fato  que, Jack Miles chega  concluso que Deus repudia, com suas atitudes por intermdio de Jesus, seu passado guerreiro. Deus no havia mudado seu modo de pensar, 
pois punio ainda era punio para ele, e recompensa ainda  recompensa; s que a entrega de uma e outra acontecer no cu e no na terra. O marco distintivo do 
ensinamento de Cristo,  a frase "oferece a outra face". Mas, ser que Deus faz mesmo assim? Jack Miles, afirma que Deus, na verdade est em mudana. Porm, qual 
 a razo de sua mudana? No h resposta para tal, segundo o autor! Simplesmente Deus quis mudar. Quando Jesus diz "eu porm vos digo", para Miles  uma reviso 
do que Deus havia dito no passado, ou seja,  a prova da mudana de opinio da parte de Deus. Porque Deus, ao invs de agir como no passado, diferenciando uma nao 
especial das demais, agora nivela a todos? A resposta de Jack Miles  que na maior crise de sua vida, Deus faz da terrvel necessidade uma virtude herica. O autor 
do livro em apreo, diz que Deus, na verdade, no pode ser respeitado pelo seu poder apresentado aos judeus da poca de Jesus. Ele pode, no mximo, ser honrado por 
servios prestados no passado, pois, a Segunda parte da promessa de punio-e-reabilitao de Deus nunca foi cumprida.

Assim, em vez de declarar sem disfarces ser incapaz de derrotar seus inimigos, Deus pode declarar que no tem inimigos, que ele agora se recusa a reconhecer qualquer 
distino entre amigo e adversrio. Miles, diz que isto no custou nada a Deus, e que alm disto, Ele imps sua prpria carga sobre ns, ensinando-nos a amarmos 
nossos inimigos.

Deus, na verdade, estava se desarmando, segundo Miles. O autor ainda cita que em Daniel 7, tem a viso dos reinos: babilnico, medo, persa e grego (segundo a simbologia 
de cada animal apresentado na viso). Assim, o quinto reinado seria o de Deus, e isto no aconteceu no N.T. Schweitzer tambm afirmou que Jesus acreditava, que por 
sua prpria morte, Roma cairia, que a histria terminaria e o Reino de Deus seria estabelecido at o final dos tempos.

Para Jack Miles, os judeus tinham que reconhecer o bvio, Deus no estava atrasado em suas aes guerreiras, na realidade, Ele no era mais o Deus guerreiro. Assim 
como Deus se priva de dar o direito de algum exigir-lhe que volte a ser o que era no passado, Deus tambm no exige mais de sua nao antes escolhida, que ajam 
dentro de sua lei passada! Deus isenta-os da lei, pois Ele mesmo se isentou de ser aquele tipo de legislador.

Como foi que o guerreiro divino acabou pregando o pacifismo? Miles sugere a seguinte resposta, que Deus criou uma nova virtude humana a partir de sua necessidade 
divina. Encontrou um modo de transformar sua derrota em vitria, mas a derrota veio primeiro. O preo do pacifismo de Deus, segundo o autor, foi o assassinato de 
Joo Batista.

O representante de Israel, o judeu devoto por excelncia,  Joo, que ouve a triste notcia de Deus, que as promessas da aliana no sero mantidas, ou que sero 
mantidas de uma forma totalmente diferente, a ponto de tornar-se em nova aliana.

Subitamente, Jack Miles d uma freada em sua tese do processo de mudana de Deus, a afirma que alguns de seus traos antigos ainda subsistem.

Sua ruptura com a violncia no implica renncia a todas as formas de resistncia. A prostituta que beija-lhe os ps, na realidade, ensina-lhe o poder da vtima 
sobre o agressor. Herodes mata Joo Batista, mas fica atormentado das idias, com medo de Joo retornar  vida.

Roma tentou empregar a morte como meio de entretenimento, e isto chocou os judeus, porm, os judeus cristos chocaram de igual modo os romanos, tornando o martrio 
em forma de protesto e at mesmo de honra (segundo o professor Jorge Pinheiro). A tortura passa a no demonstrar apenas coragem, mas tambm passa a funcionar como 
meio de mudar a mente do torturador. Apesar de no ser essa a promessa de Deus aos judeus, Ele agora os ensina a vencer seus opressores sendo cordeiros.

Quando Jesus acalma a tempestade, est demonstrando a marca distintiva de Deus, que  o poder sobre o mar. Isto trs as pessoas mais para perto de si, pela curiosidade 
do "quem  este". Porm, quando ele fala em beber sangue, muitos o abandonam. Parecia-lhes que Jesus estava ensinando o canibalismo. O sangue sempre era proibido 
como alimento aos judeus.

O cordeiro, para ser sacrificado, precisava ter sido esgotado de seu sangue, principalmente se este fosse ser servido como alimento. A vida est no sangue. Porm, 
aqui est um simbolismo, pois o cordeiro literal no tinha o poder de dar a vida ao ofertante, enquanto o Cordeiro de Deus - Jesus - tinha tal poder, por isto, seu 
sangue poderia ser bebido - simbolicamente - na Ceia do Senhor.

3. O senhor da blasfmia

Em primeiro lugar, para confirmar isto, Jack Miles cita que Ele, flagrantemente, viola a lei do descanso no Sbado.

A resposta mais conflitante deste captulo, parece, foi a que seguiu-se  seguinte pergunta: "Mas  porque Jerusalm est rejeitando Deus encarnado que ele os abandonar 
aos romanos?" Respondendo a tal inquirio, Miles diz que tambm  possvel, do mesmo modo, que seja o contrrio. Como Deus sabe que abandonar Jerusalm aos romanos, 
deve arranjar para que Jerusalm o abandone aos romanos primeiro.

Quando Ele recusa condenar uma adltera, pela lei que Ele mesmo estabelecera, para Miles  uma amostra de que Ele se tornou mais misericordioso. Na verdade, o autor 
diz que com este ato de no condenar aquela mulher pela Lei, tambm deixar de condenar Israel pela Lei. O Senhor Deus , de fato, ru, e sabe do que pode ser acusado, 
mas sua maneira de pedir misericrdia  difundir a misericrdia. Em poucas palavras, Miles diz que diante de seu povo pecador porm sofrido, Deus pode no s ser 
misericordioso, como tambm penitente. Se Jesus parece condenado, s pode ser porque Deus condenou a si prprio.

Em Joo 10:11-21, Jesus mostra que, na realidade, sua morte era um suicdio em benefcio de todos. Este tipo de suicdio, Dietrich Bonhoeffer assevera como desculpvel 
diante de Deus, em seu livro "tica", dizendo: "O ser humano pode sacrificar sua vida fsica em favor de outrem, pois  livre para morrer. (...) Esta liberdade de 
morte est condicionada no sentido de que o alvo no seja a destruio da vida, mas, o bem visado no sacrifcio." (Dietrich Bonhoeffer. tica).
Na sua morte, Deus na verdade no est derrotando Roma, mas sim, o poder afligidor de seu verdadeiro opressor, o Diabo, e na sua ressurreio, est vencendo o imprio 
da morte e no o imprio romano. Prova de que sua morte, na realidade estava dentro de seus planos,  que, primeiro ele inclina sua cabea, e depois morre. Normalmente 
o processo  o contrrio quando a morre-se, pois o inclinar de cabea  a conseqncia da morte. Assim, a teologia da expiao conservadora, entra em atrito com 
esta afirmao, pois no  mais Deus sacrificando Jesus, mas sim, Deus sacrificando-se em Jesus.

Com isto, Deus resolve a grande crise em sua vida, pois derrotando Csar, Ele poderia recuperar a terra de Cana, mas essa no  a guerra que ele escolhe lutar. 
Ele escolheu, em vez disso, derrotar Sat e, assim, derrotar a morte em si mesma e levar seu povo para a nova terra prometida da vida eterna.

Miles diz que Jesus  como um poltico astuto, que responde  pergunta que preferiria tivesse sido feita, ao invs da pergunta exposta pelos que lhe rodeiam. Assim, 
Jesus leva seus ouvintes a trs assuntos direcionados, os quais so: o adultrio, o suicdio e a escravido. Por causa desta habilidade de Deus, de mudar de assunto 
sem ningum se tocar, o autor do livro comentado aqui, diz que o monumental assunto central de toda a histria israelita foi mudado com sucesso. A pergunta irrespondvel 
foi abandonada deliberadamente. Embora o preo completo ainda esteja por ser pago, a crise na vida de Deus foi resolvida.

O novo mandamento de Deus, passa a ser a bondade com os estranhos.  como se o calendrio tivesse voltado para o sexto dia da criao. E Deus, no o homem, tivesse 
o direito de recomear sem os erros iniciais dantes cometidos. Aqui Ele tem o direito de reconstruir a prpria identidade, pois na passada, Ele no conseguiu se 
firmar. Sob o novo regime, ainda h distines de povos, porm, estas distines deixam de ser tnicas e passam a ser ticas. A destruio de seus inimigos, assim, 
deixa de ser no desenvolvimento da histria, e passa para o fim da mesma. O crescimento do joio junto ao trigo, passa a ser a resoluo da crise na vida de Deus. 
Neste novo regime, a adorao  Deus torna-se dependente da bondade aos estranhos. 

Como sinal de sua nova maneira de agir, de sua nova vitria, no contra Roma, mas contra a morte, ele ressuscita a Lzaro.

4. O cordeiro de Deus

Esta  a mudana na mente de Deus. Ele no  mais o sacrificador, mas o sacrificado. Deus era responsvel pelas aes nacionais e internacionais, diferentemente 
dos deuses pagos, que se dividiam nestas funes. Agora, na nova aliana, Ele passa a ser Deus internacional, indiferente ao que sofre uma nao, seja ela quem 
for. O Deus da guerra torna-se o Deus da sabedoria. Deixa suas aes concretas para empenhar-se muito mais em aes abstratas. Para Miles, esta inatividade militar 
de Deus  uma sada para que no o consideremos como fracassado. 

Miles escreve que o poder de Satans  a explicao do porque Deus no manteve suas antigas promessas aos judeus.  Sat quem deve finalmente ser dominado;  ele 
quem deve finalmente ser forado a reconhecer a manifesta superioridade do Senhor. na instituio da Pscoa, no Egito, Deus queria ser reconhecido como o Senhor 
dos Exrcitos, na ltima Pscoa de Jesus, ele escolhe desempenhar o papel de cordeiro pascal.

O que na realidade complicou a vida humana, no foi a implicabilidade do pecado de Ado e Eva, mas sim, a implicabilidade da maldio que Deus lanou sobre eles. 
Para tal, antes Deus mandava que lhe oferecessem sacrifcios, em Jesus, Ele  o sacrifcio. Deus vence, com isto, o sistema mundial entregue a Satans, e no o mundo 
em si, com seus reinos e reis.

Jesus, assim como os patriarcas do A.T. faz seu discurso antes de sua morte. Os discursos dos antepassados judeus, eram profticos e didticos, assim com o de Jesus. 
Porm, o de Cristo  bem diferente em contedo. Ele recorre, para o ensino proftico e didtico, ao gesto teatral de uma ao ritual: 1. Ele lava os ps de seus 
discpulos; 2. Ele prev traio, mas prega amor; 3. A Ceia do Senhor (aqui  o porque o sangue pode ser bebido simbolicamente, pela vitria contra a morte); 4. 
Tende bom nimo, eu venci o mundo (resistindo a afronta).

Jesus, ento,  preso, julgado, aoitado e condenado. Com isto, ele cria um perfil no militar, para Miles, de sucesso poltico, que  o de ser bem-sucedido na paz. 
Desta forma, no podero mais os povos rirem do povo de Deus quando este passar pelo ridculo, pois foi pelo ridculo que seu Deus tambm passou e suportou! Por 
mais blasfemo que possa parecer a um judeu, Ele  crucificado como o Rei dos Judeus.

Ele volta  vida, se corporifica, ascende aos cus e se casa.  assim que Jack Miles define os prximos passos de Jesus. Quando Jesus volta  vida, ele faz o mesmo 
papel que Gabriel fez a Daniel, o de exegeta. Assim, Miles chama a entronizao do Cordeiro de Deus de uma comdia, de ridcula, pois mais parece uma exegese forada 
para ele. Ainda mais no ponto onde h uma referncia ao casamento de Cristo com a Noiva, que como tantas comdias, termina em casamento. 

A mudana da mente de Deus  o grande assunto da Bblia Crist, segundo o autor em deste livro comentado. Deus quebrou a sua promessa, para Miles, porque na hora 
certa no conseguiu ir adiante, como se tudo tivesse fugido de seu controle. Desta forma, Deus teve de aprender a como vencer na derrota. 

Eplogo

O Jesus ao qual Jack Miles tratou neste livro, como ele explica em seu eplogo,  o Jesus literrio e no o histrico. O Jesus literrio no passa pela problemtica 
do histrico, pois o literrio  tanto divino quanto humano. A crtica histrica l a Bblia como a autocaracterizao de um autor. J a crtica literria est livre 
para beber o vinho.  Para o autor, Deus Filho no  absolutamente o tipo de homem que algum esperaria que Deus Pai se tornasse. A questo  que Deus tinha algo 
to chocante a dizer, que s poderia diz-lo humilhando-se a si mesmo. Ele apenas substituiu uma esperana v, firmada erroneamente por ele mesmo, por uma que ainda 
pode ser realizada. Para tal, como Deus ele no pode parar de existir, ento tomou a forma humana para dramatizar a substituio de sua mensagem, morrendo, da ressurgindo 
com novas promessas!

Os exegetas cristos receberam um tipo de convite para ouvir o A.T. no N.T. de modo harmnico. Portanto, a apreciao literria cultiva referncias internas, de 
preferncia a referncias externas. Fazendo assim, tm-se feito o que os autores do prprio N.T. fizeram. A Bblia, para a crtica literria  como uma janela de 
vitral (roscea), porm, no devemos ver atravs dela, mas sim, ela. Rudolph Bultmann afastou-se da tese reformada do sola scriptura e definhou-se pelo pensamento 
crtico do sola fide. Porm, Schweitzer j havia seguido este caminho anteriormente. 

Os pr-modernos ensinaram a no vermos atravs da Bblia. Pois esta, deveria passar pelo crivo do se  verdadeira ou no. A partir do momento que  tida como verdade, 
a mente est livre para explorar a Bblia.

Como disse o prprio Jack Miles: "No h nada a ser feito no Davi de Michelangelo; o cinzel j o tocou pela ltima vez. (...) O que atrai os espectadores, crendo 
ou descrendo, para a roscea da Bblia, no  o que pode ser visto atravs dela, nem como os vidros foram coloridos e juntados, mas o que o vitral mostra em si mesmo 
e por si mesmo, e o que todos estes fragmentos recortados de luz e cor, operando juntos, fazem acontecer atrs dos olhos do observador".

Parte XVII
CREIO EM JESUS CRISTO 
"No princpio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princpio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermdio dele, e sem 
ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas no prevaleceram contra ela. Pois 
a verdadeira luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo. Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermdio dele, e o mundo no o conheceu. Veio 
para o que era seu, e os seus no o receberam" (Jo 1.1-5). 

"Mas, a todos quantos o receberam,aos que crem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais no nasceram do sangue, nem da vontade da carne, 
nem da vontade do varo, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre ns cheio de graa e de verdade; e vimos a sua glria, como a glria do unignito do 
Pai" (Jo 1. 9-14)

A doutrina de Cristo (Cristologia)  a primria e central dentro do Cristianismo porque d significado s outras.Todas as outras doutrinas (Revelao, Deus, o Esprito 
Santo, o Ser Humano, a Vida Crist, a Igreja, Ordenanas e a Escatologia) dependem da obra e da Pessoa do Senhor Jesus Cristo.
QUE DIZEM SOBRE JESUS CRISTO?

Mas o que  que dizem a respeito de Jesus? Encontramos em Lucas 9.18 essa pergunta feita pelo prprio Senhor: "Enquanto ele estava orando  parte achavam-se com 
ele somente seus discpulos; e perguntou-lhes: Quem dizem as multides que eu sou?" Pergunta, portanto, to antiga quanto o prprio evangelho. E eis as respostas 
que deram: um dos apstolos disse, "algumas pessoas esto dizendo que  Joo , o Batista"; outro disse, "esto dizendo que  Elias"; "Jeremias", "Alguns dos outros 
profetas" (cf. Lc 9.19). 

Ainda hoje  assim; dois mil anos depois, existem muitos conceitos inadequados a respeito de Jesus Cristo. H quem diga, por exemplo, que Jesus Cristo foi o maior 
homem que j viveu, homem perfeito, o homem ideal, o homem-modelo-dos-outros. E s!  o caso de um filsofo francs Auguste Sabatier que sobre Jesus disse: "Jesus 
Cristo  a alma mais bela que jamais existiu". Goethe, o filsofo alemo: "Curvo-me diante de Jesus Cristo como diante da revelao divina do princpio supremo da 
moralidade". Mas s isso; Jesus  apenas o princpio da tica. Essa perspectiva de olhar Jesus Cristo chama-se humanista-perfeccionista, o homem que foi perfeito. 
Sem dvida, e um conceito verdadeiro, mas no  toda a verdade.

Outros classificaram Jesus Cristo como um grande mestre, um grande filsofo. Alguns at disseram, "foi um grande profeta". Quer dizer, Jesus Cristo causa impresso 
pela sabedoria, e s?! Esse  o ponto de vista do judasmo moderno que olha para Jesus como sendo, apenas um profeta de Israel, um rabino, mais um entre tantos. 
Dizem que Jesus  inteiramente humano, e no tem qualquer qualidade divina. Mas ele deu uma grande contribuio  humanidade tanto quanto os outros mestres, filsofos 
ou profetas. Apesar de contribuir para o progresso moral, ele no  nada mais nada menos que outro Aristteles, Plato, Buda Isaas ou Jeremias. Foi o caso de Ernesto 
Renan que disse que "(Jesus com) seu perfeito idealismo,  a mais alta regra da vida, a mais destacada e a mais virtuosa, Ele criou o mundo das almas puras..."

O racionalista Harnack at disse: "(Foi Jesus Cristo quem) ps  cruz pela primeira vez o valor de cada alma humana, e ningum pode desfazer o que ele fez". Isso 
quer dizer que at diante do racionalismo, Jesus  a pessoa histrica, de superioridade mxima em sabedoria e moral, e retido, e justia, e em verdade.

UMA CONFISSO DE F EVANGLICA

Voltemos  confisso de f quando Jesus perguntou, "Quem dizem as multides que eu sou?" E quando disseram " Joo, o Batista;  Elias;  Jeremias, ou um dos profetas", 
Jesus olhou para os Seus discpulos e perguntou, "E vocs? Quem vocs dizem que  Jesus?" E foi nessa hora que eles tiveram de dizer alguma coisa, e de fazer a sua 
reflexo em torno de Jesus Cristo. Nesse ponto, Pedro descobriu que nenhuma categoria humana, nenhuma descrio, nenhuma classificao era adequada para falar a 
respeito do Cristo de Deus, o Qual est muito alm de um homem bom, muito alm de um grande homem, de um mestre ou de um profeta. Por essa razo, Marcos registrou 
que Jesus era "o Cristo" (Mc 8.29b), e Lucas completou "O Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mt 16.16). Com essas palavras, Pedro nos d a confisso da f evanglica, 
registrando o que ns cremos a respeito de Jesus.

O CRISTO

Mas que isso significa? Que quer dizer isso quando dizemos que "Jesus  o Cristo, o Filho do Deus vivo?" Que significa ser "o Cristo?" E a, s temos que olhar para 
o passado e descobrir que h uma longa histria de esperana, de anseios, de sonhos; esperana que tem razes no Antigo Testamento que aponta para uma poca quando 
o Messias enviado por Deus viria trazer libertao. Esse , alis, o contedo da religio judaica: a espera do Messias.

Ainda hoje os judeus o esto aguardando porque s vivem a Antiga Aliana, no esto vivendo a Nova Aliana, a qual no conhecem, e, assim, ignoram a realizao das 
promessas feitas pelos profetas! H alguns anos, lembro de ter encontrado uma jovem judia, num vo de Salvador para o Rio de Janeiro. Conversando com ela, expressou-me 
o ponto de vista dos judeus de linha dizendo que muitos entendem que o moderno pas de Israel  que  o Messias; j veio, j est a,  o lugar para onde todo judeu 
deve ir para encontrar a sua libertao...

Pois em Jesus todas as promessas messinicas se encontram realizadas como a de Deuteronmio 18.15, "O Senhor teu Deus te suscitar do meio de ti, dentre teus irmos, 
um profeta semelhante a mim; a ele ouvirs". Esse profeta libertador do povo, como Moiss tirou do Egito,  Jesus Cristo, que nos tirou tambm, do nosso Egito, da 
escravido do pecado. Outra promessa messinica  encontrada em Gnesis 22.18, "e em tua descendncia sero benditas todas as naes da terra; porquanto obedeceste 
 minha voz". Outra traduo adequada para este texto  "no teu descendente", no exatamente "no meio do povo", no "o povo todo", mas na descendncia de Abrao 
haveria um descendente especfico em quem repousam todas as promessas do passado. 

Ainda encontramos em 2 Samuel 7.12, "Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, ento farei levantar depois de ti um dentre a tua descendncia, 
que sair das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino". Est falando aqui tambm de Jesus Cristo, o filho de Davi, o descendente de Davi, o qual estabeleceu o 
reino de Deus. O fato  que at o local do nascimento de Jesus Cristo est previsto na Escritura Sagrada: "Mas tu, Belm Efrata, posto que pequena para estar entre 
os milhares de Jud, de ti  que me sair aquele que h de reinar em Israel, e cujas sadas so desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade" (Mq 5.2). Voltando 
a Joo, no captulo 1 que diz "No princpio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus" (v. 2) = "... desde os dias da eternidade" (Mq 5.2b).

Ainda como profecia messinica temos o fato de que Jesus seria rejeitado pelos seus como em Isaas 53.3 que Ele seria rejeitado. E voltando ao primeiro captulo 
de Joo encontramos o ensinamento que Jesus "veio para o que era seu, e os seus no o receberam" (Jo 1.11). A profecia tem se cumprido! Ele foi vendido por trinta 
moedas, e est em Zacarias 11.12, "pesaram, pois por meu salrio, trinta moedas de prata" No Salmo 22 houve uma previso de que Jesus seria maltratado pelos soldados 
romanos, porque encontro aqui "Repartem entre si as minhas vestes, e sobre a minha tnica lanam sortes". At mesmo a Sua crucificao" (cf. Sl 22.16).

VERDADEIRO DEUS E VERDADEIRO HOMEM

A teologia evanglica afirma que Jesus  completamente humano e completamente divino. No  parte homem e parte Deus; no  uma sereia: metade homem, metade peixe; 
no  um centauro: metade cavalo, metade homem; no  um trito: metade ser marinho, metade ser humano. Jesus  plenamente humano como qualquer um de ns, mas  
plenamente divino como o Pai. No  um hbrido; no  um homem um pouquinho de tempo, e Deus durante algum tempo; no h em Jesus instabilidade, esquizofrenia ou 
qualquer desequilbrio. Mas  completa e perfeitamente homem, plena e integralmente Deus, e sendo verdadeiramente humano  igual a ns em tudo, menos no pecado. 
Plenamente como ns. No entanto, o que a Bblia diz sobre Ele so palavras extremamente claras: "Pelo que convinha que em tudo fosse feito semelhante a seus irmos, 
para se tornar um sumo sacerdote misericordioso e fiel nas coisas concernentes a Deus, a fim de fazer propiciao pelos pecados do povo"(Hb 2.17).

A Escritura fala que Seu nascimento foi humano.  parte a estrela, o coro celeste e a visita dos magos, houve fecundao, nove meses de gravidez, dores de parto 
e nascimento. Jesus teve uma vida plenamente humana: "O Verbo [a Palavra de Deus] se fez carne e habitou no nosso meio, cheio de graa e de verdade, e vimos a sua 
glria, como a glria do unignito do Pai" (Jo 1.14). Jesus foi criana, os dentes de leite caram, nasceram dentes permanentes, foi adolescente (cf. Lc 2.42), tornou-se 
jovem (Lc 4.22b), e adulto, foi  escola,  sinagoga, cresceu fsica e emocionalmente em sabedoria, em estatura e em graa diante de Deus e dos homens. Teve emoes 
(cf. Mc 14.34), e limitaes, e tentaes, e venceu todas as batalhas! Teve uma morte humana, e um sofrimento fsico real na cruz; e a angstia mental quando os 
discpulos fugiram e o negaram (cf Mt 26.56,69-74); e angstia espiritual por ter sido abandonado na cruz: "Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste!", expresso 
que tomou, sem dvida alguma, uma forma altamente dramtica no aramaico, lngua materna de Jesus: "ELI-I-I...! ELI-I-I...! LAM--... SABCTANI-I-I...!" (cf. Mt 
27.46).

Mas Ele foi completamente divino. Sua concepo foi divina (Lc 1.34,35); Sua vida foi divina;  ver o registro de Sua atividade, e observar que no h problema com 
o sobrenatural nos Evangelhos! Sua ressurreio foi divina, o apstolo Paulo a esse propsito registrou: "Porque primeiramente vos entreguei o que tambm recebi: 
que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras" (1 Co 15.3,4). Creio 
plenamente que em Jesus Cristo, Deus se fez homem como est registrado no Evangelho (cf. Jo 1.14). O Verbo de Deus, a Palavra de Deus era Esprito e na concepo 
de Jesus Se fez ser humano. E isso fala de pr-existncia, ou seja, existncia anterior a qualquer realidade (cf. Jo 1.1). Existia Jesus antes de qualquer ato criador, 
antes de todos os astros, estrelas e asterides, e antes do espao, e antes do tempo, e antes da contagem dos minutos, e das horas, e dos dias, e dos sculos; antes 
de qualquer medida porque a Palavra de Deus, o Verbo,  infinita, eterna e pr-existente!

Isso fala de divindade! Porque aqui est: "e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (Jo 1.1b). Jesus no  um deus menor, no! A filosofia platnica fala no 
demiurgo, um ser intermedirio entre Deus e a criao. Jesus no  um demiurgo, um deus menor,  da mesma substncia do Pai, igual em poder e em glria porque  
ser divino, como ns somos iguais uns aos outros em limitaes e destino porque seres humanos.

Isso fala, ento, de encarnao. Quando a Palavra de Deus Se dez carne, no parou de ser Deus! Sendo da mesma substncia e igual ao Deus Pai e ao Esprito Santo, 
Ele (Jesus) Se formou da mesma substncia de homem como um de ns. Da duas naturezas com Jesus: a natureza divina e a natureza humana completa, o varo perfeito.

OS TTULOS DE JESUS

Um modo de reconhecer o alcance da obra de Cristo  fazer um exame nos seus ttulos no Novo Testamento.

Seu prprio nome j  um titulo: Jesus.  o seu nome pessoal, dado no oitavo dia de nascido (cf. Lc 2.21). Hoje j ficamos planejando o nome da criana: "Se for 
menino, vai ser Fulaninho, se menina vai ser Beltraninha". Na poca do ministrio terreno de Jesus era diferente: quando algum recebia o nome, funcionava ele como 
uma espcie de carto de visita. Jesus  o nome pessoal, dado no oitavo dia, o dia da circunciso (o brit milah). Em hebraico, quer dizer "salvao do Senhor" (cf. 
Mt 1.21). O nome Jesus  um titulo a respeito dEle mesmo.  interessante observar que Josu, Isaas, e Osias so nomes pessoais que tm o mesmo significado do nome 
Jesus. No   toa que Isaas  o profeta messinico por excelncia!

Outro ttulo de Jesus  Cristo, que no  o Seu sobrenome como j houve quem assim opinasse:  ttulo. O nome de Jesus realmente teria sido Yeshua ben-Yoseph (em 
hebraico), ou, em aramaico Yeshua bar-Yoseph, significando ambos "Jesus Filho-de-Jos". Cristo  a forma grega da palavra hebraica Maschiah (Messias), e ambas significam 
"ungido" em portugus e lnguas afins (cf. At 2.36; Rm 3.1,4). Senhor  outro modo pelo qual Ele  conhecido. Esse  o mais importante ttulo da Igreja Primitiva, 
e o mais perigoso tambm. No era perigoso dizer Jesus, nem dizer Cristo, mas, sim, dizer que "Jesus  o Senhor". O cristo podia chamar como quisesse (Verbo, Cordeiro 
de Deus, etc.), quando afirmasse, porm, "Jesus de Senhor", seria preso, e algumas vezes era levado  morte porque para o Imprio Romano s podia existir um Senhor, 
Csar, o Imperador. Paulo usa o vocbulo Senhor mais ou menos duzentas vezes nas suas cartas, sendo essa a mais antiga confisso de f nessa forma: "Jesus  o Senhor!" 
(1 Co 12.3; Rm 10.9). Era tambm essa expresso usada pelos cristos que no falavam grego, mas aramaico, a lngua de Jesus; sendo que chamavam eles Mar, de onde 
vem uma expresso que aponta para a vinda de Jesus Cristo, e que se encontra em 1 Co 16.22 e Ap 22.20: "MARANATA!", que quer dizer "Vem, Senhor!", "Volta, Senhor, 
para o nosso meio!". H outra maneira de Jesus Cristo ser conhecido.  a expresso Verbo ou Palavra. No Antigo Testamento, o Verbo de Deus, a Palavra de Deus  o 
poder de Deus em ao! Por esse motivo, na teologia da Antiga Aliana, a Palavra de Deus cria. Est em Gnesis no captulo 1, "E disse Deus: faa-se tal coisa". 
(cf. Sl 33.6; Jo 1.3). Era a Palavra de Deus que criava. Para os gregos era o Logos, a Palavra. Esse era o princpio racional no ser humano, o princpio da ordem 
no universo, que mantinha esse universo equilibrado, razo porque Joo utiliza, "E o Verbo se fez carne". E quando ele escreveu, os gregos compreenderam, e os judeus 
entenderam , porque os judeus entenderam "o princpio criador" (dabhar), e os gregos entenderam "o principio racional" (logos). O mais importante, porm,  o que 
est no verso 14: "E o Verbo se fez carne, e habitou entre ns, cheio de graa e de verdade; e vimos a sua glria, como a glria do unignito do Pai". O importante 
 que a Palavra Criadora de Deus, a Palavra Dinmica de Deus, a Palavra Eterna, o Ser Divino se tornou humano e, vindo para o nosso meio, armou a Sua habitao, 
a Sua tenda, Ele construiu a Sua casa, Ele habitou entre ns, e assim temos uma viso da glria de Deus em Cristo Jesus. Quem pode, ento, revelar a Deus? S Deus 
pode revelar a Si mesmo, ningum nem nada mais. S a minha palavra pode dizer quem eu sou, quando uma pessoa conversa com voc, pelo que a pessoa est dizendo, voc 
j tem um retrato seu, no  verdade? J sabe se a pessoa quer ou no engan-lo; se tem ou no boas intenes. A palavra se revela pela palavra: Deus Se revela pela 
Sua palavra.

H muitos outros ttulos de Jesus : Cordeiro de Deus, Filho de Deus, Filho do homem, Servo Sofredor, o Alfa e o mega, Primeiro e ltimo, Princpio e Fim, Autor 
e Consumador, a Causa e o Objetivo, e outros tantos.

Verifico que a minha f em Jesus Cristo se evidencia porque Ele mudou a minha vida. No precisaria de mais nada, a no ser o fato de que um dia Jesus veio  minha 
vida, e tomou conta do meu ser, e o modificou. Como tambm tem mudado as vidas dos irmos, e vai continuar operando em milhares, e em milhes de outras vidas por 
esse mundo de Seu Pai. No fora Cristo, eu, particularmente, seria um racionalista, um ctico, algum sem horizontes, sem cu e sem esperanas. No entanto, Jesus 
Cristo mudou o meu pensamento, o meu corao, e canto com tanta emoo o hino que fala do "Nome Que Inspira o meu Louvor" (177 do Hinrio para o Culto Cristo):

Existe um nome sem igual que inspira o meu louvor,
Um som mavioso, divinal  o nome do Salvador.
Nome que inspira o meu louvor  o nome do Salvador

Perguntaram numa entrevista de televiso a Karl Barth, o telogo suo, j perto do fim da sua vida se o seu conceito da pessoa de Cristo havia mudado com o passar 
dos anos?" Sua resposta foi: "Sim, mudou: no comeo eu pensava em Jesus Cristo como o profeta do reino; Agora eu sei que Ele  o reino".  o que Jesus : o prprio 
reino de Deus. E, na verdade, Jesus no disse: "Eu dou o po da vida", "Eu mostro o caminho", "Eu direi a verdade", mas afirmou, "Eu Sou o Po da Vida", "Eu Sou 
o Caminho", "Eu Sou a Verdade", porque  Ele o centro da Sua prpria mensagem, o prprio evangelho! Ele  a boa notcia de que Deus continua amando a pessoa humana.

Jesus Cristo  o Novo Ado, Ele se revela  pessoa humana como sendo o Homem Ideal, o Ser Humano Perfeito, exemplo para aqueles que nEle crem (cf. 1Pe 2.21). Como 
Novo Ado, revela a natureza de Deus (Hb 1.1), e a Sua essncia que  o amor (cf. Mt 11.27; Jo 1.18; 14.9; Rm 5.8; 1 Jo 3.16). Como Novo Ado, revela o propsito 
de Deus, Sua obra redentora na histria, e a destruio das obras do Maligno (cf. Jo 12.31; 16.11; Cl 2.13-15; At 2.14; 1Jo 3.38). Esse  o Cristo Poderoso, Redentor, 
Salvador, Libertador em Quem creio!

Parte XVIII
JESUS E AS DECEPES HUMANAS 
Jesus como Verbo Encarnado, vestindo a nossa humanidade se identificou totalmente com o homem. Se algum chega-se na marcenaria de seu pai, em Nazar, no final da 
manh, viria um jovem com as mos calejadas, suado, cansado, talvez at ofegante segurando uma grande serra, ou at com um hematoma no polegar depois de levar uma 
martelada no dedo. Ele no  um almofadinha mas um "homem de dores experimentado nos trabalhos". Durante seu ministrio trabalhou de sol a sol apresentando o Reino 
de Deus e nas madrugadas frias intercedia pelos seus ouvintes contemporneos e por Suas ovelhas futuras (ns) junto ao Pai. Sentiu fome, sentiu sede, sentiu frio, 
sentiu calor, sentiu ansiedades. Verdadeiramente,  muito coerente da parte do Nazareno se auto-entitular de o "Filho do homem". 

A identificao do Mestre no se deu ao nvel em si mesmado d'Ele prprio somente, mas, Ele tambm se relacionava com aquela gente simples, analfabeta marginalizada 
e sofrida da Galilia de seu tempo. 

Uma passagem do Seu Santo Evangelho que chama a ateno foi aquele dia que Ele foi para uma das festas religiosas judaicas em Jerusalm, e, em l chegando foi ao 
tanque Betesda, que tinha cinco entradas. Perto dessas entradas estavam deitados muitos doentes: cegos, aleijados e paralticos. Esperavam o movimento da gua, pois, 
segundo uma crendice popular do povo, de vez em quando um anjo do Senhor descia e agitava a gua. O primeiro doente que entrasse no tanque depois disso sarava de 
qualquer doena. Entre eles havia um homem que era doente fazia trinta e oito anos. Jesus viu o homem deitado e, sabendo que fazia todo esse tempo que ele era doente, 
perguntou: "Voc quer ficar curado?". Ele respondeu: "Senhor, eu no tenho ningum para me pr no tanque quando a gua se mexe. Cada vez que eu tento entrar, outro 
doente entra antes de mim". Ento Jesus disse: "Levante-se, pegue a sua cama e ande!". No mesmo instante, o homem ficou curado, pegou a cama e comeou a andar. Mais 
tarde Jesus encontrou o homem no ptio do Templo e disse a ele: "Escute! Voc agora est curado. No peque mais, para que no acontea com voc uma coisa ainda pior" 
(Jo 5. 1-9,14). 

Vemos que esse paraltico da histria, antes de ser curado, era um homem azedo, acabrunhado, reclamo, sorumbtico, enfim: decepcionado. Quando Jesus perguntou-lhe 
se ele queria ser curado, ao invs de o pobre coitado gritar: "Sim eu quero! Cure-me Jesus!" Reclamou: "eu no tenho ningum para me pr no tanque quando a gua 
se mexe. Cada vez que eu tento entrar, outro doente entra antes de mim". 

Muitas vezes ns tambm nos encontramos como esse homem. Somos vtimas da decepo. Quando temos o fracasso de uma esperana; quando somos assolados por uma desiluso 
na vida; quando somos derrubados por um desengano, quando pegos por um desapontamento, quando recebemos uma surpresa desagradvel; quando nos defrontamos com uma 
contrariedade, quando somos vtimas de um desgosto. O que seria de ns, quando acometidos de paralisia espiritual, se Jesus no se envolvesse conosco? 

 semelhana daquele paraltico, muitas vezes, paramos; nossa alma fica letrgica, e nosso esprito se atrofia por que nos decepcionamos em um dos trs nveis de 
decepo que todo crente est sujeito. 

I. DECEPCIONAMO-NOS CONOSCO MESMO 

Talvez, aquele homem quando olhava para as suas pernas atrofiadas, sua sujeira, seu mal cheiro, sua dependncia dos outros, sua misria, sua inrcia ficava ainda 
mais frustrado consigo mesmo. Vemos, em Jo 5.14, que a causa de sua paralisia era algum pecado que cometera. No h nada mais que nos frustra que a conscincia do 
pecado. Aquele homem estava decepcionado consigo mesmo. Hoje, Inmeros motivos querem nos fazer prostrar inertes, levando-nos a nos subestimar doentiamente.

Por isso,  preciso ter firme em nossa mente que no podemos confiar em ns mesmos. Salomo disse "o que confia no seu prprio corao  insensato" (Pv 28:26). Um 
dos melhores crentes que pisou a face da Terra, o apstolo Paulo, um dia, tambm viu-se frustrado consigo mesmo e desabafou: "Pois eu sei que aquilo que  bom no 
vive em mim, isto , na minha natureza humana. Porque, mesmo tendo dentro de mim a vontade de fazer o bem, eu no consigo faz-lo. Pois no fao o bem que quero, 
mas justamente o mal que no quero fazer  que eu fao. Mas, se fao o que no quero, j no sou eu quem faz isso, mas o pecado que vive em mim  que faz. Assim 
eu sei que o que acontece comigo  isto: Quando quero fazer o que  bom, s consigo fazer o que  mau. Dentro de mim eu sei que  gosto da lei de Deus. Mas vejo uma 
lei diferente agindo naquilo que fao, uma lei que luta contra aquela que a minha mente aprova. Ela me torna prisioneiro da lei do pecado que age no meu corpo. Como 
sou infeliz! Quem me livrar deste corpo que me leva para a morte? (Rm 7.18-24, BLH). Vemos assim que o Apstolo aos gentios tambm decepcionou-se consigo mesmo. 

Quantas vezes nos acabrunhamos por detectar falhas em nosso carter? Quantas vezes nos decepcionamos por no conseguirmos orar como gostaramos? Quantas vezes nos 
chateamos por nos omitimos diante de desafios que Deus coloca diante de ns? Quantas vezes nos afundamos por deixarmos de praticar a teoria do bem que conhecemos? 
Quantas vezes ficamos arrasados por no meditarmos na Palavra de Deus como deveramos? Quantas vezes esquecemos que o Esprito Santo  uma pessoa e como tal quer 
uma relao pessoal conosco? Quantas vezes nos deprimimos por no conseguirmos ser quem gostaramos de ser? 

Isso tudo acontece porque no somos os super-homens que ingenuamente gostaramos de ser. Por certo, Deus permite que isso ocorra para que tenhamos conscincia de 
que o contedo do Evangelho dentro de ns, que  como verdadeiro tesouro espiritual, e para que tenhamos conscincia de que "somos como vasos frgeis de barro para 
que fique claro que o poder supremo pertence a Deus e no a ns". Por isso, devemos agir na direo da palavra do salmista: "Entrega o teu caminho ao Senhor; confia 
nele, e ele tudo far. E ele far sobressair a tua justia como a luz, e o teu direito como o meio-dia" (Sl 37. 5).

Mas, alm de nos frustrar conosco mesmo, tambm nos desiludimos com aqueles que se relacionam conosco. 

II. DECEPCIONAMO-NOS COM AS PESSOAS AO NOSSO REDOR

Aquele paraltico esperava ajuda das pessoas que estavam a seu lado, mas isso no ocorreu. Por isso, vemos nas suas palavras um tom rancoroso: "eu no tenho ningum 
para me pr no tanque quando a gua se mexe. Cada vez que eu tento entrar, outro doente entra antes de mim". A frustrao desse homem com as pessoas se d por dois 
motivos: primeiro, pela falta de amor e solidariedade de seus compatriotas; segundo, pela concorrncia intensa que havia na luta desesperada pela bno.

No seria esses os motivos que tm deixado tanta gente fracassada atualmente? Muitas vezes, quando mais precisamos das pessoas elas nos decepcionam. Quanto mais 
perto elas esto de ns, mais elas podem nos frustrar. Vez ou outra, quando precisamos de um apoio moral, o que recebemos  uma lio de moral. Os crentes do nosso 
lado acham mais fcil imitar os "amigos" de J, que esse patriarca propriamente. Parece que quando temos recursos os "amigos" brotam naturalmente onde estamos, mas, 
quando camos em insolvncia, ficamos sem os companheiros; foi o que experimentou o filho prdigo. Por vezes, pessoas nas quais confiamos nos traem; at mesmo Jesus 
no esteve isento dessa desventura. Quantas vezes nos chateamos porque mentiram para ns? E quando nos defrontamos com pessoas que no do bom testemunho cristo? 
E quando algum que tenha alguma espcie de autoridade sobre a nossa vida age injustamente contra ns? No h como no ficarmos jururus com tudo isso.

Tais frustraes nos acabrunham tanto, que podemos at perder a conscincia que o nosso Salvador est diante de ns, como esteve diante do paraltico do tanque Betesda, 
amorosamente perguntando: "Quer ser curado?". Ele continua preocupado conosco...; Ele est nos vendo...; Ele no est indiferente s nossas frustraes... Ele no 
 insensvel s nossas necessidades... Ele se identifica conosco. O Senhor no passou por aquele tanque ignorando o paraltico. Foi Ele quem estabeleceu o dilogo 
com aquele miservel.

III. DECEPCIONAMO-NOS COM A RELIGIO

Aquele pobre desgraado paraltico deveria tambm estar decepcionado com a Religio. Os religiosos de carteirinha foram acusadas por Jesus de prenderem-se a questes 
perifricas da crena e desprezarem o que realmente tinha suma importncia na Lei: a justia; a misericrdia; e a f. Ningum exercia esse contedo essencial da 
espiritualidade a fim de beneficiar aquele pobre coitado. Quando foi curado, ao invs de renderem aes de graas pela vitria daquele filho de Abrao, murmuraram 
porque o milagre tinha acontecido no dia de sbado.  gritante o fato de que a religio pela religio  cega, tendenciosa, fantica, venenosa, enfim, frustrante.

Por outro lado, vemos aquele pobre homem confiando na reputao mstica do tanque, atitude tipicamente religiosa do homem, que  inerentemente um ser religioso. 
Era o tanque Betesda uma fonte intermitente, que flua ocasionalmente em esguichos, para depois cessar; mas o povo dava a isso alguma espcie de significao sobrenatural, 
como se fora a ao de um anjo. Tanto  que no manuscrito original do Evangelho joanino o versculo quatro do captulo cinco no aparece. Entretanto, no h qualquer 
razo para se duvidar de que realmente naquele lugar havia curas genunas, como ainda atualmente elas existem em alguns "santurios de curas". No precisamos nos 
preocupar se Deus usa ou no usa intermedirios espirituais para efetuar essas curas, mas o certo  que elas existem. O problema  que parece que o paraltico estava 
ali supersticiosamente e nunca recebera sua bno. Talvez, tenha at piorado psicologicamente, pois a "mexida" na gua somente funcionava para alguns outros enfermos, 
menos para si.

Ns tambm nos frustramos quando nos apegamos a certas frmulas espirituais para resolver nossas dificuldades. E pelo fato de agirmos apegando-nos  exterioridade 
religiosa sem nos apropriarmos do contedo essencial das atitudes espirituais que Deus espera de ns. 

 comum diante de uma dificuldade algum aconselhar-nos: "Ah, irmo, leia a Bblia e ore que tudo vai se resolver". Isso  falso! Ler a Bblia e orar mecanicamente 
no resolve nada! Tais atitudes podem at piorar a situao, se elas nos tornarem frios religiosos.  importantssimo ler as pginas das Sagradas Escrituras, e orar 
ao Pai, mas, isso s tem sentido quando mantemos uma comunho pessoal com o Esprito Santo, pois Ele  uma Pessoa. Jesus no veio trazer religio  Terra! Ele Veio 
estabelecer relacionamentos. Na verdadeira espiritualidade, no existe "abra-cadabra" ou passes de mgicas, bem como vale salientar que o uso mecnico do nome ou 
do sangue de Jesus de nada adianta se no fizermos parte da mesma natureza do Senhor Jesus e no formos amigos chegados do Seu Santo Esprito. Quando no vivemos 
isso, acabamos vivendo religio, e ela acaba nos decepcionando.

Tambm nos assemelhamos ao paraltico da narrativa quando nos frustramos com a religio  medida que acabamos por estabelecer uma espcie de concorrncia com o irmo 
que est ao nosso lado. Ele resmungou para Jesus: "Cada vez que eu tento entrar, outro doente entra antes de mim". Cada um dos outros enfermos nos cinco andares 
daquele tanque era para o pobre paraltico um concorrente da bno; um rival na luta pelo melhor lugar; um competidor na busca de maior rapidez para se atirar no 
tanque; e um adversrio na busca pelo favoritismo da misericrdia de Deus. Tudo em nome da religio. Em geral, de modo inconsciente assumimos atitudes de disputa 
no ambiente religioso. Se no nos cuidarmos poderemos ser lanado de cima do "pinculo do templo". Quando nos deparamos com os fracassos de tais atitudes nos decepcionamos 
profundamente com o ambiente religioso. E no h nada que mais decepciona o ser humano que a religio vazia de contedo espiritual! 

Uma outra ilustrao que comprova a idia de que a religio nos frustra  quando damos crdito a pessoas que nos dizem mensagens afirmando serem de Deus e que, na 
verdade, no so d'Ele. Entretanto, criam expectativas falsas e por fim, acabam nos frustrando. Quantos prejuzos tem causado a crentes ingnuos os falsos pastores, 
os falsos profetas e as falsas profetizas? Interessante que  "em nome do Senhor". Nisso, no h nada de espiritualidade, mas sim pura religio misturada com charlatanismo.

O grande antagonismo da desgraa do paraltico de Joo 5  o nome do local onde ele jazia: "Betesda": "Casa de misericrdia". Que misericrdia ele gozava at Jesus 
chegar ao tanque? Todavia, O Senhor Jesus resolveu o problema da decepo do paraltico, da mesma maneira com que Ele quer resolver as nossas decepes.

IV. JESUS RESOLVE AS NOSSAS DECEPES

Jesus no est alheio a nossas necessidades, pois ele nos observa e nos sonda. Todavia, Ele exige que ns faamos a parte destinada a ns para resolver nossos problemas. 
Nossas lutas, somente so resolvidas quando nos comprometemos com o Senhor. Esse compromisso  mtuo. 

Jesus nos v quando estamos decepcionados.  motivo de regozijo saber que Jesus no se afasta dos frustrados. Humanamente, h uma tendncia de as pessoas se afastarem 
dos complicados. Como o homem contemporneo j tem inmeros problemas quer se afastar das pessoas problemticas. E isso s gera o aumento das complicaes humanas 
e o estabelecimento da falta de amor entre os indivduos. Entretanto, o Senhor Jesus no  assim, Jesus, naquele dia, chegou a Jerusalm com objetivo de participar 
de uma das festas dos judeus, mas na Sua agenda de trabalho a prioridade  para as pessoas e no para as coisas. 

O captulo cinco de Joo declara que Jesus viu o homem deitado e, sabendo que fazia todo esse tempo que ele era doente, perguntou: "Voc quer ficar curado?"

O texto nos revela que Jesus v o frustrado. Como  bom saber que Jesus nos v! Como  bom saber que ele no nos ignora. Ainda que estejamos complicados, o senhor 
nos v. As pessoas ignoram e evitam os complicados por que s vem o que  aparente, somente vislumbram a superfcie, ou seja, a complicao insolvel. Em funo 
disso, deixam de ver o valor precioso que tem a alma e o esprito humanos para Deus, e ao invs de ajudar acabam aborrecendo mais ainda quem j est complicado. 
Nosso Deus no age assim. "O Senhor no v como v o homem, pois o homem v o que est diante dos olhos, porm, o Senhor olha para o corao" (1 Sm 16.7b). 

O homem segundo o corao de Deus (Davi) quando sentiu-se complicado orou de um modo que ns tambm podemos clamar: "Tem misericrdia de mim, Senhor; v como me 
fazem sofrer aqueles que me aborrecem, tu que me levantas das portas da morte" (Sl 9:13). Mesmo que estivermos nas portas da morte o nosso Pai nos v, e nos levanta! 

Jesus se interessa por ns quando estamos decepcionados. A iniciativa de pr fim  paralisia daquele desgraado partiu de Jesus. Foi o Senhor quem comeou o dilogo, 
perguntando-lhe: "Voc quer ficar curado"?. Jesus sempre se identifica com os pecadores. Sempre se interessa pelos frustrados. Ele "no apaga o pavio que fumega 
e no acaba de quebrar a rama que est partida (Is 42.3)". "Ele veio buscar e salvar os perdidos" (Lc 19.10). O prprio Senhor disse: "Os sos no necessitam de 
mdico, mas sim os que esto doentes; eu no vim chamar os justos, mas sim os pecadores" (Mc 2. 17). Confiemos n'Ele! Jesus tem poder para solucionar nossas frustraes. 
No bastaria se Ele tivesse somente a vontade de nos ajudar, mas no tivesse condies de faz-lo. "Ele tem todo o poder no cu e na Terra" (Mt 28.18).

Jesus exige mudanas nossas, para Ele resolver nossas decepes. Do ponto de vista da lgica humana, parece ridcula a pergunta que Jesus fez quele pobre coitado: 
"Queres ficar so?". O texto nos diz que Ele sabia que aquele homem estava inerte h trinta e oito anos; se ele estava ali esperando o mover das guas  porque, 
obviamente, anelava desesperadamente a sua cura. No  estranho a pergunta de Jesus? "Queres ficar so?" Na verdade, tal questionamento tem um significado mais profundo 
do que o que simplesmente aparenta.  Jesus estava na realidade questionando se aquele homem queria "mudar de vida", ou seja ele estava perguntando: Voc deseja parar 
de pedir esmola? Voc deseja trabalhar? Voc deseja andar com suas prprias pernas? Voc deseja trocar de roupas? Voc deseja sair do p? Voc deseja parar de depender 
dos outros? Em suma, Jesus estava questionando: Voc deseja se arrepender e abandonar definitivamente o pecado? Isso  to certo que o evangelista Joo nos informa 
que mais tarde Jesus encontrou o homem no ptio do Templo e disse a ele: "Escute! Voc agora est curado. No peque mais, para que no acontea com voc uma coisa 
ainda pior". Logo, vemos que a causa da sua enfermidade era o pecado. 

Ainda hoje o Senhor quer solucionar nossas frustraes; quer resolver os fracassos de alguma esperana perdida; quer devolver alguma desiluso perdida na vida; quer 
nos levantar se camos por um desengano; quer nos encorajar se ficamos inertes por algum desapontamento; quer nos encorajar ante as surpresas desagradveis do cotidiano. 

Mas, antes de glorificarmos a Ele alegre e descomprometidamente, devemos nos mobilizar para as mudanas que o Senhor exige de ns! Quer nos curar da lcera, mas 
exige que paremos de comer pimenta. Quer nos curar da depresso, mas exige que entreguemos confiadamente e sem reservas nossos cuidados a Ele. Quer nos abrir uma 
oportunidade de trabalho, mas exige que ns qualifiquemos nossa mo-de-obra. Quer nos salvar do desemprego, mas exige que sejamos obedientes ao patro. Quer melhorar 
nosso casamento, mas exige que perdoemos nosso cnjuge e eliminemos os defeitos de nosso carter. Quer nos ungir para o ministrio, mas exige que vivamos uma verdadeira 
espiritualidade. Para cada bno que almejamos do Senhor, Ele exige algo de ns.

Jesus exige de ns, f em Sua Palavra para resolver nossas decepes. Jesus resolve nossas complicaes com um instrumento poderoso: A Sua Palavra. Ele declarou 
ao paraltico: "Levanta-te, toma o teu leito e anda. Imediatamente o homem ficou so". A Palavra do Senhor continua sendo o meio de dar um fim s nossas lutas. 

Para quem est necessitado ela diz: "O Senhor  o teu pastor, nada te faltar"; "o teu Deus segundo as riquezas da Sua glria suprir todas as suas necessidades 
por Cristo Jesus". Para quem est enfermo, declara: "O senhor  quem sara todas as tuas enfermidades". Para quem est ansioso, anima: "A paz de Deus que excede todo 
o entendimento guardar os seus sentimentos e o seu corao". Para quem est deprimido, certifica: "no temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus,  contigo 
por onde quer que andares". Para quem est com medo, encoraja: "Porque eu, o Senhor, teu Deus, te tomo pela tua mo direita e te digo: no temas, que eu te ajudo". 
Para quem est em luta, garante: "...a vitria vem do Senhor!"
Confiemos no Senhor! O paraltico ouvindo a Palavra de autoridade de Jesus tomou o seu leito e comeou a andar. Ele andou porque depositou sua f na Palavra de Cristo. 
F na Palavra do Senhor  a atitude que resolve nossas decepes. Faamos como o salmista que confiou inteiramente no Pai celestial: "Somente em Deus espera silenciosa 
a minha alma; dele vem a minha salvao. S ele  a minha rocha e a minha salvao;  ele a minha fortaleza; no serei ... abalado. [...] a minha alma, espera silenciosa 
somente em Deus, porque dele vem a minha esperana. S ele  a minha rocha e a minha salvao;  a minha fortaleza; no serei abalado. Em Deus est a minha salvao 
e a minha glria; Deus  o meu forte rochedo e o meu refgio" (Sl 62.1-7).

Parte XIX
JESUS, MAGO OU CNICO 
 O ttulo pode parecer grosseiro, mas traduz uma inquietao dos meios acadmicos e cientficos nos Estados Unidos e Europa. A historiadora brasileira Tnia de Ftima 
Rocha aborda o tema a partir de um clssico da historiografia do Jesus histrico.

A resposta encontra-se no livro "O JESUS HISTRICO, A vida de um campons judeu no Mediterrneo" de John Dominic Crossan, cuja primeira edio em portugus  da 
Imago (1994).

Crossan  professor de Estudos Bblicos na DePaul University, Chicago.  autor de vrios trabalhos acadmicos sobre Jesus, incluindo "The Cross that spoke", que 
recebeu o Premio de Excelncia da Academia Americana de Religio. 

O livro de Crossan  fruto de uma pesquisa histrica rica e detalhada que tem como objetivo dar subsdios para compreendermos o panorama histrico nos tempos de 
Jesus. Como era o lugar onde Jesus vivia? Que classes sociais existiam? Como se relacionavam? Como as pessoas desta sociedade percebiam Jesus e suas mensagens? Estas 
e outras questes so respondidas por Crossan nesta obra que  fruto de rigorosa pesquisa cientfica.

Sua preocupao no  com o Cristo, ou seja, com o carter divino de Jesus, mas com o homem, sua cultura, a economia de sua poca, as relaes socia

is que envolviam a sua comunidade. O autor parte do princpio de que h uma sociedade mediterrnea com caractersticas prprias, baseada numa forte tendncia  urbanizao, 
desprezo pelo modo de vida do campons e pelo trabalho manual, ntida estratificao econmica, geogrfica e social; instabilidade poltica e uma tradio de Estados 
fracos, uma rgida segregao sexual; uma tendncia a se apoiar em unidades mnimas de parentesco, um cdigo de honra e vergonha que define no s o comportamento 
sexual, mas tambm a reputao pessoal, etc. Nesta cultura "a honra, mais do que o valor que uma pessoa tem aos seus prprios olhos,  o valor que ela tem aos olhos 
da sociedade". 

Nazar, a cidade onde Jesus vivia era uma aldeia profundamente judaica, com menos de 200 anos no sc. I, cuja atividade principal era a agricultura. Apesar de afastada 
das trilhas mais freqentadas, situava-se dentro de um contexto urbano com uma populao de cerca de 30.000 habitantes. Fazia parte da periferia romana, constantemente 
arrasada pela guerra, cujo centro, Roma, era uma cidade imperial que exportava a violncia para outro lugar e dava a isso o nome de lei e de ordem, ou at mesmo 
de paz.  Havia acentuada desigualdade social, onde a classe dos artesos englobava cerca de 5% da populao, formada de camponeses que tinham perdido as sua posses 
e cujos filhos, portanto, no tinham direito a uma herana. A renda mdia de um arteso no era to alta, aparentemente, quanto a de um campons. Da, ento, a sua 
posio inferior na hierarquia de poder e privilgio, cuja principal forma de riqueza  a propriedade da terra. Nesta condio inclua-se a famlia de um carpinteiro 
como a de Jesus.

Dentro deste contexto, reduzidos  impotncia pelo poderio militar romano, os palestinos voltaram-se para o velho sonho milenarista. A salvao viria atravs de 
um lder que, apesar de ser humano e agir neste mundo, teria uma aura divina. Assim, os movimentos apocalpticos so uma reao a um profundo ataque  integridade 
cultural, a uma ameaa de ordem poltico-religiosa e socioeconmica. 

Surgem movimentos como o dos cnicos e esticos que buscavam a felicidade atravs da liberdade interna e da auto-suficincia pessoal. O estoicismo procurava chegar 
l atravs de um desapego s coisas, j o cinismo pregava um total abandono do mundo, buscavam a felicidade atravs da liberdade. Tinham uma aparncia diferente 
daquela considerada normal pelos padres sociais da poca, de modo a serem reconhecidos como propositalmente divergentes. Tinham uma opo anticultural pela pobreza 
que fazia com que no tivessem moradia fixa, levando uma vida itinerante simbolizada pelo uso do cajado.

Surgem tambm os movimentos taumatrgicos, ou seja, movimentos realizados pelos chamados magos (algum que pode fazer com que o poder divino se manifeste diretamente 
atravs do milagre pessoal, e no indiretamente atravs do ritual comunitrio), representam uma reao religiosa divergente. Apesar de procurarem acabar de imediato 
com o sofrimento de um individuo, e no de um grupo, a sua atividade muitas vezes representa uma oposio radical ao sistema poltico-religioso estabelecido, seja 
ele local ou colonial. Neste caso faziam oposio  religio oficial dos sacerdotes judaicos. Os vrios tipos de manifestantes, profetas, bandidos, messias e revolucionrios, 
so representantes tpicos de membros das classes desfavorecidas na Palestina do sculo I. O milenarismo popular da classe camponesa resultou em aes e foram vtimas 
de uma reao brutal e sangrenta pelas autoridades.

Um outro movimento social,  o banditismo social que surge em qualquer sociedade baseada na agricultura, onde h uma enorme quantidade de camponeses e trabalhadores 
sem terra que so governados, oprimidos e explorados por representantes de outra classe social. Movimento que j estava com meio caminho andado para se tornar uma 
revoluo.

J h relatos a respeito de bandidos no inicio de 47 antes da era crist, depois de manifestantes e messias em 4 antes e.C., sendo que os profetas s aparecem a 
partir de 30 e.C. Em termos de violncia, para os onze casos de banditismo h dez casos envolvendo profetas, e para os cinco exemplos de messianismo, h sete incidentes 
com manifestantes. 
O homem e o contexto histrico 

Ser que aquele homem que pregava a beira do lago era um visionrio apocalptico? Como Jesus falava de si mesmo? 

O reino de Deus  um grupo de pessoas sob o controle divino e, enquanto um ideal, isso transcende e condena todo tipo de poder humano. O reino tem a propriedade 
de expandir-se e fixar-se assim como na parbola da mostarda e do joio.O importante, ento, no  possuir uma intuio especial para poder ver o Reino do futuro, 
e sim ter a habilidade de reconhecer o Reino como uma realidade presente. Para Jesus, um reino de mendigos e ervas daninhas  um reino do aqui e agora. A expresso 
"reino de Deus" podia ser compreendida do ponto de vista apocalptico, podia haver ou no uma revolta armada, existir ou no um messias, e ocorrer ou no uma destruio 
csmica, mas com certeza um dia haveria um ato de poder divino transcendental que, depois de destruir todos os perversos imprios pagos, estabeleceria o domnio 
da justia e da santidade, que regeria a humanidade para sempre. Tambm podia ter um carter sapiencial e representar tanto uma tica para o presente, quanto uma 
critica radical dos abusos do rei e do imprio. Jesus tem um a viso sapiencial, seu reino  realizado ao invs de apenas proclamado. 

O reino de Jesus era composto de gente sem importncia ou mesmo indesejvel, representava, sem dvida alguma, uma proposta profundamente igualitria. Sendo assim, 
ele tornava todas as distines de ordem sexual, social, poltica e religiosa completamente irrelevantes e anacrnicas. Em outras palavras ele coloca o reino contra 
o Mediterrneo. Ou contra muito mais que o Mediterrneo. 

Antes, durante e depois de Jesus, os camponeses da Palestina estavam num estado de distrbio poltico. O ideal de reino em Jesus representa um modo de vida para 
o presente imediato, o que permite ver o reino no como um sonho pessoal, mas como um plano coletivo. Assim magia est pra a religio assim como o banditismo esta 
para a poltica. Enquanto o banditismo contesta a legitimidade do poder poltico, a magia contesta a do poder espiritual. A religio  a magia oficial e aprovada; 
a magia  uma religio extra-oficial e censurada. O mesmo ato que serve como sinal de divindade para alguns pode servir como prova da influencia maligna dos demnios 
para outros. No que diz respeito aos critrios,o mais importante no so as aes, mas sim a maneira como elas so avaliadas. O mesmo homem podia ser chamado de 
[divino], ou filho de deus, pelos seus admiradores ou de mago pelos seus inimigos. 

Jesus estava iniciando uma misso rural ao invs de uma misso urbana. Podemos considera-la como um exemplo de cinismo judeu e rural. O movimento evitava deliberadamente 
a auto-suficincia, buscando um tipo especial de comensalidade junto queles que procurava curar. Os missionrios no carregam alforge porque no pedem esmolas, 
comida, roupas, nem qualquer outra coisa. Eles compartilham um milagre e um reino, recebem em troca uma mesa e uma casa, o que na opinio do autor e a essncia do 
movimento original de Jesus; um igualitarismo em que se compartilha de bens espirituais e materiais. A comensalidade, na verdade, era uma estratgia para reconstruir 
a comunidade camponesa sobre princpios radicalmente diferentes daqueles ditados pelo sistema de honra e vergonha, apadrinhamento e clientelismo. Um igualitarismo 
religioso e econmico que negava a estrutura hierrquica e patronal da religio judaica e do poder romano. 

O Jesus histrico possua ao mesmo tempo uma viso ideal e um programa social. 

Para concluir, a busca do Jesus histrico  reconstituio, no tem a pretenso de ser a verdade, mas de contribuir para a elaborao de nossa viso histrica sobre 
Jesus, lembrando que toda histria  sempre reconstituio o que no invalida o projeto de conhecermos um pouco mais sobre a vida de um campons judeu no Mediterrneo.

Parte XX
LEVANDO A SRIO A MENSAGEM DE CRISTO
"No fostes vs que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi, e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permanea" (Jo 15.16)

O texto acima indica que temos uma grave responsabilidade que  levar a srio a mensagem de Jesus Cristo, nosso Salvador, e lev-la a todo aquele necessitado da 
salvao eterna: lev-la a todo o nosso pas. Naturalmente, quando pensamos em levar Cristo a todo o Brasil, temos que refletir sobre o relevante fato de est em 
nosso corao, lbios e atitudes a mensagem de que nosso povo precisa.

A MENSAGEM DE QUE O BRASIL PRECISA

Que mensagem  essa que precisamos passar para todo o pas? Em 1Corntios 1.23 est dito: "Ns pregamos a Cristo crucificado".  luz dessa afirmao, qual, portanto, 
a nossa mensagem? O Cristo crucificado. 

Na verdade, no temos outra pregao, a no ser a de Jesus Cristo que  a Luz do mundo! Cristo que  a Paz do mundo! O Senhor Jesus que  a Vida para este mundo! 
A nossa proclamao, portanto,  a Sua vida, Seu ministrio, Sua cruz, morte e ressurreio. 

O mundo vive perigosamente tateando no escuro.  s observarmos os jornais de apenas um dia, e teremos a prova do que foi afirmado: conflitos no Oriente, guerrilhas 
na Amrica do Sul, situao problemtica dentro de nosso prprio pas com verdadeiras batalhas civis. Enfim, o mundo vive numa afanosa busca de esperana. A ns 
cabe dizer que a paz e a salvao so possveis, assim como a libertao dos pecados e dos temores em relao ao incerto futuro. Aos crentes compete proclamar que 
Jesus Cristo salva de uma vez para sempre aquele que O recebe com f completa. O hino 447 do hinrio Cantor Cristo diz com extrema clareza e simplicidade, 1. "No 
te importa se algum dos amigos morrer sem ter conhecimento de Cristo? Deixas que no juzo ele venha a dizer: "A mim nunca falaram de Cristo"? 

2. No te importa que as almas preciosas a Deus, Oh! no sejam levadas a Cristo?! Pois diro quando vier outra vez: "A ns nunca falaram de Cristo!"

Que isso no acontea conosco! Que no sejamos acusados naquele dia de nunca termos anunciado a mensagem libertadora de Jesus Cristo: que Jesus salva de uma vez 
e para sempre, e de um modo integral e sem reservas. O apstolo Paulo at colocou na Carta aos Colossenses: "A eles Deus quis fazer conhecer quais so as riquezas 
da glria deste mistrio entre os gentios, que  Cristo em vs, esperana da glria. A ele anunciamos, admoestando a todo homem, e ensinando a todo homem em toda 
a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo" (1.27,28).

No nascimento de Jesus, a boa notcia foi dada nestes termos: "No temais. Eu vos trago novas de grande alegria, que o ser para todo o povo. Na cidade de Davi vos 
nasceu hoje o Salvador, que  Cristo, o Senhor" (Lc 2.10,11). Quando lemos sobre o Seu ministrio, tambm essa poderosa mensagem tem uma descrio. Ao perguntar 
Jesus aos apstolos a opinio dos homens sobre Ele, Pedro O descreveu do modo seguinte: "Tu s o Cristo, o Filho do Deus Vivo" (Mt 16.16). Pedro, na verdade, expressou: 
"Aquele por Quem nosso corao ansiava; Aquele Cuja promessa vem desde o tempo dos profetas; Tu s Ele: o Messias, o Cristo, o Filho do Deus Vivo!" (cf. 1Jo 4.14).

Encontramos acerca da Sua morte uma descrio:

"Vemos, porm, aquele que foi feito um pouco menor do que os anjos, Jesus, coroado de glria e de honra, por causa da paixo da morte, para que pela graa de Deus, 
provasse a morte por todos. ... Temo-nos tornado participantes de Cristo, se  que guardamos firme at o fim a confiana que desde o princpio tivemos. Enquanto 
se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, no endureais os vossos coraes, como na provocao" (Hb 2.9,14,15).

 dessa mensagem que nosso povo necessita! A mensagem de que no h necessidade de ter medo! Medo da morte? Ns rimos da morte porque sabemos que nossa esperana 
 Cristo; sabemos que nossa paz  Cristo, e que nosso futuro reside no Salvador!

Essa  a mensagem que temos de anunciar, a da soberania de Deus. O Brasil no conhece a sabedoria de Deus. Pensa que conhece a sabedoria dos deuses pagos. H algum 
tempo, o Caderno Idias do Jornal do Brasil trouxe uma entrevista intitulada "A Bahia no tem sincretismos". Foi concedida por Pierre Verger, antroplogo francs 
hoje falecido, e que vivia nesta cidade do Salvador. 
Ele, professor universitrio, com grau de doutor, era adepto do candombl. Na entrevista, faz uma anlise das perguntas que lhe foram colocadas, e no meio deuma 
das respostas destaca o seguinte: "Na Bahia no existe sincretismo, no; porque o que  de terreiro  de terreiro, e o que  de catolicismo  de catolicismo". Na 
realidade, todos sabemos que sincretismo  a alma da terra baiana. Com todas as letras.

O Brasil precisa conhecer o Deus que  Soberano, Senhor, e exerce a Sua vontade sobre a terra e o povo do Brasil! Mensagem de restaurao e de integridade! Alis, 
nunca se viu tanta coisa fora de lugar em nossa terra: homens que tm vergonha de terem nascido homens; mulheres que perderam a sua caracterstica mais bela, que 
 a feminilidade. Um programa de entrevistas da TV tinha como tema numa das tardes: "Meu filho  gay" Entre outras pessoas, apresentou um cidado que trouxe seu 
filho, e uma senhora que tambm veio com o seu. Uma das mes dizia: "Desde que ele estava na pr-escola, j tinha essa tendncia", e sorria. Mais adiante, a apresentadora 
disse, "No prximo bloco, vou apresentar uma senhora que tem dois filhos gays". E apresentou um rapaz e uma moa, ambos homossexuais. Desembaraada a jovem, contando 
toda a sua histria sem nenhum pejo ou vergonha na face.

Precisamos disponibilizar essa mensagem de restaurao  nossa gente; intensificar no s a orao, assim como a pregao para que seja o nosso pas fermentado pelas 
boas novas de Cristo. 

LEVANDO A SRIO A ORDEM DE JESUS CRISTO

Pois ; a ordem  ir e anunciar Cristo, e  constante na Escritura Sagrada. No Evangelho de Marcos, a palavra de Jesus  "Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho 
a toda criatura. Quem crer e for batizado ser salvo, mas quem no crer ser condenado" (16.15,16).

Temos uma ordem: Ir, pregar e batizar o que crer. Em Lucas est assim disposto: "Eis o que est escrito: o Cristo padecer, e ao terceiro dia ressurgir dentre os 
mortos, e em seu nome se pregar o arrependimento e a remisso dos pecados, em todas as naes, comeando por Jerusalm" (24.46,47). A ordem  pregar o arrependimento 
para remisso dos pecados. Poderamos dizer, "Comeando por Braslia, e estendendo por todo o Brasil"; iniciando na Capital Federal, estender esse abenoado anncio 
s outras reas do pas e do mundo.

H outros comandos a esse respeito (cf. Rm 10.13-15; 2Tm 4.2a).  enorme o envolvimento missionrio, uma verdadeira cadeia de responsabilidades: o mensageiro  o 
prprio Deus Pai atravs de Jesus, Seu Filho, o Qual, ao mesmo tempo,  mensageiro e mensagem. 

O mensageiro  Jesus Cristo, que, atravs do Esprito Santo, fortalece, impulsiona, motiva e dirige a Igreja que  Seu Corpo nessa grande tarefa de transmisso da 
mensagem celestial e eterna (2Co 5.18-20). 

A Bblia diz que o mensageiro  o Esprito Santo, de Quem o prprio Senhor Jesus Cristo disse: "Quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos enviarei, o 
Esprito da verdade, que procede do Pai, ele testificar de mim" (Jo 15.26). 

Mas o mensageiro  a Igreja, que, atravs dos seus membros individuais, atravs, de mim, da irm e do irmo tambm, testifica e fala de Jesus Cristo, e coopera com 
os cus na expanso do reino de Deus na terra (cf. Jo 15.27a). Assim, a Igreja recebe dos cus e repassa  terra.  nossa tarefa levar com seriedade Jesus Cristo 
a todo o Brasil. Ele olha para os crentes, e declara: "Eu vos escolhi a vs, e vos designei para que vades, e deis frutos, e o vosso permanea" (Jo 15.16). Essa 
 a palavra do Senhor, Que espera que cada um leve a srio a sua misso como crente em Jesus Cristo, membro do Seu Corpo, parte da Sua Igreja.

Estamos falando de participao no plano de Deus, de fidelidade a um mandato do Senhor, de atuao integral  obra de expanso do Seu evangelho! Isso significa que 
esta misso deve acontecer enquanto temos ocasio para isso.

ENQUANTO H OPORTUNIDADE

Dia vai chegar quando essa oportunidade no mais vai existir. No j citado hino 447 C.C., encontramos outra incisiva estrofe:

4. No te cales jamais; pede a Deus graa, irmo, Para dar testemunho de Cristo; Pra ningum no juzo exclamar com razo: "A mim nunca falaram de Cristo!" 

Essa  a nossa oportunidade: levar a Cristo. No podemos ficar omissos enquanto houver ocasio de anunciar a Cristo. A revista missionria A Ptria para Cristo (publicada 
pela Junta de Misses Nacionais da Conveno Batista Brasileira) trouxe muitos testemunhos relevantes. Um deles foi "Evangelho transforma a vida em presdio de segurana 
mxima em Salvador". Fala do extraordinrio trabalho do S.O.S. Presdio na Penitenciria Lemos de Brito. Qual a maior necessidade de uma pessoa encarcerada, seno 
a de converter-se e transformar suas obras de trevas em obras de luz? 

"A Igreja entre grades"  outro artigo que menciona igrejas em Salvador que tm dado apoio s Congregaes que funcionam dentro dos presdios. H quem no creia 
na converso de quem est l dentro. Um jornal da cidade de So Paulo publicou uma reportagem a respeito da influncia da pregao evanglica. E com certa ironia, 
at, colocava o fato de que alguns marginais do passado hoje se declaram convertidos a Jesus Cristo, e que estas pessoas j esto ganhando outras vidas para Jesus. 
Ora, se  mentira ou no, se fazem para ganhar as boas graas da Direo do presdio ou do povo evanglico, Deus sabe o que se passa no corao deles. O Senhor dar 
no devido tempo a recompensa. Mas o fato  que h um trabalho a ser feito, vidas que devem ser resgatadas, e essas oportunidades surgem. Por isso, devemos anunciar 
a Jesus Cristo enquanto temos ocasio. Que o Senhor nos ajude, oriente e abenoe!


Parte XXI
O CRISTO CRUCIFICADO
Texto bsico: 1Corntios 1.18-24 
 Muitos querem um evangelho sem cruz; muitos dizem, mesmo, que seria timo se o evangelho no tivesse dificuldades, se no exigisse tantos compromissos e sacrifcios. 
Muitos preferem um evangelho de facilidades, um evangelho sem conflitos. Vemos, no entanto, que mesmo Jesus viveu conflitos. Ele os viveu com os religiosos do Seu 
tempo (cf Mt 16.2; 23.13ss), e com os polticos da Sua poca, j que falou da natureza apoltica da Sua misso (cf. Jo 6.15; 18.36). 
Jesus viveu conflitos interiores:  somente nos lembrarmos da experincia da tentao no deserto. E nunca o deserto foi to deserto como quando Jesus estava s, 
sozinho, frente a frente com o Tentador. 

Jesus foi tentado a ceder ao material em detrimento da fortaleza espiritual (Mt 4.3). E no foi essa a tentao do prazer? O apelo ao apetite? A prpria "concupiscncia 
da carne"? Ora, o ser humano quer alimento, ns queremos e precisamos de alimento, queremos e precisamos de sono, e de amor, e tudo isso  muito natural, absolutamente 
normal e saudvel. Se a necessidade no for satisfeita, o nosso corpo vai sofrer: a fraqueza bate, a doena vem, a debilidade orgnica chega, e, finalmente, a morte. 
Comer no  pecado. E ali est Jesus s, muito s no deserto. Quarenta dias, quarenta noites, longos dias, frias noites, Jesus est com muita fome, e Satans aparece 
nessa hora, e insinua que Ele precisa comer. 

O pecado no era comer, mas, sim, colocar a vontade pessoal acima da vontade de Deus. Estamos falando de po, e dar po ao povo tem sido proposta de uma ala da religio 
que inverte as prioridades. Jesus Cristo no  indiferente ao apelo das massas. Se abrirmos em Marcos 8, veremos a demonstrao plena do que Jesus Cristo fez, a 
segunda multiplicao dos pes e peixes (cf. vv.1-3). Jesus no  indiferente s necessidades materiais e condies sociais, mas no  um mero reformador poltico, 
como queria a quase falecida teologia de uma ala radical. No! Jesus no foi um filantropo, apesar de ter realizado tantas obras extraordinrias para o benefcio 
do ser humano. Houve at uma ocasio quando Jesus Cristo reclamou: "Em verdade vos digo que me buscais, no porque vistes sinais, mas porque comestes dos pes e 
vos saciastes" (Jo 6.26). Pregar esse Cristo  pregar um Cristo completamente desfigurado. No  o Cristo do Novo Testamento. 

Jesus foi tentado a ser libertador do povo judeu, e no o Redentor do mundo. Temos o fascnio do espetacular;  a tentao segunda, o "evangelho do espetaculoso". 
E Jesus se recusa a esse tipo de evangelho. Mas j que os judeus esto pedindo um sinal, no seria um extraordinrio sinal se Jesus se lanasse do alto do Templo, 
50m abaixo, para que os anjos de Deus O segurassem na queda? No teria sido maravilhoso para o evangelho essa possibilidade de num instante se espalhar? Toda a Jerusalm 
no ficaria sabendo disso, e todos no aceitariam a Jesus?  Por que Jesus no o fez? H quem se pergunte. Seria um sinal do agrado dos curiosos; seria do agrado 
dos fanticos por emoo; seria, sem dvida, um sinal para os crdulos, para os sensacionalistas! E seria a prpria "concupiscncia dos olhos" que Joo menciona 
na sua Primeira Carta (cf. 2.16b). E se Jesus o realizasse, no precisaria passar pela estrada do sofrimento, andar na estrada do Calvrio, porque todo mundo ficaria 
sabendo, em um dia, o que Jesus havia feito. Mas, outra vez seria o evangelho do Cristo desfigurado. Por essa razo, quando desejaram que Ele fizesse algum sinal, 
Ele responde que no far sinal algum (Mt 12.39; Lc 11.16,29).

Jesus foi tentado tambm a construir um reino terreno, no o reino de Deus.  a terceira tentao: a de negociar, a de ter o evangelho do sucesso, a "soberba da 
vida". 
"Concupiscncia da carne", transformar pedras em pes; "concupiscncia dos olhos", jogar-se de cima abaixo; e a "soberba da vida", construir um reino terreno. Evangelho 
das posses, e para isso,diz o Tentador, basta que Jesus Se ajoelhe aos seus ps. Bastava um instante, ningum ia ver... Ali, s Satans e Jesus... Mais ningum presenciaria, 
e Jesus Se ajoelharia por um breve momento, e os sonhos que Jesus tinha se tornariam verdade. 

Pois ; Satans ofereceu a Jesus Cristo uma vitria sem cruz, uma conquista sem morte, uma coroa sem Calvrio, porque o Tentador tudo far para que a pregao do 
Cristo crucificado no acontea!

E no h quem ande pregando que aceitando algum o evangelho, tudo se torna fcil? O dinheiro vem fcil, a fama vem fcil, as coisas acontecem com facilidade.  
a idolatria do sucesso, o realce nos valores materiais da vida. E isso tem nome: secularismo. "Todos viro servi-lo", disse Satans. "Todos estaro s suas ordens", 
diz o evangelho do Cristo desfigurado. E  nessa hora que Jesus Cristo responde: "Qual  maior, quem est  mesa, ou quem serve? porventura no  quem est  mesa? 
Eu, porm, estou entrevs como quem serve" (Lc 22.27).

No h atalhos para a vida espiritual e sua vitria. Jesus no veio fazer concesses ao Inimigo-de-nossas-almas, e por isso, tem autoridade sobre Satans quem decide 
permanecer com Jesus na cruz.

A PREGAO DO CRISTO CRUCIFICADO

Originalmente, a cruz no era coisa boa de se ver, no. Era algo extremamente desagradvel ver um crucificado; era vergonhoso, e do qual no se falava (cf. Gl 3.13; 
Dt 21.33). Ningum mencionava ter tido um parente crucificado.  como hoje que ningum se alegraria em dizer que teve um parente que foi ladro de cavalos. 

Ccero at disse: "(a cruz)  o mais cruel e chocante dos castigos". Era difcil acreditar que o Messias to aguardado deveria morrer. E mais escandaloso, ainda, 
morrer de modo to hediondo, terrvel, na cruz (cf. Gl 5.11; 1Co 1.23). 
No entanto, o que Jesus tocava, transfigurava. Tocava no doente, ficava so! A palavra de Jesus transformava corpos deformados, desfigurados pela hansenase em pessoas 
limpas, puras, dignas de entrar Templo. Porque o leproso, o hemorrgico, a mulher nos seus dias, nem pensar em entrar no Templo, mas Jesus transformava todos eles, 
e dava acesso livre. Por ocasio da Ceia Memorial, no po, vemos o corpo de Cristo; no clice, o sangue. No que o seja, mas vemos a representao desse sangue purificador, 
pois na cruz vergonhosa, vemos a Sua glria (cf. Gl 6.14; 1Pe 4.11).

Se estamos falando em termos de glria, por que um Cristo crucificado? Algum vai dizer, "No sei, no, Pastor; por que um Cristo crucificado?" Outra pessoa vai 
dizer, "Foi um acontecimento isolado na histria, que hoje no tem muito significado; ele poderia ter morrido na cama ou na cadeira-de-balano". No h quem ensine 
que Jesus morreu na ndia, ou no Tibete? Algum mais dir que foi o modo que Deus usou para derrotar o mal no mundo. Outro vai dizer que foi conseqncia do amor 
de Deus Jesus ter morrido na cruz".

Porm, pregar a Cristo no  pregar acerca de Jesus Cristo. No  filosofar acerca de Jesus; nem teologizar acerca de Jesus, conquanto seja bom fazer teologia. No 
 saber tudo sobre Sua vida, Seu nascimento, Seu ministrio, sobre Sua paixo, porque mesmo assim, conhecendo toda a biografia e as idias de Jesus, no se conhece 
a Jesus Cristo. No  pregar doutrinas, credos ou dogmas, em vez de crer na Pessoa de Jesus Cristo. No  seguir os cultos, rituais e celebraes da Igreja Crist, 
porque nada, nem ningum pode substituir o Cristo vivo que est no seu e no meu corao!

No h pregao do evangelho sem a palavra da cruz. Na verdade,  proclamar a cruz que faz a pregao ser evanglica. A Bblia diz que a palavra de Deus  a palavra 
da cruz (2Co 2.17). E  o que Paulo fazia quando diz, "Porque nada me propus saber entre vs, seno a Jesus Cristo, e este crucificado" (1Co 2.2). Esse  o Cristo 
que interessa a Paulo: o que foi ao Calvrio, que do Calvrio foi para o tmulo, e que do tmulo saiu vitorioso, e essa pregao do Cristo crucificado  escndalo, 
pedra de tropeo como que no meio do caminho que tem que ser dinamitada!  pedra de escndalo para judeus, e loucura para os outros. Mas eram as boas novas, o evangelho, 
o instrumento do poder de Deus para aqueles que crem, Paulo o diz.

"ESCNDALO" E "LOUCURA" (1Co 1.23)

Um homem crucificado  um terrvel constrangimento. Nunca vi um homem crucificado, a no ser num jornal da TV que apresentava nas Filipinas, onde h uma tradio 
de homens se deixarem crucificar, na Semana da Paixo, como penitncia, mas depois de um tempinho, a pessoa  retirada, pe um curativo, e pronto.  como quem 
machuca a mo, enfaixa-a, e, depois de quinze dias, est curado.

Ningum queria olhar duas vezes um homem crucificado, ou enforcado numa rvore. Vi a foto de um homem enforcado por vingana. Sabem como o crucificado estaria? Vemos 
belssimas obras de arte nos crucifixos onde h um corpo muito bem talhado imaginando representar Jesus Cristo. Sabem como  a descrio de um homem morto na cruz, 
depois de ter passado, como Jesus passou, quase todo o dia exposto s moscas, ao tempo, ao vento,  poeira, o sangue sendo derramado? Ele estaria cheio de equimoses, 
de marcas, de hematomas; a lngua estaria inchada, e o crucificado morreria por asfixia por no poder abrir os pulmes. O sangue, o suor, as moscas, eram coisas 
que os judeus no podiam admitir, razo porque seria um escndalo para eles dizer que o Messias esperado estava na cruz! 

Ora, se o Messias deveria ser um guerreiro, vitorioso, como os Macabeus, para expulsar os romanos da terra de Israel, como estaria ele na cruz? Escndalo! Tremendo 
escndalo! Completa impossibilidade! Queriam um Messias poltico, e aguardavam os sinais desse Messias. A propsito, a palavra traduzida como "pedem"  a palavra 
"exigem". Eles "exigem" sinais, "tem que mostrar a comprovao com firma reconhecida no cartrio com duas testemunhas!" Era isso o que queriam, e assim se recusavam 
a crer em Jesus.

E para os gregos? Para eles, a coisa mais ridcula que se poderia imaginar, era dizer que o Cristo estava na cruz. Se um homem no poderia se salvar, como poderia 
salvar os outros? Era uma insensatez, uma loucura, diziam eles. Talvez aceitassem Scrates glorificado, ou um Plato, um Aristteles em glria. Esses, sim, seriam 
os melhores Messias possveis: eram filsofos, pensadores, homens de qualidades, pensariam os gregos. No vamos esquecer que eram eles reputados como a inteligncia 
daquela poca; eram orgulhosos no de suas construes como os egpcios, mas de suas realizaes no campo da filosofia, de sua intelectualidade. E riram da pregao 
de um Salvador crucificado e ressurreto, porque a idia que tinham da crucificao do Filho de Deus pudesse trazer salvao eterna, era coisa que um grego orgulhoso 
no podia aceitar. 

Paulo chegou  orgulhosa cidade de Atenas anunciando Cristo e a ressurreio. "Ressurreio" na lngua grega  de onde vem o nome prprio Anastcia. Talvez, naquele 
dia em Atenas, estivessem pensando que Jesus viria com a esposa chamada Anastcia, porque, diz a Bblia, quando ouviram Paulo falar em Jesus e na ressurreio (anstasis), 
riram. Loucura completa para os gregos! E a Paulo pergunta, "Onde est o sbio? Onde o escriba? Onde o questionador deste sculo? Porventura no tornou Deus louca 
a sabedoria deste mundo? Visto como na sabedoria de Deus o mundo pela sua sabedoria no conheceu a Deus, aprouve a Deus salvar pela loucura da pregao aos que crem" 
(1Co 1.20,21).

Porque o evangelho no  uma mensagem a respeito do poder de Deus:  o poder de Deus; a cruz no  escndalo:  poder,  energia, e assim est na histria e na f 
crists ao longo dos tempos.

Pregar a Cristo crucificado  estar envolvido com Ele. Paulo no o diz? "No pregamos a ns mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor" (2Co 4.5). A igreja que se centraliza 
no Cristo crucificado s pode ser uma igreja missionria. Levar a cruz a srio significa levar o mundo tambm a srio, e, igualmente, o nosso prximo por quem Jesus 
morreu. E deste modo, o Cristo crucificado, objeto e centro da nossa pregao vai trazer uma nova orientao, e novas motivaes, e novas disposies, e novas atitudes, 
e novos horizontes, e novos alvos para nossa vida. Pregando a Cristo crucificado, anunciamos a reconciliao de todas as coisas com Deus porque em Cristo tudo  
resolvido pelo Pai (cf. Cl 1.20).

Proclamamos, ento, a soluo para o problema do pecado, a libertao (Rm 6.10,11,14; Gl 3.13a; Cl 2.14), a redeno ((Ef 1.7; Cl 1.12-14; 1Tm 2.5,6), a reconciliao 
(Rm 5.10,11; 2Co 5.18-20). E Paulo, o apstolo, nos adverte com o texto de Glatas 1.6-9, que precisa ser lido e relido muitas vezes, nesta poca quando se anunciam 
evangelhos tantos que no correspondem ao do Cristo na cruz!

Parte XXII
O MANIFESTO DE NAZAR 
 "Chegando [Jesus] a Nazar, onde fora criado, entrou, no dia de sbado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. Foi-lhe entregue o livro do 
profeta Isaas; e abrindo-o, achou o lugar onde estava escrito: O Esprito do Senhor est sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me 
para proclamar libertao aos cativos, e restaurao da vista aos cegos, para por em liberdade os oprimidos, e para proclamar o ano aceitvel do Senhor. E fechando 
o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. Ento comeou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta escritura aos 
vossos ouvidos" (Lc 4.16-21).

A cima est transcrito o que  denominado por alguns de A Plataforma ou O Manifesto de Nazar. Em pouqussimas palavras, est registrado o que Jesus realizaria em 
Seu ministrio. No  verdade que, em poca de eleies, ouvimos as plataformas dos candidatos a posies polticas, e que alguns dos projetos so to mirabolantes 
quanto inacreditveis?

No  o caso de Jesus, o qual, ao apresentar a Sua plataforma, estabeleceu as aes do reino de Deus no mundo. Alis, no Evangelho de Marcos 1.7, 8, encontramos 
Joo Batista, dizendo, "Aps mim vem aquele que  mais forte do que eu, do qual no sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das suas sandlias. Eu, na verdade, 
vos batizei em gua, mas ele vos batizar no Esprito Santo". No verso 15 deste mesmo captulo, diz o Mestre: "O tempo est cumprido, e  chegado o reino de Deus. 
Arrependei-vos, e crede no evangelho". O reino de Deus a est, foi inaugurado quando Jesus Cristo anunciou Sua plataforma na cidade de Nazar, mais precisamente 
nesta leitura do profeta Isaas feita na sinagoga num dia de shabbat.

"O Esprito do Senhor est sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres..."

Nos domnios do evangelho, tudo comea com a uno. Tudo. No fora a uno, e no estaramos realizando qualquer obra para o reino de Deus.

A histria da uno na Bblia Sagrada  antiga. Nos relatos histricos de Israel, encontramos que eram ungidos sacerdotes, reis e profetas. A primeira pessoa a ser 
ungida em Israel foi um sacerdote, Aaro. Em Levtico 8, encontra-se a narrativa da cerimnia de sua uno como Sumo-sacerdote (Cohen haGadol) e de seus filhos como 
sacerdotes (cohanim).  um ritual muito simblico, por isso tocante, bonito e cheio de ricas lies.

A uno acontecia quando o leo (artesanalmente preparado com azeite de oliva misturado com especiarias, madeiras perfumadas, essncias, de modo, portanto, especial 
e exclusivo para utilizao no Templo) era derramado sobre a cabea do que seria ungido. Deste modo, era utilizado na consagrao dos sacerdotes, dos profetas e 
dos reis. O Salmo 133 registra que a comunho dos fiis " como o leo precioso sobre a cabea, que desce sobre a barba... de Aro, e que desce  orla das suas vestes" 
(v. 2).

Esse simbolismo do Antigo Israel vai encontrar uma forma mais efetiva na Nova Aliana: j no  com leo, concreto, portanto. Alis, o que ocorre na Antiga Aliana 
sempre aponta para o que acontecer no Novo Pacto. Cada festividade de Israel  uma sombra do que est previsto na Nova Aliana. O leo  smbolo do Esprito Santo 
um dia derramado sobre a nascente Igreja, o Esprito que unge a Igreja, o Esprito que num dia de Pentecostes foi derramado sobre a Igreja (At 2.1ss).

Merece uma palavrinha o significado de "pobre" na Bblia. O sentido mais amplo  o desvalido, o desprovido de recursos. A Teologia da Libertao explorou bastante 
este tema, e at utilizou a palavra hebraica, anawim, para designar aqueles que no tm absolutamente coisa alguma. Um modo pejorativo de designar o pobre no antigo 
Israel era cham-lo de "gente da terra"(am haaretz), gente comparvel a p: sem a nobreza do diamante nem de metais ou pedras preciosas, apenas p. Essa  uma primeira 
idia.

No entanto, o conceito se amplia, e no dizer de Jesus, o pobre, o "humilde de esprito", no  aquele pobre coitado que no tem muitas luzes.  o que reconhece a 
sua indigncia espiritual e sente que precisa de Deus, dos tesouros de Deus, e quer a Sua bno, e deseja se alimentar com esse banquete da parte de Deus. Isso 
significa que "o Esprito me ungiu [diz o Senhor] para evangelizar aquele que se sente necessitado da graa, da misericrdia, da presena, da manifestao graciosa 
e amorosa de Deus".

"... enviou-me para proclamar libertao aos cativos..."

Ele foi enviado com a finalidade de proclamar liberdade aos cativos. Realmente, depois da uno, tudo prossegue com o envio. Isso ocorre na vida da igreja, mas tambm 
na vida individual, na sua vida. No dia em que voc, meu irmo, minha irm, recebeu a Cristo como seu Salvador, voc foi ungido. O Esprito foi derramado sobre voc, 
razo porque em Joo est dito com clareza que precisamos "nascer da gua e do Esprito" (cf. 3.5). A Primeira Carta de Joo nos assegura que a uno que dEle temos 
nos ensina todas as coisas, e  verdadeira (2.27). E agora temos que ir, prosseguir. E nesse pro-seguimento temos que proclamar a libertao aos aprisionados pelo 
Maligno. Observe que "cativos" est em paralelo a "pobres". "Pobre"  o indigente espiritual, "cativo"  o que no tem como se libertar das algemas espirituais. 

Enviar na lngua dos Evangelhos  apostoleo,  o verbo "apostolar". Isso significa que voc  um apstolo. Quem no tem o que fazer, inventa novidade: h pessoas 
que vo inchando em megalomania, no entendo bem como nem porque, em lugar de ficarem mais humildes. Na realidade, devemos perguntar ao Senhor o que foi Ele viu 
em ns para nos chamar para essa santa tarefa. A autocrtica nos leva a sentir que tudo vai depender da graa de Deus, da Sua misericrdia da qual tanto e continuamente 
dependemos.

Talvez a resposta esteja na falta de compreenso do sentido das palavras para os primeiros ouvintes ou primeiros leitores (o que se chama exegese), ou o sentido 
das palavras hoje (a hermenutica). Por no compreenderem estas duas cincias de apoio  pesquisa bblica, h quem distinga bispo de pastor. Ensina a Palavra de 
Deus que  a mesma pessoa, mas h quem julgue que bispo  hierarquicamente superior a pastor. Uma jovem veio ao meu gabinete. Na conversa, perguntei-lhe de que igreja 
era membro. Respondeu que era da Igreja X.

- "Ah! A do pastor Fulano?"
- "Pastor, no: bispo..."
- "Ah, sim,  verdade! Tambm sou bispo."
- "O senhor  bispo? No sabia..."
- "Sim; nunca lhe ensinaram que todo pastor de igreja  bispo?"
- "No..."
- "Pois olhe aqui..."

E abri em Atos 20.17 em diante, texto clarssimo sobre o assunto, e que registra as trs palavras (presbtero, bispo e pastor) colocadas juntas. Relata o texto que 
Paulo chegou a Mileto e mandou chamar os presbteros da igreja de feso (v. 17). Ao chegarem, faz uma exortao aos ministros presentes e diz, "Olhai por vs, e 
por todo o rebanho sobre o qual o Esprito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu prprio sangue" (v. 28). 
J d para perceber que presbtero e bispo so funes da mesma pessoa. E mais: bispo e pastor, assim como o mencionado presbtero, so funes diferentes do mesmo 
vocacionado: os presbteros foram chamados e Paulo os chama de bispos e pastores.

 Ministro de Deus  pastor (guia) quando est doutrinando, exortando, ensinando.
  bispo (administrador) quando dirige a assemblia da igreja, ou quando assina um contrato em nome da igreja, visto que  uma funo administrativa (bispo < episkopos 
= super + visor, supervisor, superintendente).   presbtero (idoso) quando  procurado para aconselhamento. Nesse momento,  o "ancio", significado correto da 
palavra presbtero. A Igreja  que  apostlica, pois ela  quem  enviada. A Igreja  a irm e o irmo, ns somos os enviados, razo porque o irmo  to apstolo 
quanto os que enchem o peito e se proclamam "Sou o Apstolo Fulano de Tal".
Sim; somos enviados para proclamar libertao. Est em Efsios 4.8 que, "Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens". Jesus o fez: levou a 
escravido algemada para a cruz do Calvrio.

"... restaurao da vista aos cegos..."
 um sinal do reino de Deus. Jesus chegou realizando sinais e milagres (Mt 4.23 24), evidncias, provas de que o reino chegou.

A cegueira est tambm em paralelo com a pobreza e o cativeiro. Est como um fato espiritual.

Em Apocalipse, captulo 3.17, dizia a igreja de Laodicia, "Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta". Mas o Senhor na carta quela comunidade alerta, 
"Mas no sabes que s um coitado, e miservel, e pobre, e cego, e nu".  a palavra de Jesus a uma igreja que tinha cegueira espiritual, e ainda estava cativa de 
tantos defeitos e mazelas. 

"...para por em liberdade os oprimidos..."

Os israelitas da poca de Jesus sabiam o que era ser oprimido porque sempre haviam vivido em opresso. No Egito, apesar de viverem na regio mais rica daquele pais 
(Gshen), estavam opressos. Mais adiante, foram oprimidos pelos povos cananeus, pelos assrios, pelos babilnios, pelos gregos, e na poca do ministrio terreno 
de Jesus, estavam opressos pelos romanos. Sim; eles sabiam o que era opresso.

Ocorre que a Plataforma de Nazar fala da opresso trazida pela malignidade. Em Atos 10.37, 38 est registrado, "Esta palavra, vs bem sabeis, foi proclamada por 
toda a Judia, comeando pela Galilia, depois do batismo que Joo pregou; como Deus ungiu a Jesus de Nazar com o Esprito Santo e com poder; o qual andou fazendo 
o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele".

Ele mesmo, Jesus, foi oprimido. Em Isaas 53.4 h uma palavra sobre a opresso pela qual Jesus passou, "Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, 
e as nossas dores levou sobre si; contudo, ns o consideramos como aflito, ferido de Deus, e oprimido".

"...para proclamar o ano aceitvel do Senhor"

 uma referncia  era messinica. No momento em que Jesus se revelou como o Messias, realizou aes como o Messias, instaurou o reino de Deus, o ano de aceitao 
foi iniciado. Isaas 61 foi o trecho que Jesus leu na sinagoga de Nazar.  nele que se encontra todo o programa de trabalho do ministrio messinico de Jesus, Que 
veio proclamar o ano aceitvel do Senhor.

Plano de trabalho mais abrangente no  possvel; plataforma mais abenoada no se encontra.  a de Jesus, o Cristo de Deus, proclamada h dois mil anos e desde 
ento tem abenoado todos os que do Salvador se aproximam.

Parte XXIV
O VERBO
Texto bsico: Joo 1.1-3,14 
Nos estudos formais de Lingistica, Gramtica e Estilstica, aprendemos que a palavra  um "signo arbitrrio e convencional". Aprendemos que a palavra transmite 
noo e imagem, imagem que nem sempre  bem determinada. Um exemplo  "manga". Se a pergunta for feita a qualquer pessoa, possivelmente trs ou quatro significados 
sero dados. Pode ser "manga de palet, casado, camisa ou blusa", ou a saborosa "fruta anacardicea" que vem da Ilha de Itaparica. Os mais ligados  vida campestre, 
vida de fazenda, diro que  a "passagem cercada onde se guarda o gado". Alm desses trs sentidos, h, pelo menos, mais onze, como "tromba-d'gua", ou "pea tubular 
de vidro que protege a chama no candeeiro", ou, ainda flexo do mangar "mangar" (= "zombar"). 

Porque um signo e uma imagem, achamos graa quando descobrimos que em outra lngua certa palavra semelhante a outra velha conhecida nossa quer dizer outra coisa:
 Push, em ingls  "empurrar, e no "puxar"como parece  primeira vista;
 Late (pronunciado leit') no  o rico alimento lquido e opaco dos filhotes dos mamferos;
 "Estar embarazada" no , em espanhol, estar a jovem numa situao de vexame ou vergonha, mas "estar grvida";
 "Comida esquisita", tambm na lngua de Cervantes,  uma refeio "saborosa".

Um verbo:

 Indica uma ao, uma condio ou um processo ("correr", "sentir" e "amanhecer", respectivamente) respectivamente);
 Pode ser uma palavra ('fazer") ou uma frase ("deve ser feito"),

Mas ser uma pessoa? Esse  o nosso tema.

"NO PRINCPIO ERA O VERBO..." (V.1)

O chamado "Prlogo do Evangelho de Joo" representa um resumo potico de toda a teologia e de toda a narrao evanglica. Mostra um grande ciclo, ou seja, o Filho 
de Deus, Jesus Cristo, desce do cu at o nvel do ser humano, e sobe de volta ao cu levando o homem consigo at o nvel divino. E, assim, com a vinda de Cristo, 
inaugura-se a longamente esperada nova criao tanto do universo (Rm 8.19-21) quanto da humanidade (2Co 5.17). Diz o texto escolhido que "No princpio era o Verbo, 
e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princpio com Deus. Estes versculos, que relembram o incio do Livro do Gnesis, mostram que a Palavra 
(o Verbo), no momento da criao, j existia, por no ser criada: era Deus.

Como a Igreja Primitiva soube colocar to bem esse artigo de f em forma de hino! Aqui temos um antigo hino dos nossos irmos da Igreja Apostlica (como tambm Fp 
2.6-11; Cl 1.15-20 e 1Tm 3.16). Pois, como em Israel antigo os atos salvadores de Deus eram cantados, e exemplos so os Salmos 78, 105, 106, tambm o Novo Israel 
resume a histria sagrada, a histria da salvao, em um hino.

Isso quer dizer que temos no apenas uma reflexo e afirmao teolgicas, mas uma adorao, um ato de celebrao em termos de ao de graas. E, deste modo, esse 
hino de louvor a Deus que ressalta Sua benignidade e salvao, retrocede ao passado, reflete o presente e aponta para a eternidade.

O Verbo de Deus... a Palavra de Deus... Jesus Cristo, a Comunicao de Deus. Sua vinda e Sua vida so interpretadas como o modo de Deus Se comunicar conosco.

Lgos (o vocbulo traduzido por Verbo ou Palavra)  uma das palavras mais ricas da histria religiosa. Era bem entendida pelos judeus porque a palavra (davar em 
hebraico)era vista
 Como uma energia soberana que trazia as coisas  vida (cf. Gn 1.3,6,9,11,14,20,24,26; Sl 33.6,9);
 Tambm como algo que pode queimar como fogo ou quebrar como um martelo (Jr 23.29);
 Como algo que executava os planos de deus (Is 55.11);
 Como uma revelao da Sua vontade (Sl 119).

Para os gregos, a palavra (logos)  um princpio filosfico, e no uma fora pessoal.  mais pensamento que palavra. Herclito, filsofo, disse ser o logos o alicerce 
da ordem e da continuidade num mundo de fluxo e refluxo como a mar alta e a mar baixa. Os esticos disseram que a mente de Deus d ao universo a sua estabilidade, 
e Filo de Alexandria (judeu , por sinal) interpretou como a chave para o sentido e a razo da vida.

A Igreja apostlica, por sua vez, fazia da pregao um "ministrio do Logos", um ministrio do Verbo, um ministrio da Palavra, e o contedo dessa mensagem era o 
prprio Cristo (Lc 1.2; At 1.21,22). Por esse motivo, Jesus  o Verbo da Vida (Ap 19.23),  a Palavra da Vida (1Jo 1.1,2).

Em resumo, o verbo, a Palavra de Deus,  um poder divino, um princpio racional e uma proclamao salvadora. O judeu entende, o grego entende e o cristo entende 
e proclama. A Verso Inglesa de Hoje (Today's English Veersion) assim traduz: "Desde o princpio, quando Deus era, o Verbo tambm era; onde deus Deus estava, o Verbo 
estava com ele; o que Deus era, o Verbo era tambm".

E da as lies, no uma Teoria Geral da Comunicao, como em Watzlawski, mas uma Teologia da Comunicao Divina. O Verbo sempre foi uma realidade, pois "no princpio" 
da prpria criao do mundo, das coisas, dos seres, o Verbo j era Deus.

Por natureza eterna, Deus Se comunica. Ou seja, os dolos so mudos (1Rs 18.26-29; Sl 115.3-8; Hc 2.18,19; 1Co 12.2), mas Deus sempre teve uma palavra. Assim, nos 
profetas (Jr 4.3; 6.16; Ez 14.12; Os 4.1), e por fim em Jesus Cristo (Hb 1.1,2)

"O VERBO SE FEZ CARNE" (V.14)

O prlogo do Evangelho de Joo vai crescendo, crescendo como uma sinfonia sublime, maravilhosa, majestosa, e atinge seu clmax, transborda de significado, e como 
uma cachoeira irrompe no versculo 14. 

Toda a histria do Verbo de Deus antes da encarnao fora apresentada: Sua essncia, Sua eternidade, Sua divindade, Sua funo criadora. E agora, diz o evangelista, 
"O Verbo se fez carne, e habitou entre ns. Vimos a sua glria, a glria como do unignito do Pai, cheio de graa e de verdade", ou como j foi colocado, "O Verbo 
se tornou carne, armou sua tenda no nosso meio, e nos presenteou a plenitude da vida divina 
(vida eterna)".

O Verbo veio a fim de ser uma ponte, a fim de aproximar Deus dos seres humanos, e as pessoas de Deus. Em Jesus Cristo, Deus pronunciou Sua Palavra final e para todo 
o tempo e eternidade.

Sim; Jesus fez-Se ser humano, vestiu a nossa pele, tornou-Se como ns, em tudo menos em pecado (Fp 2.6,7; Hb 4.15). E da as lies:
 O Verbo de Deus Se tornou ser humano para destruir as foras do mal (quando de Sua morte, Hb 2.14);
 O Verbo assumiu nossa natureza para que pudssemos assumir a Sua natureza (Fp 2.7; Cl 2.9,10);
 O Verbo de Deus participou de nossa misria, para que pudssemos participar de Sua plenitude (Ef 1.23; 3.19);
 O verbo andou em nossas trevas para que pudssemos andar em Sua luz (Jo 1.9; Cl 1.13);
 E experimentou nossa fraqueza, para que pudssemos experimentar e participar da Sua vida, a vida em abundncia (Rm 8.3; Hb 2.9)

Jesus como Verbo de Deus  o poder de Deus, a sabedoria de Deus, o evangelho de Deus (1Co 1.23,24). O Verbo se fez carne para a salvao do que cr (1Tm 1.15; Jo 
3.17; Lc 19.10; Gl 4.5). A encarnao do Verbo  sinal do imenso amor de Deus por ns (1Jo 4.9,10,19; Rm 5.6).

Por todas essas razes, temos em Joo 1.1,2, e, sobretudo, no verso 14, o ponto essencial sobre a unidade da criao, da revelao e da redeno em Cristo. Aquele 
que cria pela Palavra tambm Se revela e salva pela mesma Palavra.

Parte XXV
QUANDO CRISTO CAMINHA CONOSCO
Lucas 24. 13-35 
Penso que para vocs que esto se formando, este momento  apenas o fim de uma etapa mas no  o fim da caminhada. H um longo caminho a ser percorrido, ainda, at 
que vocs alcancem os objetivos que vocs estabeleceram para suas vidas. Que planos tm sido traados? Que metas tm sido delineadas para alcanar os alvos que vocs 
elaboraram para suas vidas? Quero, nesta noite, falar de uma dimenso que no pode ser relegada a um lugar secundrio nos planos que vocs fizeram.

Creio, que a grande maioria dos que esto aqui, neste culto, o fazem em virtude de que tm uma f e querem, conseqentemente agradecer a Deus porque acreditam que 
a vida no se resume apenas quilo que  matria, quilo que  palpvel, quilo que  tangvel, imanente. Mas sei que a maioria de vocs cr que existe uma realidade 
espiritual, uma realidade que transcende aquilo que pode ser medido, calculado, mensurado. Que no pode ser provado em laboratrio, mas que nem por isso  menos 
real e passvel de ser experienciado e vivido pelo ser humano.

Foi pela influncia do iluminismo que muitos desenvolveram uma f inamovvel de que o progresso da cincia iria continuamente aperfeioar o ser humano at que o 
mal fosse completamente erradicado da face da terra. E Foi o existencialismo niilista que tentou jogar a ltima p de terra na crena em um Deus pessoal e que se 
interessa pelos destinos dos homens, principalmente, nos crculos intelectuais. Com isso, a confiana do homem foi transferida para o conhecimento, a cincia, a 
tecnologia, na expectativa de que estes viessem gestar uma sociedade melhor e varrer todos os resqucios na humanidade da religio e da f que j no fariam sentido 
em um mundo tecnolgico. Alguns telogos, influenciados por Niestche, chegaram at a desenvolver uma "Teologia da Morte de Deus". Contudo, as 2 grandes guerras acontecidas 
neste sculo que passou, bem como outras inmeras guerras espalhadas por toda a terra vieram abalar definitivamente essa f pueril na bondade inata do homem, pois, 
at mesmo algumas das grandes descobertas desse sculo criadas para benefcio da humanidade se converteram em instrumento de morte como foi o caso do avio.

Percebe-se que hoje, ao final de um sculo e milnio a f no foi banida do corao do homem, mas que o homem mais do que nunca tem buscado algo ou algum que transcenda 
a si mesmo e a este mundo em que vive.

A verdade  que o corao do homem tem dentro de si mesmo um vazio do tamanho de Deus e que s pode ser preenchido por ele mesmo. Como, apropriadamente, disse Santo 
Agostinho, fomos criados para Deus, por isso s n'Ele a nossa alma encontra descanso. Ou, na expresso do autor do livro de Eclesiastes: Deus, ps a eternidade em 
nossos coraes

O texto que lemos ainda h pouco, nos conta a histria de dois discpulos que esto voltando de Jerusalm, aps a morte de Cristo, embora tenham ouvido relatos de 
que Ele havia ressuscitado, contudo no haviam acreditado. Agora, esto indo em direo a Emas. Jerusalm, palco dos principais acontecimentos da histria da humanidade, 
fica para trs. Para eles, todos os sonhos foram abortados, as esperanas sepultadas em seus coraes. Caminhavam tristes, cabisbaixos, Jesus se aproxima e comea 
a caminhar com eles e eles nem percebem. Quero, nesta noite, desafia-lo a incluir Jesus Cristo nos seus planos de vida e mostrar os benefcios que isso traro a 
sua vida.

1. Andar com Jesus move as nossas esperanas da terra para o cu, do temporal para o eterno, da morte para a ressurreio. 

Aqueles discpulos tinham certas esperanas; mas no tinham a esperana certa. Certa, tanto no sentido de direo; quanto certa no sentido de garantida. Depois de 
tantos anos sob o jugo do Imprio Romano, havia entre os judeus a expectativa de um messias libertador que viria e aglutinaria todas as foras do povo judeu para 
que, novamente, Israel fosse Senhor do seu destino. Quando Jesus surge e atrai multides Ele passa a ser o alvo das expectativas desse messias guerreiro e conquistador 
o que fica bem evidente na sua entrada triunfal em Jerusalm. Porm, Jesus frustra aquelas aspiraes. Ele mesmo diz: "O meu reino no  deste mundo." A esperana 
que Jesus anuncia no  de um reino na Palestina, mas, de um Reino Universal, o seu reino no envolveria apenas os judeus, mas pessoas de todas as raas, tribos, 
lnguas e naes. O seu reino no seria poltico, mas espiritual; no seria temporal, mas eterno. Naquele momento em que os discpulos caminhavam abatidos, por causa 
de suas esperanas frustradas, Jesus lhes anuncia uma esperana maior. Eles faz com que eles movam os olhos da terra para o cu; do temporal para o eterno; do corruptvel 
para o incorruptvel. Onde Ele: "lhes enxugar dos olhos toda lgrima, e a morte j no existir, j no haver luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas 
passaram. Apocalipse 21:4 ". Por isso, se na caminhada voc sentir, que as suas esperanas falharam, que os seus sonhos ruram, que os seus planos fracassaram, lembre-se 
que Jesus  a esperana que no falha;  o amigo que no abandona. 

2. Andar com Jesus traz uma nova compreenso das Escrituras. 

No que diz respeito ao seu sentido como ao seu calor.  preciso andar com Jesus para que Ele possa remover dos nossos olhos a poeira das impresses erradas sobre 
Ele construda ao longo dos anos. Foi preciso que Jesus mostrasse nas Escrituras o que havia sido predito sobre Ele. Os discpulos no entendiam, eles esperavam 
que Jesus formasse um exrcito e destronasse os romanos do poder na Palestina e que paulatinamente fosse dominando outras naes. Eles queriam um Rei que conquistasse 
pela fora das armas, mas o poder de Jesus vinha do amor. Eles queriam um reino temporal e geogrfico, mas o reino de Jesus  espiritual e eterno. O que  governar 
a Palestina para aquele que governa o universo. O que  vencer Herodes e Pilatos para aquele que triunfou sobre os principados e potestades, sobre os poderes espirituais 
das trevas. Os discpulos no entendiam. Muitos de ns no entendemos hoje.

Precisamos andar com Jesus e deixar que  semelhana do que fez com os discpulos no caminho de Emas nos v revelando a sua face que j est delineada nas Escrituras. 
Mas, alm de desvelar para ns a sua face nas Escrituras, Jesus faz com que as Escrituras faam o nosso corao arder. Ele faz com a Bblia deixe de ser mera letra 
para se tornar fogo e paixo em nossos coraes.

Por isso, se um dia na caminhada, a sua f desvanecer, se voc se sentir vazio e triste, se nada mais fizer sentido; Jesus tem o sentido para a vida.  ele, quem 
atravs do Esprito Santo retira da Bblia a poeira de sculos de histria para faze-la atual como o jornal do dia e mais fascinante e bela do que qualquer outra 
obra literria.

3. Andar com Jesus produz uma nova compreenso do que seja poder e xito.

O poder de Jesus no  o das armas, mas o da doao, da entrega. Jesus no vence matando, destruindo, mas morrendo e se entregando. Em uma sociedade competitiva 
em que o outro  visto como um adversrio a ser superado para que eu possa subir, Jesus nos ensina o poder do servio, da entrega, da doao, da vitria do amor 
sobre o dio; do triunfo da f sobre o desespero. Com certeza, Martin Luther King, sem armas e sem violncia realizou uma conquista maior e mais permanente do que 
Hitler com todo o poderio do exrcito alemo. Porque havia aprendido com Jesus. Jesus consegue triunfar sem freqentar os palcios dos poderosos, sem se curvar ante 
a arrogncia dos fariseus que se julgavam os detentores do conhecimento da verdade, mas vivendo entre os humildes de sua poca. Maria, no Magnficat, expressa essa 
verdade quando diz: Agiu com o seu brao valorosamente; dispersou os que, no corao, alimentavam pensamentos soberbos. Derribou do seu trono os poderosos e exaltou 
os humildes. Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos.  por isso, que no sculo que findou o nome de Madre Teresa de Calcut  mais conhecido do que 
o do inventor da bomba atmica.

Por isso, na caminhada ao perceber que o mal se agiganta, que a injustia se enraza em toda a terra, que a mentira se alastra, que a covardia e o medo se tornaram 
lugar comum. Convide Jesus para andar com voc. Ele nos ensina a viver na verdade; Ele nos ensina o sentido da entrega, da doao, do amor. Ele nos faz intimoratos 
na denncia do mal, no combate a injustia, na luta pela verdade. Ele j percorreu esse caminho e o venceu. 

4. Andar com Jesus muda o rumo das nossas vidas.

J no queremos mais ficar em Emas, mas voltar para Jerusalm. J era noite, Jerusalm ficava a 13 km de distncia de Emas. O caminho era escuro; havia perigo 
de feras e de salteadores; eles estavam cansados pois haviam acabado de chegar. Mas, a presena de Jesus lhe infunde um novo nimo que os faz voltar para Jerusalm. 
S a presena do Crito ressurreto, transforma a noite em dia; as trevas em luz; a morte em vida. S Ele restaura a esperana, restabelece a f, reacendo os nossos 
sonhos e anelos mais profundos do corao.

Por isso, se na caminhada, em algum momento, voc se vir tentado desistir, a se dar por vencido e o desnimo quiser afogar os seus anseios, diga: Jesus, fica comigo, 
 tarde o dia j declina, o sol est se pondo e a sombra da noite est caindo sobre o meu corao; a minha esperana fenece e os ltimos resduos de minha esperana 
esto sendo varridos pelo vento que sopra ao cair da tarde; fica comigo Jesus.

Quando vier a tempestade e o barco da tua vida estiver  merc das ondas que te infundem pavor e medo, quando o vento estiver encapelado, diga: fica no barco Jesus, 
porque as ondas e os ventos lhe obedecem.

Quando as tuas esperanas estiverem soterradas pelas circunstncias da vida diga: Jesus remove os escombros, caminha comigo restaura a minha f, tu s o arrimo da 
minha sorte. Todos os dias, convide Jesus para andar com voc.

Jesus  mais precioso que todas as riquezas, mais sublime, mais belo, mais desejvel do que todo o ouro, todo poder, toda glria toda fama.

Doce nome Jesus, doce esperana, Jesus est dizendo que  doura, Em Jesus todo o acerto se assegura, Logra-se, com Jesus, toda a bonana.

Quem em Jesus seu corao descansa Ricos afetos em Jesus se apura E fora de Jesus nada procura Que em Jesus tudo espera, e tudo alcana.

Jesus por Redentor se vos convida, Jesus  Salvador na sacra histria, E nossa culpa tem Jesus remida:

E tendo Jesus sempre a memria Jesus  tbua, em que se salva a vida, Jesus  porto, em que se chega a glria.

(Ao Nome de Jesus - Repetido em todos os versos. Manuel Botelho de Oliveira)

Parte XXVI
QUANDO O CRENTE SE CONVERTE 
Disse Jesus: Simo, Simo, eis que Satans vos pediu para vos cirandar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua f no desfalea; e tu, quando te converteres, 
fortalece teus irmos". (Lc 22.31, 32)
Uma vida espiritual plena, feliz, ativa tem seu incio quando se estabelece um relacionamento de dependncia, de f, de perdo entre a pessoa humana e Deus. E sua 
manuteno exige que a nossa personalidade seja ajustada  divina, e que demos ao Senhor a posio que Lhe compete em nossa vida. 

O mundo perdido no glorifica a Deus, nem o crente quando se torna mais movido pela carne que pelo Esprito. Igualmente, o crente com outros interesses, que no 
o reino de Deus e sua justia, tambm no glorifica o Pai. E, no entanto, h uma lei espiritual de que todo crente precisa se aperceber.  encontrada em 1Samuel 
2, no final do verso 30, onde diz o Senhor: "Longe de mim tal coisa, porque honrarei aos que me honram, mas os que me desprezam sero desprezados". Lei que naturalmente 
encontra seu eco no Novo Testamento, na palavra de Jesus Cristo em Joo 12.26: "Se algum me quiser servir, siga-me; e onde eu estiver, ali estar tambm o meu servo; 
se algum me servir, o Pai o honrar". 

 nesse ponto que Jesus fala a Pedro, e a ns tambm, esta expresso: "Tu, quando te converteres, fortalece teus irmos". Isso quer dizer que a converso do j crente 
 o seu despertamento, o seu reavivamento. E ns at cantamos, como no hino 116 do Cantor Cristo.:

"Vem! Reveste a tua igreja
De poder e luz!
Vem! Atrai os pecadores
Ao Senhor Jesus!

Maravilhas soberanas
Outros povos vem;
Oh ! derrama a mesma bno
Sobre ns tambm!"

Ou no 117 CC:

"Santo Esprito de Deus
Enche de fervor os seus,
Pra cantarem o louvor
De Jesus, o Salvador!

Vem Esprito veraz,
Esta escurido desfaz!
Enche-nos de santa luz,
Guia todos a Jesus!"

Mas o evangelho diz que precisamos de um fogo que queime os nossos velhos vcios, Nossa vida de crentes acomodados, e satisfeitos, e tranqilos, e de um evangelho 
sem arrependimento, sem obedincia, e que despreza e pe de lado a cruz esperando que nada, absolutamente nada nos perturbe e incomode. Precisamos de uma reforma 
que seja radical, aquilo que, repetimos, Jesus Cristo disse: "Tu, quando te converteres fortalece a teus irmos". Ou seja, uma nova dedicao na vida, um novo propsito, 
um novo servio, uma nova postura diante de Cristo, uma nova posio diante de Sua Igreja, e diante do mundo, que  objeto de Seu amor. Ento, faremos uma pergunta:

A QUE(M) DEVE O CRENTE SE CONVERTER?

Precisamos de uma converso  soberania de Deus Pai. Est em Jeremias 24.7: "E dar-lhes-ei corao para que me conheam, que eu sou o Senhor; e eles sero o meu 
povo, e eu serei o seu Deus; pois se voltaro para mim de todo o seu corao". E devemos faz-lo para no incorrermos no que est em Isaas 29.13: "O Senhor disse: 
Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca e com os seus lbios me honra, mas tem afastado para longe de mim o seu corao, e o seu temor para comigo 
consiste em mandamentos de homens, aprendidos de cor." 
A soberania de Deus  a Sua qualidade, o Seu atributo pelo qual domina toda a criao, e o universo e o mundo onde vivemos, e a Histria, e a Igreja de nosso Senhor 
Jesus Cristo! Sendo soberano, Deus  onisciente,  onipotente,  onividente, Deus  livre; sendo livre, e onividente, e onipotente e onisciente, Deus  soberano. 
 a essa soberania que devemos nos render. 

Porque Deus  soberano, no podemos querer e reinvidicar escolhas que fazemos sem consult-Lo, e no pode haver regenerao espiritual, se no houver uma reforma 
moral da parte daquele que se submete ao chamado do Senhor. Mas voc, meu irmo, querida irm, pode escolher no se submeter, no se converter  soberania de Deus. 
No entanto, tambm no receber bnos, no ser uma bno, e no sentir a alegria de ser obediente.

 preciso converter-se aos planos de Jesus Cristo. O conceito fundamental da vida crist e mudana de mentalidade que os tradutores da Escritura Sagrada preferiram 
traduzir como arrependimento. A palavra na lngua grega  metania, que quer dizer "mudana de mente, modificao da mentalidade". Receber a Cristo como Salvador 
significa colocar-se ao lado da pessoa de Cristo de modo nico na experincia humana, e de maneira exclusiva porque Jesus Cristo no aceita ser dividido com ningum, 
ou com coisa alguma. 

Significa ser como Ele, Jesus, . Em 1Joo 4, final do verso 17 est dito, "porque, qual ele , somos tambm ns neste mundo". Quer dizer que os Seus amigos so 
os nossos amigos, Seus inimigos so os nossos inimigos, e os seus caminhos so os nossos caminhos, e a Sua vida  a nossa vida, e a Sua cruz, a nossa cruz. 

O crente em Jesus Cristo  uma pessoa marcada. Marcada por essa cruz, marcada pelas dores, marcada pelas bnos, e pelo cu, e pela alegria, porque ningum se rende 
ao senhorio de Cristo e ao Seu plano e permanece indiferente.

 preciso que o irmo se converta  operao do Esprito Santo. Lemos em Provrbios 1.23: "Convertei-vos pela minha repreenso; eis que derramarei sobre vs o meu 
Esprito e vos farei saber as minhas palavras".  uma palavra decisiva e incisiva. A tarefa primeira do Esprito Santo de Deus  restaurar a ntima comunho da pessoa 
perdida com Deus, levando-a a Jesus Cristo, o Salvador. "E quando ele vier, convencer o mundo do pecado, da justia e do juzo" ( Jo 16.8). E, deste modo, realizando 
uma obra de energizao do crente, ou seja, o Esprito Santo nos d a energia espiritual para o quebrantamento, e para a submisso, e para a converso  vontade 
de Deus, e aos planos e senhorio de Jesus Cristo. 

O problema  o crente continuar a viver como era antes, e ele se diz crente, mas continua o mesmo do passado. Aps se dizer convertido, precisa se reaquecer, reavivar-se, 
reanimar-se, novamente converter-se para fortalecer os seus irmos, lembrando-se que a lei bblica  que um pecador no pode entrar no reino de Deus (cf. Jo 3.3,5; 
1Co 6.9, 10; Gl 5. 19-21; Ef 5.5; 1Pe 1.22,23; Ap 21.27; 22.15). E permitir que o Esprito Santo opere na vida  seguir uma lei espiritual tambm, a que diz "Enchei-vos 
do Esprito" (Ef 5. 18b). 

Evangelho sem o Esprito Santo  a inteno de Satans, e j basta de tanto evangelho sem o Esprito, porque Satans deseja uma Igreja sem vida, sem os rios de gua 
viva (Jo 7.38; Is 44.3), e fria sem o calor, o aquecimento do Esprito de Deus (Mt 3.11; At2.3,4). E sem direo, sem a coluna de fogo nas horas escuras como o povo 
de Israel no deserto experimentou. Assim, sem o Esprito Santo, estaremos no deserto sem orientao, sem objetivo, sem alvo e sem ponto de chegada. 

Mas a igreja, qualquer igreja, ter esses rios de gua viva, esse fogo, essa luz quando estiver cheia, plena do Esprito, sob o controle do Esprito na vida dos 
crentes individuais. E, permitindo que o Esprito opere, estaremos preparados para resistir  tentao, para obedecer  Palavra de Deus, para compreender a verdade, 
e, sobretudo, para viver de vitria em vitria!

O CRENTE SE CONVERTE E SE FORTALECE

Para que o crente se converte e se fortalece?  um fato sistmico: a converso leva o crente ao fortalecimento, e o seu fortalecimento leva a fortalecer os outros 
irmos.  o que Jesus ensina (Lc 22.32), e  o que aprendemos em toda a Bblia. Porque est na palavra proftica de Isaas 35, "Fortalecei as mos fracas, e firmai 
os joelhos trementes. Dizei aos turbados de corao: Sede fortes, no temais; eis o vosso Deus! com vingana vir, sim com a recompensa de Deus; ele vir, e vos 
salvar" (vv. 3,4). Ou no Novo Testamento: "Portanto, levantai as mos cansadas, e os joelhos vacilantes, e fazei veredas direitas para os vossos ps, para que o 
que  manco no se desvie, antes seja curado" (Hb 12. 12, 13). 

E acontece tambm essa converso e fortalecimento para que haja esperana (Os 12.6). Para que seja demonstrada a vontade de Deus em nossa vida (1Co 4.20). E o crente 
se fortalece para pregar, para proclamar, para anunciar o amor de Deus, Sua graa, Sua misericrdia nos termos da Segunda Carta a Timteo 4.17: "Mas o Senhor esteve 
ao meu lado e me fortaleceu, para que por mim fosse cumprida a pregao, e a ouvissem todos os gentios; e fiquei livre da boca do leo". 

Sim, somos salvos para Cristo; fomos salvos para ter autoridade espiritual e moral (Gl 6.1), e no esqueamos que somos salvos de uma posio, isto , do sistema 
deste mundo, da lama, do mal, do pecado, da ira vindoura, somos salvos de para alguma coisa, para uma finalidade. Voltemos a Escritura que nos fundamenta: "Porque 
eles mesmos anunciam de ns qual a entrada que tivemos entre vs, e como vos convertestes dos dolos a Deus, para servirdes ao Deus vivo e verdadeiro, e esperardes 
dos cus a seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira vindoura" (1Ts 1. 9.10). 

Sim; salvos para Cristo, e para ter comunho, e para servir a Deus. Somos salvos para ter essa autoridade espiritual de que fala a Escritura: "Exortamos-vos tambm, 
irmos, a que admoesteis os insubordinados, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longnimos para com todos" (1Ts 5.14). 

No  fcil nem simples corrigir o errado. Por isso  preciso estar preparado: "Irmos, se um homem chegar a ser surpreendido em algum delito, vs que sois espirituais 
corrigi o tal com esprito de mansido; e olha por ti mesmo, para que tambm tu no sejas tentado" (Gl 6.1). Repitamos: no  fcil corrigir quem erra. Para consolar 
o aflito,  preciso repassar a consolao que se recebeu de Deus, como Paulo mesmo afirma: "Grande  a minha franqueza para convosco, e muito me glorio a respeito 
de vs; estou cheio de consolao, transbordo de gozo em todas as nossas tribulaes" (2Co 7.4). E  muito triste, muito pesado, extremamente pesado quando algum 
precisa de consolao e os consoladores no aparecem, como o Salmo 69. 20 diz: "Afrontas quebrantaram-me o corao, e estou debilitado. Esperei por algum que tivesse 
compaixo, mas no houve nenhum; e por consoladores, mas no os achei". Temos que sofrer com pacincia as fraquezas do irmo e ajudar o que duvida, pois a f recolocada, 
o crente novamente convertido reconduz o irmo desviado  f.

O crente em Jesus Cristo h de ser um exemplo de energia, e estmulo para isso  o que no falta na Escritura Sagrada. Est no livro do profeta Joel: "diga o fraco: 
Eu sou forte" (3.10b). E, voltando ao Novo Testamento, em Romanos 15.1, Paulo nos passa: "Ora ns, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e 
no agradar a ns mesmos". 

Poder. Um sentido de poder  como algum definiu muito claramente: " a capacidade para fazer".  o que Deus nos d, e  o que Ele quer fazer na Igreja, e  o que 
Ele coloca nos coraes dos crentes.  exatamente o que Deus deseja fazer: energizar! Mas no esse poder que nem se sabe o que . 

H quem o pea sem saber para qu, e nem mesmo o que , pois  algo meio enfumaado na cabea, sem que se compreenda direito o que significa. E verificamos na Escritura 
que quem fortalece  Deus; o poder no vem de mim mesmo como vem pregando a Nova Era que a pessoa tem todo esse poder dentro de si e  s extra-lo. Diz a Bblia 
que quem fortalece  o Senhor: "E o Deus de toda a graa, que em Cristo vos chamou  sua eterna glria, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos h 
de aperfeioar, confirmar e fortalecer" (1Pe 5.10). A Bblia diz tambm que  o prprio evangelho de Jesus Cristo que fortalece nos termos de Romanos 1: "Porque 
no me envergonho do evangelho, pois  o poder de Deus para salvao de todo aquele que cr; primeiro do judeu, e tambm do grego. Porque no evangelho  revelada, 
de f em f, a justia de Deus, como est escrito: Mas o justo viver da f" (vv. 16, 17).

Pois ; estamos cercados por todo um reino espiritual. No se assustem no: h muita pregao que s enfatiza o maligno. Mas quero lembrar aos irmos que estamos 
cercados tambm por um abenoado e divino reino espiritual,  Deus mesmo que est ao nosso lado. A Bblia no diz: "O anjo do Senhor se acampa ao redor daqueles 
que amam a Deus"? O Senhor est ao nosso lado. Estamos cercados por esse reino espiritual, os anjos do Senhor que nos ajudam porque so espritos ministradores (Hb 
1.14) . Sim, Paulo quando prega em Atenas, e est registrado em Atos 17.28, tambm afirma: "Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como tambm alguns dos 
vosso poetas disseram: Pois dele tambm somos gerao". Portanto, estamos rodeados por um reino espiritual, mas tudo  uma questo de freqncia, de estar ligado 
no canal certo. 

O jornal h alguns anos noticiou um escndalo tomou conta do pas. Uma autoridade pblica emitiu uma opinio particular em off, mas as antenas parablicas estavam 
ligadas naquela freqncia. E todo o Brasil ouviu o que disse o ministro porque as antenas estavam ligadas naquela freqncia. E se perde de ouvir a Deus por no 
se estar antenado espiritualmente nEle! Deixamos de estar ligados na freqncia do Senhor, e ficamos recebendo tantas outras transmisses. mas no sintonizamos o 
Pai, nem o Filho, e no entramos em sintonia com o Esprito Santo. Pois o Seu poder no  algo que Ele tem, mas o que Deus . E perdemos a energia porque nem sempre 
queremos caminhar com o Senhor.

"Tu quando te converteres, fortalece a teus irmos". Essa foi a exortao que o Senhor fez a Pedro. E que faz a ns tambm. Que o Senhor nos ajude a que vivamos 
o evangelho pleno, total, sem reservas, sem paredes, mas que o evangelho tome conta de nossa vida toda, e de toda nossa vida moral, e emocional, e fsica. Que tudo 
seja entregue de modo absoluto ao Senhor que nos redimiu! Amm.

Parte XXVII
QUEM JESUS FOI REALMENTE? 
O Jesus liberal
Com a queda do racionalismo e o surgimento do existencialismo, alguns estudiosos procuraram entender Jesus  luz da experincia religiosa. Jesus passou a ser visto 
como um homem cujo sentido de dependncia de Deus havia alcanado a plenitude. Esse conceito serviu de base para o desenvolvimento do seu retrato pintado pelos liberais, 
em que Ele era simplesmente um homem divinamente inspirado. 

No sculo passado, os estudiosos, em busca do Jesus histrico, comearam a aceitar a idia do "mito", ou seja, a idia de que os Evangelhos so relatos mitolgicos 
sobre Cristo, lendas piedosas criadas cm torno da figura histrica de Jesus pelos seus discpulos. Assim, firmou-se a idia de que Jesus no ressuscitou fisicamente. 
A ressurreio, na verdade, era a crena dos discpulos na presena espiritual de Jesus.

A essa altura, os prprios estudiosos perceberam que a "busca" no os estava levando a lugar algum. Era fcil destruir o Cristo dos Evangelhos, mas eles no conseguiam 
reconstruir um Jesus histrico que os satisfizesse. As vidas de Jesus reconstrudas pelos pesquisadores diziam mais acerca dos autores do que da pessoa que eles 
tentavam descrever. Os autores olharam no poo profundo da histria em busca de Jesus, e o que viram foi seu prprio reflexo no fundo do poo. Tambm perceberam 
que haviam esquecido ou minimizado um importante aspecto da vida e do ensino de Jesus, que foi o escatolgico-apocalptico, proclamando o aspecto ainda futuro do 
reino de Deus. Essa conscientizao desfechou um golpe fatal na concepo liberal de um reino de Deus que se confundia com uma sociedade tica no mundo presente, 
ou numa experincia espiritual interior, que dominava na poca. 

Alm disso, o estudo crtico dos Evangelhos comeou a afirmar que eles (os Evangelhos) no eram biografias no sentido moderno, mas apresentaes de Jesus altamente 
elaboradas e adaptadas por diferentes alas da comunidade crist nascente. Portanto, era impossvel, achar o verdadeiro Jesus, pois ficara soterrado debaixo da maquiagem 
imposta pela Igreja primitiva. Como conseqncia, alguns comearam a insistir que o centro da f para a Igreja no era o Jesus da histria, mas o Cristo da f, criado 
pela igreja nascente. Portanto, a busca estava baseada num erro (que o Jesus histrico era importante) e era teologicamente sem valor. O nico Jesus em que os estudiosos 
deveriam se interessar era o Cristo da f da igreja, pois foi o nico que influenciou a histria. Alguns, assim, se tornaram absolutamente cpticos quanto  possibilidade 
de se recuperar o Jesus histrico.

Tentando "salvar" a busca, esses estudiosos acabaram por piorar a situao. Quando separamos a f dos fatos histricos, o Cristianismo, despido do seu carter histrico, 
e dos fatos que lhe servem de fundamento, torna-se uma filosofia de vida. Uma f que se apoia num Cristo que no tem nenhum ancoramento histrico toma-se gnosticismo 
ou docetismo.

Assim, os Evangelhos e o retrato de Jesus que eles nos trazem, passaram a ser vistos como uma elaborao mitolgica produzida pela f da Igreja. Segunso seus defensores, 
foi a imaginao da comunidade que criou as histrias dos milagres e muitos dos ditos de Jesus.

Apesar das diversas tentativas de reconstruo, ao fim chegava-se a um Jesus cuja existncia era no apenas implausvel, como impossvel de ser provada. O Jesus 
liberal, desprovido do sobrenatural e da divindade, foi uma criao da obstinao liberal, que se recusava a receber como autntico o relato dos Evangelhos sobre 
Jesus. A falta de comprovao histrica e documentria quanto ao Jesus liberal acabou por dar fim  "busca". O Jesus do liberalismo pouco se parecia com o Jesus 
da concepo histrica da Igreja de Jesus Cristo, como sendo tanto humano quanto divino, as duas naturezas unidas organicamente numa mesma pessoa. O racionalismo 
eliminou a natureza divina de Cristo e a considerou como produto da Igreja, dissociada do Jesus da histria. Jesus era apenas o grande exemplo, e a religio que 
Ele ensinou era simplesmente um moralismo tico e social.

O Jesus liberal fracassou cm todos os sentidos! Ele acabou fundando uma nova religio, mesmo sem querer. Acabou sendo "endeusado" pelos seus discpulos, contra a 
sua vontade. O seu ensino social e tico de um reino de Deus meramente humano acabou sendo sobrepujado pelo ensino de um reino de Deus sobrenatural, presente e ainda 
por vir. E sua verdadeira identidade se perdeu logo nos primeiros sculos, para ser "redescoberta" apenas depois de 2.000 anos de iluses. Que ironia!

O Jesus libertador

Mas a tentativa dos estudiosos que no criam nos relatos miraculosos dos Evangelhos no parou com o fracasso. Em meados da dcada de 50, outros estudiosos, igualmente 
cticos, acharam que poderiam acertar onde os antigos liberais falharam, desde que no fossem to radicais em seu ceticismo quanto aos relatos dos Evangelhos. Alguns 
discpulos dos telogos liberais afirmaram que, apesar dos muitos erros nos Evangelhos, havia neles elementos histricos suficientes para se tentar chegar ao Jesus 
que realmente existiu. Um deles chegou mesmo a questionar: "se a Igreja primitiva era to desinteressada na histria de Jesus, por que os quatro Evangelhos foram 
escritos?" Os que escreveram os Evangelhos acreditavam seguramente que o Cristo que eles pregavam no era diferente do Jesus terreno, histrico. 

Mas, ao fim, esses pesquisadores da "nova busca" pensavam de forma muito semelhante  dos seus antecessores: o Jesus que temos nos Evangelhos no corresponde ao 
Jesus que viveu em Nazar h 2.000 anos, o qual pode ser recuperado pelo uso da crtica histrica. Uma coisa todos estes pesquisadores, antigos e novos, tinham cm 
comum: no criam na divindade plena de Jesus, na sua ressurreio nem nos milagres narrados nos Evangelhos. Para eles, tudo isso havia sido criado pela Igreja. Alm 
disso, eram todos comprometidos com a filosofia existencialista em sua interpretao dos Evangelhos. Os resultados da pesquisa feita individualmente por eles, porm, 
eram to divergentes, que a "nova busca" acabou desacreditada em meados da dcada de 70.

Mas o ceticismo destes estudiosos no deixou a coisa parar por a. Faz poucos anos, um grupo de 75 estudiosos de diversas orientaes religiosas reuniu-se nos Estados 
Unidos para fundar o "Simpsio de Jesus" (The Jesus Seminar), que os rene regularmente duas vezes ao ano para levar adiante a "busca pelo verdadeiro Jesus". Suas 
idias bsicas so fundamentalmente as mesmas dos que empreenderam a "busca" antes deles, ou seja, que o retrato de Jesus que temos nos Evangelhos  uma caricatura 
altamente produzida, resultado da imaginao criativa da Igreja primitiva. A novidade  que agora incluram material extrabblico em suas pesquisas, como o evangelho 
apcrifo de Tom, o suposto documento "Q" contendo ditos antigos de Jesus e os Manuscritos do Mar Morto.

A concluso do simpsio  que somente 18% dos ditos dos Evangelhos atribudos a Jesus foram realmente pronunciados por Ele. O simpsio, trouxe a pblico esse resultado 
de suas pesquisas bastante cpticas quanto  confiabilidade dos Evangelhos, causando grande sensao e furor nos Estados Unidos e na Europa, e reacendendo, em certa 
medida, o interesse pelo Jesus histrico. E mais uma vez a polmica acerca de Jesus foi reacendida, desta feita ganhando at a capa de revistas internacionais como 
Time, Newsweek e U.S. News & World Report, e do Brasil, como Veja e Isto . Ao final, o Jesus do simpsio  uma mistura de sbio tmido, modesto demais para falar 
de si mesmo ou de sua misso neste mundo. A pergunta : como uma pessoa assim conseguiu ganhar o dio dos judeus e acabar sendo crucificada, um fato que at os antigos 
liberais radicais reconhecem como histrico?

Vrias outras tentativas tm sido feitas cm tempos recentes para se descobrir o Jesus que realmente existiu por detrs daquele que  representado nos textos dos 
Evangelhos. Ele tem sido retratado diferentemente como profeta e libertador social, simpatizante dos Zelotes e de suas idias libertrias, reformador social por 
meio pacficos e espirituais, pregador itinerante carismtico e radical, instigador de um movimento, de reforma, libertador dos pobres, "homem, do Esprito", que 
tinha vises e revelaes e uma profunda intimidade com Deus, de quem recebia poder para curar, fazer milagres e expelir demnios. Um hasid, homem santo da Galilia, 
um judeu piedoso, uma figura carismtica, um operador de milagres, movendo-se fora do ambiente oficial e tradicional do judasmo, um exorcista poderoso e bem sucedido 
- o catlogo  interminvel. Mas todas essas tentativas tm uma coisa em comum: para seus autores, o Jesus pintado pelos Evangelhos  o produto da imaginao criativa 
e piedosa, da f dos discpulos de Jesus. Os defensores destas idias partem do conceito de que a Bblia nos oferece um quadro distorcido do verdadeiro Jesus.

De volta ao Jesus sobrenatural

Entretanto,  preciso mais do que teorias, como estas que acabei de expor, para tornar convincente a tese de que a comunidade crist inventou tanto material sobre 
Cristo, e que ela mesma acabou crendo em sua mentira.  quase inconcebvel que uma comunidade tenha criado material histrico para dar sustentao histrica  sua 
f. Uma comunidade que d tal importncia aos fatos histricos, no os criaria! Alm do mais, essas teorias no levam em conta o fato de que os eventos e ditos de 
Jesus foram testemunhados por pessoas que estiveram com Ele, e que essas testemunhas oculares certamente teriam exercido uma influncia conservadora na imaginao 
criativa da Igreja. Tambm ignoram o fato de que os lderes iniciais da comunidade os apstolos, estiveram com Jesus e muito perto dos fatos histricos para dar 
asas  livre imaginao. Tambm deixa sem explicao o alto grau de unanimidade que existe entre os Evangelhos. Se cada Evangelho  o produto da imaginao criativa 
da igreja, como explicar diferenas entre eles? E se  o produto de comunidades isoladas, como explicar as semelhanas? Essas teorias so especulaes e nada podem 
nos dar de evidncia concreta. Portanto, continuamos a crer nas evidncias internas e externas de que os Evangelho do testemunho confivel do Jesus histrico, que 
 o mesmo Cristo da f. Entretanto, o ceticismo crtico desses estudiosos influenciou de tal maneira os seminrios que introduziu na Igreja de Cristo uma semente 
que produziu seu fruto amargo: um Evangelho e um Cristo, fruto da imaginao da Igreja, e que, portanto no tinham. poder, vitalidade nem respostas para as questes 
humanas. Resultado: igrejas esvaziadas por toda a Europa, em uma gerao.

Queira Deus guardar as igrejas brasileiras dessas pessoas, e firm-las cada vez mais no Senhor Jesus Cristo, fielmente retratado nas pginas dos Evangelho.

Fonte: Revista Fides Reformata

Parte XXIII
REVELAO PROGRESSIVA DO MESSIAS 
So muitas as passagens messinicas no Antigo Testamento cumpridas totalmente em JESUS, nome que, de forma direta ou indireta, permeia toda a Bblia.  formidvel 
vermos o perfil do Messias sendo paulatinamente traado de livro em livro, de versculo em versculo. Com pinceladas seguras, e sem pressa, o Pai se revela aos poucos 
na Pessoa do Filho. 

Deus falou de forma inequvoca pelos profetas sobre o Seu enviado. Somente Ele poderia fazer tais previses: "Quem h, como eu? Que o declare e o exponha na minha 
presena! Quem anunciou desde os tempos antigos as coisas vindouras? Que nos anuncie as que ainda h de vir" (Is 44.7). Em outras palavras, Deus est dizendo: Se 
existir algum que faa como eu, que anuncio o que h de vir, ento se apresente. 

Como num quadro gigantesco, a figura do Salvador vai despontando a cada pincelada. No comeo,  apenas um descendente de Eva; depois,  um descendente de Abrao, 
de Isaque, de Jac; e, por fim, ser "um rebento do tronco de Jess". Mais adiante, Ele  o crucificado, humilhado, trado por trinta moedas de prata, e "por suas 
feridas somos sarados". A poca e a cidade do seu nascimento, sua condio de Filho de Deus, sua misso, tudo predito centenas de anos antes. 

Assim, passo a passo toma corpo, ao longo da Bblia, a exata dimenso do ministrio terreno do Verbo, que era Deus, que estava no princpio com Deus, e que se fez 
carne e habitou entre ns. 

"E disse Deus: Faamos o homem  nossa imagem, conforme a nossa semelhana" (Gn 1.26).

O Deus trino, composto, porm nico, est manifesto no plural "faamos". O Verbo que se fez carne (Jo 1.1,14), esteve presente na Criao. Em verdade, o versculo 
nada revela sobre o Messias, mas  uma introduo ao grande mistrio da Trindade. 

O apstolo Paulo disse que "homens santos falaram da parte de Deus movidos pelo Esprito Santo" (2 Pe 1. 20-21). E So Lucas, no Livro de Atos, confirma: "Mas Deus 
assim cumpriu o que j dantes pela boca de todos os profetas havia anunciado que o Cristo havia de padecer...Dele todos os profetas do testemunho de que todos os 
que nele crem recebero o perdo dos pecados pelo seu nome" (At 3.18; 10.43). Vejamos as profecias: 

Nascido de mulher

Profecia: Deus falando  serpente: "E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferir a cabea, e tu lhe ferirs o calcanhar" 
(Gn 3.15 - Ed. Revista e Corrigida). 

Sem dvida, o perfil do Messias comea a ser esboado a partir desse versculo. Jesus  revelado como a semente da mulher, um descendente de Eva. Ele ferir mortalmente 
a serpente, que  o diabo (Ap 12.9 e 20.2). Deus est falando a uma pessoa, Satans, j que no pode haver inimizade entre um animal e um ser humano. Os anjos decados, 
seguidores do diabo ("tua semente") tambm seriam inimigos de Deus. 

Cumprimento: Jesus foi o nico em toda a Histria da humanidade a declarar que destruiria as obras do diabo. Vejam: "Agora  o tempo do juzo deste mundo; agora 
ser expulso o prncipe deste mundo" (Jo 12.31); "...porque o prncipe deste mundo est julgado" (Jo 16.11); "Para isto o Filho de Deus se manifestou: para destruir 
as obras do diabo" (1 Jo 3.8). A vitria na cruz: "Tendo despojado os principados e as potestades, os exps publicamente ao desprezo, e deles triunfou na cruz" (Cl 
2.15). Jesus veio para nos resgatar das mos do diabo (Is 61.1; Mt 20.28; Lc 4.18; Jo 8.32,36). 

Descendente de Abrao

Profecia: Deus falando a Abrao: "E em tua semente sero benditas todas as naes da terra, porque obedeceste  minha voz" (Gn 22.18; v.Gn 12.3).

Cumprimento: Em Glatas 3.16, o apstolo Paulo explica: "Ora, as promessas foram feitas a Abrao e  sua posteridade. A Escritura no diz: E s posteridades [descendentes] 
como se fossem muitas, mas como de uma s: E  tua posteridade, que  Cristo". Um pouco antes, em Glatas 3.8-9, l-se: "Ora, tendo a Escritura previsto que Deus 
havia de justificar pela f os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abrao, dizendo: Em ti sero benditas todas as naes. De sorte que os que so da f so 
benditos com o crente Abrao".  No Evangelho de So Mateus, Jesus  mencionado como "filho de Davi, filho de Abrao" (Mt 1.1), confirmando a genealogia do Messias. 
A promessa  renovada em Isaque e em Jac, conforme Gnesis 26.2-4 e 28.13-14.

O Profeta de Deus

Profecia: Deus falando a Moiss: "Eis que suscitarei um profeta do meio de seus irmos, como tu, e porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falar tudo o 
que eu lhe ordenar" (Dt 18.18). Moiss ao povo: "O Senhor, teu Deus, levantar um profeta do meio de ti, de teus irmos, semelhante a mim; a ele ouvireis" (Dt 18.15).

Cumprimento: Note-se que Deus no fala de vrios profetas, mas de um profeta a ser levantado no futuro. Os judeus aguardavam esse profeta especial. Quando surgiu 
Joo Batista, perguntaram-no: "Es tu o profeta?" (Jo 1.21). Jesus  o nico que cumpre essa profecia: "Vendo, pois, aqueles homens o milagre que Jesus tinha feito, 
diziam: Este , verdadeiramente, o profeta que devia vir ao mundo" (Jo 6.14). "Verdadeiramente este  o profeta" (Jo 7.40); "Filipe encontrou Natanael e disse: "Achamos 
aquele de quem Moiss escreveu na lei e de quem escreveram os Profetas: Jesus de Nazar, filho de Jos" (Jo 1.45); [Samaritana] "Eu sei que o Messias vir. Quando 
ele vier, nos explicar tudo. Disse-lhe Jesus: Eu o sou, eu que falo contigo" (Jo 4.25-26). Vemos que o prprio Jesus declarou ser o profeta de h muito aguardado. 

Como vimos, Deus disse a Moiss: "Porei as minhas palavras na sua boca". Jesus deu autenticidade a essa profecia, dizendo: "Esta palavra que ouvis no  minha, mas 
do Pai que me enviou" (Jo 14.24); "As palavras que eu vos digo, no as digo por mim mesmo. Antes,  o Pai que est em mim quem faz as obras" (Jo 14.10). 

Da linhagem de Jess

Profecia: "Porque brotar um rebento do tronco de Jess, e das suas razes um renovo frutificar" (Is 11.1).

Davi, filho de Jess, foi ungido pelo profeta Samuel e substituiu Saul no reinado de Israel (1 Sm 16.10-13). Os demais filhos de Jess ficaram excludos da linhagem 
da qual Jesus seria descendente, assim como ficou excludo Esa, irmo gmeo de Jac, filho de Isaque. 

Cumprimento: O Messias seria da linhagem de Davi, tal como registrado na genealogia de Lucas 3.31-32. "E toda a multido se admirava e dizia: No  este o filho 
de Davi?" (Mt 12.23). Jos, marido de Maria, era da "casa de Davi", e o anjo Gabriel revelou que Jesus receberia o "trono de Davi, seu pai" (Lc 1.27,32). Por eliminao, 
estamos chegando ao Messias. Aos poucos, Ele vai surgindo nas Escrituras, numa revelao gradual. Sua filiao, o lugar do seu nascimento, seu carter, sua santidade, 
seu sofrimento e muitos outros detalhes de sua vida.

O Filho de Deus 
Profecia: "Tu s meu Filho, eu hoje te gerei"; "beijai o Filho...Bem-aventurados todos aqueles que nele se refugiam" (Sl 2.7, 12). 

Cumprimento: No Seu batismo, junto ao Jordo, ouviu-se uma voz dos cus: "Este  o meu Filho amado, em quem me comprazo" (Mt 3.17). Declarao semelhante fez Simo 
Pedro, quando disse: "Tu s o Cristo, o Filho do Deus Vivo", revelao plenamente aceita por Jesus (Mt 16.16-17), e tambm confirmada pelo anjo Gabriel (Lc 1.32). 
Outras referncias: Joo 6.40; 8.36; 11.4; 14.13; 17.1. Na Transfigurao, o Pai confirma a filiao divina de Jesus e a sua condio de "o profeta": "Este  o meu 
amado Filho; a ele ouvi" (Lc 9.35).

Sua ressurreio

Profecia: "Porque no deixars a minha alma no inferno [sepultura], nem permitirs que o teu Santo veja corrupo (Sl 16.10). "Desde ento, comeou Jesus a mostrar 
aos seus discpulos que convinha ir a Jerusalm, e padecer muito dos ancios, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro 
dia" (Mt 16.21; 17.9; 20.17-19; Lc 18.33).

Cumprimento: "De repente Jesus lhes sai ao encontro, dizendo: Eu vos sado. E elas, chegando, abraaram os seus ps, e o adoraram" (Mt 28.9; cf. Lc 24.36-48). Pedro 
disse no seu discurso, no dia de Pentecostes: "Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos ns somos testemunhas" (At 2.32). 

O Crucificado 

O Salmo 22 descreve detalhes da crucificao do Messias. Vejamos: 

"Deus, Deus meu, por que me desamparaste?" (Sl 22.1). Cumprimento - As mesmas palavras foram usadas por Jesus na cruz, conforme Mateus 27.46.

"Os que me vem zombam de mim e balanam a cabea" (v.7). Cumprimento - "Os que passavam, blasfemavam dele, meneando a cabea" (Mt 27.39).

"Confiou no Senhor, que o livre" (v.8). Cumprimento- "Confiou em Deus. Livre-o agora, se de fato o ama, pois [Jesus} disse "Sou Filho de Deus" (Mt 27.43).

"Traspassaram-me as mos e os ps" (v.16). Cumprimento - "Se eu no vir o sinal dos cravos em suas mos, e no puser ali o dedo, e no puser a mo no seu lado, de 
maneira nenhuma o crerei" (Jo 20.24-29).

"Repartem entre si as minhas vestes e lanam sorte sobre a minha tnica" (v.18).Cumprimento - "Depois de o crucificarem, repartiram entre si as vestes dele, lanando 
sortes para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta..." (Mc 15.24).

Seus ossos no seriam quebrados

Profecia: "Ele lhe guarda todos os seus ossos; nem sequer um deles se quebra" (Sl 34.20). 

Cumprimento: "Os judeus, pois, para que no sbado no ficassem os corpos na cruz...rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados. Foram, pois, 
os soldados e, na verdade quebraram as pernas ao primeiro e ao outro que com ele fora crucificado. Mas, vindo a Jesus e vendo-o j morto, no lhe quebraram as pernas" 
(Jo 19.32-33). Os corpos deveriam ser retirados da cruz antes das 18 horas daquela sexta-feira, quando se iniciava a contagem do dia seguinte, o sbado sagrado. 

Fel e vinagre para beber

Profecia: "Deram-me fel por alimento, e na minha sede me deram a beber vinagre" (Sl 69.21).

Cumprimento: "E, chegando ao lugar chamado Glgota, que significa Lugar da Caveira, deram-lhe a beber vinho misturado com fel; mas ele, provando-o, no o quis beber" 
(Mt 27.33-34; Mc 22-23).

"Nasceria de uma virgem"

Profecia: "Portanto, o mesmo Senhor vos dar um sinal: A virgem conceber, e dar  luz um filho, e ser o seu nome Emanuel" (Is 7.14). 

Cumprimento: "No sexto ms foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galilia, chamada Nazar, a uma virgem desposada...entrando disse: ...concebers e 
dars  luz um filho, e por-lhe-s o nome de Jesus" (Lc 1.26-35; cf.Mt 1.18-25). "Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo 
profeta [Isaas]: A virgem conceber e dar  luz um filho, e o chamaro pelo nome de Emanuel, que quer dizer Deus conosco". O Verbo se fez carne e habitou conosco. 

Pai da Eternidade

Profecia: "Porque um menino nos nasceu; um filho se nos deu; o principado est sobre os seus ombros, e o seu nome ser: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai 
da Eternidade, Prncipe da Paz" (Is 9.6). 

A divindade de Jesus est expressa de forma muito clara nesse versculo. O prprio Jesus se declarou eterno como veremos a seguir. 

Cumprimento: "Antes que Abrao nascesse, eu sou. Ento pegaram em pedras para lhe atirarem, mas Jesus se ocultou e saiu do templo (Jo 8.58,59). "Se no crerdes que 
EU SOU, morrereis em vossos pecados" (Jo 8.24).

Deus falando a Moiss - "Assim dirs aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vs" (x 3.14).

Jesus usou o mesmo nome pronunciado por Deus quando falou a Moiss. Com relao a xodo 3.14, a Bblia de Estudo Pentecostal faz o seguinte comentrio: "O Senhor 
deu a si mesmo o nome pessoal: "Eu sou o que sou" (de onde deriva o hb. Iav), uma expresso que expressa ao. Deus estava efetivamente dizendo a Moiss: "Quero 
ser conhecido como o Deus que est presente e ativo". Inerente no nome Iav est a promessa da presena viva do prprio Deus, dia aps dia com o seu povo... O Senhor 
declara que esse ser o seu nome para sempre.  digno de nota que quando Jesus nasceu, foi chamado Emanuel, que significa "Deus conosco" (Mt 1.23); Jesus tambm 
se chamava a si mesmo pelo nome "Eu sou" (Jo 8.58)".

Os ttulos de "Conselheiro" e de "Prncipe da Paz" somente podem ser aplicados a Jesus Cristo, que realmente enche de paz os coraes e nos transmite palavras de 
vida eterna (Jo 12.47; 14.27; 16.33; 18.37). A Eternidade de Jesus, e, em conseqncia, Sua divindade, est formulada, tambm, de forma irrecusvel, nos versculos 
1 e 14 do captulo primeiro, do Evangelho de So Joo: "No princpio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. O Verbo se fez carne e habitou entre 
ns. Vimos a sua glria, a glria como do unignito do Pai, cheio de graa e de verdade". Dezenas de outras passagens da Bblia falam da divindade de Jesus.

Cheio de sabedoria e graa

Profecia: "Do tronco de Jess brotar um rebento, e das suas razes um renovo frutificar. Repousar sobre ele o Esprito do Senhor, o Esprito de sabedoria e de 
inteligncia, o Esprito de conselho e de fortaleza, o Esprito de conhecimento e de temor do Senhor" (Is 11.1-2).

Cumprimento: "Tendo ele [Jesus] doze anos, subiram a Jerusalm... Passados trs dias, acharam-no no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. 
Todos os que o ouviam admiraram-se da sua inteligncia e respostas. E crescia Jesus em sabedoria, em estatura e em graa para com Deus e os homens" (Lc 2.42-52).

O Servo sofredor

Profecia: "Vede, o meu servo proceder com prudncia [cumprir a vontade do Pai]; ser engrandecido, e elevado, e muito sublime" (Is 52.13).

Cumprimento: "Jesus disse: A minha comida  fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra" (Jo 4.34); "De sorte que, exaltado pela destra de Deus, 
e tendo recebido do Pai a promessa do Esprito Santo, derramou isto que vs agora vedes e ouvis"(At 2.33); "Pelo que Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome 
que  sobre todo o nome" (Fp 2.9; cf. At 4.12; Cl 3.1; Hb 1.3; 8.1).

"O seu parecer [seu semblante, seu rosto] estava to desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua aparncia mais do que a dos outros filhos dos homens" 
(Is 52.14). 

Cumprimento: Jesus foi muito torturado antes da crucificao: "Mas, tendo mandado aoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado" (Mt 27.26; Mc 15.15; Jo 19.1-3); 
"Ento uns cuspiram-lhe no rosto e lhe davam murros, e outros o esbofeteavam" (Mt 26.67): "E, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-na na sua cabea. E, cuspindo 
nele, tiraram-lhe o canio, e batiam-lhe com ele na cabea" (Mt 27.29-31). John Davis relata no seu Dicionrio da Bblia: "Eram muito comuns as crueldades que precediam 
o ato da crucifixo. Aoitavam o paciente, e depois de lacerado o corpo, obrigavam-no a carregar a cruz". Assim, podemos entender o que diz o salmista sobre a "aparncia 
to desfigurada" de Jesus. 

Traspassado por nossas transgresses

No captulo 53 do livro de Isaas, lemos o relato de profecias escritas h cerca de 700 anos. O "mais ilustre dos profetas", como  conhecido, descreve no s o 
sofrimento de Jesus na cruz; ele, numa linguagem forte que  quase um lamento, diz da finalidade maior da morte de cruz do Cordeiro de Deus. Examinemos a profecia 
e seu cumprimento: 

Profecia: "Mas ele foi traspassado pelas nossas transgresses" (Is 53.5).

Cumprimento: "Quando chegaram ao lugar chamado Calvrio, ali o crucificaram" (Lc 23.33).

Profecia: "Ele foi ferido pelas nossas transgresses, e modo pelas nossas iniqidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos 
sarados" (Is 53.5). 

Cumprimento: "Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudssemos viver para a justia; pelas suas feridas 
fostes sarados" (1 Pe 2.24).

Profecia: "Todos ns andvamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; e o Senhor fez cair sobre ele a iniqidade de todos ns" (Is 53.7). 

Cumprimento: "Deus estava com Cristo reconciliando consigo o mundo, no imputando aos homens os seus pecados, e nos confiou a palavra da reconciliao" (2 Co 5.19). 
Pedro disse: "Pois estveis desgarrados como ovelhas, mas agora voltastes ao Pastor e Bispo das vossas almas" (1 Pe 2.25).  Profecia: "Pois foi cortado da terra 
dos viventes; pela transgresso do meu povo foi ele atingido" (Is 53.8). Cumprimento: "Disse-lhes Jesus: Sastes com espadas e cacetes para prender-me, como a um 
salteador? Todos os dias eu estava convosco ensinando no templo, e no me prendestes. Contudo,  para que se cumpram as Escrituras...Os principais sacerdotes e todo 
o Sindrio buscavam algum testemunho contra Jesus para o matar, mas no achavam. Muitos testificavam falsamente contra ele, mas os testemunhos no eram coerentes. 
Todos o consideraram ru de morte" (Mc 14.48,49,55,56,64).

Como ovelha muda

Profecia: "Ele foi oprimido e humilhado, mas no abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro, e como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele no abriu 
a sua boca" (Is 53.7).

Cumprimento: "E, sendo acusado pelos principais sacerdotes e pelos ancios, nada respondeu. Perguntou-lhe ento Pilatos: No ouves quantas acusaes te fazem? Jesus 
nem uma palavra lhe respondeu, de sorte que o governador estava muito admirado" (Mt 27.12-14).

Com assaltantes na crucificao

Profecia: "Deram-lhe sepultura com os mpios, e com o rico na sua morte, embora nunca tivesse cometido injustia, nem houvesse engano na sua boca" (Is 53.9).

Cumprimento: "E foram crucificados com ele dois assaltantes, um  direita e outro  esquerda"; chegada a tarde, veio um homem rico de Arimatia, chamado Jos, que 
tambm era discpulo de Jesus. Este foi ter com Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus... E Jos, tomando o corpo, envolveu-o num pano limpo de linho, e o depositou 
no seu sepulcro novo, que havia aberto na rocha; rolou uma grande pedra para a entrada do sepulcro, e se retirou" (Mt 27.38,57,58,59,60).

Padecimentos sem conta

Profecia: "Todavia, ao Senhor agradou mo-lo, fazendo-o enfermar, quando a sua alma se puser por expiao do pecado..." (Is 53.10). 

Cumprimento: "Mas Deus assim cumpriu o que j dantes pela boca de todos os seus profetas havia anunciado, que o Cristo havia de padecer" (At 3.18). 

Profecia: "Ele ver o trabalho da sua alma, e ficar satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificar a muitos, e as iniqidades deles levar 
sobre si" (Is 53.11).

Cumprimento: "Pois primeiramente vos entreguei o que tambm recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressurgiu 
ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E que foi visto por Cefas, e depois pelos Doze. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apstolos, e por ltimo de 
todos apareceu tambm a mim, como a um abortivo" (1 Co15.3-8); "Pois todos pecaram e destitudos esto da glria de Deus, e so justificados gratuitamente pela sua 
graa, pela redeno que h em Cristo Jesus" (Rm 3.23-24); "Pois se pela ofensa de um s, a morte reinou sobre todos os homens, para condenao, assim tambm por 
um s ato de justia veio a graa sobre todos os homens, para justificao e vida" (Rm 5.18). 

Intercesso 

Profecia: "Pois ele levou sobre si o pecado de muitos, e pelos transgressores intercedeu" (Is 53.12c). 

Cumprimento: "Jesus disse: Pai, perdoa-lhes, pois no sabem o que fazem" (Mt 27.38; Lc 23.34); "Ele foi entregue por nossos pecados" (Rm 4.25).

O libertador

Profecia: "O Esprito do Senhor Deus est sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar as boas-novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de corao, 
a proclamar liberdade aos cativos e a abertura de priso aos presos" (Is 61.1).

Cumprimento: "E, chegando a Nazar, onde fora criado, entrou num dia de sbado, segundo o seu costume, na sinagoga e levantou-se para ler. E foi-lhe dado o livro 
do profeta Isaas; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito..." Jesus leu Isaas 61.1, como acima, e revelou que aquela profecia estava se cumprindo 
naquele momento (Lc 4.18-21). Mais tarde, Ele afirmaria que "se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" (Jo 8.32,36). O apstolo Paulo disse que "Cristo 
nos libertou para que sejamos de fato livres" (Gl 5.1a). 

Belm, cidade natal

Profecia: "E tu, Belm Efrata, posto que pequena entre milhares de Jud, de ti me sair o que ser Senhor em Israel, e cujas origens so desde os dias da eternidade" 
(Mq 5.2).

Efrata  o antigo nome da cidade de Belm, conforme Gnesis 35.16.19; 48.7; Rute 1.2; 4.11. A profecia de Miquias define qual seria a cidade natal do Messias, distinguindo-a 
de outras cidades com o mesmo nome, para que no pairasse dvida. Por exemplo, havia uma cidade chamada Belm, dentro do territrio da tribo de Zabulom (Js 19.15).

Cumprimento: "Tendo Jesus nascido em Belm da Judia, no tempo do rei Herodes..."(Mt 2.1; Lc 2.4-7). O nome atual da cidade onde nasceu Jesus  Beit-Lahm, situada 
 distncia de 10 quilmetros ao sul de Jerusalm. Belm Efrata era tambm conhecida como a "cidade de Davi" (Lc 2.11). 

Entrada triunfal em Jerusalm, num jumentinho

Profecia: "Alegra-te muito,  filha de Sio! Exulta,  filha de Jerusalm! V! O teu rei vir a ti, justo e Salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, 
cria de jumenta" (Zc 9.9). 

Cumprimento: "E Jesus, tendo conseguido um jumentinho, montou-o, segundo est escrito..." "No dia seguinte a grande multido que viera  festa ouviu que Jesus estava 
a caminho de Jerusalm. Tomaram ramos de palmeiras, e saram ao seu encontro, gritando: Hosana! Bendito  aquele que vem em nome do Senhor! Bendito  o rei de Israel!" 
(Jo 12.12-16; cf. Mt 21.1-11; Lc 19.28-38).

O arrependimento dos rebeldes

Profecia: "Sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalm derramarei o Esprito de graa e de splicas. Olharo para mim, a quem traspassaram, e o prantearo 
como quem pranteia por seu filho nico, e choraro amargamente por ele, como se chora pelo primognito" (Zc 12.10). 

Cumprimento: "Contudo, um dos soldados traspassou-lhe o lado com uma lana, e imediatamente saiu sangue e gua" (Jo 19.34). Eis que os israelitas reconhecero o 
grave erro, choraro arrependidos por haverem rejeitado o verdadeiro Messias, e sero atendidos em suas oraes. Estas palavras sero cumpridas na volta de Jesus. 

Pastor ferido e ovelhas dispersas

Profecia: " espada, ergue-te contra o meu Pastor e contra o varo que  o meu companheiro, diz o Senhor dos Exrcitos; fere o Pastor, e espalhar-se-o as ovelhas, 
mas volverei a minha mo para os pequenos" (Zc 13.7). A profecia fala de um semelhante a Deus ("meu companheiro"), um Messias divino, um Pastor-Messias, que seria 
crucificado e abandonado pelos discpulos.

Cumprimento: Dando autenticidade s palavras de Zacarias, Jesus disse: "Todos vs esta noite vos escandalizareis por minha causa, pois est escrito: Ferirei o pastor, 
e as ovelhas do rebanho se dispersaro" (Mt 26.31; Mc 14.27). Realmente, quando Jesus foi preso, todos fugiram de sua presena (Mt 26.56; Mc 14.49-50; Jo 18.8).

Trado por um amigo e vendido por 30 moedas de prata

Profecia: "At o meu prprio amigo ntimo, em quem eu confiava, que comia do meu po, levantou contra mim o seu calcanhar" (Sl 41.9). "Pesaram, pois, o meu salrio, 
trinta moedas de prata. E o Senhor me disse: Arroja isso ao oleiro, esse belo preo em que fui avaliado por eles. Tomei as trinta moedas de prata, e as arrojei ao 
oleiro na casa do Senhor" (Zc 11.12-13).

Cumprimento: "Ento um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os principais sacerdotes, e disse: Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei. E pagaram-lhe 
trinta moedas de prata" (Mt 26.14-15). A Bblia diz que Judas trouxe as trinta moedas e as atirou aos ps dos sacerdotes, que resolveram comprar com esse dinheiro 
"o campo do oleiro, para sepultura dos estrangeiros" (Mt 27.1-7).

ELE VOLTAR

Esse mesmo Jesus que predisse sua prpria morte, e ressurreio ao terceiro dia, prometeu retornar para buscar a Sua igreja. Por tudo o que lemos, h alguma dvida 
de que a profecia sobre o Seu retorno se cumprir? Vejamos o que Ele prometeu:

"Ento aparecer no cu o sinal do Filho do homem, e todos os povos da terra se lamentaro e vero o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do cu, com poder e grande 
glria. E ele enviar os seus anjos, com grande clangor de trombetas, os quais ajuntaro os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma  outra extremidade dos 
cus" (Mt 24.30-31).

"E quando eu me for, e vos tiver preparado um lugar, virei novamente, e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais vs tambm" (Jo 14.3 - A Bblia 
de Jerusalm).  "Venho logo! Segura com firmeza o que tens para que ningum tome a sua coroa" (Ap 3.11 - ABJ).  "Eis que cedo venho! Bem-aventurado aquele que guarda 
as palavras da profecia deste livro" (Ap 22.7). "Eis que eu venho em breve, e trago comigo o salrio para retribuir a cada um conforme o seu trabalho" (Ap 22.12- 
ABJ).  "Aquele que d testemunho destas coisas diz: Certamente cedo venho" (Ap 22.20).  Vem, Senhor Jesus

Parte XXIX
JESUS, PADROEIRO DO BRASIL
 A Comisso de Educao e Cultura do Congresso analisa o projeto nmero 290/99, apresentado pelo deputado federal Marcos Antnio de Barros (PST/PE), propondo destronar 
"Nossa Senhora" Aparecida do cargo de padroeira do Brasil, e, em substituio, declarar o Senhor Jesus como o novo Padroeiro. A proposta vem ao encontro dos anseios 
da Igreja de Jesus. Chegou a hora de reparar o lamentvel erro de nossos legisladores, com o consentimento da Igreja Catlica, ao oficiliazar a humilde me de Jesus 
na misso de protetora da nao brasileira. Colocar Maria em to elevado cargo foi um equvoco. Vejamos: 

A nomeao de Maria nunca foi aceita pela totalidade dos brasileiros. Se excluirmos os catlicos nominais - assim considerados aqueles que, embora se declarem catlicos, 
no so fiis ao catolicismo -, e aceitarmos como autntica a estatstica que revela a existncia, no mnimo, de 20 milhes de evanglicos no Brasil, mais alguns 
milhes de espritas, verificaremos que a supremacia do Vaticano neste pas  algo de que se pode duvidar. Pelo menos, de forma racional, no podem e no devem os 
catlicos - em casos tais - decidirem em nome de todos os cristos. Doutra parte, estatsticas demonstram que a tendncia dos brasileiros  de rejeio aos dogmas 
do Vaticano, e de obedincia  Palavra de Deus. H quase duas dcadas, o ritmo de crescimento dos evanglicos no Brasil vem superando o do crescimento da populao. 
Enquanto a populao cresce a uma taxa de 1,36% ao ano, os evanglicos crescem a 5,18%, conforme pesquisa do Servio para a Evangelizao da Amrica Latina (Sepal). 
Um estudo insuspeito, realizado em 1994 por assessores da Arquidiocese de So Paulo, revelou que em fins de 1980 a comunidade evanglica no pas cresceu a uma taxa 
de 14%. Estes dois argumentos so de razes prticas. Logo, em questes de f a Igreja Catlica no responde em nome do povo brasileiro. Seus dogmas, decretos, bulas 
e decises so dirigidos aos seus seguidores. Que Maria seja a me e padroeira dos catlicos, nada impede que assim pensem e creiam. No se pode admitir que, por 
decreto, se estenda a deidade de Maria sobre crentes e no crentes.

Do ponto de vista teolgico, no se pode deixar de admitir que o Senhor Jesus  o nosso nico Protetor. Vejamos: "BEM-AVENTURADA [FELIZ]  A NAO CUJO DEUS  O 
SENHOR, E O POVO QUE ELE ESCOLHEU PARA A SUA HERANA" (Salmos 33.12); "Deus  o Rei de toda a terra; Deus reina sobre as naes"(Salmos 47.7-8); "Bem-aventurado 
o homem que pe no SENHOR a sua confiana..." (Salmos 40.4); "Os que confiam no SENHOR sero como o monte Sio, que no se abala, mas permanece para sempre. Como 
esto os montes  roda de Jerusalm, assim o SENHOR est em volta do seu povo, desde agora e para sempre" (Salmos 125.1-2); "Deus  o nosso refgio e fortaleza, 
socorro bem presente na angstia"(Salmos 46.1). "Elevo os olhos para os montes: de onde me vir o socorro? O meu socorro vem do SENHOR, que fez o cu e a terra; 
o SENHOR  quem te guarda" (Salmos 121.1,2,5). "Cheguemos, pois, com confiana ao trono da graa, para que possamos alcanar misericrdia e achar graa, a fim de 
sermos ajudados em tempo oportuno" (Hebreus 4.16). Como se v, a proteo vem do Senhor. No vem de santos falecidos.

O Primeiro Mandamento  categrico: "NO TERS OUTROS DEUSES DIANTE DE MIM" (xodo 20.3). J que, como vimos, Maria no  nossa protetora, poderia ela agir como 
mediadora, encaminhando nossas peties ao Filho, e este ao Pai? No, no pode. A Palavra responde: "Porque h um s Deus e UM S MEDIADOR entre Deus e os homens, 
Jesus Cristo, homem" (1 Timteo 2.5). Se Maria nem ao menos pode ser mediadora, advogada ou intercessora, como poderia ser nossa protetora, ou seja, nossa padroeira? 
Jesus disse: "-me dado todo o poder no cu e na terra" (Mateus 28.18). O poder foi dado a Jesus.

Ademais, a Bblia nos ensina a orar a Deus. Em nenhuma parte, de Gnesis a Apocalipse, encontramos qualquer mandamento, ensino ou sugesto no sentido de dirigirmos 
nossos pedidos a pessoas falecidas. Jesus, indagado pelos apstolos, ensinou: "Portanto, vs orareis assim: PAI NOSSO, que ests nos cus..." (Mateus 6.9). Em outra 
parte Ele diz: "Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ORA A TEU PAI, que v o que est oculto" (Mateus 6.6). Logo, seria um contra-senso, 
e contra a Palavra de Deus, manter na posio de padroeira de uma nao um dolo que no pode ser medianeira, no pode ser depositria de nossas preces, e, por no 
possuir o atributo da onipresena, no pode ouvir o clamor dos seus "protegidos". No se trata aqui de desmerecer a me de Jesus ou faltar-lhe com o devido respeito. 
Todavia, no lhe podemos prestar honras acima do seu merecimento. Ela foi honrada por Deus porque escolhida entre as mulheres para que acolhesse no seu ventre Aquele 
que veio trazer as Boas Novas. Devemos nos espelhar no seu exemplo de fidelidade, amor, humildade e f. Honremos, pois, a Maria, mas Adoremos ao Filho, Aquele que 
morreu na cruz por nossos pecados.

Para ns evanglicos, a aprovao ou no do projeto de mudana do Padroeiro no mudar a situao de nossa f em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Ele continuar 
sendo, como sempre, o nosso Protetor, nosso Socorro, nosso Auxlio, nosso Advogado, nosso Mediador, nosso Intercessor, Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai 
da Eternidade, Prncipe da Paz, Caminho, Verdade e Vida, Libertador, Videira Verdadeira, Alfa e mega, Autor e Consumador da F, Cabea da Igreja, Cordeiro de Deus, 
Desejado de Todas as Naes, Deus Unignito, Grande Sumo Sacerdote, Justia Nossa, Legislador, Mensageiro da Aliana, Pastor e Bispo das Almas, Pedra Angular, Rei, 
Renovo, Resplandecente Estrela da Manh, Senhor da Glria, Senhor de Todos, Senhor dos senhores, Fundamento da Igreja e Salvador. Jesus, o Santo dos santos.

Parte XXX
Cristo e o Brasil Urbano
Parte I 
De incio este tema pode soar um tanto quanto estranho, mas, se pararmos para refletir veremos que, este deve ser o objetivo do nosso estudo da Cristologia bblica, 
isto , apresentar Cristo de forma clara para o nosso Brasil urbanizado.
Muito da forma pela qual nos vestimos, pensamos e agimos, foi importada de outros pases; no  diferente de nossa forma de lermos as Escrituras. 
Infelizmente muitos de ns no consegue relacionar o texto bblico com o contexto no qual estamos inseridos - O Brasil Urbano; possivelmente por herdarmos do Iluminismo 
uma viso simplesmente racionalista das Escrituras em detrimento dos aspectos: afetivo, relacional e sobrenatural, no conseguimos ir alm daquele "olhar" superficial 
do texto bblico.
Diante mo  importante dizer que, a teologia  uma cincia que se comunica, ou seja, ela trabalha atravs do "dilogo" entre a cultura e a Palavra; ela no conseguir 
cumprir o seu papel se no inter agir com o mundo a sua volta tentando entender os traos: culturais; econmicos; polticos e religiosos do nosso contexto de vida, 
e ainda buscando ser absolutamente fiel ao texto Bblico lido, fazendo uso de uma Hermenutica que respeite a Inerrncia das Escrituras e que, procure ao mximo 
compreender a mente do autor de um dado livro Bblico.

Ao lermos a Bblia temos que ter em mente trs elementos: A Bblia, o Contexto no qual estamos inseridos e a Misso da Igreja (Barro: 2002). Tendo esta perspectiva 
em vista ser muito mais fcil para ns aplicarmos as verdades da Palavra ao nosso "habitat natural". Assim, vamos olhar para o Quarto Evangelho e tentar contextualizar 
em nosso Pas a sua Cristologia; ou seja, vamos analisar, mesmo que de forma panormica, o paradigma Cristo-Missiolgico do Evangelho de Joo. Pois bem, depois desta 
pequena introduo vamos nos deter um pouco mais no tema proposto. Comecemos tentando abordar um pouco acerca do nosso Pais; quais as razes que o levaram a ser 
como ? Por que presenciamos cenas de misria e injustia social em nossa cidades etc.?

Bem, provavelmente no ano de 1980 o Brasil comeava a passar pelo que  chamado de Urbanizao; ento, o Pas que era basicamente Rural se encontra agora se deslocando 
para as cidades, no af de conseguir uma vida melhor tendo em vista a pobreza que, j campeava no ambiente rural por razo do coronelismo do interior.
Um dos fatores que mais impulsionaram o processo de Urbanizao em praticamente todo o mundo foi a Industrializao e o Desenvolvimento Tecnolgico de uma forma 
geral. Assim, toda a cultura interiorana d espao para a cultura das grandes Metrpoles.
Hoje, segundo dados do IBGE, temos cerca de 80% da populao brasileira morando nas cidades; e este nmero tende a aumentar cada vez mais.

Podemos, ento, elencar as principais caractersticas da vida Rural e da vida Urbana respectivamente afim de que visualizemos melhor as diferenas culturais e sociais 
entre os dois. Conforme observamos, a urbanizao trouxe profundas conseqncias para a vida do Brasileiro.  Existe ainda um outro desdobramento em conseqncia 
da Urbanizao que,  a pobreza. Quem morava nos interiores nutria um forte desejo de conseguir uma vida melhor, ento, muitos se deslocavam para as cidades com 
a azfama de "vencer" na vida; no entanto, chegando l e se deparando com uma triste realidade, tudo comeava a mudar. Por falta de moradia muitos tiveram que, escolher 
os barracos; por falta de oportunidades de emprego os pais incentivavam os seus filhos logo cedo a trabalhar; por falta de "perspectiva" muitos escolheram o crime. 

Assim, o Brasil de hoje  um misto de Pobreza e Riqueza ao mesmo tempo; ele vive uma espcie de ambivalncia, pois em um mesmo bairro podemos encontrar grandes manses 
com vrios carros na garagem e, do outro lado da rua misria total e gente sem ter nem o que comer.  Por fim,  possvel, portanto, afirmarmos que, presenciamos 
um certo trao de Secularizao em nosso pas, pois o homem do campo respeitava os valores "cristos", no entanto, hoje, o que sobrou foi um completo distanciamento 
da moral crist em razo do Pluralismo e Relativismo tpico das cidades. Tendo j descrito o cenrio no qual estamos inseridos vamos, portanto, no prximo texto 
adentrar um pouco no Quarto Evangelho para tentarmos aplicar a sua Cristologia ao nosso Pas.

Parte XXXI
Apontamento sobre o livro: "Cristo: Uma crise na vida de Deus"
De Jack Miles - So Paulo: Companhia das Letras, 2002 
NOTA BIOGRFICA DE MILES E COMENTRIO SOBRE A IMPORTNCIA DA LEITURA DESTA SUA OBRA Jack Miles nasceu em Chicago, em 1942. Ex-jesuta,  doutor em lnguas do Oriente 
e Mdico pela Universidade de Harvard. Foi professor da Universidade da Califrnia e presidente do Crculo Nacional de Crticos Literrios. Dele, a Companhia das 
Letras publicou Deus - Uma biografia, vencedor do Prmio Pulitzer. Para Miles, Deus tinha um propsito muito mais pessoal do que universal ao enviar Jesus. Deus, 
como Jack Miles descreve, estava com srios problemas diante de suas criaturas, pois Ele mesmo, o Deus Todo-Poderoso, tinha, ao que parece, perdido o controle sobre 
estas.  claro que, mesmo sendo o autor destes apontamentos feitos sobre o livro de Jack Miles, no concordo com ele, mas, vejo a importncia do estudo sobre a sua 
obra pelo fato de, atravs dela, respondermos uma pergunta muito pertinente que nos acompanha, como leitores da Bblia Sagrada: "DEUS MUDOU NA PESSOA DE CRISTO?"

PRLOGO
CRUCIFICAO E A CONSCINCIA DO OCIDENTE
Jack Miles diz que a crucificao, a cena fundamental da religio e da arte ocidentais, perdeu muito do seu poder de chocar. Atualmente, talvez somente os no ocidentais 
possam perceber a crucificao na sua forma real, ou seja, dar o devido valor a este ato.
A questo que nos sobrevem, segundo o autor deste livro,  a de que, se Deus teve de sofrer e morrer, ento Deus teve de infligir sofrimento e morte sobre si prprio. 
Mas, porque Deus faria isso? Uma resposta seria um dito francs: "compreender tudo  perdoar tudo. Todo criminoso foi antes uma vtima". Assim, Albert Camus j tinha 
escrito, se referindo a Deus, que "ele prprio sabia que no era completamente inocente". Se o Cristo crucificado  divino, ento os sofredores so como deuses. 
Como Deus, o Senhor no pode deixar de existir, mas, como Cristo, pode experimentar a morte, isto , sua prpria maldio imposta sobre a humanidade, e assim, compreender 
tudo, para a tudo perdoar!
O Pai sofre com o Filho, pois o Pai e o Filho so um s com o Esprito. Ento, quando Cristo sofre na cruz, para Miles, o crucificado  ao mesmo tempo inocente e 
divino, ele  ao mesmo tempo divino e culpado por ser ele Deus-homem. Seu lado humano,  o que herda a inocncia, e Seu lado divino, ao contrrio do pensamento contido 
na Hamartiologia comum,  o que herda a culpa. Deus, com isto, se desculpa tornando-se humano, pois o mundo  um grande crime, para Jack Miles, e algum deve ser 
obrigado a pagar por isso.

1. O MESSIAS, IRONICAMENTE

Neste captulo, a questo apresentada  a de "o que Deus estava pensando na eternidade". A resposta a ns apresentada  que Deus era o todo abrangente pensamento 
de si prprio. Em certo ponto no tempo, essa mesma autoconscincia divina e muda se expressou. Porque Deus fez isto? Porque a raa humana, a quem Deus concedera 
domnio sobre o mundo, tinha se distanciado dele. Deus torna-se um deles. Dessa vez, foi igualmente rejeitado, ainda que por meio dessa rejeio tenha realizado 
algo glorioso. Pois, atravs da rejeio, Ele compreende o que sentiu a humanidade quando rejeitada por Ele mesmo no princpio, diante do pecado de Ado. Joo, o 
Batista, quando no batismo de Jesus, a encarnao de Deus, sada-o como o Cordeiro de Deus. O Cordeiro de Deus? Jack Miles argumenta que um leo viria mais a calhar! 
Pois, qual  o significado dessa estranha frase? Ao referir-se a ele como um animal, o que Joo Batista est querendo dizer? Miles assevera que algo impronuncivel 
de repente fora meio dito. Uma resposta seria a de que, no ritual israelita e judeu, o que o sacrifcio do cordeiro de fato levava embora era mais maldio do que 
pecado. Ela representava o reconhecimento da antiga Israel de que o Senhor ainda no revertera a maldio que havia proferido contra todas as criaturas humanas logo 
depois de as ter criado. O animal era inocente, assim como Deus deveria tomar a forma humana (inocente) diante da culpa divina, e sofrer humanamente a pena da maldio, 
que  a morte. A questo, para os judeus da poca de Cristo, foi que o esperado filho de Davi devesse fazer o papel de animal de sacrifcio! Parecia-se mais, para 
eles, uma blasfmia. Esperava-se mais Deus como sacrificador e no como sacrificado, pois o sacrificado levava a culpa. Porm, era isto que, segundo Miles, Deus 
estava fazendo, levando sua culpa. A oferta simbolizava o arrependimento do sacrificante, assim, Deus como oferta, simboliza Seu prprio arrependimento. Deus arrependeu-se! 
Mas do qu? O que ele fez de errado?  aqui onde o demnio passa a ter um papel avaliativo na capacidade de Jesus como Deus.
Quando o Demnio mostra possuir um certo poder fsico sobre Jesus, leva-se, com isto,  pergunta que ele quer ver respondida. Especificamente: quanto poder Jesus 
tem de fato  sua disposio? Quando o Demnio sugere que Jesus transforme a pedra em po, est se referindo a muito mais do que  mera fome. Por trs da sugesto, 
est a memria de um momento anterior no deserto quando o Senhor alimentou toda Israel com comida miraculosa. O que o Demnio est realmente dizendo a Jesus : "Voc 
 Deus, o deus que, naquela poca, realizou o milagre do alimento no deserto? Se isso  verdade, prove-o realizando outro." O demnio diz: "Dar-te-ei toda esta autoridade 
(...) porque ela me foi entregue". Foi entregue por quem? Por quem, se no pelo prprio Senhor? uma pergunta interessante, que Miles faz  que, ser que o demnio 
que desafia Jesus no o estar fazendo em nome do Deus que lhe "havia entregado" esse poder? Pois, Deus entregara o mundo ao Demnio quando Ado e Eva pecaram. Jesus 
no reivindica o poder ao seu oponente, mas, mostra que poderia faz-lo, pois o poder definitivo est com o Senhor. o que Jesus deixa em suspenso,  a questo de 
"se" e "quando" ir reivindicar o poder que, no fim das contas,  seu.
A pergunta diante de tudo isto nos  apresentada no livro de Miles, como: "Por que ele se contm tanto?" Esta pergunta, poderia at ser respondida com outra pergunta: 
"Que confiana Jesus tem em si prprio?" Estar Jesus mantendo-se com grandeza acima da briga? Ou ser sua preocupao a preocupao do seqestrado? A questo do 
"Cordeiro de Deus" continua em aberto. Como pode um imperador ser um cordeiro, ou um cordeiro ser um imperador? Mussolini disse: "Vale mais um dia como leo do que 
mil anos como cordeiro". 
Jesus realiza seu primeiro milagre, como diz Jack Miles, relutante. Este primeiro milagre, no foi uma mensagem aos convidados da festa em si, mas aos seus discpulos. 
A primeira ao pblica da carreira de Jesus, foi na verdade um ataque ao Templo. A destruio do primeiro Templo, Deus deixou claro na poca, no foi obra da Babilnia, 
mas sua. Assim, Jesus demonstra que ele  o mesmo Deus que usou a Babilnia. Porm, na sua ameaa contra o Templo, tentava ele mostrar uma tipologia entre o Templo 
literal, com o Templo figurativo, que era seu corpo. O cordeiro expiatrio  familiar; um cordeiro humano  estranho. O Templo  igualmente familiar; um templo humano 
 estranho novamente. Ento, na verdade, quando disse para destrurem o Templo, estava desafiando-os a matarem-no.

A capacidade do Deus encarnado de "saber o que era a natureza humana" foi sendo adquirida gradualmente. Jesus, invariavelmente, parece compreender os desejos de 
seus interlocutores melhor do que eles prprios. Isto, provavelmente, porque ele, agora que era humano, tinha a totalidade do conhecimento do que  ser humano.

Jesus fala a Nicodemos sobre uma nova criao, mas privadamente. E mostra ao sbio fariseu que, apesar de seus conhecimentos terrenos, ele no podia ainda falar 
se Jesus vem de Deus ou no, pois esta capacidade  dada aos "regenerados" apenas. 
Jack Miles diz que no A.T., Deus  desatento consigo mesmo. J no N.T. Ele torna-se obcecado por si prprio. Prova disto, mostra-nos o autor,  quando Deus diz a 
Moiss que Ele  o "Eu Sou" - Miles diz que este  Seu nome nu e cru.  como se Deus desse um nome a si mesmo, naquele instante, ao descobrir a necessidade de um 
nome. Ele no vive entre outros deuses, por isto no precisa de um nome, mas passa a lidar com seres humanos, e tambm com a idia de outros deuses, ento, agora 
necessita de um nome. 

No caso da serpente de bronze do deserto, Deus mostra aos israelitas que Ele  a doena e tambm o remdio. Assim, as serpentes no eram a causa de suas mortes, 
mas sim Deus. Jesus, se referindo a este fato, diz que Ele ser levantado da mesma forma que a serpente de bronze no deserto. Olhando para Jesus, como para a serpente 
no deserto, estariam olhando para a causa e tambm para a cura de seu sofrimento. O mundo precisa ser salvo, mas para tal, necessita-se de uma nova criao, pois 
este mundo est perdido. Porm, conforme Miles, a nova criao requer a morte do criador. 
Um ponto muito complicado tratado neste livro, foi a questo da assexualidade do Pai e a sexualidade do Filho. Segundo Miles, os "filhos de Deus" (Gn. 6), parecem 
descobrir o sexo somente quando encontram as filhas dos homens. Deus  celibatrio porque  o nico de sua espcie. Ento, surge a questo que Jack Miles nos mostra, 
que, o que Joo quer sugerir quando chama o Deus encarnado de noivo? Surge ento uma pergunta muito interessante, se Deus agora est encarnado, vivendo como um homem, 
no poderia ele consumar um casamento comum a si mesmo? E se isto tivesse ocorrido? Quando os evangelhos foram escritos, o celibato era considerado condio apropriada 
para qualquer filsofo. Deus, em toda a histria, no recrimina o sexo, mas sim a libidinagem. Sendo assim, at mesmo em suas conversas figurativas dirigidas ao 
Israel rebelde, Ele mostra-se como um marido enfurecido pela incontinncia sexual de sua esposa, e no pelos desejos em si. Miles escreve que quando Deus fez Eva 
para Ado, no a fez para gerar filhos, mas para que o homem no estivesse s. Desta forma, a procriao teria comeado apenas depois da "queda", quando a imortalidade 
foi perdida. A reproduo passa a ser, conforme esta viso, uma evidncia da maldio. Com isto, o autor chega  concluso que se no tivesse morrido cedo, Jesus 
teria se casado.  No desenrolar de suas manifestaes no N.T., Jesus admite que  o Messias, mas a uma mulher samaritana, considerada na poca, pelos judeus, como 
herege. Jesus fez isto, segundo Miles, para dar a entender aos judeus que eles eram como aquela mulher, adltera e, assim como os judeus consideravam os samaritanos, 
herege. A mulher interpreta a ateno de Jesus a ela, como um flerte, mas Jesus corrige seu pensamento sobre ele. Assim como a mulher teve cinco esposos (senhores), 
sem nenhum ser seu marido, os samaritanos tiveram vrios deuses, sem nenhum deles ser o verdadeiro Deus. Jesus se apresenta a ela como o "Eu Sou", e ela acredita-lhe, 
pelo mesmo motivo que levou Natanael a acreditar-lhe, Jesus leu sua mente e seu passado. Jesus mostrou  mulher samaritana que a salvao vem dos judeus, mas no 
acaba neles. Seus discpulos vm esta sua atitude como promiscuidade, uma simbologia  promiscuidade de Deus, isto , simbolicamente, seu interesse por outros povos. 
Para findar este captulo, Miles expe a questo de "quem seus discpulos pensam ser ele". Foram-lhe conferidos alguns papis, na seguinte ordem de apario: 1. 
Juiz; 2. Cordeiro de Deus; 3. Messias (Filho de Davi e Filho Adotivo de Deus); 4. Filho do Homem; 5. Templo; 6. Noivo; 7. Profeta e Legislador (Um Segundo Moiss). 

2. UM PROFETA CONTRA A PROMESSA

Sua primeira cura, j foi, diante do pensamento judeu, contrria, pois curou uma criana romana (Jo. 4:49-53). Parece que Jesus tenta esconder algo, talvez todo 
seu poder? Um demnio, num breve encontro com Jesus, parece tentar rasgar seu disfarce (Lc. 4:33-37), dizendo: "Eu sei quem voc ." Tambm nos  sugerido aqui, 
que como Deus encarnado, Deus parece haver perdido seu apetite por punies. 

Em Lucas 4:16-22, Jesus disse que a profecia de Isaas 61:1-2 que diz: "hoje se cumpriu", estava em seu pleno cumprimento nEle. Isto fez com que os homens de Nazar, 
insultados, tentassem mat-lo. Jesus diz, em Lucas 4:25-27, que Elias deu ateno aos estrangeiros, ao invs de usar todo o seu tempo aos israelitas. E  aqui onde 
Miles pergunta se ser que Jesus est sugerindo, de forma escandalosa, que a profecia que "hoje se cumpriu" ser cumprida no em benefcio de Israel, mas sim de 
seus vizinhos e inimigos? Sugerir que Elias, em seu retorno, empregaria seus poderes em benefcio de outras naes, em vez de Israel,  um misto de blasfmia e traio. 
Se "liberdade para os cativos" refere-se a alguma outra coisa que no a liberdade de Israel do jugo estrangeiro, o que seria? A grande pergunta que pairava no ar, 
enquanto esta mensagem de Jesus estava sendo proferida em Nazar, era: "No  este o filho de Jos?" a resposta  sim, e deve ser sim. Na verdade, no foi a maneira 
do nascimento de Jesus que daria-lhe autoridade divina, pois Deus poderia facilmente ter introduzido a concepo em uma virgem sem que, no momento em que ela desse 
 luz, ele prprio fosse o beb.  a identidade do beb, no a maneira do nascimento, que  indita. Maria fica sabendo, por Gabriel, que seu filho ser o Messias, 
o descendente do rei Davi e que restaurar a grandeza de Israel. Ainda tratando do nascimento de Jesus, Miles nos suspende com a seguinte afirmao: "Deus poderia 
ter se tornado humano sem comear sua existncia humana no tero de uma mulher. Mas, Deus no quis privar-se do momento to conhecido e diferenciado, que  o nascimento. 
Apesar de todos os bebs serem parecidos, todas as cenas de nascimento so diferentes entre si. Outra coisa bem frisada nesta parte do livro,  que Jesus nasceu 
em um momento humilhante da vida dos judeus, propositadamente,  claro - pois estavam passando por um censo conduzido por um poder estrangeiro. Algo chocante  o 
fato de Deus se submeter a este tipo de humilhao, ao invs de acabar com esta dominao gentlica sobre seu povo, para mostrar o poder de sua encarnao. 

Fato  que, Jack Miles chega  concluso que Deus repudia, com suas atitudes por intermdio de Jesus, seu passado guerreiro. Deus no havia mudado seu modo de pensar, 
pois punio ainda era punio para ele, e recompensa ainda  recompensa; s que a entrega de uma e outra acontecer no cu e no na terra. O marco distintivo do 
ensinamento de Cristo,  a frase "oferece a outra face". Mas, ser que Deus faz mesmo assim? Jack Miles, afirma que Deus, na verdade est em mudana. Porm, qual 
 a razo de sua mudana? No h resposta para tal, segundo o autor! Simplesmente Deus quis mudar. Quando Jesus diz "eu porm vos digo", para Miles  uma reviso 
do que Deus havia dito no passado, ou seja,  a prova da mudana de opinio da parte de Deus. 

Porque Deus, ao invs de agir como no passado, diferenciando uma nao especial das demais, agora nivela a todos? A resposta de Jack Miles  que na maior crise de 
sua vida, Deus faz da terrvel necessidade uma virtude herica. 

O autor do livro em apreo, diz que Deus, na verdade, no pode ser respeitado pelo seu poder apresentado aos judeus da poca de Jesus. Ele pode, no mximo, ser honrado 
por servios prestados no passado, pois, a Segunda parte da promessa de punio-e-reabilitao de Deus nunca foi cumprida. Assim, em vez de declarar sem disfarces 
ser incapaz de derrotar seus inimigos, Deus pode declarar que no tem inimigos, que ele agora se recusa a reconhecer qualquer distino entre amigo e adversrio. 
Miles, diz que isto no custou nada a Deus, e que alm disto, Ele imps sua prpria carga sobre ns, ensinando-nos a amarmos nossos inimigos.

Deus, na verdade, estava se desarmando, segundo Miles. O autor ainda cita que em Daniel 7, tem a viso dos reinos: babilnico, medo, persa e grego (segundo a simbologia 
de cada animal apresentado na viso). Assim, o quinto reinado seria o de Deus, e isto no aconteceu no N.T. Schweitzer tambm afirmou que Jesus acreditava, que por 
sua prpria morte, Roma cairia, que a histria terminaria e o Reino de Deus seria estabelecido at o final dos tempos. Para Jack Miles, os judeus tinham que reconhecer 
o bvio, Deus no estava atrasado em suas aes guerreiras, na realidade, Ele no era mais o Deus guerreiro. Assim como Deus se priva de dar o direito de algum 
exigir-lhe que volte a ser o que era no passado, Deus tambm no exige mais de sua nao antes escolhida, que ajam dentro de sua lei passada! Deus isenta-os da lei, 
pois Ele mesmo se isentou de ser aquele tipo de legislador. 

Como foi que o guerreiro divino acabou pregando o pacifismo? Miles sugere a seguinte resposta, que Deus criou uma nova virtude humana a partir de sua necessidade 
divina. Encontrou um modo de transformar sua derrota em vitria, mas a derrota veio primeiro. O preo do pacifismo de Deus, segundo o autor, foi o assassinato de 
Joo Batista. O representante de Israel, o judeu devoto por excelncia,  Joo, que ouve a triste notcia de Deus, que as promessas da aliana no sero mantidas, 
ou que sero mantidas de uma forma totalmente diferente, a ponto de tornar-se em nova aliana. 

Subitamente, Jack Miles d uma freada em sua tese do processo de mudana de Deus, a afirma que alguns de seus traos antigos ainda subsistem. Sua ruptura com a violncia 
no implica renncia a todas as formas de resistncia. A prostituta que beija-lhe os ps, na realidade, ensina-lhe o poder da vtima sobre o agressor. Herodes mata 
Joo Batista, mas fica atormentado das idias, com medo de Joo retornar  vida. 
Roma tentou empregar a morte como meio de entretenimento, e isto chocou os judeus, porm, os judeus cristos chocaram de igual modo os romanos, tornando o martrio 
em forma de protesto e at mesmo de honra (segundo o professor Jorge Pinheiro). A tortura passa a no demonstrar apenas coragem, mas tambm passa a funcionar como 
meio de mudar a mente do torturador. Apesar de no ser essa a promessa de Deus aos judeus, Ele agora os ensina a vencer seus opressores sendo cordeiros. 
Quando Jesus acalma a tempestade, est demonstrando a marca distintiva de Deus, que  o poder sobre o mar. Isto trs as pessoas mais para perto de si, pela curiosidade 
do "quem  este". Porm, quando ele fala em beber sangue, muitos o abandonam. Parecia-lhes que Jesus estava ensinando o canibalismo. O sangue sempre era proibido 
como alimento aos judeus. O cordeiro, para ser sacrificado, precisava ter sido esgotado de seu sangue, principalmente se este fosse ser servido como alimento. A 
vida est no sangue. Porm, aqui est um simbolismo, pois o cordeiro literal no tinha o poder de dar a vida ao ofertante, enquanto o Cordeiro de Deus - Jesus - 
tinha tal poder, por isto, seu sangue poderia ser bebido - simbolicamente - na Ceia do Senhor. 

3. O SENHOR DA BLASFMIA

Em primeiro lugar, para confirmar isto, Jack Miles cita que Ele, flagrantemente, viola a lei do descanso no Sbado.
A resposta mais conflitante deste captulo, parece, foi a que seguiu-se  seguinte pergunta: "Mas  porque Jerusalm est rejeitando Deus encarnado que ele os abandonar 
aos romanos?" Respondendo a tal inquirio, Miles diz que tambm  possvel, do mesmo modo, que seja o contrrio. Como Deus sabe que abandonar Jerusalm aos romanos, 
deve arranjar para que Jerusalm o abandone aos romanos primeiro. 

Quando Ele recusa condenar uma adltera, pela lei que Ele mesmo estabelecera, para Miles  uma amostra de que Ele se tornou mais misericordioso. Na verdade, o autor 
diz que com este ato de no condenar aquela mulher pela Lei, tambm deixar de condenar Israel pela Lei. O Senhor Deus , de fato, ru, e sabe do que pode ser acusado, 
mas sua maneira de pedir misericrdia  difundir a misericrdia. Em poucas palavras, Miles diz que diante de seu povo pecador porm sofrido, Deus pode no s ser 
misericordioso, como tambm penitente. Se Jesus parece condenado, s pode ser porque Deus condenou a si prprio. 

Em Joo 10:11-21, Jesus mostra que, na realidade, sua morte era um suicdio em benefcio de todos. Este tipo de suicdio, Dietrich Bonhoeffer assevera como desculpvel 
diante de Deus, em seu livro "tica", dizendo: "O ser humano pode sacrificar sua vida fsica em favor de outrm, pois  livre para morrer. (...) Esta liberdade de 
morte est condicionada no sentido de que o alvo no seja a destruio da vida, mas, o bem visado no sacrifcio." (Dietrich Bonhoeffer. tica). Na sua morte, Deus 
na verdade no est derrotando Roma, mas sim, o poder afligidor de seu verdadeiro opressor, o Diabo, e na sua ressurreio, est vencendo o imprio da morte e no 
o imprio romano. Prova de que sua morte, na realidade estava dentro de seus planos,  que, primeiro ele inclina sua cabea, e depois morre. Normalmente o processo 
 o contrrio quando a morre-se, pois o inclinar de cabea  a consequncia da morte. Assim, a teologia da expiao conservadora, entra em atrito com esta afirmao, 
pois no  mais Deus sacrificando Jesus, mas sim, Deus sacrificando-se em Jesus. 
Com isto, Deus resolve a grande crise em sua vida, pois derrotando Csar, Ele poderia recuperar a terra de Cana, mas essa no  a guerra que ele escolhe lutar. 
Ele escolheu, em vez disso, derrotar Sat e, assim, derrotar a morte em si mesma e levar seu povo para a nova terra prometida da vida eterna. 

Miles diz que Jesus  como um poltico astuto, que responde  pergunta que preferiria tivesse sido feita, ao invs da pergunta exposta pelos que lhe rodeiam. Assim, 
Jesus leva seus ouvintes a trs assuntos direcionados, os quais so: o adultrio, o suicdio e a escravido. Por causa desta habilidade de Deus, de mudar de assunto 
sem ningum se tocar, o autor do livro comentado aqui, diz que o monumental assunto central de toda a histria israelita foi mudado com sucesso. A pergunta irrespondvel 
foi abandonada deliberadamente. Embora o preo completo ainda esteja por ser pago, a crise na vida de Deus foi resolvida. 

O novo mandamento de Deus, passa a ser a bondade com os estranhos.  como se o calendrio tivesse voltado para o sexto dia da criao. E Deus, no o homem, tivesse 
o direito de recomear sem os erros iniciais dantes cometidos. Aqui Ele tem o direito de reconstruir a prpria identidade, pois na passada, Ele no conseguiu se 
firmar. Sob o novo regime, ainda h distines de povos, porm, estas distines deixam de ser tnicas e passam a ser ticas. A destruio de seus inimigos, assim, 
deixa de ser no desenvolvimento da histria, e passa para o fim da mesma. O crescimento do joio junto ao trigo, passa a ser a resoluo da crise na vida de Deus. 
Neste novo regime, a adorao  Deus torna-se dependente da bondade aos estranhos. Como sinal de sua nova maneira de agir, de sua nova vitria, no contra Roma, 
mas contra a morte, ele ressuscita a Lzaro. 
4. O CORDEIRO DE DEUS
Esta  a mudana na mente de Deus. Ele no  mais o sacrificador, mas o sacrificado. Deus era responsvel pelas aes nacionais e internacionais, diferentemente 
dos deuses pagos, que se dividiam nestas funes. Agora, na nova aliana, Ele passa a ser Deus internacional, indiferente ao que sofre uma nao, seja ela quem 
for. O Deus da guerra torna-se o Deus da sabedoria. Deixa suas aes concretas para empenhar-se muito mais em aes abstratas. Para Miles, esta inatividade militar 
de Deus  uma sada para que no o consideremos como fracassado. 
Miles escreve que o poder de Satans  a explicao do porque Deus no manteve suas antigas promessas aos judeus.  Sat quem deve finalmente ser dominado;  ele 
quem deve finalmente ser forado a reconhecer a manifesta superioridade do Senhor. na instituio da Pscoa, no Egito, Deus queria ser reconhecido como o Senhor 
dos Exrcitos, na ltima Pscoa de Jesus, ele escolhe desempenhar o papel de cordeiro pascal. 

O que na realidade complicou a vida humana, no foi a implicabilidade do pecado de Ado e Eva, mas sim, a implicabilidade da maldio que Deus lanou sobre eles. 
Para tal, antes Deus mandava que oferecessem-lhe sacrifcios, em Jesus, Ele  o sacrifcio. Deus vence, com isto, o sistema mundial entregue a Satans, e no o mundo 
em si, com seus reinos e reis. 

Jesus, assim como os patriarcas do A.T. faz seu discurso antes de sua morte. Os discursos dos antepassados judeus, eram profticos e didticos, assim com o de Jesus. 
Porm, o de Cristo  bem diferente em contedo. Ele recorre, para o ensino proftico e didtico, ao gesto teatral de uma ao ritual: 1. Ele lava os ps de seus 
discpulos; 2. Ele prev traio, mas prega amor; 3. A Ceia do Senhor (aqui  o porque o sangue pode ser bebido simbolicamente, pela vitria contra a morte); 4. 
Tende bom nimo, eu venci o mundo (resistindo a afronta).

Jesus, ento,  preso, julgado, aoitado e condenado. Com isto, ele cria um perfil no militar, para Miles, de sucesso poltico, que  o de ser bem-sucedido na paz. 
Desta forma, no podero mais os povos rirem do povo de Deus quando este passar pelo ridculo, pois foi pelo ridculo que seu Deus tambm passou e suportou! Por 
mais blasfemo que possa parecer a um judeu, Ele  crucificado como o Rei dos Judeus. 
Ele volta  vida, se corporifica, ascende aos cus e se casa.  assim que Jack Miles define os prximos passos de Jesus. Quando Jesus volta  vida, ele faz o mesmo 
papel que Gabriel fez a Daniel, o de exegeta. Assim, Miles chama a entronizao do Cordeiro de Deus de uma comdia, de ridcula, pois mais parece uma exegese forada 
para ele. Ainda mais no ponto onde h uma referncia ao casamento de Cristo com a Noiva, que como tantas comdias, termina em casamento.
A mudana da mente de Deus  o grande assunto da Bblia Crist, segundo o autor em deste livro comentado. Deus quebrou a sua promessa, para Miles, porque na hora 
certa no conseguiu ir adiante, como se tudo tivesse fugido de seu controle. Desta forma, Deus teve de aprender a como vencer na derrota.
EPLOGO

O Jesus ao qual Jack Miles tratou neste livro, como ele explica em seu eplogo,  o Jesus literrio e no o histrico. O Jesus literrio no passa pela problemtica 
do histrico, pois o literrio  tanto divino quanto humano. A crtica histrica l a Bblia como a autocaracterizao de um autor. J a crtica literria est livre 
para beber o vinho. 
Para o autor, Deus Filho no  absolutamente o tipo de homem que algum esperaria que Deus Pai se tornasse. A questo  que Deus tinha algo to chocante a dizer, 
que s poderia diz-lo humilhando-se a si mesmo. Ele apenas substituiu uma esperana v, firmada erroneamente por ele mesmo, por uma que ainda pode ser realizada. 
Para tal, como Deus ele no pode parar de existir, ento tomou a forma humana para dramatizar a substituio de sua mensagem, morrendo, da ressurgindo com novas 
promessas!
Os exegetas cristos receberam um tipo de convite para ouvir o A.T. no N.T. de modo harmnico. Portanto, a apreciao literria cultiva referncias internas, de 
preferncia a referncias externas. Fazendo assim, tm-se feito o que os autores do prprio N.T. fizeram. A Bblia, para a crtica literria  como uma janela de 
vitral (roscea), porm, no devemos ver atravs dela, mas sim, ela. Rudolph Bultmann afastou-se da tese reformada do sola scriptura e definhou-se pelo pensamento 
crtico do sola fide. Porm, Schweitzer j havia seguido este caminho anteriormente. 
Os pr-modernos ensinaram a no vermos atravs da Bblia. Pois esta, deveria passar pelo crivo do se  verdadeira ou no. A partir do momento que  tida como verdade, 
a mente est livre para explorar a Bblia. Como disse o prprio Jack Miles: "No h nada a ser feito no Davi de Michelangelo; o cinzel j o tocou pela ltima vez. 
(...) O que atrai os espectadores, crendo ou descrendo, para a roscea da Bblia, no  o que pode ser visto atravs dela, nem como os vidros foram coloridos e juntados, 
mas o que o vitral mostra em si mesmo e por si mesmo, e o que todos estes fragmentos recortados de luz e cor, operando juntos, fazem acontecer atrs dos olhos do 
observador".

Estude com f depois de ter terminado os seus estudos, envie seu questionrio com as respostas devidas para o endereo de e-mail: teologiagratis@hotmail.com, se 
assim quiser, logo aps respondido e corrigido o questionrio, alcanando media acima de 7,5, solicite o seu Lindo DIPLOMA de Formatura e a sua Credencial de Seminarista 
formado, tambm poder solicitar estagio missionrio em uma de nossas igrejas no Brasil ou exterior traves da Federao Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil 
ou Fenipe, que depois do Estagio se assim o achar apto para o Ministrio poder solicitar a sua ordenao por uma de nossas organizaes filiadas no Brasil ou no 
exterior, assim voc poder tambm receber a sua Credencial de Ministro Aspirante ao Ministrio de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Esta apostila tem 146 pagina 
boa sorte.

Sem nadas mais graa e Paz da Parte de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo bons estudos.
Reverendo Antony Steff Gilson de Oliveira 
Pastor da Igreja Presbiteriana Renovada de Nova Vida
Presidente da Federao Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou Fenipe



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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
